Estratégia de Damasco seria a de envolver Israel no levante sírio PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Tuesday, 17 May 2011 09:55
 
 
 

Governo de Assad, que controla o acesso à fronteira, permitiu que milhares de palestinos     
entrassem na área     

Nos últimos 37 anos, a fronteira entre Israel e Síria, países que ainda estão tecnicamente em     
guerra, mostrou-se tão calma quanto todas as outras fronteiras árabes-israelenses silenciadas por     
acordos de paz. Mas esta situação mudou no domingo, e o tumulto nas Colinas do Golã pode marcar o     início de uma nova fase do levante contra o presidente Bashar Assad e a teia de relações internacionais  dentro da qual ele se movimenta.  

   
Como era de se esperar, Síria e Israel responsabilizaram um ao outro pelo derramamento de     
sangue -soldados israelenses mataram 15 pessoas enquanto centenas tentavam cruzar a fronteira. Mas   a mensagem transmitida foi muito mais importante, pois o governo sírio, que controla o acesso àquela     região, permitiu que multidões entrassem numa área até então declarada restrita. Pela primeira vez nos  seus 11 anos de reinado, Assad demonstrou a Israel, ao Oriente Médio e ao mundo que, em meio a um    levante que representa a maior ameaça às quatro décadas de governo da família dele, o presidente está  disposto a provocar uma guerra para manter-se no poder.  

   
Poucos questionaram a sinceridade dos refugiados palestinos que rumaram em massa para a     
fronteira -o dia que marca a criação de Israel continua a ser uma data traumática para a psique dos     
palestinos, e os levantes da primavera árabe foram citados como inspiração. Mas, como costuma ocorrer  na política árabe moderna, eles podem ter-se vistos envolvidos num conflito mais cínico que envolve poder, sobrevivência e dissuasão, no qual Irã, Israel, Turquia e EUA têm diferentes graus de     
envolvimento na sobrevivência de um governo cuja única suposta legitimidade reside numa vaga     
promessa de estabilidade.   

 
"Trata-se de uma mensagem do governo sírio endereçada a Israel e à comunidade internacional:     
se continuarem a nos pressionar, vamos reabrir o front contra Israel", disse Radwan Ziadeh, dissidente    sírio e pesquisador da Universidade George Washington. A mensagem trouxe riscos consideráveis para    uma região inflamável.   

 
Acredita-se que Israel prefira o governo de Assad a uma alternativa que poderia levar ao poder     
radicais islâmicos, embora representantes do governo israelense repudiem oficialmente tal posição. Mal   equipada e abandonada, a Síria não apresenta nenhuma condição de sustentar uma guerra, e o Exército  do país está espalhado pelo território empenhado numa violenta repressão aos levantes, que já duram
dois meses. E, mesmo na Síria, há quem suspeite que os palestinos tenham sido manipulados, apesar
de alguns terem alertado que uma resposta israelense ainda mais violenta poderia mudar rapidamente
esta opinião. / NYT


Pressão
RADWAN ZIADEH - DISSIDENTE SÍRIO


"Trata-se de uma mensagem do governo sírio endereçada a Israel e à comunidade internacional:
se continuarem a nos pressionar, vamos reabrir o front contra Israel"

Fonte: O Estado de S.Paulo

 

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