Brasil precisa de novo serviço de inteligência PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Tuesday, 03 May 2011 12:15

 
 

Conclusão é dos convidados para debate organizado pela CRE sobre a importância de tal estratégia para a diplomacia e as Forças Armadas do país


O crescente peso do Brasil no cenário internacional exige uma reestruturação de seus serviços
de inteligência, inclusive no que diz respeito ao acompanhamento de fatos e tendências que ocorram fora
do país. O alerta foi feito ontem na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), por
especialistas que participaram do painel "A importância da atividade de inteligência para o Brasil, sua
diplomacia e suas Forças Armadas: causas de seu fracasso em prever movimentos populares no mundo
árabe".


O presidente do Capítulo Brasil da Associação Internacional de Analistas de Inteligência de
Segurança Pública, Denilson Feitoza, lembrou que o Brasil possui uma das maiores reservas de água
doce no mundo e que, até 2050, 45% da população mundial terá menos água do que o necessário para
viver. Ele questionou até quando o mundo vai aceitar que o Brasil permita a contaminação de seus
mananciais.


— Acabamos de ver uma operação encoberta dos Estados Unidos no Paquistão para matar
Osama bin Laden. Este é um recado profundo. No mundo realista, se chegar o momento de se atuar no
Brasil, isso será feito — advertiu Feitoza.


Se os serviços de inteligência brasileiros não foram capazes de antecipar as tendências políticas
no Oriente Médio, nenhum outro serviço de inteligência da América Latina poderia fazê-lo, advertiu o
professor da Universidade de Buenos Aires José Manuel Ugarte.


— Praticamente não há país que ocupe um lugar importante que não desenvolva capacidade de
inteligência no exterior — afirmou Ugarte.


O professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais Eugênio Diniz lembrou
que a insatisfação social no Oriente Médio já havia sido detectada. Ele recordou, porém, que as
mudanças, quando ocorrem, são muito aceleradas.


— Mesmo nos melhores casos, existe uma limitação. A informação obtida é, ela mesma, cheia
de incertezas. É possível antecipar algumas possibilidades de resposta, mas antecipar quando algo vai
ocorrer não é possível, na imensa maioria dos casos.


Na opinião do consultor legislativo do Senado Joanisval Gonçalves, falta ao país uma cultura na
área de inteligência. Ele defendeu o controle externo e uma nova regulamentação legal dos serviços de
inteligência.


Ao comentar a sua decisão de extinguir o então Serviço Nacional de Informações (SNI), quando
era presidente da República, o senador Fernando Collor (PTB-AL), presidente da comissão, destacou
que nada tinha contra os profissionais, mas sim contra a forma distorcida como o serviço era feito.
O senador Luiz Henrique (PMDB-SC) pediu que os serviços de inteligência brasileiros dediquemse
à defesa da atividade econômica do país.

Fonte: Jornal Senado

 

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