Documento liga Chávez e Farc a crimes PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Wednesday, 11 May 2011 14:23
   
 

Arquivos resgatados de computador de guerrilheiro colombiano indica que Caracas teria pedido a     
morte de adversários políticos     
 
As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), principal grupo rebelde do país, têm     
uma história complexa de colaboração com as autoridades venezuelanas e teriam treinado facções     
favoráveis a Caracas para ações de guerrilha com o objetivo de eliminar adversários do presidente da     Venezuela, Hugo Chávez. O venezuelano teria ainda oferecido, em 2007 uma ajuda de US$ 300 milhões   (R$ 483 milhões).  

   
A informação foi obtida depois de uma nova análise das comunicações internas do grupo. Os     
documentos, encontrados no computador do comandante do alto escalão das Farc, Raúl Reyes, morto     
em uma incursão em 2008, também mostram que a relação entre os rebeldes e Caracas, embora muitas  vezes fosse de cooperação, também foi conturbada e até mesmo desonesta.   

 
A análise diz que as Farc serviram de milícia fantasma para o sistema de inteligência da Venezuela, embora não existam provas de que Chávez soubesse do pedidos para eliminar adversários     
políticos ou de que os pedidos tenham sido atendidos.  

   
Os documentos são parte do livro The Farc Files: Venezuela, Ecuador and the Secret Archives of     
Raúl Reyes ("Os arquivos das Farc: Venezuela, Equador e os arquivos secretos de Raúl Reyes", em     
tradução literal), lançado ontem pelo Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, em Londres. O livro     
aparece em uma fase delicada das relações entre as Farc e a Venezuela. Pela primeira vez, Chávez     
admitiu, no mês passado, que alguns dos seus aliados políticos colaboraram com rebeldes, mas insistiu     que eles agiram sem o conhecimento de Caracas.

    
O livro contradiz sua afirmação e diz que Chávez considerava as Farc "um aliado que manteria o     
poderio militar americano e colombiano na região preso a ações de contrainsurgência, contribuindo para   reduzir as ameaças contra a Venezuela".   

 
O arquivo descreve uma reunião secreta, em 2000, entre Chávez e Reyes. O presidente teria     
concordado com um empréstimo para a guerrilha comprar armas. Em 2007, um dos líderes da guerrilha,     
Mono Jojoy, chama o venezuelano de "desonesto", por não ter cumprido a promessa de dar US$ 300     
milhões para o grupo.   

 
O livro conta também que o grupo colombiano treinou várias organizações favoráveis a Chávez     
na Venezuela, incluindo as Forças Bolivarianas de Libertação (FBL), um misterioso grupo paramilitar que   opera na fronteira com a Colômbia.

    
As comunicações com as Farc discutiram o treinamento em métodos de terrorismo urbano para     
representantes do Partido Comunista Venezuelano e várias células radicais do bairro popular 23 de     
Enero, favela de Caracas que há muito tempo é um centro de atividades pró-Chávez. O livro diz que o     
governo teria pedido que os guerrilheiros eliminassem pelo menos dois adversários políticos.     
Em 2006, as Farc avaliaram um destes pedidos apresentado por um assessor de segurança de     
Ali Rodríguez, funcionário de alto escalão em Caracas. Segundo o arquivo, o assessor Julio Chirino     
pediu às Farc que eliminassem Henry López Sisco, que chefiou os serviços de inteligência venezuelanos     
na época do massacre de membros desarmados de um grupo subversivo em 1986. O livro afirma que     
não há provas de que as Farc tentaram atender o pedido antes de López Sisco deixar a Venezuela, em     novembro de 2006.   

 
As relações entre a Venezuela e as Farc teriam esfriado depois da reaproximação de Caracas     
com o presidente colombiano, Juan Manuel Santos.

    
PARA LEMBRAR     
Em 1.º de março de 2008, o Exército colombiano, sob ordens do então ministro da Defesa e atual     
presidente, Juan Manuel Santos, atacou um acampamento das Farc no Equador, matando Raúl Reyes,     
número 2 da guerrilha. A ação causou o rompimento dos laços entre os dois países. Na incursão     
colombiana, foram apreendidos computadores e documentos da guerrilha envolvendo os governos da     
Venezuela e do Equador. A decisão tomada por Bogotá de realizar um ataque além de suas fronteiras     
provocou ameaças de guerra do Equador e da Venezuela, que militarizaram as fronteiras.     

Fonte: NYT e AP -O Estado de S.Paulo   

 

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