Obama desiste de escudo antimísseis e irrita republicanos PDF Print E-mail
Friday, 18 September 2009 14:05

 

 

WASHINGTON - Foi um anúncio rápido, mas com conteúdo suficiente para provocar reações diversas dentro e fora dos EUA sobre a nova política externa norte-americana. O presidente Barack Obama comunicou quinta-feira, em Washington, que desistiu da ideia criada por seu antecessor, George Bush, de implementar o polêmico programa de escudos antimísseis no Leste Europeu. A notícia agradou principalmente a Rússia, que sempre se opôs à ideia, mas provocou indignação nos setores de oposição à Obama nos EUA.

A decisão norte-americana, contudo, não significa a ausência de um sistema de defesa com a utilização de mísseis norte-americanos instalados na Europa. No lugar do grande escudo de Bush, um sistema “mais forte e veloz para proteger aliados dos EUA contra qualquer ameaça possível vinda do Irã” foi prometido por Obama:

– A melhor maneira de promover de forma responsável a nossa segurança e a segurança de nossos aliados é com a instalação de um sistema de defesa antimísseis que responda melhor às ameaças que enfrentamos e que faça uso de tecnologia já testada e com boa relação custo-benefício – afirmou.

Funcionários do Pentágono asseguraram que a decisão de desistir do escudo foi tomada com base em informações da inteligência de que o Irã quer desenvolver mísseis de curto e médio alcance, e não os temidos mísseis intercontinentais.

Os Estados do Leste Europeu, especialmente a Polônia e os países bálticos, viam o escudo antimísseis como símbolo do compromisso dos EUA com a defesa da região contra qualquer avanço da Rússia, mesmo 20 anos depois do fim do governo comunista. Segundo autoridades europeias, Obama informou aos governos tcheco e polonês de sua decisão horas antes de fazer o anúncio publicamente.

Os novos planos de defesa antimísseis dos EUA irão definir o futuro de contratos de muitos bilhões de dólares. A Boeing, segunda maior fornecedora de equipamentos ao Pentágono, anunciou no mês passado uma oferta para construir um interceptor móvel, visando reduzir os temores da Rússia sobre pontos americanos fixos na Europa.

Repercussão

Diante da iniciativa anunciada quinta-feira, a Otan afirmou que espera cultivar uma cooperação mais estreita com Washington no desenvolvimento de sistemas antimísseis e que, se implementados por completo, os novos planos têm potencial para proteger a Europa inteira.

Moscou também respondeu ao anúncio saudando a decisão, já que o escudo planejado por Bush complicava os esforços dos EUA para conseguir apoio da Rússia com relação a Afeganistão, Irã e o controle de armas nucleares. O presidente russo, Dmitry Medvedev, afirmou que Moscou está pronto para dialogar:

– É uma decisão responsável, que tem nosso apoio - disse Medvedev, – Estou pronto para o diálogo.

Nem todas as reações no Leste Europeu foram amenas. O ex-primeiro-ministro tcheco Mirek Toplanek, que assinou o acordo com Bush, disse que Obama mostra uma posição mais branda em relação a Moscou, embora a Rússia esteja se comportando “de forma pouco tradicional e desequilibrada”.

Nos Estados Unidos, a oposição republicana manifestou temor sobre um possível aumento do poder russo e se apressou em acusar a Casa Branca de agir sem compromisso com a defesa do país. O subsecretário de Estado para controle de armas e segurança internacional do ex-governo Bush, John Bolton, também disse que foi uma “má decisão”.

– Abre-se mão de um importante mecanismo de defesa contra ameaças de países como o Irã – disse Bolton. – Os riscos não são apenas para os EUA, mas para a Europa.

Fonte: Jornal do Brasil

Last Updated on Friday, 18 September 2009 14:32
 

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