Estratégia da Saab é reforçar parceria com Embraer PDF Print E-mail
Wednesday, 19 August 2009 15:14

 

Na reta final da concorrência para o fornecimento de 36 caças de múltiplo emprego, a sueca Saab promete transformar o Brasil em plataforma de exportação de seus aviões e se esforça para convencer a FAB de que o novo jato da empresa deixou para trás os principais obstáculos apontados por seus críticos na disputa anterior. Na primeira versão do projeto F-X, encerrada em 2005 sem nenhuma compra, a Saab ofereceu o caça Gripen C/D. A aeronave teve boa avaliação operacional, mas houve ressalvas quanto à autonomia de voo e a possíveis vetos na transferência de tecnologia, já que um terço dos componentes é de origem americana - os outros dois terços, divididos de forma mais ou menos igual, são de fornecedores suecos e do restante da Europa.

O presidente mundial da empresa, Âke Svensson, disse ontem que o desenvolvimento desse tipo de caças é uma operação complexa dominada por apenas seis fabricantes no mundo, dos quais cinco deles são membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Para ele, se o Brasil quiser comprar uma aeronave fora desse grupo, a única opção seria a aeronave sueca.

"A China, Rússia, Estados Unidos, Inglaterra e França dominam mais de 99% de todas as exportações de caças no mundo e, normalmente, não compartilham com ninguém as tecnologias envolvidas na fabricação dessas aeronaves", afirma o executivo, que está no Brasil, esta semana, para acompanhar de perto a fase final do processo de seleção do F-X2. Além do Gripen, também estão no páreo o caça francês Rafale, da Dassault, e o F-18, da americana Boeing.

A indústria aeronáutica sueca, segundo Svensson, tem em comum com o Brasil o fato de ter nascido da necessidade de produzir sozinha a sua própria tecnologia aeronáutica, devido aos embargos que sofreu dos países que dominavam o mercado de defesa e as suas tecnologias sensíveis . "Entendemos bem porque uma grande nação como o Brasil quer ter independência da escolha e habilidade para produzir no futuro um caça supersônico. A nossa oferta faz do Brasil o primeiro país fabricante desse tipo de aeronave no Hemisfério Sul", afirma.

No Gripen New Generation (NG), oferecido agora no F-X2, a autonomia com tanque cheio subiu de 3.200 para 4.100 quilômetros. "Dá para sair de Anápolis, ir a uma missão no pré-sal, ficar 30 minutos na área e voltar com tranquilidade", exemplifica o diretor-geral da Gripen no Brasil, Bengt Janér, citando a principal base de caças do país. O novo avião da fabricante sueca ainda está em desenvolvimento e a Saab quer fazer disso um de seus pontos fortes na concorrência.

"Há uma janela de oportunidade para participar de um programa de desenvolvimento", afirma Janér. Os outros dois competidores são projetos já testados e em operação. Mas um caça tão novo não traz riscos elevados se o Brasil o escolher? O executivo refuta a ideia. "Nunca atrasamos uma única encomenda", diz. E argumenta que o risco de falhas cai muito porque o Gripen NG já tem um "demonstrador", ou seja, uma versão que vai além de protótipo.

Janér garante que a Saab obteve do governo da Suécia "todas as licenças necessárias" para transferir tecnologia ao Brasil e fornecedores locais poderão entrar no projeto enquanto ele ainda está em andamento. Se vencer a disputa do F-X2, a Gripen pretende fabricar junto com a Embraer não somente os caças para a FAB, mas também para futuras encomendas de terceiros países, conforme promete o executivo. A matriz sueca calcula em até 15 mil o número de empregos diretos e indiretos que serão gerados no país. "Estamos propondo criar uma plataforma sueco-brasileira", define o executivo.

No Brasil a Saab mantém, desde 2001, uma parceria com a Embraer na área de sistemas aéreos de alerta antecipado. A empresa forneceu para a Embraer o sistema de vigilância Erieye, que foi integrado na aeronave ERJ-145, desenvolvida inicialmente para equipar o Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam). A Força aérea Brasileira (FAB) adquiriu cinco dessas aeronaves que atuam hoje com a designação E-99m. O modelo também foi comprado pelo México e a Grécia. "Temos trabalhado em conjunto com a Embraer na exportação dessas aeronaves e estamos com propostas na África do Sul, Omã e Malásia", diz o presidente mundial.

Pelo cronograma da Saab, o Gripen NG só deveria estar plenamente operacional em torno de 2020, quando houvesse as primeiras entregas às forças suecas. Mas há compromisso de antecipação, para 2014, caso a FAB decida encomendar o novo caça. Além do Brasil, a Saab disputa concorrências na Índia, Polônia, Dinamarca e Malásia. Até 2012, entregará o último dos 26 caças da versão C/D comprados pela África do Sul. Já houve vendas a Tailândia e República Tcheca.

 

Fonte: valor Econômico - Virgínia Silveira e Daniel Rittner

Last Updated on Wednesday, 19 August 2009 16:45
 

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