Reunião da Aviação de Caça - Os Mirage 2000C e a Ópera do Danilo PDF Print E-mail
Written by Carlos Filipe Operti   
Thursday, 15 May 2008 08:34

 

  

 A Reunião

 O mês de abril tem um significado muito forte para a Força Aérea Brasileira. Ele marca a data que resume todo o sacrifício do batismo de fogo de uma então jovem e destemida FAB, quando esta debutou em combate nos céus italianos durante a Segunda Guerra Mundial. Pois foi no dia 22 de abril de 1945 que o 1o Grupo de Aviação de Caça realizou o maior número de missões em um único dia - 44 sortidas -, ficando esse dia marcado definitivamente na história da Força como o Dia da Aviação de Caça. E em homenagem a esses veteranos caçadores, todo ano a Base Aérea de Santa Cruz, lar do 1o Grupo de Caça desde seu retorno da Itália, é palco das comemorações do dia 22 de abril. Nesse dia a aviação de caça em peso comparece em Santa Cruz para saudar os pioneiros que fizeram história. E para aproveitar o clima de reunião, há alguns anos o comando da Força Aérea decidiu tornar esse evento algo mais além de uma solenidade, incluindo um viés operacional e doutrinário à tradicional festa. Aumentando o número de dias de permanência das unidades aéreas na Base Aérea de Santa Cruz, foi criada então a Reunião da Aviação de Caça. A RAC é uma oportunidade para os pilotos dos esquadrões de Caça da FAB trocarem entre si experiências operacionais, de segurança e de logística, além de participarem de atividades extras com o intuito de ampliar o conhecimento em determinadas áreas e renovar os laços de camaradagem, que não raro se estendem por milhares de quilômetros de diferença geográfica.

Passe o mouse sobre as fotos e veja as legendas.
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 A RAC 2007

 A Reunião da Aviação de Caça desse ano foi mais enxuta que a do ano de 2006 (clique aqui e veja como foi a RAC 2006). Menos homens, menos aeronaves e menos dias também. Os aviões chegaram no dia 19 de abril a Base Aérea de Santa Cruz (BASC), mais de 30, representantes de todas as unidades de Caça da Força Aérea. Pokers (1o/10o GAv), Centauros (3o/10o GAv), Pampas (1o/14o GAv), Flechas (3o/3o GAv), Escorpiões (1o/3o GAv), Jokers (2o/5o GAv), Pacaus (1o/4o GAv), Grifos (2o/3o GAv) e Jaguares (1o GDA) desceram num dia de meteorologia perfeita, juntando-se aos anfitriões, os Jambocks, Pif-Pafs e Adelphis. A recepção ficou por conta do comandante da Base, Coronel-Aviador Oswaldo Machado Carlos de Souza, e pelo comandante da FAe III (III Força Aérea), Brigadeiro-do-Ar Gérson Nogueira Machado de Oliveira. Um a um os esquadrões que iam pousando se apresentavam formalmente às duas autoridades. E um deles com certeza se destacou. O 1o GDA, que ano passado chegou a Santa Cruz voando os provisórios AT-26 Xavante, esse ano trajou-se de orgulho para apresentar os seus recém recebidos Mirage 2000. Classificados na FAB como F-2000B (biplace) e F-2000C (monoplace), esse foi o seu primeiro deslocamento dentro do âmbito da Força Aérea, que envolveu as quatro unidades já em poder da FAB (três monoplaces e um biplace). E ao contrário do ano passado, não havia nenhum dos Impalas adquiridos pelo Comando da Aeronáutica em 2006.

 As atividades para os caçadores se concentraram nos dias 20 e 21. No dia 20 ocorreu o tradicional Almoço do Caçador, que reúne todos os pilotos numa grande confraternização dentro da própria Base Aérea. É uma oportunidade para aqueles que se conhecem e estão em unidades diferentes conversarem e trocarem experiências, além de colocar a amizade em dia. Nesse mesmo dia ocorreu um dos eventos programados, a apresentação do Brigadeiro Horácio Bosich, da Fuerza Aérea Argentina, veterano da guerra das Malvinas (Falklands). Por duas horas o oficial dissertou sobre os erros, as experiências e os problemas de concepção e planejamento dos argentinos no conflito, tendo havido tempo para debates entre os presentes. No dia 21 o presidente da Associação Brasileira de Pilotos de Caça (ABRA-PC), Brigadeiro Lauro Ney Menezes, proferiu uma palestra sobre a epopéia do 1o Grupo de Caça, desde sua gênese até a atuação durante a Segunda Guerra Mundial. E complementando a palestra do Brigadeiro Menezes, houve também a apresentação do Coronel Eric Weissman, da Força Aérea de Israel, que falou sobre suas experiências nas operações que Israel vem empreendendo no Líbano.

 Além disso ainda houve atividades informais entre os pilotos, como torneio de esportes. E no dia 18, antes do início oficial da RAC, o Tenente-Coronel-Aviador Paulo Roberto Moreira de Oliveira, comandante do 1o Grupo de Caça, promoveu um encontro para um bate-papo com os veteranos do Grupo no salão histórico da unidade, localizado no prédio do esquadrão.

 A Ópera do Danilo

 Mas o ponto alto desta RAC 2007 ficou por conta de um evento que pouco teve a ver com a atividade militar.

 O Segundo-Tenente Danilo Marques Moura foi um dos pilotos que fizeram parte da dotação do 1o Grupo de Aviação de Caça durante os combates na Itália na Segunda Guerra Mundial. Irmão do então comandante da unidade, Tenente-Coronel Nero Moura, o Tenente Danilo gozava da amizade de todos os homens do esquadrão. Quando ele foi abatido, a leste da cidade de Verona, dentro de território ocupado pelas tropas nazistas, em 4 de fevereiro de 1945, foi um grande choque para todos, principalmente para o Tenente-Coronel Nero Moura que, além de um piloto perdia também o irmão mais novo, que não se sabia estava vivo ou morto (curiosamente o irmão mais velho dos dois, Osmar, também estava combatendo na Itália, como oficial do Exército). Foram 30 dias de angústia até a surpresa final, recebida em 4 de março de 1945: o Tenente Danilo chegara à base de Pisa, após ter empreendido a pé e sozinho todo o percurso de volta, de mais de 300 km. Ao contar a história de sua fuga, desde o salto de pára-quedas até o retorno a Base, história recheada de episódios pitorescos, que incluiam o uso de roupas civis, trânsito durante o dia por estradas movimentadas e até uma conversa com um oficial alemão (suas ações foram contra todas as regras ensinadas pelos oficiais aliados para o caso de evasão em território inimigo, mas que no fim garantiram o sucesso de sua volta), seu relato foi tão incrível que alguns pilotos de reuniram e, inspirando-se na Ópera de Roma, que havia acabado de chegar a Pisa para uma temporada, resolveram compôr eles próprios uma ópera, com trechos de músicas bem conhecidas do público (músicas populares e obras eruditas), para narrar a genial epopéia. Dessa maneira nasceu a Ópera do Danilo. Ela foi encenada pela primeira vez ainda em Pisa, com a participação dos próprios pilotos com atores. Desde então a peça vem sendo encenada apenas no âmbito interno da Força Aérea Brasileira, sempre com os pilotos com atores e para uma platéia de pilotos, tornando-se uma tradição da Aviação de Caça brasileira. Apesar disso, sempre foi do desejo dos veteranos da Itália fazer uma encenação da Ópera em local apropriado e com a devida importância que o evento merece.

 Assim, com esse objetivo na cabeça, o atual comandante do 1o Grupo de Aviação de Caça, Tenente-Coronel Oliveira, decidiu reunir os meios necessários para a realização desse ideal, 62 anos após sua concepção. Os trabalhos se iniciaram com a composição da partitura, a cargo do Sargento Maestro Cordeiro e sob a orientação do Tenente Maestro Marcondes, que tiveram o auxílio dos Brigadeiros Rui Moreira Lima e José Rebelo Meira de Vasconcelos, dois dos autores e primeiros intérpretes da Ópera ainda na Itália. Esse trabalho começou em meados de 2006, e em outubro o produtor João Henrique Barone foi convidado para desenvolver e dirigir o espetáculo. O local escolhido foi o Theatro Municipal do Rio de Janeiro, gentilmente cedido por sua direção, sensibilizada com a importância histórico-cultural de tal evento, apesar das grandes dificuldades com a agenda. A data escolhida foi o dia 21 de abril de 2007, pela facilidade de ser um sábado e de ser véspera do Dia da Caça. Portanto, houve pouquíssimo tempo para a elaboração, produção e realização de todas etapas necessárias para um ocasião de tal porte, requerendo um grande esforço da equipe de produção, que contou também com a produtora executiva Cyntia Babiacki e a assistente de direção Renata Pereira. Ao todo foram envolvidas cerca de 250 pessoas. O elenco, de 43 personagens, foi formado pelos militares do 1o Grupo de Caça e do 1o/16o GAv, esquadrão Adelphi. Quatro atores profissionais (Jean Bodin, Leo Colli, Fábio Fortes e Harold Pessoa) foram escalados para conduzirem os "debutantes" no palco. Participaram ainda a Banda Sinfônica da Base Aérea de Santa Cruz, a Orquesta de Cordas do Theatro Municipal e um coral de 80 vozes, todos sob a regência da maestrina Elena Herrera.

 Com pouco mais de seis apertados meses de trabalho, tudo ficou pronto a tempo. E no dia 21 de abril de 2007 o Theatro Municipal do Rio de Janeiro se transformou no Theatro Thunderbolt, uma alusão à Ópera de Pisa, rebatizada pelos aliados de "Teatro Thunderbolt" em homenagem aos P-47 Thunderbolts que operavam naquela localidade durante a guerra. Um P-47 do Museu Aeroespacial foi transportado para o centro da cidade e montado na praça em frente ao teatro, dando mais emoção ainda à grande noite. Os salões se encheram de trajes de gala, uniformes garbosos, e o prestígio do evento ficou comprovado pela presença do Ministro da Defesa, Waldir Pires, e do Comandante da Aeronáutica, Brigadeiro Juniti Saito. Momentos antes do início do espetáculo, junto ao P-47, foi lançado o belíssimo livro "Faixas Azuis - Blue Ribbons", de Mauro Lins de Barros e Oswaldo Claro Jr., que conta a história do 1o Grupo de Caça desde seu retorno da Itália até os dias de hoje.

 A histórica encenação da Ópera do Danilo no Municipal foi precedida por uma introdução do jornalista Armando Nogueira, que também é piloto, e por algumas palavras emocionadas do Brigadeiro Rui Moreira Lima. Após, os atores e "atores" mostraram no palco que todo o esforço despendido valeu a pena. Desde a produção rica em detalhes, até a atuação do elenco, tudo fez juz à importância da ocasião. Uniformes totalmente de acordo com os usados na época (inclusive os dos soldados alemães), muito bom uso dos efeitos especiais - coisas como neve caindo, neblina, diversos tipos de sons e, além disso, a entrada triunfal do Tenente Danilo (vivido por um piloto do esquadrão Escorpião, e que serviu durante muitos anos no 1o Grupo de Caça) literalmente aterrisando de pára-quedas em cena - o ronco do P-47 ecoando pelo teatro, um autêntico jipe modelo 42, com as marcas do Grupo de Caça e que transitou pelo palco em uma das cenas e, o mais impressionante, um canhão antiaéreo alemão original "atirando" (teve seu som perfeitamente reproduzido) para abater o avião do Tenente Danilo. E curiosas são as origens das peças: o jipe pertence ao filho de um mecânico que foi com o Grupo de Caça para a Itália, e o canhão foi doado ao Museu Histórico Nacional pelo Grupo quando este retornou da Europa. No final os dois atores profissionais, no papel de dois pilotos do Grupo, que conduziram a história narrando alguns fatos ocorridos na Ópera, apontaram um a um a presença dos pilotos veteranos que puderam estar no teatro - Brigadeiro Rui Moreira Lima, Brigadeiro José Rebelo Meira de Vasconcelos, Brigadeiro José Carlos de Miranda Corrê e Comandante Fernando Correa Rocha. Ao final o Brigadeiro Rui Moreira Lima retornou ao palco para proferir algumas palavras e encerrar a grande noite com a certeza de ter sido aquela uma noite histórica.

Cena da Ópera do DaniloCena da Ópera do DaniloOs agradecimentos do elencoOs agradecimentos do elenco

Saiba mais sobre a Ópera do Danilo aqui

 O Dia da Caça

 Como de costume, a Reunião da Aviação de Caça encerra-se no dia em que se comemora o Dia da Caça. O 22 de abril desse ano foi mais uma vez um dia ensolarado. A primeira etapa da solenidade ocorre no monumento do P-47, onde são lembrados os feitos do 1o Grupo de Caça durante a Segunda Guerra Mundial, em especial os do dia 22 de abril de 1945. Nesse momento estavam presentes os comandantes das três Forças Armadas: da Aeronáutica, Brigadeiro Juniti Saito; da Marinha, Almirante Julio Soares de Moura Neto; e do Exército, General Enzo Martins Peri. Após o discurso do comandante do Grupo de Caça, Tenente-Coronel Oliveira, houve a chamada nominal dos nomes dos pilotos brasileiros mortos durante a Guerra, cada um seguido de uma salva de tiros de festim desferida pela guarda de honra. Em seguida o Brigadeiro Saito, o Brigadeiro Rui Moreira Lima e o Tenente-Coronel Oliveira depositaram flores no túmulo do Brigadeiro Nero Moura, patrono da aviação de Caça, cujos restos mortais estão sepultados no monumento. Houve ainda a condecoração do Coronel Hugh Dow, da USAAF, comandante do 347th Fighter Squadron durante a guerra, com a Ordem do Mérito Aeronáutico. O 347th FS era uma unidade irmã do Grupo de Caça, ambas estavam sob o comando do 350th Fighter Group, e o Coronel Hugh Dow foi um grande colaborador do 1o GAvCa naqueles dias difíceis.

Oficiais das unidades aéreas formados na praça do P-47O Tenente-Coronel Oliveira profere o seu discursoBrigadeiro Saito, Brigadeiro Rui Moreira Lima e Tenente-Coronel Oliveira defronte o túmulo do Brigadeiro Nero MouraO Coronel Hugh Dow se dirige para o local onde recebeu a Medalha do Mérito Aeronáutico
 

 

 Em seguida a cerimônia se transferiu para o pátio oeste da Base, onde entraram em forma os militares de todas as unidades de caça presentes, à frente de seus aviões, além das organizações militares "residentes" na BASC. Nesse momento o Ministro da Defesa, Waldir Pires, chegou à Base Aérea de Santa Cruz e passou em revista a tropa formada. Foram também distribuídos troféus para os melhores pilotos do ano de 2006. A solenidade se encerrou com o desfile militar, do qual participaram a tropa e os vetaranos do 1o GAvCa, que desfilaram em veículos militares antigos pertencentes ao CVMARJ e ao Jeep Club do Rio de Janeiro.

O Ministro da Defesa passa a tropa em revistaVeteranos desfilam em veículos antigosVeteranos desfilam em veículos antigosVeteranos desfilam em veículos antigos
 

 

 Durante e após a solenidade houve também um desfile aéreo, em que tomaram parte dois dos tão falados F-2000, dois F-5 e quatro A-1, que realizaram passagens em formação por sobre a pista e o pátio. Enquanto eles aguardavam oportunidade para pousar, quatro A-29, quatro A-1 e quatro F-5EM decolaram para a realização da demonstração de emprego de armamento real para convidados no estande de tiro da BASC. Enquanto isso, dentro do grande hangar do Zeppelin, puderam ser vistos de perto duas visões muito interessantes. O F-2000B, biplace, em display estático, e um F-5EM apresentando todo o seu arsenal, inclusive um mock-up do "misterioso" míssil anti-radiação MAR-1, da Mectron, em uma rara aparição pública. Para mais detalhes do MAR-1, leia o artigo sobre a LAAD 2007 aqui na Base Militar Web Magazine.

F-5EM na exposição estáticaF-5EM na exposição estáticaF-5EM na exposição estáticaF-2000B na exposição estática
O mock-up do MAR-1 posiciionado em um suporte sob o F-5EMO mock-up do MAR-1, visto de pertoVista aproximada do mock-up do MAA-1AVista aproximada do mock-up do MAR-1
A-1 decola para o desfileA-1 decola para o desfileMirages e F-5 no desfile aéreoMirages e F-5 no desfile aéreo
Mirages e F-5 no desfile aéreoMirages e F-5 no desfile aéreoMirages e F-5 no desfile aéreoMirages e F-5 no desfile aéreo
Mirages e F-5 no desfile aéreoMirages, F-5 e A-1 no desfile aéreoMirages e F-5 no desfile aéreoMirages e F-5 no desfile aéreo
Mirages e F-5 no desfile aéreoMirages e F-5 no desfile aéreoMirages, F-5 e A-1 no desfile aéreoMirages e F-5 no desfile aéreo
Mirages e F-5 no desfile aéreoMirages e F-5 no desfile aéreoMirage em ala, no desfile aéreoMirages e F-5 no desfile aéreo
A-29 decola para a demonstração de tiro real no estandeA-29 decola para a demonstração de tiro real no estandeA-1 decola para a demonstração de tiro real no estandeA-1 decola para a demonstração de tiro real no estande
A-1 decola para a demonstração de tiro real no estandeA-1 decola para a demonstração de tiro real no estandeF-5EM decola para a demonstração de tiro real no estandeF-5EM decola para a demonstração de tiro real no estande
F-5EM decola para a demonstração de tiro real no estandeF-5EM decola para a demonstração de tiro real no estandeF-5EM decola para a demonstração de tiro real no estandeF-2000 pousando logo após o desfile
F-2000 pousa após o desfile aéreoF-5E pousa após o desfile aéreoUm dos F-2000 sobrevoa a pista momentos antes de pousarA-1 pousa após o desfile aéreo
Um dos F-5E retorna ao pátioUm dos F-5E retorna ao pátioUm dos F-5E retorna ao pátioAs aeronaves do desfile retornam após o pouso
F-2000C retornando para o pátioF-2000C retornando para o pátioDetalhe do cockpit do F-2000CDetalhe do cockpit do F-2000C
F-2000CF-2000CF-2000CF-2000C
A-1F-2000CF-5EM pousa após a demonstração de tiro, usando o pára-quedas de frenagemF-5EM pousa após a demonstração de tiro
F-2000CF-2000CF-2000CF-2000B
 

 No dia 23, após quatro dias em solo carioca, algumas unidades retornaram para suas bases, e outras foram direto para a Base Aérea de Cachimbo participar do exercício NAC PAC.

 

 

 

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