Sea Swap:A Royal Navy vem ao Rio com um novo conceito operacional PDF Print E-mail
Written by Felipe Salles   
Tuesday, 25 March 2008 09:11

 

 

Sea Swap:A Royal Navy vem ao Rio com um novo conceito operacional

O destroyer Type 42 Batch III HMS Edinburgh passou há algumas semanas pelo porto do Rio em sua viagem de retorno ao Reino Unido. A princípio nada de extraordinário, se ignorarmos que TODA sua tripulação pertencia ao HMS Exeter, outra Type 42 (porém da Batch II) que se encontra neste momento navegando na Europa... com a tripulação do Edinburgh.

Passe o mouse sobre as fotos e veja as legendas.

Estes navios estão participando de uma revolucionária experiência que visa reduzir os custos de se manter navios em serviço em pontos remotos do globo. Este programa foi chamado de Sea Swap (“troca no mar”, em português).

O que é o Sea Swap?

As marinhas de países como os Estados Unidos e o Reino Unido se deparam com os altos custos da operação e da manutenção de seus navios permanentemente em posições avançadas como o Golfo Pérsico/Oceano Indico, Pacífico Ocidental e no Mediterrâneo. Para realizar suas patrulhas a tão grande distancia os navios tem que ficar deslocados de suas bases por muitos meses de cada vez.

Normalmente a estes deployments duravam cerca de seis meses, com um mês de viagem de ida e outro de viagem de volta. Um mês antes da sua data de partida para casa um outro navio partia da base para substituí-lo no local de patrulha.

A dura realidade econômica apontou que essa solução, embora tradicional e testada, não mais era viável para aestas marinhas, e a partir daí começaram os estudos para compreender os prós e contras da tropa de tripulações entre navios, também chamado de “Sea Swap”, ou, em bom português, “Troca no Mar”.

Segundo este conceito, semelhante ao que ocorre na aviação comercial e nas empresa de transporte de ônibus, o veículo permanece onde está e recebe uma nova tripulação quando o prazo de limite da tripulação anterior se esgota. Historicamente a tripulação do navio de guerra esta “casada” com ele, onde se forma uma relação maior do que uma mera conjugação tripulante-veículo. Adicionalmente cabe à própria tripulação a realização da manutenção diuturna de seu navio.

Um navio é um grande sistema fechado, cada um é único, por mais que sigam as mesmas plantas. Por não se tratar de uma linha de produção de grande escala, como se verifica em automóveis, ônibus ou mesmo aeronaves, não existem dois navios que sejam exatamente iguais. Adicionalmente os reparos, pequenos e grandes que são realizados nos navios acabam por diferenciá-los ainda mais. Se as tripulações permanecem por muito tempo a bordo, cada uma destas características únicas é bem conhecida e monitorada com a devida atenção.

No caso dos aviões de carreira, “logs” mantidos pelos diversos tripulantes, detalham para as demais tripulações e para o pessoal de manutenção, neste caso de terra, não-embarcado, todos os problemas e pendências técnicas verificadas no avião durante sua operação.

As vantagens do Sea Swap

A principal vantagem do Sea Swap é a redução do custo ao se evitar as viagens da base naval até a zona adiantada de operações e patrulha. Os tripulantes vão e voltam de avião que custa infinitamente menos que trazer o navio todo de volta. Para efeitos meramente militares, tanto a viagem de ida, como a de volta, acabam sendo puro desperdício de recursos.

O Sea Swap , não é algo totalmente novo, os submarinos lançadores de mísseis balísticos Trident da classe Ohio na US Navy, desde a década de 60 trabalham com o conceito de dupla tripulação, a Dourada e a Azul. Isso permite que o navio permaneça o máximo de tempo no mar executando sua missão de dissuasão nuclear. Se a tripulação “Azul” esta no mar, a “Dourada” se encontra em terra descansando, ou treinando, para re-assumir o submarino quando ele retornar. Na década de 90 a força de varredores da US Navy começou a trabalhar também com este modelo, mas apenas muito recentemente este conceito passou a ser avaliado nos navios maiores como os destróieres.

As dificuldades e riscos do novo conceito

Nem tudo, no entanto, é tranqüilo e ideal neste novo conceito. As tripulações envolvidas nos primeiros ensaios americanos se mostraram muito desmotivadas com o aumento da carga de manutenção produzida neste modelo de operação. Um relatório de 2004 do GAO – Government Accountability Office - do governo americano, explicitou que, ao seu ver, a US Navy estaria sub-avaliando os riscos no novo sistema. Segundo o GAO, a taxa de re-alistamento nas tripulações envolvidas caiu bastante quando comparado às que não fizeram parte do exercício.

“O Sea Swap que nós executamos no nosso piloto mostrou ter muito potencial que poderia impactar o nosso futuro. Mas este certamente não será o modelo de Sea Swap que nós iremos implementar permanentemente no futuro,” disse, em 2004, o Almirante Vern Clark, o então Chief of Naval Operations da US Navy. Clark continuou, afirmando que “o tamanho das tripulações envolvidas nas trocas – “swaps” – dos destróieres, cerca de 330 militares., é maior do que as tripulações dos navios que estão sendo projetados atualmente e assim muitos dos problemas experimentados no programa piloto ficarão menores com tripulações menores. O novo destróier DD(X) - agora conhecido como “DDG-1000” - , por exemplo, será tripulado por cerca de 125 – 140 nas previsões mais recentes - marinheiros, e o Littoral Combat Ship (LCS) irá precisar de uma tripulação entre 45 e 50 marinheiros. As tripulações dos destróieres atuais devem encolher após a implementação de um programa de “Optimal Manning” , e estes navios devem passar a precisar de apenas 250 marinheiros.

O CNO reconheceu que os estudos da US Navy demonstraram que “quanto maior o grupo a ser substituído e transferido maior será a dificuldade,” mas ele apontou que o “Sea Swap em plataformas totalmente novas, como o LCS ou o DD(X), que foram desde o inicio projetadas para isso, será muitíssimo mais simples.”

O Sea Swap na Royal Navy

Uma mudança tão radical, justamente numa das organizações militares mais tradicionais do planeta, levanta muitas dúvidas e questionamentos. Segundo artigo recente do jornal britânico “The Sun”, os navios da Marinha Real tem usado tripulações fixas desde que o Rei Henrique VIII começou a montar a primeira frota militar britânica em 1509.

Três conceitos diferentes foram exercitados pela Royal Navy para determinar qual deles é o mais eficiente. No primeiro caso O destroyer Edinburgh foi enviado para a missão de patrulha nas Falklands, também conhecida como Atlantic Task Patrol South em outubro do ano passado. O navio permaneceu longos nove meses longe de casa, mas sua tripulação foi totalmente trocada pela do Exeter, em fevereiro deste ano. Durante quatro semanas, as tripulações, nova e antiga, interagiram para realizar a transferência do comando do navio. A nova tripulação assumiu seus postos em três levas distintas, primeiro cinco oficiais e vários sargentos e suboficiais (“Chiefs”, na Royal Navy) foram a bordo para conhecer as semelhanças e diferenças entre os dois navios. Nos dias seguintes um segundo grupo de dez oficiais e vários marinheiros vieram para começar seu reconhecimento do Edimburgh. E finalmente, um terceiro grupo incluindo o Comandante e os “Heads of Departments” assumiram seus novos postos.

A experiência da HMS Sutherland

Outros dois programas com propósitos semelhantes foram realizados, pela Royal Navy, ao mesmo tempo deste “Sea Swap”. Na fragata Type 23 HMS Sutherland – F81- a mesma tripulação saiu e voltou em uma única e longa comissão de nove meses de duração. Apenas alguns praças foram trocados ao longo deste período enquanto os oficiais e “chiefs” foram mantidos no navio. O Sutherland partiu de sua base em Plymouth, no dia 25 de setembro, para um período de patrulha nas águas do Golfo Pérsico. No total, o navio passou nove meses longe da Grã-Bretanha, muito mais dos quatro a seis meses, praticados normalmente. No meio deste deployment o navio foi até ao porto de Karachi, no Paquistão, para participar do exercício Aman 07 (a palavra Aman significa “paz” em urdu, uma das línguas locais). Na manhã do dia de 8 de março, todos os navios envolvidos partiram para a realização da fase de mar do exercício no norte do Mar da Arábia. Navios do Paquistão, França, Itália, EUA, China, Turquia, Bangladesh e Malaysia, em seguida todos estes tomaram parte de um “fleet review” para o Presidente do país anfitrião, Gen Pervez Musharraf. A US Navy levou para este exercício o USS Dwight D. Eisenhower (CVN 69), a Carrier Air Wing 7, o cruzador USS Vella Gulf (CG 72), e a fragata USS Hawes (FFG 53) e um avião patrulha P-3 Orion. A Marinha da China participou com as fragatas Lianyungang e Sanming.

Imediatamente em seguida o Sutherland realizou operações conjuntas com a Força Tarefa 473 composta pelo porta-aviões Charles de Gaulle e do seu grupo de batalha, composto pelos destróieres Cassard e Dupleix, a fragata Tourville e o navio logístico/tanque Marne. Os navios franceses estavam apoiando as operações das tropas da OTAN atualmente no Afeganistão.

No final de janeiro de 2007, o HMS Sutherland recebeu a primeira leva - “tranche “ em inglês - de pessoal de reforço temporário para a tripulação do navio. O pessoal que veio a bordo em Dubai, compõem a primeira, das quatro, levas de tripulantes temporários que serviram no Sutherland por períodos médios de quatro semanas cada. Nesta ocasião, cerca de vinte tripulantes regulares do navio voltaram para o Reino Unido de avião, para licença e descanso, retornando ao Sutherland algumas semanas depois. Na próxima parada no porto, o time atual do Sea Swap retornou aos seus lares, após um mês no navio, sendo substituídos por outra leva de militares. No porto egípcio de Safaga, em 28 de maio de 2007, a fragata finalmente cedeu seu importante papel de proteção das plataformas offshore e terminais petrolíferos iraquianos no norte do Golfo Pérsico, para o navio HMS Richmond - F239 - e cruzou o Canal de Suez em direção ao Mediterrâneo na volta para casa.

Os caça-minas britânicos no Golfo Pérsico

O terceiro modelo experimentado, conhecido como “Aintree Roulement” ou “Aintree Deployment“, foi empregado nos caça minas da classe Sandown, HMS Blith M111 e HMS Ramsey M110 operando a partir de Bahrain, no Golfo Pérsico. No dia 3 de maio de toda a tripulação dos dois navios foi substituída pelo pessoal de dois navios da mesma classe os HMS Pembroke M107 e HMS Penzance M106. O Commodore Keith Winstanley, Comandante do Componente Naval Britânico, responsável pelo Joint Maritime Operations, Operações Marítimas Conjuntas, no Golfo Pérsico, disse: “A primeira vista, pode parecer simples trocar duas tripulações desta maneira.

“Mas mover cada oficial e praça de dois navios pronto para entrar em combate e substituí-los com outra tripulação, descansada, ainda que totalmente treinada e pronta para entrar em ação, exige um considerável esforço.”

O Commodore comentou também que: “Trocar as tripulações, ainda que complicado, é uma processo benéfico por ser uma forma mais inteligente de usarmos nossos navios. Èu um processo que não conflita com a política de alocação de tripulantes da Royal Navy e implica que podemos fazer mais uma vez que nossos navios já se encontram nas áreas de operação, realizando tarefas imprescindíveis por períodos mais longos desta maneira aumentando o alcance da Royal Navy.”

O HMS Edimburg tripulado por duas tripulações nas Falklands

A tripulação do HMS Exeter, inicialmente tinha previsto partir do Reino Unido no seu próprio navio no início de janeiro, mas em outubro de 2006, foi tomada a decisão de fazerem parte do “Sea Swap” com a tripulação do Edimburgh, eles puderam permanecer no porto até o final de fevereiro, quando foram enviados às Falklands de avião, decolando da Base da RAF de Brize Norton. O vôo foi operado por uma empresa civil e fez um pouso técnico na ilha de Ascensão na costa da África, antes de se dirigir a Port Stanley nas Falklands.

Enquanto a tripulação do Exeter operava seu navio no Atlântico Sul, os oficiais e marinheiros do Edimburgh levaram o Exeter para participar de diversas comemorações, no Reino Unido, da vitória britânica sobre os argentinos na guerra de 1982. A volta do Edinburgh passará ainda por Fortaleza e pelos Açores antes de retornarem a Portsmouth no final de julho. Logo ambos os navios serão docados para cerca de seis semanas de manutenção regular.

As duas Type 42

A Exeter, primeira das Batch II, tem hoje quase 27 anos de operação enquanto a Edinburgh é quase cinco anos mais nova. Semelhantes mas não idênticas os dois navios, embora da mesma classe pertencem a lotes de produção distintos. Construídas logo após à Guerra das Falklands/Malvinas, os Batch II da Type 42 são mais curtos e mais estreitos do que os Batch III. Isso foi uma medida acertada para acelerar seu tempo de construção e para reduzir seu custo. As quatro Batch III seguiram o projeto original, produzindo um navio 15,1 metros mais longo e com características marinheiras muito superior, especialmente nos encapelados mares do Atlântico Sul. Uma das maiores diferenças operacionais entre os dois navios reside no canhão de proa. A despeito de apresentarem os mesmo calibre de 4,5 polegadas (114mm), o do Exeter ainda é o original, posicionado hidraulicamente, enquanto no outro, ele é um modelo modernizado de acionamento totalmente elétrico. Esta nova versão do canhão é muito mais confiável do que a anterior. O trecho alongado das Batch III se localiza na proa, entre o lançador de Sea Dart e o canhão de 4,5 polegadas. Neste navio um amplo ginásio, um cybercafe compacto, alojamentos adicionais e outros compartimentos diversos ocupam o espaço ampliado. Nos navios menores o equipamento de ginástica fica espalhado pelos corredores internos do navio por falta de espaço dedicado para eles.

O alojamento adicional existente aqui pode ser convertido rapidamente em enfermaria de combate. O acesso a esta área pode se dar, adicionalmente, via uma escotilha nova no convés superior. Esta escotilha, com escada, leva a um compartimento onde ficam dois cofres de armamento e de munição leve individual. É a partir deste ponto que qualquer iniciativa de reconquistar o navio seria realizada caso intrusos armados conseguissem penetrar e se alojar no seu interior. Na proa, dois mísseis de manejo inertes, e devidamente pintados de vermelho, ocupam suas posições no lançador.

No passadiço são evidentes dois sistemas digitais de navegação digital, o Exeter é um dos navios da Royal Navy que já abandonou d vez a navegação tradicional em cartas de papel. Este processo de mudança cultural está em andamento e em breve as cartas de papel existirão exclusivamente como back-up emergencial do sistema digital. Nas asas do passadiço existem dois sistemas binoculares de observação montados em plataformas movimentadas eletricamente, embora não sejam estabilizadas. Nas laterais deste sistema existem duas câmeras, uma zoom de vídeo normal (“Radamec”) posicionada à esquerda e outra de imagem térmica, localizada à direita, enviam suas imagens para um par de terminais montados diante do assento do Comandante no passadiço e também para terminais existentes no CIC/COC.

No hangar estava armazenado um Lynx HAS Mk.3 pertencente ao esquadrão 815 do Fleet Air Arm da Royal Navy.

Especificações dos modelos de destroyer Type 42

Deslocamento: Batch 1 e 2: 4,350 toneladas carga máxima

Batch 3: 5,350 toneladas

Comprimento: Batch 1 & 2: 125 m (413 pés)

Batch 3: 141,1 m (466 pés)

Boca: Batch 1 & 2: 14 m (46 pés)

Batch 3: 14,9 (49 pés)

Calado: Todos: 5,8 m (19 pés)

A previsão é que os novos destroyeres da classe T.45/Daring, possam substituir, um a um os oito navios em operação da classe T.42, Todos os T.42 sobreviventes da Batch I já foram retirados de serviço, além é claro do Sheffield e o Coventry que foram afundados pelos argentinos na Guerra das Malvinas/Falklands em 1982.

 

Resultados iniciais

Segundo as primeiras avaliações informais aparentemente o conceito do Sea Swap funcionou a contento nesta oportunidade. Ao final destes três deslocamentos um grupo de psicólogos irá entrevistar os tripulantes para determinar qual dos três modelos é o mais eficaz, e o que menos sacrifica a moral da tripulação. Só então será tomada a decisão de como o a Royal Navy passará a otimizar suas operações globais.

O “Sea Swap” na US Navy

Não apenas a Royal Navy está investigando as possibilidades de operações em forma de Sea Swap. Anteriormente, a US Navy já tentou operacionalizar este conceito, mas, os resultados ainda não lhes pareceram ideais. Em 2002, uma experiência de Sea Swap foi realizada a bordo de dois destróieres americanos, um da classe Arleigh Burke, o USS Higgins; e o USS Fletcher (DD 992) da classe Spruance. A cada seis meses as tripulações foram trocadas completamente, num esforço que envolveu mais de 2000 militares durante todo o período. Ambos pertencentes à Quinta Frota americana, estando o primeiro baseado na San Diego Naval Station, ao sul da Califórnia, e o segundo em Pearl Harbor, no Havaí.

Em Abril de 2003 a tripulação do USS Benfold (DDG 65) substituiu a tripulação original que retornou a San Diego de avião para assumir o Benfold temporariamente. A terceira tripulação do Higgins veio do USS John Paul Jones (DDG 53) em outubro de 2003. Com esta estratégia as três tripulações do Arleigh Burke realizaram 116 dias adicionais de patrulha na área de interesse da Quinta Frota, este número é o período equivalente ao deployment de um quarto destróier desta classe. No dia 4 de abril de 2004, dezesseis meses depois de sua partida, o Higgins voltou para San Diego.

Ná época, o então Vice Adm.Tim LaFleur, comandante, Naval Surface Forces, disse: “Eu fiquei muito satisfeito com os resultados do programa Sea Swap, este sistema melhora a nossa cultura de aprestamento ao permitir uma disponibilidade operacional maior além de permitir uma presença permanente nas areas avançadas sem que seja necessário aumentar a duração dos períodos de deployment dos nossos marinheiros. O navio está em bom estado, e as tripulações executaram um trabalho notável. Com uma frota de menos de 300 navios, nós precisamos ficar de olhos abertos para identificar novas formas de alavancar ainda mais a capacidade de combate da US Navy.”

O programa de Sea Swap do destróier da classe Spruance (DD) foi ainda mais além, recebendo uma quarta tripulação para assumir o USS Fletcher. O seu retorno a San Diego só ocorreu em junho de 2004. As quatro tripulações vieram do Fletcher, do USS Kincaid (DD 965), do USS Oldendorf (DD 972) e do USS Elliot (DD 967). Notável, também, nesta experiência, foi o fato que os navios originais das tripulações envolvidas no Sea Swap dos DD foram retirados de operação exatamente antes da sua tripulação assumir o comando do Fletcher. Ao fim de um deployment recorde de cerca de dois anos de duração, o próprio Fletcher foi aposentado ao retornar à base do USS Eliot em San Diego.

As tripulações do Higgins e do Fletcher participaram de uma grande variedade de operações com múltiplos navios a área de responsabilidade da Quinta Frota no Oceano Pacífico, incluindo operações sob coalizões multi-nacionais como as realizadas no Iraque,ocorreram missões de escolta, de obtenção de dados de inteligência e operações de MIO (Maritime Interdiction Operations) onde times de abordagem entram nos navios mercantes e os examinam em busca de contrabando, drogas ou armas.

Uma avaliação realizada ao final destes dois deployments levantou vários questionamentos e sugeriu que o programa deve ser continuado para que se compreenda todo o seu benefício potencial teórico.

Um estudo do Center for Naval Analyses concluíu que usar o Se Swap na frota de Arleigh Burkes economizaria US$1.4 bilhão inicialmente, e em seguida US$700 milhões anualmente.

Os dois navios da costa oeste, involvidos neste experimento em 2002, acabaram sendo analizados por um painel de investigação do congresso americano. Isso se deu devido a alguns de seus tripulantes terem sugerido que os deployments de longa duração, como este, poderiam encolher a vida útil dos navios, ou então, reduzir as carreiras dos marinheiros.

Eles também reclamaram da diminuição do número de paradas em portos para descanso, de atrasos no processo de envio dos marinheiros de San Diego para a Austrália, ou Cingapura, onde as tripulações foram trocadas, e da carga adicional de treinamento e manutenção demandadas durante o Sea Swap.

Depois da Frota do Pacífico, a vez da Frota do Atlântico

Em Março de 2005, pela segunda vez a US Navy experimentou com o conceito do Sea Swap. Um destróier da Classe Arleigh Burke, desta vez o USS Gonzalez, foi usado para receber três tripulações distintas durante seu deployment estendido, novamente com duração de 18 meses.

Oficiais e tripulantes do USS Laboon, - agora chamados simplesmente de ‘DDG Crew Lima' - e depois, do USS Stout - ‘DDG Crew Sierra' - assumiram o USS Gonzalez por períodos de seis meses, cada um, no lugar da tripulação original, aqui conhecida como ‘DDG Crew Golf'. Os comandantes deste exercício, antes de suas partidas, receberam um documento com uma lista de dicas e sugestões dos comandantes da costa oeste que passaram por este experimento anteriormente. A primeira troca de tripulação, a chegada da tripulação “Lima”, ocorreu em outubro de 2005. A tripulação do Stout, por sua vez, assumiu o USS Gonzalez em abril do ano seguinte. O deployment da “Crew Sierra”' os levou por uma área de 2.4-milhões de milhas quadradas, encompassando o Golfo Pérsico, o Mar Arábico norte, o Golfo de Oman, Golfo de Aden, Oceano Índico e Mar Vermelho, sendo substituídos pelo pessoal original da Gonzalez em 21 de fevereiro de 2006. Cada uma das tripulações contou com um período de 14 meses antes de embarcar nesta experiência. Em 17 de agosto de 2006 o USS Gonzáles retornou a sua base de Norfolk após 16 meses no mar.

O Futuro

Nas palavras do Contra-Almirante Mike Nowakowski, ex-comandante das Surface Forces Atlantic Fleet: Eu não acredito qua continuaremos a fazer sea swaps de um navio para outro, e também não acredito que isso será feito novamente num destróier, Nowakowski falou isso em uma entrevista antes a passagem de seu comando para o Contra-Almirante. D.C. Curtis, o ex comandante da Sexta Frota. A troca de tripulações em navios do porte dos 62 destróieres da classe Arleigh Burke: “É simplesmente complexo demais”, ele disse:

O próximo objetivo da US Navy se chama "multi-crewing", ou “multi-tripulação”, em português. Com o “multi-crewing”, pode haver cinco navios operando naárea da Quinta Frota, e oito tripulações se substituindo a bordo deles. Cada tripulação ficaria sem um navio por um tempo, ficando disponível para ser acionada ou operaria em simuladores num centro de treinamento.

Finalmente, apenas navios com tripulações menores que 100 pessoas deverão ser utilizadas. Tal conceito já está sendo implementado nos navios de patrulha costeira da US Navy, os “PC”, que medem 52 metros e empregam 28 tripulantes a bordo.

O Center for Naval Analyses, no seu estudo sobre o programa Sea Swap para os destróieres da classe Arleigh Burke, também concluiu que o conceito funcionaria melhor para a nova frota de Littoral Combat Ships, projetados para serem manejados por um conjunto de 40 marinheiros e para operações costeiras em águas mais rasas.

Neste caso haveria uma grande economia no programa de cerca de US$14 bilhões e uma redução de custos anuais de aproximadamente US$500 milhões, segundo seu relatório emitido em novembro de 2005.

A economia prevista decorre do fato de que apenas 56 navios, e não mais 106, seriam construídos. No entanto, esta frota de 56 navios, com 72 tripulações completas, que são necessárias para manejá-los, geraria o mesmo efeito que aqueles 106 navios operados da forma tradicional, afirma o estudo.

Conclusão

As pretensões geopolíticas das duas grandes marinhas apresentadas acima exigem a presença permanente e de longa duração em áreas muito longe de seus portos. Os gastos não encolhem assim é indispensável que novas soluções sejam implementadas, agora uma coisa é certa esta deve ser a maior transformação filosófica que as marinhas nacionais sofrerão desde do tempo de Henrique VIII.

Outra pergunta pertinente é, “o que essa mudança operacional pode representar para marinhas de porte médio como a brasileira”. Será que, seguindo esta nova tendência, teríamos mais dias de mar, mesmo com uma frota de escoltas menor do que a nossa necessidade? Será, que, finalmente, nos seria viável ter uma presença da nossa Marinha de Guerra em outros teatros, distantes, porém do nosso interesse, como a costa da África e o mar ao redor da ilha de Timor Leste?

Muitas perguntas, e, principalmente, muitas oportunidades. Aguardemos que as conclusões dos dois experimentos sejam publicadas, para então fazer nosso juízo.

 

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