Troca de farpas esquenta ânimos PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Friday, 13 November 2009 13:09

Francesa Rafale ataca concorrentes em coletiva. Venda de caças para a FAB perto do fim

 

Pela primeira vez desde que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou sua preferência — política — pelo caça francês Rafale, que disputa a concorrência F-X2 da Força Aérea Brasileira (FAB) com o norte-americano F-18 Super Hornet e o sueco Gripen NG, os responsáveis pela proposta francesa convocaram uma coletiva de imprensa para “esclarecer as inverdades” divulgadas pelos concorrentes. O diretor da Rafale International no Brasil, Jean-Marc Merialdo, refutou o argumento de que sua proposta seria 40% mais cara que a da Boeing, e questionou a comparação de preços com o Gripen NG, da Saab. Para Merialdo, o avião sueco pertence a uma classe diferente do Rafale, e é hoje apenas um “demonstrador de conceito”. Ao Correio, as duas outras concorrentes reafirmaram suas colocações e rebateram as críticas feitas pela empresa francesa.

“Infelizmente, os concorrentes começaram a levar a público informações que não correspondem à realidade, chegando, em alguns momentos, à total falta de compostura, em uma clara tentativa de pressionar a decisão”, disparou Merialdo. O representante francês chegou ainda a sugerir que a Boeing e a Saab “fazem uma campanha em conjunto contra o Rafale”. Ele, no entanto, negou que a convocação de uma coletiva para contestar os argumentos alheios seja uma manobra desesperada. “Sempre há uma preocupação quando a gente conduz uma operação desse tipo, (…) mas estou aqui para ganhar”, afirmou.

Apesar de dizer não saber o preço das outras propostas, Merialdo argumentou que não há “fundamentos técnicos” que garantam um preço 40% menor para a proposta norte-americana. O coronel aviador da reserva Rogério Bonatto, consultor da Rafale, não descartou, contudo, a hipótese de o governo americano ter oferecido “descontos estratégicos”. “Se um governo resolver fazer uma parceria com o Brasil e fornecer 35 aviões de graça, pode”, exagerou Bonatto. O diretor da Rafale ainda voltou a afirmar que a autorização do Congresso dos EUA para a transferência de tecnologia do F-18 é “uma pré-autorização, que ainda será revista”.

Confrontado com a afirmação, o gerente de Desenvolvimento Corporativo Internacional da divisão militar da Boeing, Michael Coggins, classificou-a de “bobagem”. O executivo relatou que a autorização congressual 36-B, como é chamada, foi aprovada em 5 de setembro e concede as licenças para armamentos, turbinas, radares e demais sistemas do Super Hornet. Sobre a comparação feita com o preço, Coggins argumentou que não há cláusula de sigilo sobre valores globais das propostas, mas sobre valores unitários. “Reafirmo que nossa proposta é 40% mais barata que a do concorrente.”

Garantia sueca

Sobre o Gripen NG, Merialdo destacou o “risco financeiro” de fechar contrato com um caça que ainda está em “fase inicial de projeto”. “O custo final do desenvolvimento do Gripen NG é totalmente desconhecido, podendo se tornar um verdadeiro saco sem fundo”, afirmou. O diretor-geral da Saab no Brasil, Bengt Janér, respondeu, dizendo que “está tudo (os custos) incluso na proposta”, e que qualquer gasto extra será assumido pela empresa sueca. Ele ainda explicou que o Gripen NG não parte do zero, mas de um caça que tem mais de 230 exemplares voando em cinco países, o chamado Gripen C/D.

A troca de acusações ocorre no momento em que a FAB finaliza a análise das três propostas, antes de repassá-la ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, que só chega de viagem no próximo dia 23. A expectativa é de que o anúncio da escolha seja feito ainda neste ano.

Infelizmente, os concorrentes começaram a levar a público informações que não correspondem à realidade, chegando, em alguns momentos, à total falta de compostura, em uma clara tentativa de pressionar a decisão”.

 

 

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