Para vender caça, Dassault promete criar mil empregos diretos no Brasil PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Wednesday, 21 October 2009 15:18

 

O consórcio francês Rafale International se compromete a fazer a montagem de 30 dos 36 aviões de combate no Brasil, utilizando progressivamente peças fabricadas no país, se ganhar o bilionário contrato de encomenda do governo brasileiro. Os seis primeiros seriam produzidos na França. Formado pelas empresas Dassault Aviation, Snecma e Thales, o consórcio prevê que, se o contrato for assinado no ano que vem, uma linha de montagem começará a operar na Embraer dois anos depois, criando mil empregos diretos e 2 mil indiretos. A transferência de tecnologia "total e irrestrita" começaria pela fabricação da asa, da parte eletrônica da antena do radar e mais tarde também no desenvolvimento do motor.

A Dassault detém atualmente 0,9% do capital da Embraer e diz que não tem planos de "aumentar ou reduzir" essa participação, segundo seu vice-presidente, Eric Trappier. Mas indagado se para obter o contrato poderia aumentar o capital do construtor brasileiro, ele respondeu que "depende de demanda da Embraer". Se isso ocorrer, a Dassault "vai examinar".

A empresa convidou um grupo de jornalistas brasileiros para ouvir seus argumentos e visitar sua fábrica. Mas a principal questão não foi respondida: quanto afinal custa um Rafale, já que a opinião comum é de que se trata do mais caro entre os que concorrem pela encomenda brasileira?

Trappier alegou confidencialidade com o governo brasileiro e cuidado com a concorrência. Mas afirmou que a fabricação de peças no Brasil e utilizacao da mão de obra nacional poderão baixar o preço de cada Rafale. Do pacote proposto ao Brasil, 10% seriam armamentos, incluindo mísseis de três tipos. Pela primeira vez o construtor francês indicou que o custo de uma hora de voo do Rafale é igual ao do Mirage 2000, que o Brasil já tem. Segundo um especialista, esse custo seria de US$ 14 mil, comparado aos US$ 4 mil do concorrente sueco Gripen.

O executivo insistiu que não dá para comparar os dois aparelhos. Durante a visita, os franceses concentraram a carga pesada contra o concorrente sueco, dizendo que um Rafale vale por 2,3 Gripen, alegando que o Rafale carrega seis mísseis e o concorrente apenas quatro, que seria o único avião a cumprir todo tipo de missão etc.

A compensação pela compra seria superior a 160% do valor do contrato comercial, ou seja, o valor da tecnologia transferida seria de € 7 bilhões. A Dassault diz que ofereceu ao Brasil 20 tecnologias sensíveis com desdobramentos que vão além do setor aeronáutico e beneficiariam também indústrias estratégicas nos campos petrolífero, fabricação de materiais, meio ambiente, biologia etc.

Três áreas são favorecidas na transferência de tecnologia: o programa do F-X2, com o desenvolvimento de capacidade adicional, produção e manutenção; apoio ao cargueiro da Embraer KC-390; e desenvolvimento conjunto de tecnologia, incluindo aeronaves de combate da próxima geração e aviões não tripulados. A Dassault se compromete em abrir totalmente o código-fonte do Rafale.

"A competição é entre a tecnologia francesa e americana, e o motor também entre americano ou francês. Nós dominamos realmente as tecnologias que estamos oferecendo ao Brasil, enquanto qualquer outro concorrente depende tambem de tecnologia americana", disse Trappier.

Os franceses insistem que o Rafale já foi testado em combate e que pode defender o pré-sal fazendo o mesmo tipo de missão que faz no Afeganistão, enquanto o Gripen nunca foi testado, porque não existe ainda. O consórcio garante que uma aquisição pelo Brasil não tem risco político, de prazo, nem financeiro. Insiste que a Dassault produz 11 Rafale por ano e tem viabilidade econômica, com encomendas para até 2022 valendo € 15 bilhões. A França é o único país a utilizar atualmente os Rafale. Tem 75 aparelhos em operação e quer outros 300.

das declarações de preferência do presidente Lula pelo Rafale, a empresa nota que a entrega do documento de avaliação da Força Aérea Brasileira sobre os aviões em disputa já foi adiada nove vezes.

O repórter Assis Moreira viajou a convite da Dassault

 

Fonte: Valor Econômico - Assis Moreira, de Paris

Last Updated on Friday, 30 October 2009 11:15
 

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