Negociações emperradas evidenciam divergências entre países na Rio+20 PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Wednesday, 13 June 2012 17:03

 

Negociações emperradas evidenciam divergências entre países na Rio+20

Começa nesta quarta-feira a última rodada de negociações preparativas para as reuniões da semana que vem na Rio+20, evidenciando as divergências entre os países em temas-chave da conferência ambiental.

O rascunho do acordo final da conferência tem entre seus objetivos melhorar a segurança energética, alimentar e de água em países pobres, além de reduzir a dependência global dos combustíveis fósseis e reforçar a proteção dos oceanos.

Mas, faltando poucos dias para o fim das negociações, apenas 20% do texto foi acordado entre os países signatários.

Uma fonte próxima às negociações disse à BBC que os representantes dos países têm discutido a pontuação do texto, em vez de seu conteúdo.

A conferência Rio+20 é vista como uma oportunidade crucial para que líderes globais deem um rumo mais sustentável à economia global.

O rascunho do acordo - entitulado "The Future We Want", ou O Futuro que Queremos, está cheio de trechos suprimidos, muitos deles a pedido dos EUA e de países em desenvolvimento como a China.

Rússia, Japão, União Europeia e outros blocos também fizeram objeções a cláusulas-chave.

'O presente que temos'

O rascunho foi criticado por alguns por ser muito leniente com o setor privado, em especial bancos e corporações ligadas à produção de commodities.

"A Rio+20 não trará o futuro que queremos, mas sim servirá como um lembrete cruel do presente que temos", disse Kumi Naidoo, diretor-executivo da Greenpeace Internacional. "Um mundo em que a saúde pública, os direitos humanos e o desenvolvimento sustentável são subordinados ao lucro privado, a interesses nacionais rasos e ao 'business as usual'."

Também há divergências quanto às propostas de metas de desenvolvimento sustentável (SDGs, na sigla em inglês), cujo objetivo é aliviar a pobreza global e melhorar as condições de saúde, educação e laborais em países em desenvolvimento, seguindo linhas sociais e ambientalmente sustentáveis.

Algumas agências humanitárias temem que essas divergências resultem no esvaziamento dos compromissos dos países no combate à pobreza, previstos nas Metas do Milênio (compromissos estabelecidos pela ONU para temas como saneamento e saúde).

Tampouco há acordo quanto a se os SDGs devem forçar os países desenvolvidos a controlar seu consumo de recursos naturais, deixando mais recursos aos países pobres.

Otimismo x cinismo

Num artigo amplamente divulgado, o ex-presidente soviético Mikhail Gorbachev, atualmente diretor da organização ambiental Green Cross International, citou o contraste entre o clima de "otimismo e esperança" da Eco-92, realizada 20 anos atrás, e o ambiente de "cinismo e desespero" da Rio+20.

"Dá amargura ver as enormes diferenças entre ricos e pobres, a irresponsabilidade que levou à crise financeira global, as respostas fracas e divididas às mudanças climáticas e a falência em cumprir as Metas do Milênio", disse ele. "A oportunidade de construir um mundo mais seguro, justo e unido está sendo amplamente desperdiçada."

As oito rodadas de diálogos preparatórios formais e informais da Rio+20, em curso desde o início do ano, foram marcadas por problemas de conteúdo e de forma.

Algumas nações ocidentais, especialmente os EUA, não parecem dispostas a ceder em qualquer aspecto que possa beneficiar rivais emergentes, em especial a China.

Estes, ao mesmo tempo, relutam em apoiar qualquer proposta que possa frear o seu desenvolvimento.

As conversas da Rio+20 também ocorrem em um momento político difícil - simultaneamente à campanha eleitoral para a Presidência dos EUA, a preparativos para a troca de liderança na China e à crise econômica e fiscal enfrentada por muitos países.

Em seguida às negociações preparatórias, que terminam nesta sexta-feira, haverá quatro dias de diálogo informal e outras reuniões, antes que chefes de governo e ministros se encontrem para a conferência oficial, na próxima quarta-feira.

Há ampla decepção entre ativistas ambientais pela provável ausência de líderes globais importantes, como o premiê britânico David Cameron, a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente americano Barack Obama.

Os EUA, porém, confirmaram a presença de sua secretária de Estado, Hillary Clinton, no encontro no Rio.

Fonte: BBC

 

 

 

 

Last Updated on Wednesday, 13 June 2012 17:05
 

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