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Written by Administrator   
Saturday, 12 March 2011 00:00

 

 


Aeronaves são parte da renovação da frota que prevê a chegada de mais seis Black Hawk em Santa Maria até 2012


A partir de agora, as missões humanitárias e de busca e salvamento, de interceptação e escolta de aeronaves estranhas, de transporte de tropas e até de combate em todo o país contarão com um reforço aéreo. No dia 1º de março, pousaram na Base Aérea de Santa Maria (Basm) dois helicópteros H60L Black Hawk (em português, Falcão Negro), conhecidos no mundo inteiro por sua alta tecnologia e que são usados pelas Forças Armadas dos Estados Unidos e de vários países. O Black Hawk é considerado, por muitos, como o melhor helicóptero em sua categoria.

As aeronaves foram compradas pela Aeronáutica e são as primeiras de um total de oito que devem chegar até 2012, no processo de renovação da frota da organização militar santa-mariense. Com isso, a Basm se torna a segunda unidade da Aeronáutica no Brasil a operar com o modelo. Apenas a base aérea de Manaus, no Amazonas, utilizava a aeronave. O Exército Brasileiro também possui os helicópteros em Manaus. Nos últimos 40 anos, a Basm utilizou o modelo H1H, o mesmo usado pelos EUA na Guerra do Vietnã.

Em solo gaúcho, os Black Hawk serão usados pelo Quinto Esquadrão do Oitavo Grupo de Aviação (5º/8º GAv), sediado na Basm, conhecido como Esquadrão Pantera, e representam avanço em tecnologia e capacidade. Eles podem transportar carros de combate içados por gancho de carga que suporta até quatro toneladas (veja detalhes no quadro).

Na prática, as aeronaves ajudarão em missões de resgate. De acordo com o comando do esquadrão, ações como as que ocorreram durante as enchentes na região (em Agudo e Toropi) em 2010, poderão ser feitas com mais segurança e sob condições meteorológicas adversas. Além disso, a possibilidade de fazer voos noturnos e a facilidade de manobrar a aeronave entre obstáculos deverão tornar as missões mais eficientes.

– Esse helicóptero é muito mais moderno, é mais fácil de operar, tem custo de manutenção menor, capacidade de carga e velocidade muito maiores. A sociedade brasileira ganhou um presente por meio da Força Aérea. Estamos orgulhosos de sermos os precursores dessa mudança – declarou o tenente-coronel aviador Luiz Marques de Lima, comandante do 5º/8º GAv.

Segundo o comandante da Basm, coronel aviador José Eduardo Rup-penthal, outros dois Black Hawk devem chegar este mês. Em 2012, devem ser recebidos os quatro restantes. Conforme o comandante, todos já foram comprados. O valor pago pelas aeronaves não foi divulgado pela Aeronáutica.

– O esquadrão (5º/8º) é um dos poucos que fazem todo o tipo de missão. Conseguia fazer essas missões com um helicóptero muito antigo, usado em filmes de guerra (Vietnã). Precisávamos de helicópteros que estivessem prontos para voar a qualquer hora. No caso da queda da ponte de Agudo, pudemos transportar pouca gente. Com esse helicóptero, teríamos mais autonomia, maior tempo de voo – avalia Ruppenthal.

O esquadrão ajudou em missões de resgate no Estado e em Santa Catarina, com o H1H, mas não pôde ajudar no resgate às vítimas das enchentes no Rio de Janeiro, neste ano, segundo o comandante, devido às condições das aeronaves.

Treinamento 
Metade do esquadrão, composto no total por 35 pessoas, está habilitado a tripular o Black Hawk. O treinamento foi feito em Manaus. A outra metade do grupo de aviação fez curso teórico em Santa Maria e receberá treinamento prático com a chegada dos helicópteros à Basm. O esquadrão já comprou duas metralhadoras laterais para equipar cada um dos helicópteros, que devem chegar em março. Outras metralhadoras frontais devem ser adquiridas.

Destino 
Dos seis H1H usados pela Basm, cinco foram enviados ao Rio e passaram por inspeção para serem destinados a outras bases militares. O último modelo antigo ainda está no 5º/8º e deve ser destinado a Campo Grande (MS) para ser usado para formação de tripulações.

"Entregamos o futuro para o esquadrão"

Os novos helicópteros do Esquadrão Pantera (5º/8º GAv), sediado na Basm, foram trazidos por um grupo de 14 militares. Cada tripulação era composta de três pilotos e quatro mecânicos. Eles saíram no dia 13 de fevereiro da fábrica da Sikorsky em Elmira, no Estado de Nova York, no norte dos Estados Unidos, quase fronteira com o Canadá. Nos dias seguintes, percorreram a costa leste de diversos países americanos, das ilhas do Caribe (América Central), da Guiana (América do Sul) e entraram no Brasil por Boa Vista (RR).

Em território brasileiro, fizeram o registro das aeronaves na Receita Federal. Depois, cruzaram vários Estados até o Rio Grande do Sul. Após 16 dias, às 17h35min de 1º de março, finalmente, pousaram na Base Aérea de Santa Maria (Basm).

No total, foram percorridos 11,2 mil quilômetros em 50 horas de voo. Durante a viagem, além de belas paisagens, os militares passaram por algumas dificuldades, entre elas, as diferenças climáticas. Eles enfrentaram desde neve, nos Estados Unidos, até o forte calor da Amazônia. Mas nada que diminuísse o orgulho de trazer as novas aeronaves para a cidade Coração do Rio Grande.

– Saímos de 22°C negativos em Elmira, Estados Unidos, passamos pela Amazônia, que tem um calor úmido, e chegamos a Santa Maria com temperatura de 30ºC – conta o tenente-coronel aviador Luiz Marques de Lima, comandante do 5º/8º GAv.

Em uma espécie de palanque, montado na pista da Basm, minutos após a chegada em Santa Maria, o coronel Marques, discursou:

– Tive quatro grandes impressões dessa viagem. A primeira é que não existe país mais bonito que o Brasil. A segunda é que não existe povo mais atencioso. A terceira é que não existe coluna vertebral que consiga resistir a 11,2 mil quilômetros de voo, em um helicóptero. A última é que nosso esquadrão é muito bom. Estamos entregando o futuro para o esquadrão.

 Fonte: Diário de Santa Maria - LIZIE ANTONELLO

 

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