A Al Qaeda sem Bin Laden PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Friday, 06 May 2011 15:16

 
 

A morte do maior terrorista de todos os tempos e do homem mais procurado do planeta, Osama Bin Laden, considerado o grande mentor e estrategista dos atentados a alvos estadunidenses a partir da década de 90, trás ao mundo mais incertezas do que as que existiam após os ataques as torres gêmeas no 11 de setembro. E surgem grandes incógnitas para a segurança dos povos e para a política internacional, como a de qual deverá ser o comportamento da rede terrorista criada por ele, em 1988, sem a sua principal liderança espiritual, cujas mensagens de exortação a luta na Jihad angariaram adeptos em todo o mundo.


Após as comemorações do que já é considerado o maior trunfo militar dos EUA da última década, em uma guerra que custou milhares de vidas e US$ 1,2 trilhão, o grande questionamento é sobre as perspectivas futuras para o terrorismo internacional. Ou a morte de Bin Laden ocasionará um enfraquecimento no moral de parte dos extremistas islâmicos ligados a rede e isto se refletirá na dificuldade de promoverem novos atentados até uma rearticulação que pode levar anos, ou, ainda, contrariamente, poderá desencadear um forte sentimento de vingança generalizado por parte destes mesmos extremistas e integrantes de outros movimentos simpatizantes que poderão intensificar ataques
como retaliação. Esta última possibilidade, a mais factível, contraria o discurso do Presidente americano Barak Obama, de que “o mundo está mais seguro” pois o ciclo do terror se caracteriza pela capacidade de se retroalimentar a cada ofensiva de um ou de outro.


Quanto à rede Al Qaeda, na realidade, já se encontrava em processo de fragmentação, iniciado nos últimos três anos, após os grandes atentados perpetrados por ela nos EUA, Espanha e Inglaterra, ações que elevaram sua importância e a capacitaram como a maior rede do terrorismo mundial. Sua estrutura cresceu assustadoramente com a criação de diversas células menores e descentralizadas espalhadas pelo mundo, o que dificultava a detecção por parte das agências de inteligência internacionais. Esta estratégia acabou ocasionando um descontrole sobre as ações terroristas onde extremistas realizavam atentados e reivindicavam sua autoria em nome da rede, inobstante jamais terem tido contato com integrantes de outras similares, apenas pela publicidade angariada com tais ações.
Quanto à sucessão na hierarquia da Al Qaeda, o segundo líder mais importante, o médico egípcio Ayman Al -Zawahri, embora seja co-fundador desta não é uma unanimidade entre seus integrantes, e não tem o mesmo carisma demonstrado por Bin Laden.


Outro fator que contribuiu para este enfraquecimento foi a adoção de medidas de vigilância mais rígidas em diversos países, o que dificultou a aproximação dos extremistas até seus alvos. Isto levou ao aumento considerável da necessidade de recursos financeiros para tal intenção e com o monitoramento constante de fundos por agências financeiras aliadas à Interpol, recursos já não estavam disponíveis com tanta facilidade como na década de 90. Esta dificuldade se manifestou pela tática adotada em 2009, de enviar pacotes-bomba pelo correio, o que ocasionou um pânico generalizado.


Nesta perspectiva, a ação militar norte americana, compreensível sob o ponto de vista de uma vingança pelo orgulho nacional ferido e pelas perdas sofridas no 11 de setembro, até o momento, só contribuiu para reforçar o mito sobre Bin Laden, transformando-o, na visão de radicais, no maior mártir da guerra contra o ocidente, o que deverá inspirar uma legião de adeptos e seguidores. E a esperança de que sua morte encerre um ciclo desta guerra e talvez possa estar decretando também o fim de um ciclo da Al Qaeda no que se refere a abrangência de suas ações, é apenas mera especulação.


A tendência, medida pelas manifestações de grupos simpatizantes como os talibãs, Hamas e outros, é do início de nova ofensiva, com envolvimento de novos atores, alimentados pelo sentimento de vingança, que geralmente mostra-se amarga para ambos os lados. Resta-nos aguardar os próximos acontecimentos para constatar, se esta vingança, de fato, valeu a pena.

Fonte:Jornal do Brasil - André Luís Woloszyn - Analista de Assuntos Estratégicos

Last Updated on Friday, 06 May 2011 15:43
 

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