Obama enviará mais 30 mil soldados ao Afeganistão, mas promete retirada em 2011 PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Wednesday, 02 December 2009 13:23

 

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou, nesta terça-feira (1), o envio de 30 mil novos soldados para o Afeganistão a partir do início do próximo ano. O anúncio foi feito durante um discurso à nação na academia militar de West Point, no Estado de Nova York.

Barack Obama acena antes de discursar sobre sua nova estratégia para a guerra no Afeganistão

Além da decisão sobre as tropas adicionais, o presidente afirmou ainda que pretende iniciar a retirada das tropas americanas em julho de 2011, um ano antes das eleições presidenciais. "Eu tomo essa decisão porque estou convencido de que nossa segurança está ameaçada no Afeganistão e no Paquistão", afirmou o presidente. "Esse é o epicentro do extremismo violento praticado pela Al Qaeda", completou.

De acordo com Obama, as tropas adicionais ajudarão a preparar a retirada e transição para as forças de segurança do Afeganistão. Com o envio das novas tropas, os EUA contarão com mais de 100 mil homens lutando contra os combatentes da milícia Taleban em território afegão.

No discurso à nação, Obama usou o exemplo do Iraque como modelo para a retirada das tropas do Afeganistão. "A exemplo do que foi feito no Iraque, nós iremos fazer essa transição de forma responsável, levando em consideração as condições no terreno. Nós continuaremos aconselhando e ajudando as forças de segurança afegãs, para assegurar que elas possam ter sucesso a longo prazo. Mas ficará claro para o governo afegão - e, o que é ainda mais importante, para o povo afegão - que eles serão os maiores responsáveis por seu país."

Em dezembro de 2008, Washington e Bagdá ratificaram acordo de segurança que estipulava a retirada americana das principais cidades iraquianas antes de julho de 2009, o que de fato ocorreu, e de todo o território iraquiano antes de janeiro de 2012.

Obama afirmou que já apresentou a nova estratégia para o Afeganistão com o presidente afegão, Hamid Karzai, por meio de uma vídeo-conferência. De acordo com a Casa Branca, o presidente disse a Karzai que os esforços dos EUA no Afeganistão "terão limite" e serão medidos com base em objetivos ao longo de dois anos.

Nova estratégia
A nova estratégia militar americana para o Afeganistão é anunciada após meses de discussões. O comandante militar americano no Afeganistão, general Stanley McChrystal, havia pedido no início do ano que os Estados Unidos enviassem mais 40 mil soldados ao país.

Além do envio de mais 30 mil soldados anunciado nesta terça-feira, o presidente americano pediu que os países membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) enviem outros 10 mil soldados ao Afeganistão.

A França já recusou o pedido, e a Alemanha adiou a decisão. O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, anunciou o envio de mais 500 soldados na última segunda-feira.
 

Os custos da guerra
O presidente americano admite que a guerra não será barata. O envio dos soldados adicionais custará cerca de US$ 30 bilhões em um ano. "Trabalharei rigorosamente com o Congresso para dar conta destes custos, enquanto trabalhamos para reduzir o déficit", disse Obama, ao lembrar que, quando assumiu a presidência, em janeiro, o custo das guerras no Iraque e Afeganistão se aproximava de US$ 1 trilhão.

Segundo o correspondente da BBC em Cabul, Martin Patience, críticos da presença militar americana afirmam que cada vez que os Estados Unidos enviam mais tropas a segurança do Afeganistão piora, e questionam por que os americanos estão gastando bilhões de dólares em gastos militares e não na reconstrução do país.

Para derrotar a rede terrorista instalada no Afeganistão, o plano inclui ainda o reforço institucional do Paquistão. "Este câncer fincou raízes na região da fronteira paquistanesa, o que exige uma estratégia que funcione nos dois lados da fronteira", afirmou Obama.

O presidente garantiu que o Afeganistão "não está perdido", mas reconheceu que nos últimos anos a situação regrediu diante da retomada da força dos rebeldes talebans.

Aumento de 65% nas mortes entre 2008 e 2009
O número de militares estrangeiros mortos em operações no Afeganistão já cresceu 65% em 2009, primeiro ano do governo Obama, em comparação com todo o ano de 2008, último período do governo republicano de George W. Bush.
 

 

De acordo com os números do site independente icasualties.org, foram registradas este ano 485 mortes entre os soldados da coalizão militar liderada pelos Estados Unidos no Afeganistão - um aumento de mais de 65% em relação aos 295 mortos de 2008. Os onze primeiros meses de 2009 já são, dessa forma, o período mais violento dos oito anos de guerra no país.

 

Ainda segundo o levantamento do icasualties.org, ao todo 1.532 militares morreram no Afeganistão desde 2001, quando Bush iniciou uma ofensiva militar no país, logo após os ataques terroristas de 11 de Setembro. O objetivo era combater as forças da Al Qaeda e do Taleban que, segundo o governo norte-americano, ofereciam suporte a ações terroristas contra os Estados Unidos.

Um mês depois dos ataques às Torres Gêmeas de Nova York, um primeiro contingente de 1.300 soldados dos EUA foi mandado ao Afeganistão. Desde então, aumenta ano a ano o número de soldados estrangeiros em operação no país, vinculados principalmente à Operation Enduring Freedom (OEF), liderada pelos Estados Unidos, e à International Security Assistance Force (Isaf), subordinada à Otan e com participação de 43 países.

A rede norte-americana CNN, que segue os anúncios oficiais dos governo, indica que, ao todo, houve no Afeganistão 1.524 mortes de militares da coalizão, dos quais 926 norte-americanos, 11 australianos, 1 belga, 236 britânicos, 133 canadenses, 3 tchecos, 28 dinamarqueses, 21 holandeses, 6 estonianos, 1 finlandês, 36 franceses, 31 alemães, 2 húngaros, 22 italianos, 3 letões, 1 lituano, 4 noruegueses, 15 poloneses, 2 portugueses, 11 romenos, 1 sul-coreano, 26 espanhóis, 2 suecos e 2 turcos. Pelo menos 4.565 pessoas foram feridas em ação, segundo o Pentágono.

 

No Iraque, o principal front do governo Bush, existem hoje mais de 120 mil militares norte-americanos. Apesar do grande contingente, situação no país é mais calma do que nos últimos anos. Em 2008, segundo o icasualties.org, 322 militares estrangeiros morreram no país, dos quais 314 norte-americanos, enquanto nos primeiros dez meses de 2009 as baixas das tropas ocupantes foram 147, número cerca de 54% menor.

Ainda assim, o Iraque ainda registra o maior número de mortes globais: 4.687 militares estrangeiros mortos do país durante todo o conflito.

Fonte: Portal UOL - Julie Jacobson/AP

 

Translate

Browse this website in:

Busca Rápida
Serial
(FAB, MB ou EB)


Copyright © 2019 Base Militar Web Magazine. All Rights Reserved. Joomla! is Free Software released under the GNU/GPL License.