Embaraço e dúvidas sobre papel do Paquistão PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Tuesday, 03 May 2011 12:06
   


A morte de Osama bin Laden numa cidade que abriga uma vila militar e sedia uma escola     
superior militar que forma oficiais graduados para o Exército paquistanês suscita questões embaraçosas   para a liderança militar do país.   

 
Barack Obama, o presidente americano, teve o cuidado de enfatizar a cooperação do Paquistão     
no ataque de domingo contra Bin Laden, mas cresce o interesse em torno de seu santuário, perto da     
área de um quartel, a duas horas de carro da capital, Islamabad.     


O refúgio do líder da Al Qaeda em Abbottabad intensificou os temores quanto à ambivalência do     
Paquistão em relação ao terrorismo e sua visão extremamente conflitante sobre a militância.     
Essa local tão conspícuo, nas proximidades do equivalente paquistanês à academia militar     
britânica em Sandhurst, também parece confirmar as suspeitas da secretária de Estado americana,     
Hillary Clinton, de que altas autoridades paquistanesas sabiam onde Bin Laden estava. Aqueles que     
criticam o Paquistão frequentemente alegam que as instituições militar e de inteligência simpatizam com   os militantes islâmicos e não enxergam os perigos das organizações terroristas mundiais.   

 
Muitos paquistaneses não fazem segredo de sua admiração pela agressão de Bin Laden contra o     
Ocidente. Ontem, eles lamentavam abertamente sua morte.   

 
Abbottabad é sede da prestigiosa academia militar Kakul Pakistan, cujos graduados incluem o     
general Ashfaq Pervez Kayani, chefe de Estado-Maior do Exército, e o tenente-general Ahmed Shuja     
Pasha, chefe dos Interserviços de Inteligência. Muitas das operações na região da fronteira com o     
Afeganistão são planejadas nesse centro nervoso militar.   

 
Carl Levin, que preside a Comissão das Forças armadas no Senado americano, disse que o     
Exército e o serviço de inteligência paquistanês "têm muitas perguntas a responder", considerando-se a    localização do esconderijo.   

 
Levin disse que "não está necessariamente desconfiado" de que a liderança civil sabia onde Bin     
Laden estava oculto. Mas ele acredita que perguntas devam ser feitas aos poderosos Exército e serviços   de inteligência do país. Brajesh Mishra, ex-assessor de segurança nacional da Índia, disse que "acreditar  que o Exército paquistanês e a AII [o serviço de inteligência] não tinham conhecimento [da localização de  Bin Laden] é risível".   

 
"É ridículo que qualquer pessoa no Paquistão alegue que eles não sabiam ou aleguem não terem     
sido cúmplices", disse Mishra.  

   
Para alguns analistas, as circunstâncias do assassinato de Bin Laden destacam tanto a fragmentação da liderança paquistanesa e suas opiniões divididas sobre o combate aos militantes como    o que muitos analistas indianos veem como "duplicidade institucional". Ashley Tellis, um especialista em segurança na Carnegie International Endowment for Peace e ex-assessor do Departamento de Estado, disse: "O Paquistão não é uma entidade única e uniforme. Existem diferentes partes do governo que têm  diferentes acessos a diferentes elementos da verdade."   

 
Ele disse que a decisão americana de não informar as autoridades paquistanesas sobre o ataque     
sugere que Washington percebeu o risco de que o establishment paquistanês poderia estar protegendo o  líder da Al Qaeda.

    
O Paquistão ainda precisará dar explicações sobre quanto tempo Bin Laden morou em Abbottabad, como foi para lá ou por que seu esconderijo não foi encontrado antes. Hameed Gul Geral,     
um ex-diretor geral da AII, disse ser improvável que Bin Laden escapasse à vigilância dos serviços de     
inteligência do Paquistão. Mas disse que o odiado militante era considerado "inativo" há algum tempo.  

Fonte: Valor Online - James Lamont e Farhan Bokhari | Financial Times, de Nova Déli e Islamabad     

 

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