Toneladas de água radioativa no mar PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Tuesday, 05 April 2011 10:43


Mais de 11 mil toneladas de água radioativa devem ser despejadas a partir de hoje no Oceano Pacífico pela empresa responsável pela usina nuclear de Fukushima — a Tokyo Electric Power (Tepco).


A polêmica estratégia foi a única saída encontrada para esvaziar os tanques dos reatores, permitir a reparação do sistema de resfriamento e evitar uma catástrofe ainda maior. Os níveis de radiação despejados no mar são 100 vezes mais altos do que o normal, mas, segundo as autoridades japonesas, não devem causar nenhum dano a saúde das pessoas. O presidente da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukuya Amano, afirmou que a operadora da usina errou por não tomar medidas suficientes para evitar acidentes como o causado pelo terremoto e pelo tsunami de 11 de março.


A grande quantidade de água usada pelos técnicos da usina nas instalações nucleares para frear o aquecimento dos reatores e o vazamento de fumaça radioativa sobrecarregou as máquinas e provocou inundações nas galerias subterrâneas. O líquido dificulta o acesso ao sistema de rede elétrica e dos circuitos de resfriamento. “É necessário esvaziar depósitos usados para o tratamento de dejetos. Mas esses depósitos estão atualmente com mais de 10 mil toneladas de água levemente radioativa. E é preciso retirá-la”, explicou um comunicado da Tepco ontem. A nova operação deve durar cinco dias. A água será jogada, aos poucos, por uma saída de 20cm. Para Aquilino Serna, professor de engenharia nuclear do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós- Graduação e Pesquisa de Engenharia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), os técnicos japoneses não tinham opção para contornar a situação. “É claro que não é a decisão ideal, mas, das opções, é a mais adequada. Com uma grande quantidade de água radioativa e a preocupação de que ela atinja algum lençol freático, o mar foi a escolha mais óbvia, porque permite uma diluição da radiação muito mais rápida”, diz o especialista.


As chances da contaminação atingir outros países são poucas. “Os níveis de radiação devem se
concentrar mais na própria região. O que deve ser feito é um monitoramento constante. Porém as áreas
mais distantes também precisam ser pesquisadas”, afirma Serna. De acordo com o professor, o trabalho
em Fukushima será de longo prazo. “Quando terminada a fase de resfriamento, eles precisarão avaliar
todos os impactos radioativos na área e isso deve levar muito tempo. Por fim, precisarão blindar a usina
para garantir que não aconteça novas liberações”, explica Serna.
Críticas
Em um evento sobre segurança nuclear realizado em Viena, o presidente da AIEA criticou a
Tepco por não se preparar contra catástrofes naturais. “As medidas adotadas pela operadora não foram
suficientes para evitar esse acidente”, disse Amano, em entrevista coletiva. O diretor da agência lembrou
que outra usina japonesa, comandada pela mesma empresa, sofreu danos com um terremoto, em 2007,
e também causou um incêndio e vazamento de água contaminada. Durante o encontro, ele afirmou que
“lições precisam ser aprendidas com o acidente de Fukushima” e sugeriu novas regras globais para
programas nucleares.
Além de mudar suas regras de segurança nas usinas nucleares, o Japão também avalia a
política ambiental. O vazamento de radiação pode ter consequências no meio ambiente da costa e na
flora marítima.Para se redimir, Tóquio declarou ontem que deve revisar as metas de redução das
emissões de carbono para em um índice abaixo dos 25% até 2020.

Fonte: Correio Braziliense - Tatiana Sabadini

 

Translate

Browse this website in:

Busca Rápida
Serial
(FAB, MB ou EB)


Copyright © 2021 Base Militar Web Magazine. All Rights Reserved. Joomla! is Free Software released under the GNU/GPL License.