Confiança em xeque PDF Print E-mail
Wednesday, 16 September 2009 14:06

 

Troca de acusações marca reunião de chanceleres e ministros de Defesa para discutir os riscos de uma corrida armamentista na região

 

A reunião de chanceleres e ministros de Defesa da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) tinha como meta estabelecer um documento para “restaurar a confiança” entre os países da região, mas o que se viu, mais uma vez, foram trocas de acusações de todos os lados. O vice-presidente e ministro da Defesa da Venezuela, Ramón Carrizales, disse que a delegação colombiana não foi “transparente” ao deixar de mostrar o texto do acordo militar recém-fechado com os Estados Unidos. O chanceler da Colômbia, Jaime Bermúdez, pediu que o debate se estendesse à presença de “grupos terroristas” nos países da região — em referência à acusação recorrente de que os governos de Caracas e Quito toleram acampamentos das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

As acusações e demonstrações de receio extrapolaram os limites da reunião. A secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, pediu mais clareza a Caracas sobre as compras militares recém-fechadas com a Rússia. “Expressamos nossa preocupação em relação ao número de compras venezuelanas de armas. (…) Isso levanta a questão de que pode haver uma corrida armamentista na região”, afirmou. A resposta veio do chanceler Nicolás Maduro, ainda durante a reunião: “Essas declarações não têm embasamento político ou moral”. Maduro lembrou que são os EUA que estariam movimentando esse tipo de compra, ao garantir acesso operacional a sete bases militares na Colômbia.

Também o ministro de Defesa venezuelano se pronunciou, garantindo que seu governo está disposto a informar detalhes sobre os US$ 2,2 bilhões gastos em material bélico russo. “Temos a obrigação constitucional de nos proteger. Compramos armamento apenas defensivo”, justificou. Carrizales alfinetou o governo de Bogotá, dizendo que “a confiança começa com a transparência”. “Não vimos nada de profundo, nem das letras miúdas do acordo (dos EUA com a Colômbia). Esse convênio representa uma grande capacidade estratégica para os EUA, que pretendem usar a base de Palanquero como base expedicionária”, criticou.

Antes de se iniciar a reunião, o chanceler brasileiro, Celso Amorim, reafirmou qual seria o principal pedido do país na reunião: garantias formais de que o pacto militar entre a Colômbia e os EUA não afetará a região. Segundo Amorim, os países têm autonomia em suas escolhas, mas elas podem causar “apreensões” em outros governos. “Por isso, insistimos na questão da transparência, na criação de medidas de confiança e nas garantias.”

Colômbia

O ministro de Relações Exteriores da Colômbia, Jaime Bermúdez, não deixou por menos os ataques da delegação venezuelana. “Assim como é importante discutir de maneira ampla e democrática as compras de armas, as garantias e os mecanismos de segurança, também o são a presença de grupos terroristas na região e a luta contra o narcotráfico”, disse. Até mesmo o presidente Álvaro Uribe, que não participava da reunião, resolveu se pronunciar. Segundo ele, as armas compradas por seu governo servirão para recuperar a ordem pública interna do país e “não visam a uma corrida armamentista”.

Quem também não esteve na reunião, mas não deixou de se pronunciar, foi o presidente do Peru, Alan García. Em uma carta, ele propôs “frear o armamentismo” na América do Sul. “Com urgência, a mais importante ação (do Conselho de Defesa da Unasul) deve ser a transparência e homologação dos gastos militares e das compras de novos recursos e tecnologias”, escreveu García.

Até o fechamento desta edição, a reunião em Quito não havia sido encerrada, mas a expectativa era de que fosse aprovado um documento apresentado pelo Equador, baseado em seis pontos: intercâmbio de informações, transparência nos gastos de Defesa, cooperação em atividades militares, cumprimento e verificação, impactos migratórios ou ambientais e garantias. “Sem dúvida, não é um texto fácil. Buscamos uma visão abrangente, global e integral dos aspectos de segurança”, afirmou o chanceler do Equador, Fander Falconí.

 Nós temos a obrigação constitucional de nos proteger. Compramos um armamento apenas defensivo”

Nicolás Maduro, chanceler da Venezuela

Fonte: Correio Brazilense - Isabel Fleck

Last Updated on Wednesday, 16 September 2009 16:02
 

Translate

Browse this website in:

Busca Rápida
Serial
(FAB, MB ou EB)


Copyright © 2021 Base Militar Web Magazine. All Rights Reserved. Joomla! is Free Software released under the GNU/GPL License.