Governo da Suécia faz pressão por caça da Saab PDF Print E-mail
Friday, 18 September 2009 14:02

 

 


 

O vice-ministro de Defesa da Suécia, Hakan Jevrell, afirmou ontem que seu país "não está buscando compradores, mas parceiros" para o caça Gripen. Segundo ele, caso opte pela proposta sueca - que será apresentada juntamente com as demais propostas no dia 21 - o Brasil poderá comprar dois aviões pelo preço de um oferecido pelos outros concorrentes.

A empresa disputa com a americana Boeing e a francesa Dassault o fornecimento de aviões de combate à Força Aérea Brasileira (FAB). O negócio está avaliado em pelo menos US$ 4 bilhões. O governo brasileiro já manifestou a preferência pelo Rafale, da Dassault, embora o processo de compra dos aviões ainda esteja em curso.

Jevrell se reunirá nesta tarde com o ministro da Defesa, Nelson Jobim. O vice-ministro garantiu que a Suécia e a Saab, empresa fabricante do caça Gripen NG, estão 100% comprometidas com a transferência de tecnologia para o Brasil. "Não buscamos um comprador. Buscamos uma parceria estratégica e cooperação de longo prazo para as futuras gerações do poder aéreo e do desenvolvimento industrial", disse.

"A Suécia pode oferecer um programa de desenvolvimento conjunto de uma aeronave, com a Embraer, que tem como principal característica a capacidade de se adaptar às necessidades específicas de cada usuário", disse. O vice-ministro garantiu que a proposta que será apresentada ao governo brasileiro será muito atrativa. Segundo ele, o caça Gripen é o que apresenta menor custo por ciclo de vida. Além disso, segundo ele, "a Suécia oferecerá um financiamento bastante favorável ao Brasil", caso seu caça seja o escolhido.

Apesar da garantia de transferência de tecnologia, o Gripen não utiliza nem motor nem radar com tecnologia sueca. O motor é americano e o radar é italiano. Jevrell disse que isso não é um problema. "A integração de um motor é muito cara. mas se no futuro o Brasil quiser desenvolver um caça próprio com outro motor, nós vamos mostrar como se integra esse motor. Nós mostramos como integrar o motor num caça supersônico. Depois, se o Brasil quiser escolher outros motores, é possível."

"A grande vantagem para o Brasil seria a possibilidade de integrar constantemente novos sistemas ao caça. A filosofia sueca é de que a célula dure 40 anos. Para manter o caça como top de linha, é fundamental que utilize plataformas que comportem computadores cada vez mais rápidos e softwares sempre atualizados. Essa é a característica mais marcante do Gripen", explica o presidente da Saab no Brasil, Bengt Janér.

"Já a filosofia tradicional é de utilizar uma plataforma de 15 anos e, então, fazer uma atualização de meia-vida", acrescenta. Segundo Janér, os caças suecos estão constantemente atualizados porque mantêm a "massa crítica" funcionando. "Se você parar durante 15 anos, boa parte do pessoal que estava envolvido no projeto provavelmente não estará mais trabalhando. Nossa filosofia é de estar sempre mexendo para estar sempre com o produto atualizado", disse.

Ele cita, como exemplo, os radares atuais, que "são menos capazes dos que os que estão por vir", com varredura eletrônica e mais pesados em termos de softwares. "Nossa proposta permitirá ao Brasil estar com seus caças sempre atualizados e sem depender de apenas um fornecedor de equipamentos", afirma o presidente da Saab no Brasil.

"O que queremos é, com o desenvolvimento de um projeto conjunto entre os dois países, dar ao Brasil a liberdade de fazer as modificações no futuro, com ou sem a Suécia", resumiu.

Fonte: Valor Econômico - De Brasília

Last Updated on Friday, 18 September 2009 14:29
 

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