Kadafi envia emissário ao governo britânico, que é criticado por receber desertor ligado a Lockerbie PDF Print E-mail
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Friday, 01 April 2011 15:38

 

 

 

A confirmação de que o chanceler Moussa Koussa — suspeito de ter ligações com o atentado de Lockerbie, em 1988 — recebeu o aval do premier David Cameron para fugir para o Reino Unido pôs ontem Londres no centro do conflito líbio. Essa posição foi reforçada pela revelação do “Guardian” de que o regime de Muamar Kadafi enviou um emissário de confiança — Mohammed Ismail — à capital britânica para encontros secretos com autoridades, no que poderia ser um sinal de que o ditador busca uma saída para o conflito. No início da semana, o governo britânico havia apoiado uma saída de exílio para Kadafi.


O encontro com Ismail é supostamente apenas um dos muitos contatos recentes entre o regime líbio e autoridades britânicas. Segundo uma fonte diplomática ouvida pelo jornal, esses contatos são seguidos de sinais cada vez mais claros de que os filhos de Kadafi estão traçando uma estratégia de retirada. De acordo com um funcionário da Chancelaria britânica, a resposta tem sido enfática.


— Falamos que Kadafi tem que sair, e haverá acusações pelos crimes cometidos no Tribunal Penal Internacional — afirmou. No plano político, o regime líbio ficou mais enfraquecido quando outro alto funcionário próximo a Kadafi — o ex-chanceler Ali Abdessalam Treki — desertou, provocando em Trípoli uma onda de boatos sobre a deserção de outros ministros e militares. Segundo a al-Jazeera, os desertores seriam o premier e o porta-voz do Parlamento, mas a informação não foi confirmada.


O chanceler italiano, Franco Frattini, afirmou que serão as deserções dos aliados mais próximos a Kadafi, e não a ação militar da coalizão, que vão tirar o ditador do poder. Rebeldes querem julgar ex-chanceler Antigo chanceler líbio e ex-presidente da Assembleia Geral da ONU, Ali Abdessalam Treki havia sido chamado para representar seu país na ONU, depois que os diplomatas líbios no órgão desertaram.


Mas ontem ele afirmou, no Egito, que não aceitaria esse cargo nem nenhum outro. Em fevereiro, outros funcionários do governo já haviam renunciado, como o ministro da Justiça, Mustafa Abdul-Jalil, o ministro do Interior, Abdel-Fattah Younis e o chefe do órgão de desenvolvimento, Mahmoud Jabril.


Em Londres, o chanceler e agora desertor Moussa Koussa — considerado até pouco tempo um dos aliados mais fiéis a Kadafi — encontrou-se com autoridades britânicas, que negaram a existência de um acordo para que ele cooperasse com a coalizão em troca de imunidade. O governo britânico afirmou que, antes de fugir a bordo da Tunísia, Koussa consultou os EUA e o premier David Cameron, que aprovou a decisão do chanceler.


Para Cameron a renúncia de Koussa mostra que o regime de Kadafi está se desfazendo: — A decisão do ex-ministro das Relações Exteriores de vir a Londres e renunciar a seu posto mostra o desespero e o medo no próprio coração do regime de Kadafi, que desmorona, apodreceu. Koussa era considerado um dos pilares do regime líbio desde a revolução de 1969. Ele foi descrito pelo chanceler britânico, William Hague, como “um dos mais altos funcionários do regime de Kadafi”, e um dos principais contatos entre o regime e o Ocidente.


A presença de Koussa em Londres, no entanto, incomoda membros da oposição e familiares de vítimas do regime líbio, já que o ex-chanceler figura, desde o mês passado, em segundo lugar numa lista do Tribunal Penal Internacional (TPI) entre aqueles que comandaram forças de segurança líbias acusadas de cometer crimes contra a Humanidade. Por sua vez, a liderança dos rebeldes pediu que Koussa seja devolvido à Líbia quando Kadafi cair, para ser julgado por homicídio.


Koussa é ainda acusado por ter ajudado a arquitetar o atentado de Lockerbie, em 1988, no qual um avião americano de passageiros explodiu sobre a cidade escocesa. O ataque matou 270 pessoas, em sua maior parte, americanos. Na época, Koussa era alto funcionário da inteligência da Líbia, e posteriormente participou ativamente das negociações que permitiram a libertação “por motivos humanitários” do único condenado pelo ataque, o líbio Abdelbaset Ali al-Megrahi, em 2009.

Por causa disso, promotores da Escócia afirmaram que vão interrogá-lo sobre sua conexão com o atentado de Lockerbie. O premier David Cameron garantiu a disposição do Executivo para facilitar a investigação.


“A investigação continua aberta e nosso propósito é seguir todas as pistas importantes”, disse a Promotoria. Mas o ex-chanceler poderia ajudar os países da coalizão com outras informações, como a estrutura das forças do ditador, num momento em que as tropas do regime voltaram a conquistar cidades importantes do leste do país. Segundo um funcionário americano, a coalizão espera que a renúncia de Koussa e Treki seja imitada: — Poderia ser o início de uma corrente de líbios que acham que ficar com Kadafi é jogo perdido. de um jato executivo que decolou.

Fonte: O Globo

 

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