Crise política no Paquistão preocupa os EUA PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Tuesday, 04 January 2011 14:12

 
 

Perda de maioria em coalizão pró-Ocidente ameaça governo paquistanês; americanos dizem que interferência externa poderia piorar a situação


Os EUA admitiram estar preocupados, mas decidiram manter distância da crise que a administração pró-americana no Paquistão enfrenta desde a perda, no domingo, do apoio do segundo maior partido da coalizão. Washington teme que uma interferência aumente a instabilidade em um país considerado fundamental na Guerra do Afeganistão.

Em Islamabad, as negociações políticas prosseguiram ontem, com o presidente Asif Ali Zardari expressando apoio ao premiê Yusuf Raza Gilani e seu Partido do Povo do Paquistão (PPP).

Segundo autoridades americanas, a crise é uma questão doméstica do Paquistão e os EUA não podem se envolver. Ao mesmo tempo, a administração de Barack Obama deixou claro ser a favor de uma estabilidade política em Islamabad para não haver ainda mais obstáculos na luta contra o Taleban e a Al-Qaeda no vizinho Afeganistão e também em áreas paquistanesas.

No domingo, o partido Movimento Muttahida Qaumi (MQM, na sigla em inglês) decidiu deixar a coalizão de Gilani e ir para a oposição com o argumento de que discorda da política de preços dos combustíveis da administração atual. Esta decisão do governo foi acertada com o FMI para a liberação de um empréstimo de cerca de US$ 11 bilhões em 2008. Analistas diziam ontem em jornais paquistaneses que o partido estaria apenas barganhando para reatar com o PPP em uma posição mais
privilegiada.

O gabinete do presidente Zardari, que pertence ao mesmo partido de Gilani, divulgou comunicado dizendo ter "total confiança no primeiro-ministro" e se posicionou "solidamente em apoio a ele para impedir qualquer tentativa de desestabilizar a coalizão de governo".

Com a saída do MQM da coalizão, Gilani ficaria com 12 cadeiras a menos do que o necessário para manter a maioria no Parlamento. O mandato do atual governo termina apenas em 2013. Analistas afirmam ser quase impossível a dividida oposição conseguir se unir para formar um novo governo. Desta forma, se o premiê sofrer um voto de desconfiança, novas eleições deverão ser convocadas.

Gilani se reuniu ontem com diversas autoridades políticas ligadas ao governo e também à oposição, incluindo Shahbaz Sharif, irmão do ex-premiê Nawaz Sharif, principal figura da oposição. O objetivo era evitar o voto de desconfiança. O partido (Liga N) de Sharif, que segue uma corrente islâmica moderada, não mantém boas relações com o MQM.

A crise política já teve efeitos econômicos, com a Bolsa de Valores de Karachi tendo uma queda de 2%. Segundo analistas, os investidores temem que haja repercussões na economia do país.

Fonte: O Estado de S. Paulo - Gustavo Chacra

 

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