Defesa ficará sem R$ 4 bilhões PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Wednesday, 16 February 2011 13:42

 

Oito por cento dos cortes em prol do equilíbrio das contas públicas orquestrado pelo governo serão feitos no ministério

 

O Ministério da Defesa arcará sozinho com cerca de 8% do corte de R$ 50 bilhões no Orçamento programado pelo governo para equilibrar as contas públicas e frear a disparada dos preços. Investimentos e custeio das Forças Armadas, da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e da Infraero serão enxugados em R$ 4,024 bilhões, redução de 39,5% sobre a parcela contingenciável da pasta (R$ 10,2 bilhões) e de 26,5% sobre o total do orçamento previsto de R$ 15,2 bilhões para este ano. O ministro afirmou, após reunião com os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Planejamento, Miriam Belchior, realizada ontem pela manhã, que vai se reunir com os comandantes das três Forças para dividir o corte e analisar a redistribuição do dinheiro restante.

Programas como a construção de estaleiro para montagem de quatro submarinos convencionais e um nuclear (Prosub) deverão ser atingidos em parte. Patrulhamento de fronteira, manutenção de equipamentos e aeronaves também estão entre as ações que sofrerão com a tesourada. A maior parcela do financiamento do Prosub provém de investimento da França, o que garante que, apesar do possível corte, o programa não será interrompido.

Como chefe das Forças Armadas, Nelson Jobim prometeu cumprir a ordem de reduzir os gastos sem questioná-la e evitou fazer uma avaliação do tamanho da tesourada que afetará a pasta. “Não temos que achar coisa alguma. A definição (da redução) depende do andamento da economia e do Orçamento”, afirmou. “(As Forças) não têm que ficar descontentes, terão de cumprir”, emendou.

Prioridades


Jobim vai se reunir com a equipe técnica do ministério para analisar o volume de investimento perdido e reajustar o orçamento de acordo com as prioridades de Exército, Marinha e Força Aérea, incluindo também a Anac. “Uma das despesas que podem ser afetadas é a incorporação de militares”, afirmou. A média anual de admissão é de 70 mil homens. O ministro evitou dizer o tamanho da provável redução. Nelson Jobim foi o primeiro a receber o detalhamento do esforço que a pasta terá de fazer para reorganizar os gastos e atender os planos de corte da presidente Dilma Rousseff. Depois de se reunir com Mantega e Miriam, Jobim foi ao Palácio do Planalto para encontrar a presidente.

A minúcia do corte no Orçamento só será revelada no início da próxima semana, segundo a secretária de Orçamento, Célia Corrêa. Ela garantiu que a retenção manterá o intuito da equipe econômica em não atingir os investimentos, mas prometeu um ajuste severo nos gastos da máquina. “Vamos preservar (os projetos), sim. Vai dar para mantê-los. Com um corte de R$ 50 bilhões, não ficará muita coisa de pé (entre as despesas de custeio)”. Desde o anúncio feito na semana passada, poucos analistas acreditam que a quantia poderá ser alcançada sem deprimir os recursos para obras de infraestrutura e projetos sociais.

O corte deste ano nas Armas não afeta a compra dos aviões caças do Programa FX2 da Força Aérea. Três modelos concorrem pela aquisição: o Gripen, da sueca Saab; o Rafale, da francesa Dassault; e o F-18, da Boeing norte-americana. Se Dilma decidir qual será o vencedor da compra neste ano, o impacto só será sentido a partir de 2012, podendo ser estendido em mais um ano a depender da formatação do contrato.
 

 Fonte: Correio Braziliense - Tiago Pariz / Gabriel CaprioliI

 

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