O USS Pearl Harbor PDF Print E-mail
Written by Felipe Salles e Pierre Vincent   
Thursday, 15 May 2008 07:58

 

 

 “Reveilly , reveilly” falava a voz no fonoclama. Assim começa cada novo dia a bordo do USS Pearl Harbor, e em todos os navios da US Navy.

 O conceito

 O USS Pearl Harbor é o ultimo navio desembarque doca (NDD/LSD) clássico construído para a US Navy. Sendo o último dos três navios da classe Harpers Ferry ele representa a máxima evolução do conceito que gerou os nossos NDD G-30 Ceará e G-31 Rio de Janeiro.

Passe o mouse sobre as fotos e veja as legendas.
Pearl Harbor atracado em Puerto BelgranoVista externa do Pearl Harbor já durante o Final Battle ProblemPear Harbor escoltado pela Independência, bem ao fundoVista externa do Pearl Harbor já durante o Final Battle Problem

 Este conceito básico teve bastante sucesso e acabou sendo replicado ao longo dos anos. Ele casa um grande convôo a ré, capaz de receber vários helicópteros pesados, uma doca interna ampla para transportar LCUs (hoje em dia também os mais modernos LCACs) e uma superestrutura com bastante espaço para transportar centenas de fuzileiros navais até a costa na região do desembarque. Assim, percebe-se que os traços de família se mantiveram constantes desde a classe Thomaston (a dos nossos NDD) construídos em meados da década de 50, para as classes subseqüentes: Anchorage na década de 60, Whidbey Island, nos 80 e finalmente os Harpers Ferry dez anos depois.

Vista externa do Pearl Harbor já durante o Final Battle ProblemVista externa do Pearl Harbor já durante o Final Battle ProblemVista externa do Pearl Harbor já durante o Final Battle ProblemVista externa do Pearl Harbor já durante o Final Battle Problem

 A classe Whidbey Island introduziu o uso de grandes motores diesel no lugar das plantas de vapor reduzindo os custos e aumentando a disponibilidade técnica. Os Harpers Ferry foram uma versão do Whidbey Island com uma doca mais curta e conseqüentemente uma maior capacidade de transporte de carga. A principal vantagem da doca encurtada é o maior espaço livre para o transporte de veículos, especialmente caminhões e Hummers. Outra especialização dos LSD é o transporte de munição, levada num compartimento localizado abaixo do deck garagem.  

   

 O Navio

 A primeira imagem que se tem do Pearl Harbor é o portaló localizado a boreste, entre o pesado guindaste à esquerda e a imponente superestrutura. Esta, por sua vez, é cortada no seu eixo longitudinal, pelo vão aberto do túnel de caminhões (“truck tunnel”). Este túnel leva a uma rampa que dá acesso ao “vehicle turn around area”, ou área de giro dos veículos, que se segue por outra rampa curta até a área de armazenamento de veículos, a “garagem” do navio. Deste patamar para o well deck (a doca) basta descer uma outra rampa. Do convés principal, para fora do navio, os veículos têm que ser movidos pelo guindaste ou opcionalmente por via aérea pendurados sob um helicóptero.

Preparando o convés para o portoSuperestrutura vista pela proa, ficando evidente os dois sistemas de defesa próxima - arma de cano e mísseis.Superestrutura vista pela popa em meio ao nevoeiro do dia da partida para o marA função de apoio logístico do Pearl Harbor fica clara deste ângulo
Momento em que membros da equipe de convôo corre para pear a aeronaveTripulantes no passadiço momentos antes da atracação após a Unitas AtlânticoComandante e Imediato acompanham manobras a partir da asa de bombordo

 Cerca de metade da tripulação do Pearl Harbor é feminina, um percentual muito diferente do que se verifica ainda nas marinhas do nosso continente. A área médica e dental, embora maior do que o que se tem nas escoltas, ainda não pode ser caracterizada como um verdadeiro hospital. Para esta função existem os LHD, que são bem maiores que os LSD. Durante a Unitas uma oficial do Pearl Harbor, ao ser perguntada sobre qual o destaque que o grande tamanho de seu navio causa num GT, ela respondeu com a seguinte frase: “Grande? Nós nunca nos vemos como sendo realmente grandes, especialmente quando fazemos parte de Forças Tarefas ao lado de porta-aviões e de LHDs. Comparados com eles, somos bem pequenos”. Um comentário que só reforça a idéia de que cada marinha tem sua própria escala.

Briefing da equipe de convôo antes das operações aéreasEquipe de convôo realiza vistoria antes do início das operações aéreasEquipe de resgate já em seus trajes de proteçãoEquipe de convôo descansando durante um intervalo nas operações aéreas

 A retenção de recursos humanos é uma grande prioridade dentro das forças armadas americanas hoje em dia. Por seu sucesso nesta área o USS Pearl Harbor foi premiado com a “Âncora de Ouro” e, por isso, suas duas âncoras foram devidamente pintadas desta cor para celebrar o prêmio. Na lateral do navio, abaixo da asa do passadiço, o navio carrega mais prêmios: o “H” para denotar mérito de sua área hospitalar, o “E” azul para marinharia e um “E” vermelho para mérito de sua engenharia.

Pallets com doações no convôo aguardando o desembarquePosto de controle de operações aéreas com as luzes verdes indicando convôo liberadoVista do interior da torre de controle das operações aéreasVista do interior da torre de controle das operações aéreas

 A área do well deck é um mundo à parte dentro do navio. Para o exercício Team Work South o Pearl Harbor carregava 23 caminhões e 16 Hummers. Alguns destes Hummers têm uma coloração diferente, mais para bege, e levam a bandeira da letra “D” (Delta) pintada na sua lateral. Eles pertencem a unidade de “Beachmasters”, que saem antes dos Marines para garantir que a área do desembarque está segura e apropriada para que ele ocorra com segurança. Só com a liberação dos Beachmasters – “Beach is safe!” - é que os Marines e seus veículos podem ser desembarcados. Um diferencial interessante nos Hummers dos Beachmasters, é que eles apresentam uma grande placa protetora de madeira sobre o capô, para minimizar o risco de danos durante o transporte. Desta mesma unidade havia a bordo, também, um veículo anfíbio LARC-V, sigla que significa Lighter, Amphibious Resupply, Cargo (Leve, Resuprimento Anfíbio, carga). Com três tripulantes e um casco de alumínio este veículo transporta no mar ou na terra até 2,5 toneladas e, muitas vezes, é usado no resgate de LCUs e outros veículos de desembarque que por alguma razão tenham se metido em situações complicadas. Duas alavancas separadas acionam e desengajam as propulsões terrestre e marítima. No mar estes LARC podem alcançar até 8 nós, mas em terra não passam de 50km/h.

 Os caminhões M14151e os Hummers dos Marines, que estavam apeados a bordo, serão usados pelos reservistas do 24th Marine Regiment durante o exercício Team Work South no Chile.

Área de docagem dentro do Pearl Harbor vista a partir de um veículo de desembarque LCUTrator de apoio a desembarque. Compactando a areia evita-se a possibilidade de atolamento de outros veículosVeículo de apoio logístico com reboque para transporte de água potávelVeículos dos Fuzileiros transportados à bordo do Pearl Harbor
Diversas versões de HUMVEEs dos fuzileiros na área de manobra situada em um entre-pisosInterior de um HUMVEEEscotilha de um HUMVEEDetalhe do peamento de um dos HUMVEE ao convés

 Além de todos estes veículos, havia uma única LCU (Landing Craft Utility – Lanchão de desembarque anfíbio) na doca e alguns tratores militarizados dos batalhões de construção da US Navy, os “Seabees”.

 Nas laterais da doca existem vários cabos de 4 ou 5 polegadas (10 a 12 cm de largura) esticados para secar. Estes cabos são presos em potentes guinchos localizados nas laterais e nos lanchões de desembarque, para que eles entrem dentro do LSD sem danificar a sua doca mesmo sob o efeito do constante balançar do navio no mar.

Estação de pilotagem do LCUVeículo anfíbioCabine do veículo anfíbioVeículo anfíbio com o LCU ao fundo

 Os LCUs são navios independentes sob a ótica da US Navy, com seu próprio capitão que, não sendo um oficial, faz com que ele seja chamado de “craftmaster”. Os seus tripulantes dormem e se alimentam dentro do LCU, onde permanecem o tempo todo. Esta LCU media 134 pés de comprimento por 30 de largura, deslocando 236 toneladas, sendo 151 toneladas de carga útil. Uma carga normal é um par de tanques Abrams e um Humvee, ou então doze Humvees de uma só vez. Para manter o equilíbrio os elementos mais pesados ficam sempre alinhados no meio. A tripulação é de 12 pessoas divididas em engenheiros, pessoal de convés e cozinha. A sua galley (cozinha) pode manter a tripulação no mar por cerca de uma semana, e o LCU produz sua própria água doce. Para a entrada dos caminhões e Hummers, a LCU abicou numa rampa de concreto perto da Base Naval de San Diego para que, com a rampa frontal abaixada, os veículos viessem para seu interior e em seguida adentrassem o Pearl Harbor. A defesa da LCU fica por conta de uma metralhadora .50”. Uma missão comum, mas até certo ponto inusitada, para os LCUs é a de patrulha de longo alcance, servindo como posto de escuta e de observação para a tropa de desembarque. Os LCUs da marinha americana foram fabricados durante a década de 60 e foram modernizados recentemente dentro do “LCU Sustainment Program”. Os camarotes e o Stateroom (camarote VIP) são confortáveis e amplos para um navio tão pequeno. O LCU é todo independente para que ele possa ser lançado em no máximo duas horas. Por ser um time pequeno, operando num espaço físico limitado, o ambiente humano dentro de um LCU é bem mais próximo de uma família do que o que se verifica em qualquer navio grande da US Navy. O LCU conta com dois compartimentos de motores e também possui dois geradores elétricos. Operacionalmente, os LCU estão hierarquicamente subordinados ao Naval Beach Unit, que também agrega todas as unidades de LCACS, os Seabees e os Beachmasters.

Hélice e leme do veículo anfíbioLCUDetalhe do LCUVeículos da Marinha à bordo do LCU (Os veículos dos fuzileiros usam outro padrão de pintura)
Veículo anfíbioDestacamento especial para o mar guarnecendo armas de pequeno calibre para proteção da embarcação quando próxima do litoral.
Estação para TOM de bombordoUm dos motores do LCUHidrojato de uma das lanchas do Pearl HarborEstação de transferência de óleo da La Torre
As duas lanchas em seus berçosDetalhe do convés de uma das lanchasEquipe de abordagem do Alm. Brown incluindo um oficial da Marinha do BrasilDelicada operação de embarque dos tripulantes no bote com o mar jogando consideravelmente
Lançador RAM à meia nau, deslocado para bombordoConvés sobre a superestrutura onde está instalado o lançador RAM de vanteAsa de boreste e antena de comunicação por satélite.Pearl Harbor atracado em Puerto Belgrano
 

 

 

 Dentro do LSD 52

 No Pearl Harbor nesta missão trabalhavam uma oficial médica e um oficial dentista. Sua função normalmente é realizar primeiros socorros e procedimentos menores como remoção de unhas e drenagem de cistos. Nos primeiros socorros o objetivo é estabilizar o paciente até que ele possa ser enviado a algum hospital em terra ou mesmo para um navio maior e melhor equipado. Segundo o Oficial Dentista os LSD dentro da US Navy não passam de “clínicas flutuantes”. Todos os tripulantes são devida e preventivamente tratados antes do embarque, o que reduz a demanda durante o deployment. Além dos dois oficiais existem a bordo um “Independent Duty Corpsman” e outros nove “Hospital Corpsmen” para auxiliá-los. Os Corpsmen, dentro da marinha americana, são praças treinados na operação e no reparo dos equipamentos médicos levados a bordo. Eles, independentemente de serem treinados como farmacêuticos, técnicos radiológicos, etc, são os militares responsáveis pela execução dos programas de medicina preventiva realizados a bordo. Além da sala de operação e do consultório dentário localizados a bombordo a meia nau, existem dois compartimentos adicionais, a vante e a ré, que em caso de combate são convertidos em postos médicos de emergência, os chamados “battle dressing stations”.

Oficiais do Pearl Harbor no passadiço na navegação pelo canal que dá acesso a Puerto BelgranoTripulantes do Pearl Harbor posam para foto com os rebocadores de fundo na faina de atracaçãoTripulação trabalha no convés na faina de light lineTripulantes aguardando o início da faina de light line

 Tendo em vista as mais de 400 pessoas a bordo, o serviço de alimentação é um dos departamentos mais exigidos no navio. Cinco cozinheiros e seus assistentes, alimentam todas essas pessoas. Três refeitórios são utilizados para servir as quatro refeições diárias para cada um destes tripulantes. O General Mess atende aos praças até o nível E6, a “First Class Mess” é exclusiva para os Chiefs de E-7 a E-9, e os oficiais se alimentam na própria Praça d’Armas do navio. A bordo do Pearl Harbor são consumidos, por dia, 45 dúzias de ovos, outros 120 quilos de frango, e 300 quilos de carne são cozinhados a cada refeição. Apenas de leite, que é uma bebida muito popular na dieta americana, são gastos cerca de 100 litros por dia, no navio.

Equipe de convôo descontraindo no intervalo de operações aéreasOficial de sinalização passa instruções à aeronave que se aproxima do Pearl HarborOficiais das marinhas do Brasil e da Argentina embarcados no Pearl Harbor durante o exercício

   Carregar toda esta comida para dentro do navio é um esforço grande, uma vez que as câmaras frigoríficas e os armazéns ficam vários conveses para baixo do convés principal. Para reduzir este esforço, em alguns corredores do deck principal existem plataformas munidas de roletes presas nas anteparas, que podem ser montadas no piso quando se iniciar a faina de carregamento de víveres.

 No passadiço este navio já implementou a “paperless navigation”, ou seja, o Pearl Harbor não usa mais cartas náuticas de papel para determinar e acompanhar sua derota no mar. Como nos aviões de passageiros modernos, é usado um sistema digital dedicado a esta função, o Voyage Management System, ou VMS, com suas cartas eletrônicas digitais e acompanhamento de posição em tempo real por GPS integrado. Este sistema aumenta a segurança e reduz enormemente o esforço de operar um navio de grande porte como esse.

Corredor da área da marinha (azul) com diversos equipamentos como aparatos para transporte de carga e itens de combate a incêndioCozinha do LCUUma das cozinhasMess Room dos praças
Sala de cirurgia do Pearl HarborSala de cirurgia do Pearl HarborClínica odontológicaAlojamento dos fuzileiros (piso vermelho) com destaque para a comunicação de emergência entre compartimentos

 O navio opera em dois modos, o “normal” com 406 pessoas a bordo, e o “surge” com um total de 506. Para isso seis “Rec Rooms”, ou salas de recreação, tem que ser convertidos em camarotes. Os Rec Rooms têm uma televisão e são usados pelos Marines embarcados no LSD quando eles não estão nos conveses exteriores ou nos seus camarotes. Um destacamento de Marines é alocado a cada um dos Landing Ship Docks da US Navy. O Combat Cargo Officer é um fuzileiro que com seu time de 24/25 praças organiza e distribui os Marines que vem a bordo pelos diversos camarotes do navio, inclusive os oito “Staterooms” para oficiais, sendo seis deles quádruplos e dois sêxtuplos. Um outro camarote VIP, com escritório e banheiro privado, é separado para o “COT”, o Commander Of Troops, um Tenente Coronel ou Coronel Fuzileiro Naval. Para separar as áreas dedicadas aos marinheiros das reservadas para os Marines, o piso dos corredores do navio é pintado de duas cores diferentes, azul para os primeiros e vermelho para os fuzileiros.

Praça d'ArmasPraça d'ArmasSala de ginásticaHomens e mulheres da tripulação exercitando-se na sala de musculação
PassadiçoTela do radar de navegaçãoEstação do timoneiroMesa de navegação no passadiço
Controle do sistema de içamento das lanchasEspaçosa asa de bombordo
Alojamento dos fuzileiros. Economia de espaço em todos os detalhesUma das salas conversíveis configurada como área de lazer. As camas, neste caso, ficam presas em um espaço do próprio compartimento. É possível ver também os equipamentos de respiração para abandono de emergênciaNo mesmo compartimento conversível os armários acomodam travesseiros e cobertores necessários para a total conversão da sala em alojamentoDetalhe do posto de controle a meia nau do ARA Patagônia
 

 

 

 O Pearl Harbor nas palavras do seu comandante

 Segundo o Comandante do Pearl Harbor, CDR Victor Cooper, “Os navios Anfíbios existem para atender aos requerimentos específicos do US Marine Corps, por isso, temos que estar preparados para transportar os seus veículos, tropas e carga. A classe do Pearl Harbor foi construída para transportar mais carga e mais munição do que as classes de LSD anteriores. A adoção de dois motores a diesel, no lugar das plantas de vapor, foi uma das maneiras para simplificar a manutenção e a aumentar a confiabilidade destes novos navios, especialmente quando comparados com os antigos classe-Anchorage.

Comandante acompanha do passadiço a aproximação para atracação.Comandante do Pearl Harbor em seu camaroteComandante e seus diversos meios de comunicação que o cercam em seu camaroteVista externa do Pearl Harbor já durante o Final Battle Problem

 Segundo o CDR Cooper, “O futuro da tarefa anfíbia pertence à Classe San Antonio, um LPD maior e mais largo que os atuais LSDs. Esta nova classe é projetada para ser mais independente e mais capaz de se defender, sem a necessidade de demandar uma grande frota de escoltas ao seu redor. Os San Antonio terão seus próprios destacamentos aéreos e não apenas o convôo para ser usado pelas aeronaves dos outros navios.

 Cooper comentou ainda que “o Pearl Harbor experimentará muitas novidades neste deployment. Pela primeira vez nós cruzamos o Canal do Panamá, e ainda teremos a oportunidade de interoperar com varias marinhas sul-americanas. Ele continuou: “A boa notícia da escolha do LSD-52 para realizar esta missão nos foi dada em junho de 2006” e terminou dizendo que “para a nossa tripulação esta participação é sem dúvida um grande prêmio”.

 Na Praça de Máquinas

 Descendo dois conveses abaixo do convés principal chegamos ao local de trabalho dos engenheiros do Pearl Harbor. Lá em baixo, naquele momento, apenas um dos motores estava funcionando, já que uma das camisas do cilindro do motor de boreste tinha rachado e eles estavam no meio do programa de reparo deste motor, operando apenas com o motor de bombordo. Os técnicos do navio aguardavam apenas a chegada de um selo (o-ring) e então o motor poderia ser remontado.

Um dos motores diesel do Pearl HarborUma das unidades motrizes com um cilindro retirado para manutençãoEstação de controle da sala de máquinas do Pearl HarborParte inferior de um dos motores

 O Pearl Harbor leva mais de 120.000 litros de água doce, e possui duas caldeiras para dessalinização da água do mar. A água recebe adição de brometo para ficar própria para o consumo humano. Dois filtros de óleo depuram o óleo lubrificante. Um dos componentes mais importantes do navio é a Engrenagem Redutora Principal (Main Reduction Gear - MRG), que recebe o eixo dos motores e do outro lado move a hélice que opera com passo variável. O uso de motores em vez de caldeiras a vapor, e a temperatura fria no exterior, fazem da sala de máquinas do navio um ambiente bastante tolerável, em nada parecido com o calor escaldantes dos nossos Classe Ceará. O Centro de Controle de Máquinas é bem pequeno, mas o painel é ainda de mostradores analógicos e não digitalizado como em navios mais modernos. Mesmo aqui na engenharia, a presença das mulheres é marcante, tanto oficiais como praças. Não existe lugar em que elas não atuem e inevitavelmente dominem.

 Os Reservistas nos Planos do DESRON 40

 Nesta Unitas Fase Atlântico o USS Pearl Harbor recebeu a bordo um grupo de cerca de 25 civis, todos reservistas da US Navy. O objetivo deste programa é reciclar os reservistas dentro de um ambiente operacional real no mar e ao mesmo tempo produzir um contato próximo entre os militares da ativa e um grupo com novos pontos de vista e conhecimentos diferentes daqueles que atualmente são ensinados dentro da US Navy. Esta troca de conhecimentos é obviamente positiva para ambos. O grupo veio para a Argentina em vôo comercial e embarcou na Base Naval de Puerto Belgrano, desembarcando e retornando aos EUA ao final do exercício no dia 12 de maio. Outro grupo embarcará no Chile e voltará para casa ao fim do exercício Team Work South. 

 

 A Participação de Estrangeiros

 A presença de um navio anfíbio moderno em suas águas fez com que a Armada Argentina aproveitasse a oportunidade e embarcasse um numero de militares no LSD-52 para que eles possam determinar, na ótica da primeira pessoa, os impactos tal classe de navio teria no futuro de sua organização. O Comandante Fabián Gerardo D' Angelo, Comandante do destructor ARA Sarandi, era o oficial estrangeiro sênior a bordo, e seu objetivo era atuar como representante da organização da Unitas a bordo do Pearl Harbor. Sua equipe incluía três oficiais e seis suboficiais, ocupados primariamente com a instalação, manutenção e operação do datalink naval argentino, o Link-ARA. Além destes, oito fuzileiros navais completavam o contingente argentino. O único outro militar estrangeiro a bordo era um oficial do NT Gastão Motta, no papel de “ship-rider”, ou seja, observador.

 O Link-ARA consiste num software rodando num laptop com saída para radio ou enlace de dados via satélite comercial da Iridium. Com estes sistemas podem ser transferidos tanto dados táticos (posições de contatos) quanto manter um chat de texto entre os navios participantes. Desta vez operaram o sistema os seguintes navios: Patagonia, Gómez Roca, Almirante Brown, Independência e Santa Maria, além, obviamente, do Pearl Harbor. Segundo os oficiais da ARA , os resultados alcançados durante este teste foram muito satisfatórios.

 Mesmo sendo um navio com um casco chato e uma enorme área vélica, os estabilizadores do Pearl Harbor fazem milagres e mesmo num mar bem batido o balanço não é tão desagradável para tripulantes e passageiros.

 

 Conclusão

 A aventura dos tripulantes do LSD-52 continua após sua partida de Puerto Belgrano. Ainda faltam muitas milhas de mar, e muitas aventuras ainda, até eles retornarem para casa no porto da cidade de San Diego, na Califórnia.

 “Taps, taps, Lights Out”, disse a cada noite a voz no fonoclama, encerrando o expediente de mais um dia a bordo do USS Pearl Harbor...

 

Bandeira Norte-Americana sendo recolhida momentos antes da partida

 

 

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