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Thursday, 11 June 2009 00:32


 

 Por Craig Hoyle  

 A Saab reporta um nível de interesse sem precedentes para o seu mais importante produto, o caça de combate Gripen,  apesar da alta publicidade gerada em torno da rejeição da Noruega ao seu caça em favor do F-35 da Lockheed Martin. 

"Estamos absolutamente saturados com grandes oportunidades neste momento único,” diz Bob Kemp, vice-presidente  sênior de vendas e marketing da Gripen International. A companhia entregou cinco RFPs (requests for proposals) em 2008, e mais quatro RFI (requests for information). "Como meta tinhamos estabelecidos uma RFP e uma RFI por ano!  Estivemos bem ocupados!" 

Ano passado no show aéreo de Farnborough na Inglaterra, A Gripen Internacional recebeu 37 delegações governamentais, e enquanto algumas seriam consideradas somente prospectos de longo prazo, no melhor das hipóteses, outras estariam  bem sérios e perto de se tornar realidade, como é o caso do Brasil. Kemp enlista 10 países como compradores potenciais nos próximos 5 anos: Brasil, Bulgaria, Croacia, Dinamarca, Grécia, India, Holanda, Romania, Eslováquia e Suíça.  

 NOVAS OPORTUNIDADES  

 Novas oportunidades continuam emergindo. Diálogos recentes tem sido feitos com a Argentina e Malásia, e a companhia também sabe das necessidades de Oman, sempre considerado cliente para o Eurofighter Typhoon. "Não tendo o negócio ainda concretizado, ainda há possibilidades," diz Kemp. "O preço do barril de petróleo caiu e o do Eurofighter subiu.  As portas estão abertas." A Dassault também tenta empurrar o Rafale para aquela nação. 

Para muitos potenciais clientes, a promessa de um caça de próxima geração, como está sendo considerado o Gripen NG  pela SAAB, gera um certo interesse nas suas características, que incluem alcance mais longo, maior capacidade de carga, e um motor mais possante do que o modelo atual.

 A Saab revelou no ano passado um modelo biplace do Gripen Demo, este um demonstrador das novas tecnologias a serem incluídas no novo NG, e que já voou 79 vezes, testando e eliminando os riscos destas novas tecnologias em  preparação à próxima fase do projeto.  

Testes bem sucedidos incluem o vôo a mais de Mach 1,6, demonstrando a capacidade de "supercruise" do caça (a habilidade em manter vôo supersônico sem uso do afterburner) a mais que M1.2, e alcançando ângulo maximo de ataque. Também voou com carga máxima, incluindo com uma maquete representativa do míssil BVR Meteor da MBDA. 

O Gripen Demo tem recebido muito apoio de companhias parceiras, incluindo a General Electric, fornecendo o motor  F414G e todo seu suporte de engenharia, diz Kemp. "Existe uma fé no Gripen pela indústria mundial, e eles acreditam  no futuro."  

Esta aeronave demonstrativa está na fábrica desde abril, sendo preparada para a segunda fase de testes, que inclui a introdução de detectores de aproximação de mísseis e equipamentos de comunicação com satélites.  E depois, a tão importante integração de seu novo radar AESA da Selex Galileo, o Vixen 1000E/ES05 Raven. 

Originalmente, a Saab tinha escolhido um radar AESA da Thales para o NG, porém a relação entre as duas empresas se deteriorou, depois que a Thales afirmou não poder compartilhar sua tecnologia por estar primariamente comprometida  com o Rafale.  Porém Kemp dá uma desculpa diferente: o radar simplesmente não era bom o suficiente para o que queríamos,”diz. "O radar da Selex é fabuloso. Ficamos impressionados sempre que  falamos de suas capacidades."   

Bob Mason, o vice-presidente executivo da Selex Galileo, diz que a vantagem do Vixen 1000E vem do uso de uma ontagem com “swashplate”, que habilita a matriz ativa a girar em +/-100°.  Isto de fato é muito melhor do que o AESA fixo, principalmente nos disparos de mísseis além do alcance visual, e também para a aquisição de imagens pelo radar com abertura sintética. "Estaremos entregando um protótipo este ano ainda para os teste de vôo, e depois um outro mais capaz em 18 meses."   

 TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA 

Desenvolvido em Edinburgh, na Escócia, o novo sistema será demonstrado para a India, pois esta pretende adquirir,  num primeiro lance, 126 caças em um orçamento de US$10-12 bilhões no programa MMRCA, em que o Gripen NG  compete com o Rafale, o Typhoon, o F/A-18E/F Super Hornet, o Lockheed F-16 e o RSK MiG-29. A Saab diz que o governo do Reino Unido já aprovou sua exportação.   

Esta habilidade para transferir tecnologia e know-how industrial ser um requiremento vital tanto para a India como todos os outros países potenciais clientes, faz com que a Saab mencione ter vendido 26 Gripens para a Africa do Sul, dando ali um grande pacote de contra-partidas comerciais, inclusive também nos leases para a Republica Tcheca e a Hungria. "Entregar os códigos fonte e/ou transferindo tecnologia é uma coisa natural para a Suécia," diz Kemp.  

A Suécia fechou um negócio no ano passado para vender seis Gripens - dois Cs e quatro Ds – para substituir os F-5 da Tailândia. Kemp diz que convencer os clientes a não comprar dos EUA em seu território natural de armas de alta tecnologia é a luta mais difícil.  Antes era quase que impossível, mas agora as coisas stão mudando. Porém, com a queda da economia mundial, o governo de Bangcoc suspedeu planos de adquirir os outros seis.  [Vide artigo no Noticiário da Alide] 

Ao entrar neste mercado, Kemp acredita que nações não-alinhadas, como a Argentina, o Brasil, a India e a Malásia podem  seguir o mesmo caminho. "Este é um mercado que podemos assegurar," diz.  Para o Brasil, o Best and Final Offers (BFO) nos 36 caças do programa FX-2 era para ser entregue no dia 8 de junho,  concorrendo ali com o Rafale e o Super Hornet na finalíssima. "Não é uma questão de entregar um caça, é de desenvolver  um caça," diz Kemp. "O Brasil pode ser um parceiro no nosso programa de desenvolvimento. Os demais fabricantes só  oferecem o produto pronto, não um programa completo.” E ele revela que a Saab já abriu negociações com o ministério  da defesa brasileiro sobre uma possível colaboração futura no desenvolvimento de um caça de quinta geração.   

Sentindo a oportunidade de desafiar o domínio de caças europeus e americanos, a Saab pretende oferecer um projeto conjunto com o Brasil, a India e a Africa do Sul, diz. Kemp acredita que os resultados das escolhas no Brasil e na India poderiam ter um efeito sismico na indústria de caças  mundiais, podendo literalmente acabar com  até dois destes fabricantes. "Ganhando no Brasil ou na India você se assegura.  Senão…a pergunta fica:  onde mais poderíamos vender?"  

O programa MMRCA da India representaria a "última tacada" para o RSK MiG da Russia, na sua visão, e depois desta decisão, "talvez seriam ou nós ou a Dassault, ou até mesmo a Boeing quem sairia do mercado de exportações."  

Testes de vôo no território indiano dos seis candidatos seriam feitos ainda este ano, ou no máximo no início de 2010, tendo sido atrasados as etapas anteriores. Kemp diz que um eventual contrato ainda estaria a três ou quatro anos adiante, já que a India planeja uma entrada em serviço somente a partir de 2014, mas podendo atrasar até 2020. "Os primeiros seis meses se  tornaram dezoito," replica.  

 PROSPECTOS EUROPEUS  

Do lado de sua casa, a Dinamarca poderia já selecionar em setembro ou outubro deste ano, com o Gripen NG, o F-35 e o  Super Hornet na final. A Suíça poderia escolher em 2010 entre o Gripen, o Rafale e o Typhoon, com a entrega do BFO para 30 caças antes do final do ano [há noticias que esta decisão também estaria postergada]. Kemp é otimista quanto a uma  vitória: "quando você tem o caça certo com o melhor preço, terá então a melhor solução.”  

A Saab também continua sonhando em poder convencer a Holanda a adquirir 85 unidades para substituir o F-16, já que a decisão foi postergada para 2012 [leia abaixo]. A força aérea daquela nação prefere e é uma das parceiras do projeto do F-35, mas Kemp questiona se um caça de “combate de primeiríssima hora da guerra” condiz com sua política nacional de defesa.”  

O ministério de defesa da Noruega continua sendo o tema mais contestado na SAAB, que defende o alto calibre do  Gripen depois de uma crítica ferrenha por parte do governo de  Oslo em novembro passado. "Estivemos dentro de todos os 1.200 requerimentos, mas de nada isto adiantou uma vez que aquela força aérea já estava apaixonada pelo F-35…"  diz Kemp ironicamente. "Não foi uma competição justa."

Já os suecos confirmam estar devidamente empenhados em investir no Gripen até 2025, pedindo 18 novos monoplaces  e 13 biplaces (mas do C e do D). Um successo no mercado de exportação consolidaria a Saab no setor de caças, hibilitando  esta a desenvolver uma nova geração do Gripen para a próxima década.

"É preciso ter um mercado estratégico para impulsionar um desenvolvimento de uma nova geração de caças”, diz Kemp. "Estamos dispostos e prontos para esta jornada, e queremos e podemos atingir esta meta, já que temos o know-how, e a indústria de base necessária para sustentá-la."   

Fonte: http://www.flightglobal.com/articles/2009/06/07/327209/paris-air-show-gripping-gripen.html

 

 JSF – Decisão Holandesa Cria Onda   

Seguindo a decisão dos holandeses em postergar a decisão do novo caça de sua força aérea até 2012 – até as próximas  eleições – a Dinamarca aparentemente também segue o mesmo caminho, e uma grande controvérsia se criou em torno do governo da Noruega, na dispensa seca do Gripen NG em Novembro passado.   

O ministro da defesa dinamarquês Soren Gade disse para auditores parliamentares semana passada que o país não irá assinar nenhum contrato até pelo menos 2012, e então somente a um preço fixo, de acordo com a agência de notícias Ritzau.  A Dinamarca ainda tenta decidir pelo Gripen NG, o Boeing Super Hornet e o JSF(F-35).   

Enquanto isto, na Noruega, o Partido Progressista de direita agora critica a coalisão rival “verde-vermelha” naquela decisão de novembro , em que faltava somente um carimbo para concretizar a decisão já feita. "O governo enganou sua própria população e aos suecos em fazerem acreditar que a competição era séria,” diz o fundador do partido Carl Hagen.   

Em seções de audiências futuras, o Partido Progressista espera mandar a decisão do F-35 de volta para o governo, na espera de uma "decisão muito mais responsável e mais pensada.”  O partido espera formar uma aliança com o partido socialista SV,  que também favorece uma decisão não-americana mas foi deslocada pelos centro-esquerdistas em novembro passado.   

Nada do que foi mencionado, porém, significa que estes países irão comprar Gripens ou Hornets, já que o JSF continua sendo o preferido, se realmente confirmar suas proezas. Porém é notável o fato de que antes, nenhum destes países sequer  queriam ouvir outro nome de caça a não ser o da Lockheed.   

 Fonte: http://www.aviationweek.com

Last Updated on Friday, 12 June 2009 15:06
 

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