Parceria não prevê transferência, diz Amaral PDF Print E-mail
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Tuesday, 23 November 2010 12:49

 

O objetivo do tratado entre Brasil e Ucrânia é comercial, e não a transferência de tecnologia, diz o diretor-geral brasileiro da Alcântara Cyclone Space (ACS), Roberto Amaral, em resposta às críticas ao acordo entre os dois países. Segundo Amaral, no entanto, "obviamente ocorrerão naturais absorções de tecnologia, devido à necessidade de trabalho conjunto entre brasileiros e ucranianos".

"A razão estratégica da parceria Brasil-Ucrânia é ter um lançador e um centro de lançamento de onde se possa enviá-lo ao espaço sideral", disse Amaral em entrevista ao Valor. "A razão principal nunca foi a transferência de tecnologia. O projeto não dá ao Brasil autonomia tecnológica, mas nos dá aumento na soberania", argumenta o diretor-geral da ACS.

Na opinião de Amaral, isso significa dizer que o Brasil "não mais dependerá de vários países para colocar seus satélites no espaço, terá seus próprios veículos e será capaz, com o tempo, de arregimentar e absorver tecnologia para construir os próprios satélites".

De acordo com a ACS, o convívio entre técnicos ucranianos e brasileiros, o desenvolvimento conjunto de tarefas, o desenvolvimento futuro de novos aperfeiçoamentos de foguetes, representam efetiva transferência de tecnologia. De acordo com Amaral, "a efetiva transferência de tecnologia, mais que da assinatura de contratos, depende do trabalho e da pesquisa partilhados".

Efetivamente, o tratado entre Brasil e Ucrânia é comercial e impede transferência de tecnologia, mas, segundo apurou o Valor, acordos posteriores abriram uma brecha - entre eles um assinado pelo próprio Amaral - "relativa ao estabelecimento de um programa de cooperação bilateral científico-tecnológico" no que se refere ao "uso pacífico do espaço exterior". Além disso, a ACS deve desenvolver, paritariamente (brasileiros e ucranianos) o Cyclone-5 (ou Cyclone-4 A ou Cyclone- 4-1). O acordo atual já prevê que toda a documentação - em inglês - referente ao foguete e ao sítio de lançamento pertence à ACS.

Amaral está convencido que a inclusão do país no fechado clube de lançadores de foguete permitirá que o Brasil tenha benefícios objetivos, como o atendimento aos nossos próprios satélites, que não precisarão procurar outros centros para serem postos em órbita.

Por outro lado, o complexo que envolve a fabricação de foguetes e seu lançamento induz à geração de produtos de elevado nível tecnológico. "Esse desenvolvimento reduzirá nossa dependência de importação de tecnologia na área espacial específica e em áreas congêneres, entre as quais a indústria da defesa", afirma o diretor da ACS. Segundo Amaral, deve-se considerar também "os serviços que, durante a implantação do sítio de lançamento do Cyclone-4, serão contratados às empresas brasileiras, na construção civil, nos equipamentos tecnológicos e terrestres", afirma Amaral. (RC e VS)

 Fonte: Valor Econômico

 

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