Elogios não garantem ajuda PDF Print E-mail
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Thursday, 03 December 2009 13:39

 

Líderes europeus foram efusivos ontem em oferecer apoio à nova estratégia para o Afeganistão anunciada na terça-feira pelo presidente americano, Barack Obama, mas se abstiveram de comprometer-se com o envio de soldados adicionais para uma campanha militar ainda considerada arriscada e incerta. Até agora, a resposta da Europa tem sido, no mínimo, cautelosa, revelando o delicado malabarismo político de líderes europeus que buscam transmitir sinais positivos a Obama, e ao mesmo, tempo aplacar eleitores céticos que consideram a guerra no Afeganistão um verdadeiro fiasco.

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Anders Fogh Rasmussen, disse esperar que os demais países membros do bloco com presença no Afeganistão forneçam, ao todo, pelo menos 5 mil soldados adicionais, embora Obama tenha pedido 10 mil. Com o aumento prometido de 35 mil soldados – 30 mil norte-americanos e 5 mil oferecidos pela Otan – os efetivos militares estrangeiros no Afeganistão totalizarão 148 mil homens, dois terços dos quais, americanos.

– É importante que a operação no Afeganistão não seja encarada apenas como uma operação americana – disse Rasmussen, pedindo a todos os aliados que dividam o peso das responsabilidades e aumentem sua contribuição militar – Trata-se de uma luta de todos.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pedirá contribuições suplementares aos aliados no Afeganistão numa reunião que será realizada amanhã em Bruxelas.

– Não vamos enfrentar estes desafios sozinhos – afirmou Hillary.
Mas até agora somente a Grã-Bretanha, maior aliada dos EUA, se comprometeu, antes mesmo do discurso de Obama, com o envio de mais 500 soldados para se somarem aos 30 mil americanos.

Já a Alemanha, a terceira maior presença de tropas no Afeganistão, com 4.400 soldados, afirmou estar disposta apenas a aumentar seu trabalho de treinamento de policiais, acrescentando que não pode se comprometer com o envio de mais soldados antes de proceder uma revisão de sua estratégia geral, marcada para o início de 2010.

– Obama levou tempo para estudar sua estratégia, e nós também levaremos o tempo necessário para avaliar o seu discurso e conversar com nossos aliados – disse o ministro do Exterior alemão, Guido Westerwelle.

Sarkozy O presidente francês, Nicolas Sarkozy, descreveu o discurso de Obama como “corajoso, determinado e lúcido”, mas dias antes já havia declarado que não enviaria mais soldados para a região conflagrada. Ontem, Sarkozy sinalizou uma discreta mudança de tom ao afirmar que seu país, quarto maior contribuidor de tropas, com 3.750 soldados na região, “vai analisar sua contribuição para a estratégia internacional, priorizando o treinamento das forças de segurança afegãs”.

Em Roma, o chanceler Franco Frattini disse que a Itália “fará muito”, mas se negou a definir números ou um cronograma.

Frattini exortou outros países europeus a estabelecerem compromissos concretos no Afeganistão e descreveu as reações dos seus vizinhos como “mornas”.
Em Varsóvia, o Ministério da Defesa sugeriu que o governo polonês poderia enviar 600 soldados adicionais ao Afeganistão, mas avisou que o plano está sujeito à aprovação do presidente.

O governo russo reagiu positivamente ao anúncio da nova estratégia dos EUA, mas não deu maiores informações sobre o envio de mais soldados.

Conforme lembrado por Obama em seu discurso de terça-feira, após os atentados de 11 de setembro de 2001, a Otan recorreu, pela primeira vez na sua história, ao compromisso firmado por seus membros de que um ataque a uma nação membro representa um ataque a todos. Oito anos mais tarde, os mesmos países recuam discretamente, parecendo desgastados e sem muito entusiasmo para prorrogar a causa americana.

Um dia depois do anúncio de Obama, as forças da Otan informou a morte do 300º soldado americano este ano no Afeganistão, o que eleva para 486 o número total de soldados estrangeiros mortos em território afegão desde o começo de 2009.

Resposta talibã Ontem, o porta-voz do Talibã Qari Yusuf Ahmad, afirmou que a nova estratégia de Obama só reforçará a resistência do grupo, e ameaçou novos ataques contra os Estados Unidos.

– Obama verá desfilar muitos caixões de soldados americanos mortos no Afeganistão – declarou.

Fonte: Jornal do Brasil

 

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