Setor espacial precisa de ‘Embraer’, diz chefe da AEB PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Sunday, 08 May 2011 00:00

 

Em reunião de cientistas, presidente da AEB diz que falta sincronia no setor Presidente do Inpe, no entanto, reclama de poucos recursos e do papel assumido pela própria agência espacial

 

O programa espacial brasileiro precisa do setor produtivo para decolar.

É isso que afirmou o presidente da AEB (Agência Espacial Brasileira), Marco Antonio Raupp, urante a reunião magna da ABC (Academia Brasileira de Ciências).

"Não existe hoje no setor espacial do Brasil nenhuma empresa que conduza as atividades como a Embraer faz no setor aéreo", disse Raupp.

A AEB é hoje responsável por formular e coordenar a política espacial brasileira.

Isso significa investir em observação da Terra em distâncias curtas para, por exemplo, obter dados sobre queimadas na Amazônia, clima e previsão de safra.

A elaboração dos projetos espaciais e o acompanhamento do que está sendo feito ficam por conta do DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial) e do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

"O Inpe faz pesquisa, forma pessoas, projeta satélites, operacionaliza as atividades. Não dá para uma instituição fazer tudo", disse Raupp. Ele Era diretor do instituto até assumira AEB, em março.

"Temos um satélite a cada quatro anos. Mas um programa espacial só sobreviveria se fizesse quatro satélites por ano", completou o cientista. 

LIMPANDO A CASA

Desde que chegou a AEB, Raupp está fazendo uma "varredura" na agência para entregar um relatório ao ministro Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia).

Para ele, há um problema de sincronia de iniciativas no setor. Exemplo disso é o CLA (Centro de Lançamento de Alcântara), no Maranhão.

Recentemente, a torre de lançamento de Alcântara foi reconstruída depois de uma série de incidentes (veja infográfico). Mas ainda não houve nenhum lançamento.

O primeiro satélite a ser lançado do CLA, o Cbers-4, projetado pelo Inpe, deve partir somente em 2014.

Outros, com lançamento previsto no exterior, como o Amazônia-1, estão com atraso de alguns anos.

Consultado pela Folha, o diretor do Inpe disse que os atrasos acontecem por simples falta de recursos.

"Não houve investimento espacial no governo FHC. A retomada dos recursos aconteceu em 2004", disse.

Mas, para Câmara,alem da falta de dinheiro, o setor espacial brasileiro sofre pelo modo como é gerido.

"A Nasa brasileira é o Inpe, e não a AEB", disse. "A criação da agência foi imposta goela abaixo", completou.

 Fonte: Folha de S.Paulo - SABINE RIGHETTI

 

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