Trampolim da Vitória: Do Real à Simulação Print
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Thursday, 18 November 2010 13:18
 
 

O retorno dos Americanos à Base Aérea consagrada durante a II Guerra Mundial

 

Durante a CRUZEX V as imagens em cores e alta definição revelam a atmosfera de Guerra Simulada na Base Aérea de Natal (BANT), com o uso da mais avançada tecnologia e novas fontes de informação. Mas, a presença dos soldados americanos em território potiguar, 65 anos depois do fim da II Guerra Mundial, traz à tôna uma história timidamente conhecida pela população, embora de relevância poucas vezes registrada em território brasileiro.

“Era vida ou morte ter uma base em Natal”. É como Frederico Nicolau resume a importância da BANT durante o conflito. Ele é diretor de pesquisa e ensino da Fundação Rampa, organização criada para preservar a memória da aviação no Brasil. De acordo com o pesquisador, a história real não é conhecida em sua plenitude e os fatos mais divulgados não representam o tamanho e a influência que teve a Base durante o período. “Tudo passava por Natal. Era parada obrigatória. Não seria possível alcançar tamanho êxito durante a guerra sem a localização estratégica oferecida pela BANT”, explica.

O Rio Grande do Norte foi escolhido para a construção da Base por apresentar a distância mais curta para a travessia aérea sobre o oceano Atlântico. Daí a origem do apelido “Trampolim da Vitória”. Após o início de seu funcionamento, em 1942, a BANT mantinha uma rotina intensa, funcionando durante 24 horas e chegando a até 800 pousos ou decolagens a cada dia. As viagens eram realizadas com destino a Dacar ou de retorno aos EUA.

A instalação trouxe avanços e mudanças tanto para as tropas norte-americanas quanto para Natal. A maior contribuição da presença americana se efetivou nos costumes e serviços. A formalidade predominante até então deu lugar aos shorts, camisetas, chicletes e óculos escuros. Também foram inseridos ao cotidiano do natalense os ritmos do foxtrot e do swing, que embalaram as noites dos jovens da época. A rotina comercial também foi modificada, especialmente com as construções civis. “O crescimento econômico e comercial de Natal foi notável. Afinal, chegamos a receber um contingente de 10.000 soldados, que afetaram diretamente a vida cultural da cidade”, completa Frederico.

Atualmente, os próprios militares americanos desconhecem a participação de Natal na II Grande Guerra. Segundo o Tenente-Coronel Paul Aguirre, chefe de comunicação da delegação americana na CRUZEX, foi uma surpresa saber sobre o tamanho da operação. “Viemos para um lugar onde não tínhamos noção da importância histórica. Fomos surpreendidos”, relata. “É magnífico tentar imaginar o funcionamento da Base Aérea durante a Guerra. Não podemos ganhar uma guerra sem logística e foi justamente por essa característica que fomos bem sucedidos com as instalações em Natal”, finaliza.

Fotos: Arquivo Força Aérea Brasileira e S1 Silva Lopes / Força Aérea Brasileira