Embraer: Conexâo Colômbia PDF Print E-mail
Thursday, 15 May 2008 13:05

 

 

Uma segunda Conexão Colombiana

A Embraer realizou no fim do ano de 2006 um evento duplo onde simultaneamente foi entregue o primeiro E-Jet para a Empresa SATENA e os primeiros cinco Super Tucanos para a Força Aérea da Colômbia. Mais do que apenas mais dois clientes satisfeitos este evento marca a primeira entrega do treinador/caça leve para um cliente no exterior e também a primeiro E-170 a operar América do Sul.

Passe o mouse sobre as fotos e veja as legendas.
José Américo dos Santos, Chefe do Estado Maior da Defesa;

 

O evento da entrega

Como a SATENA é um órgão da Força Aérea Colombiana foi decidido realizar num único evento a entrega do avião civil e dos militares. Para tanto, um auditório foi montado dentro de um dos Hangares da nova fábrica da Embraer em Gavião Peixoto (GoogleEarth: 21°46'13.94"S 48°23'13.99"W) que se localiza cerca de 300 Km ao noroeste da sede da empresa, em São José dos Campos. Os jornalistas chegaram a São José dos Campos e foram levados a Gavião Peixoto a bordo do próprio Embraer 170 da SATENA, ainda exibindo o prefixo de testes brasileiro PT-SEP. Esta nova unidade tem uma pista de testes com 3 Km, com um prolongamento de 2 Km, onde são executados os testes de certificação dos aviões da empresa. Aqui, também, se concentra a produção do Super Tucano, a conversão dos F-5Br e em um outro hangar ocorre a montagem das asas dos aviões da família E-Jet. Atrás da mesa onde o presidente da Embraer, Maurício Botelho recebeu os convidados de honra, havia uma cortina preta até o teto, ocultando os aviões. Botelho abriu o evento lembrando das vendas anteriores da Embraer à Colômbia falando que os 14 Tucanos em operação naquele país apresentam um dos maiores graus de despachabilidade de toda frota do modelo no mundo.

Pela Satena estava presente o seu Presidente, General Hector Campo Plata, que no seu discurso colocou que “há três anos o E-170 não passava de um sonho, e agora temos aquele sonho feito realidade”. A Força Aérea Colombiana foi representada pelo General Rubianogrott, seu Chefe de Operações Logísticas Aeronáuticas. Em seu breve pronunciamento ele declarou que: “O que mais nos chamou a atenção no Super Tucano, desde o início, foi a modernidade da sua aviônica e do seu painel. Os cinco primeiros A-29 entrarão em operações conjuntas imediatamente após chegarem no país”. E arrematou: “A Embraer Cumpriu as todas as exigências da FAC de maneira satisfatória e impecável” Representando o Ministro da Defesa Waldir Pires, o Brigadeiro Américo dos Santos, Chefe do Estado Maior de Defesa, destacou o quanto a industria aeronáutica brasileira cresceu se desenvolveu nos últimos 30 anos. Lembrou que no início de sua carreira na FAB, ainda como tenente, coube a ele trasladar um dos então novos Neiva L-42 desde a fábrica até sua futura base. Continuando, ele comentou que até aquela data a FAB já havia recebido 39 dos 99 A-29 encomendados à Embraer, e que ele ainda sonhava que, algum dia, a Força Aérea Brasileira venha a ter 100% de suas aeronaves fabricadas no país. Isso seria um passo ainda mais além dos nada desprezíveis 75% alcançados hoje em dia. No final, ele terminou dizendo que: “a Embraer nos dá orgulho de ser brasileiro”. A transferência simbólica da propriedade dos aviões foi feita ao serem presenteados o Gen Campo Plata com uma maquete do E-170 e o Gen Rubianogrott com uma do Super Tucano.

 

A Embraer e a Colômbia

A Colômbia não foi o primeiro destino dos aviões da Empresa Brasileira de Aeronáutica no nosso continente. Esta primazia cabe ao Uruguai com cinco unidades e ao Chile com três, que entre 1975 e 1976, receberam os seus Bandeirantes. Depois destes, apenas no final da linha de produção dos Bandeirante em 1990, é que entraram em operação na Fuerza Aérea Colombiana duas células de EMB-110P1A.

A década de 80 foi a época de ouro das vendas ao exterior do EMB-312 Tucano. Nela ocorreu o início da sua produção e a assinatura dos contratos de produção local para a Grã Bretanha e o Egito/Iraque. Aqui na América do Sul a quase todas as forças aéreas relevantes adotaram o treinador brasileiro: Venezuela comprou 31 com entregas durante a década de 80, A Argentina recebeu 30 unidades logo após a Guerra das Malvinas, o Paraguai seis unidades em 1987, o Peru 30 desde 1987 e a Colômbia 14 entregues a partir de 1992.

A SATENA

A SATENA é a linha aérea estatal da Colômbia. Dentro dos 87 anos da Fuerza Aérea Colombiana, a SATENA de hoje representa a evolução de uma longa tradição, operando ininterruptamente a mais de 44 anos. A partir de 2002 a SATENA protagonizou uma grande revolução cultural empresarial ao mesmo tempo em que modernizou sua frota. Como resultado, ela quase que triplicou sua participação trafego aéreo local, transportando em 2006 10,5% do total de passageiros do país. O mercado de aviação civil da Colômbia é dominado pela empresa civil Avianca, com cerca de 55% de market share, seguida pela Aeropostal com 21%. O resto do mercado fica nas mãos da empresa Ayres Colômbia e das demais empresas menores.

O grande desafio mercadológico colocada diante da atual administração é o de remover da mente do público viajante o estigma de empresa com serviço desconfortável e sem pontualidade. Em 2007, com a entrada em operação dos dois E-Jets, eles passarão a oferecer um nível de conforto tão bom, e em muitos casos, melhor, do que qualquer um dos concorrentes. A ocupação dos assentos anda saudavelmente alta. Com apenas 399 assentos na frota, eles conseguem transportar mais de três mil passageiros a cada dia. A tripulação é constituída por 78 pilotos da FAC e 75% de suas rotas servem pequenas comunidades, em um serviço de cunho essencialmente social. Todos estes destinos “sociais” não são considerados rentáveis para as demais empresas da aviação comercial do país.

A seleção dos E-170 foi fruto direto da ótima relação construída nos últimos anos com a Embraer. Vários modelos foram estudados, mas, pesou, além da qualidade dos aviões, a possibilidade de continuar trabalhando com um parceiro confiável, de um país irmão.

A ligação da SATENA com a Embraer começou em 2004, com o primeiro ERJ-145 nas cores da empresa.,Este foi o primeiro avião desta família a ser vendido nos países vizinhos da América do Sul, tendo sido exibido com destaque durante a feira chilena FIDAE. Esta aeronave específica era a justamente célula c/n 003, um dos primeiros protótipos do ERJ-145, que disponível para ser entregue rapidamente, foi contratada em leasing operacional, para entrar em serviço o mais rápido possível. Depois deste, outros três jatos deste modelo foram entregues pela Embraer da linha de produção e o “003” pode então ser retornado à Embraer em janeiro de 2004. A frota atual da empresa inclui também seis turbo-hélices de 30 lugares Dornier 328, para as rotas de menor trafego. O primeiro Embraer 170 (c/n 151) voará ostentando o prefixo militar FAC1180. Por seu status militar, os aviões da SATENA não usam prefixo civil, não sendo, assim, nem certificados, nem controlados, pela Administração da Aviação Civil da Colômbia. Esta situação, no entanto, a impede de aproveitar os períodos de ociosidade natural da sua frota para realizar vôos charter ao exterior. Até o fim de 2006 a certificação civil será recebida e esta restrição superada, ainda mais porque as regras de certificação militar são ainda mais restritivas do que as exigidas pelos órgãos civis.

Maurício Botelho, Presidente do Conselho e Diretor-Presidente da

No dia 17 de janeiro de 2007 a empresa repete a sua história com o ERJ-145, e recebe seu segundo E-Jet, o quarto protótipo do E-170, com apenas 400 horas voadas. A chegada destes aviões coloca a empresa na posição de ter a frota de aviões mais moderna do seu país. Os dois E-Jets vão voar as rotas que ligam Bogotá às cidades de Pasto, Puerto Iñirida, Puerto Carreño e San Andrés. A SATENA opera algumas rotas “comerciais” para poder ter condições de operar as rotas subsidiadas.

A frota atual da SATENA

 

Embraer 170
ERJ145LR
Dornier Do 328-120
FAC1180 151
FAC1170 14500003 ** 1160 3079 "El Cafetero"
FAC1181 004 *
FAC1171 14500774 *** 1161 ? “?”
 FAC1172 14500776 **** 1162 3082 “Bahía Solano"
 FAC1173 14500879 ***** 1163 3081 “?”
 FAC1176 14500165 ****** 1164 ? "El Casanareño".
 FAC1177 14500227 ******* 1165 ? "?"

*(ainda não entregue)

**“Millenium” entregue abril 2002, devolvido à Embraer em jan 2004

*** Adquirido novo e entregue em dez 2003

**** Adquirido novo e entregue em jan 2004

***** Adquirido novo e entregue em jun 2005

****** Ex-LOT recebido em jul 2006

******* Ex-LOT recebido em jul 2006

O Super Tucano e a FAC

A relação do lado de combate da FAC é tão profunda quando a da SATENA. Depois de ser uma das primeiras Forças Aéreas a usar o Tucano em combate real, embora essa não fosse a aplicação principal prevista para o treinador brasileiro. A Fuerza Aérea Colombiana no início do século 21 se viu na situação de ter que substituir seus veteranos aviões dedicados à contra insurgência: os Rockwell Bronco e os Cessna AT-37 Dragonfly. Devido á situação de “narcoguerrilha” existente em alguns departamentos do interior, este tipo de aeronave vem sido usado de forma intensa pelos últimos 20 anos, na tentativa de limitar impedir que tanto as FARC quanto os grupos paramilitares de direita, continuem a enfrentar as Forças Armadas e de impedir que consigam perpetrar suas ações/ataques terroristas. O Bronco é um projeto da época do Vietnam e já alcançou o limite de sua aplicabilidade militar. O AT-37 derivado do treinador americano T-37 também já não conta com um suporte adequado de peças e componentes de reposição.

Em 1997 foi incluído no programa pluri-anual de reaparelhamento da FAC a previsão de compra dos novos “aviões de combate táticos”. Durante o ano 2000 uma comissão técnica, composta por pilotos e pessoal da área logística da Fuerza Aérea Colombiana, foi incumbida de escrever os requisitos técnicos que norteariam esta compra. Esta comissão também avaliou as diversas aeronaves existentes no mercado, para ver o quanto elas atenderiam aos requisitos técnicos exigidos. Em maio de 2001 o Comitê recomendou a compra de 24 turbohélices de ataque junto com 12 jatos (turbofan) de ataque. Em 30 de abril de 2002 foi dada a partida no processo formal de aquisição, embora as restrições orçamentárias indicassem que o numero de células a ser adquiridas seria menor do que a identificada em 2001. A compra dos jatos, obviamente as aeronaves mais caras, foi postergada em privilégio dos turbohélices, bem mais baratos. Para esta fase mostraram-se interessadas quatro empresas: a Raytheon dos Estados Unidos com o avião AT-6, a companhia suiça Pilatus com o seu PC-9, a Korean Aerospace Industries da Coréia do Sul introduzindo o KT-1 e a brasileira Embraer com o avião de combate táctico "Super Tucano".

A preferência dos colombianos pelo Super Tucano foi demonstrada desde o inicio do processo de seleção, no entanto por pressões externas diversas alternativas foram re-avaliadas, desde a possibilidade de se atualizar o painel e os aviônicos dos Bronco, até novos estudos de outras aeronaves de ataque turbo-helices e movidas a jato. Visto que tais soluções nem remotamente atendia as exigências que os colombianos tinham para a sua nova aeronave, uma nova concorrência foi aberta gerando o interesse de diversos fabricantes de todo o mundo este processo se desenvolveu durante os anos 2004 e 2005. No final chegou-se à confirmação de que era justo o Super Tucano aquele que melhor e mais eficientemente atenderia às missões previstas para o novo “Avión de Combate Táctico” da FAC.

O contrato definitivo (001-05 CEMDMFAC), com um custo de 234 milhões de dólares, foi assinado em sete de dezembro de 2005, contemplou um total de 25 aviões e um simulador de vôo de “nível sete”, padrão ainda mais avançado do que os adquiridos pela FAB. O cronograma de entrega acertado prevê que além dos cinco entregues em dezembro em 2006, mais dez unidades ficarão prontas durante o ano de 2007 e no primeiro semestre de 2008 entrega-se o restante da encomenda. Na Colômbia os Super Tucanos serão operados pelo Comando Aéreo de Combate (CACOM)-2 baseado na BAM 3 Apiay (Google Earth 04° 04' 33.71" N 073° 33' 45.73" W) ) a cidade de Villavicencio e pelo CACOM-3 em BAM 4 Atlántico (GE 10° 53' 22.52" N 074° 46' 50.95" W) , na cidade de Barranquilla.

Em Apiay atualmente operam os Rockwell AV-10A Bronco, e em Atlântico os AT-37.

Oito pilotos da Fuerza Aérea Colombiana vieram ao Brasil, entre os meses de outubro e novembro de 2006, para serem treinados no Super Tucano.

 

O Super Tucano colombiano

Como produto o Super Tucano teve uma maturação tranqüila e um grande pedido da Força Aérea Brasileira para 99 aeronaves assegurando sua linha de produção. Porém ao contrário do seu antecessor Tucano as vendas ao exterior ainda parecem engatinhar. Um pedido inicial para dez unidades para a Fuerza Aérea Dominicana foi anunciado em agosto de 2001 e cancelado depois por conta de falta de verbas. O segundo pedido de 24 unidades para a Fuerza Aérea Venezolana por sua vez foi suspenso por conta da limitação imposta pelo governo americano para a revenda de equipamentos e tecnologias americanos para as “Fuerzas Armadas Bolivarianas” de Hugo Chavez. Coube então à Colômbia, o terceiro país a assinar contratos do Super Tucano, a honra de abrir as exportações deste modelo militar da Embraer.

“Existem algumas diferenças entre os aviões encomendados pela FAC e aqueles operados pela FAB.” Disse o representante da Fuerza Aérea Colombiana junto a Embraer, Tenente-Coronel Castro. Os rádios selecionados pela FAC são modelos VHF/UHF fabricados pela firma israelense Tadiram, porém não instalamos sistema de link de dados nas nossas aeronaves. Para aumentar ainda mais a precisão de ataque do Super Tucano nós optamos pelo FLIR de 3 a geração “BriteStar” da Flir Systems. Além de exibir todas as funções encontradas no modelo “Star SAFIRE”, presente nos aviões da FAB, é capaz de adicionalmente disparar um raio laser designador de alvos para orientar as bombas da família Griffin israelense, as munições guiadas a laser atualmente empregadas pela FAC.

Além das laterais da cabine, o piso dos aviões colombianos também foi blindado para proteger os pilotos de tiros vindo do solo. Logo abaixo da entrada de ar do motor existe um a protuberância que oculta um equipamento Laser Range Finder, da alemã Zeiss, usado para medir com precisão a distancia entre o avião e o alvo em terra. Uma outra doferença esta no emprego da aeronave, na Colômbia os pilotos estão habituados a realizar 100% de suas missões noturnas com visores NVG, e por isso este avião esta preparado para operar o tempo todo no ambiente apropriado para uso de Night Vision Goggles. Todos os aviões entregues à FAC serão biplaces, ao contrário da FAB que operará também o A-29A monoplace.

Os Super Tucano entregues durante o evento de Gavião Peixoto visivelmente não carregavam as metralhadoras .50 embutidas no bordo de ataque das asas, uma das principais características dos Super Tucanos brasileiros, não havendo nenhuma confirmação que estas armas não serão instaladas nos aviões colombianos no futuro.

Os planos futuros da Fuerza Aérea Colombiana

O General Rubianogrott confirmou o interesse da FAC pelo caça Lockheed F-16C/D, de cujo uma frota de 24 unidades é considerada ideal para atender às necessidades de modernização da sua aviação de caça de alta performance. Enquanto isto não for decidido, eles estão estudando opções para repotenciar os Mirage 5 COAM e os Kfir C-7, que constituem hoje a ponta da lança da Fuerza Aérea Colombiana. Estes caças, no momento, ainda não estão capacitados para disparar mísseis anti-aéreos da classe “BVR” (além do alcance visual), tendo que confiar, por enquanto, nos mísseis de guiagem infra-vermelha Python III da Rafael. Ele revelou, também, que a Embraer recentemente propos à FAC um pacote de modernização de Northrop F-5E/F, modelo de caça que nunca foi adquirido pela Força Aérea da Colômbia. Segundo o plano proposto, as aeronaves base seriam adquiridas usadas entre os grandes usuários deste modelo americano e modernizados nmo Brasil para um padrão semelhante ao F-5Br da FAB. A decisão sobre o futuro caça colombiano está prevista para ser tomada até o fim de 2007. Perguntado sobre uma participação colombiana no próximo exercício Cruzex o Gen Rubianogrott disse que a FAC já participou como observadora na Red Flag e que, pelo menos nesse momento, ainda não tem planos para participar com aeronaves do exercício multinacional realizado no Brasil.

 

 

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