HMAS Townsville PDF Print E-mail
Written by Ja Worsley   
Thursday, 15 May 2008 13:29

 

 

Os Navios-Patrulha Australianos da Classe Fremantle

Independentemente da marinha, existem poucos navios, que trabalham tão arduamente como os Navios Patrulha. Na Austrália, os tripulantes que servem nos NaPa da Classe Fremantle (FCPB) são praticamente uma raça a parte. Missões de longa duração, muitas vezes para bem longe da costa nos mares abertos, além das águas territoriais, os marinheiros destas embarcações são submetidos a uma vida dura, longe do lar e cheia de ameaças vindo de todos os cantos. Imigrantes ilegais, piratas e até mesmo a Mãe Natureza, conspiram para empurrar estes NaPa para a zona de perigo!

Passe o mouse sobre as fotos e veja as legendas.
NaPa Bendigo da mesma classeHMAS TownsvilleHMAS TownsvilleHMAS Townsville

Após a Segunda Guerra Mundial, a Austrália optou por manter uma força de Navios Patrulha que fosse forte o suficiente para agir como um terceiro degrau na Defesa, uma força que pudesse enfrentar alvos “macios” e também policiar as águas costeiras liberando a frota principal da Royal Australian Navy para navegar os mares azuis, defendendo por lá os interesses nacionais. Os Navios de Patrulha da classe Fremantle substituíram no mar os da classe de patrulheiros Advance. Estes, a despeito de serem menores, carregavam o mesmo tipo de armamento que os novos Freemantle.

O Projeto

A Classe Fremantle foi projetada no Reino Unido pela firma Brooke Marine, que construiu também o primeiro navio da classe, (HMAS Fremantle FCPB 203). Batida a quilha no dia 11 de novembro 1977, este primeiro navio foi terminado quinze meses depois e lançado ao mar em 16 de fevereiro 1979. O estaleiro North Queensland Engineers and Agents (NQEA) em Cairns, Queensland, construiu outras quatorze embarcações da classe. Estes incluíram o HMAS Warrnambool (204), Townsville (205), Wollongong (206), Launceston (207), Whyalla (208), Ipswich (209), Cessnock (210), Bendigo (211), Gawler (212), Geraldton (213), Dubbo (214), Geelong (215), Gladstone (216) e finalmente o Bunbury (217).

HMAS TownsvilleHMAS Townsville

Eles foram construídos, originalmente, com três motores, dois  diesels MTU 16Y 538 TB91, com uma potência de 3200shp cada. Havia também um motor diesel Dorman adicional para ser usado principalmente para uma patrulha econômica de 8 nós, mas este motor acabou sendo removido posteriormente por ter se verificado desnecessário e anti-econômico. No seu lugar, foi instalado em alguns dos navios um ginásio simples para preservar a condição física dos marinheiros e compensar um pouco a distância do lazer doméstico. Cada motor girava seu próprio eixo com um hélice de passo variável e quando o motor central foi removido, igualmente, foram extraídos seu eixo e hélice.

HMAS Townsville

As dimensões da classe eram; 42m de comprimento, 7,15 m de boca e 1.8 metros de calado. Deslocavam 250 toneladas em carga plena e tinham um alcance de 1450 milhas náuticas a 30 nós ou 4800nm na velocidade de cruzeiro. O interior foi projetado para abrigar 24 tripulantes em dois conveses com a maior parte da tripulação dormindo na proa em três beliches triplos, dois a bombordo e o terceiro a boreste. Os beliches de bombordo ficavam tão próximos um do outro que a única maneira de chegar à cama no fundo era passando por cima da pessoa adormecida no beliche do corredor. Os Freemantle tinham estabilizadores, mas não tinham Bow thrusters para ajudar na estabilização do navio. Por isso, qualquer mar mais pesado, algo maior que nível três, já bastava para tirar o sono da tripulação, aqueles acomodados nos beliches superiores geralmente não tinham como evitar bater suas cabeças nas anteparas. A regra aceita na Marinha Australiana é que cada um a bordo pode beber no máximo duas latas de cerveja por dia, mas para enfrentar mares mais ásperos, é provavelmente mais prudente renunciar a este direito e manter seu estômago inteiro.

No início dos anos 90 a Royal Australian Navy deixou de ser uma “tradicional marinha 100% masculina" e começou a empregar mulheres nos navios da frota de superfície. A força de Navios de Patrulha, obviamente, não ficou de fora desta mudança e quando mulheres embarcavam em um barco de patrulha normalmente elas ocupavam o camarote dedicado ao Imediato ou ao suboficial mais antigo, ambos situados no convés superior, também chamado de convés “01”.  Devido a estas restrições de espaço, só era possível ter abordo uma ou duas mulheres de cada vez, porque não havia mais espaço para acomodá-las dignamente de outra maneira.

Uma outra característica interessante deste projeto era o fato que estas embarcações não tinham nenhuma chaminé. Todos os gases dos motores eram expelidos abaixo da linha d’água, o que ajudava a esconder a posição da embarcação na hora em que se aproximavam de navios ilegais.

O Armamento

A frota foi configurada com o mesmo armamento que seus predecessores, sendo isso um canhão principal Bofors 40/60mm, duas metralhadoras .50 Browning, e um único morteiro de 81mm.

O canhão principal não era estabilizado, mas era movimentado eletricamente, o que permitia alcançar uma taxa muito elevada de giro lateral. Este era uma versão atualizada do mesmo tipo de canhão usado durante a Segunda Guerra Mundial a bordo de muitos navios da Marinha Australiana. O treinamento de tiro com este canhão e com as Brownings, ocorria na Escola Naval de Tiro de Westhead, localizada no lado oeste da entrada do Western Port em Victoria, Austrália.

No final da década de 90, foi retirado o morteiro de 81mm do convés traseiro, uma vez que ele foi considerado inútil para os conflitos modernos, e obsoleto para qualquer outra aplicação prática.

Os Sensores

Não há muito que se possa colocar dentro de um barco este tamanho, mas eles foram equipados com um bom radar de busca litorânea de alta definição da linha Bendix King 1006, estes radares ofereciam adicionalmente uma ligeira capacidade de busca antiaérea com um alcance limitado a cerca de 50nm. Seu principal recurso para reconhecimento, eram as informações passadas por outras unidades navais ou pela força aérea.

Esta classe tinha vários tipos de rádio abordo, incluindo VHF, UHF, HF e um para  comunicação via satélite. No início dos anos 90 cada navio recebeu também um sistema de navegação via satélite GPRS para uma navegação de maior precisão, indispensável para interceptações noturnas.

As bases dos "Patrolies"

Inicialmente, quatro bases receberam os FCPBs: HMAS Waterhen em Sydney, HMAS Cairns, HMAS Darwin e HMAS Sterling, em Fremantle. Uma mudança na política do governo, no entanto, forçou a frota dos NaPas a concentrar suas operações na costa norte, e assim, tanto a HMAS Sterling quanto HMAS Waterhen, abriram mão de seus Navios de Patrulha, ainda que visitas ao sul da Austrália ainda ocorressem com alguma regularidade. Uma das principais razões dos NaPas irem para o sul era a HMAS Cerberus – base onde funcionava a principal base de treinamento da Marinha Australiana. Isto permitia aos cadetes da RAN a oportunidade de entrar em contato com a realidade que eles encontrariam, posteriormente, durante sua carreira na frota.

As Missões

O papel militar destes navios foi na realidade, bem variado; eles cumpriam a função de patrulha da costa no caso de que embarcações suspeitas tivessem que ser capturadas. Mas também tiveram oportunidade de monitorar as vias de tráfego marinho no caso que embarcações ilegais se arriscassem a realizar pesca predatória ou contrabando de pessoas, o ápice desta última atuação foi dramaticamente salientado pelo "Caso Tampa", ocorrido em agosto 2001.

Porém a tarefa mais crítica destes navios, estava, sem dúvida,  na proteção das muitas plataformas de petróleo existentes na plataforma noroeste. Após sua independência da Indonésia, surgiu um importante contencioso entre a Austrália e o Timor Leste. O novo país alegou que estas reservas de petróleo se localizavam sob seu suas águas territoriais. Até hoje essa disputa continua sem solução definitiva.

Estes NaPas também foram enviados às várias nações insulares no Oceano Pacífico Sul, geralmente para auxílio com problemas locais e/ou de acordo com políticas de policiamento marítimo. Operações recentes incluíram viagens às Ilhas Solomão, a Fiji, Samoa Ocidental, Tonga, ao Timor Leste, Tuvalu, Kiribati, à Nova Caledônia e à Nova Zelândia. Durante suas carreiras houve alguns casos de viagens tão ao norte quanto Cingapura, Malásia e às Filipinas e igualmente longe, para o oeste, até Madagascar. Os NaPas  não são equipados com cascos quebra-gelos assim as patrulhas para o sul eram feitas com navios maiores.

Se uma situação de guerra estourasse, estes patrulheiros comporiam o terceiro nível de defesa, para isso eles seriam armados com as cargas de profundidade para auxiliar no trabalho ASW, mísseis para guerra anti-superfície e seriam usados também na introdução clandestina de elementos das Forças Especiais.

O trabalho mais importante que estes navios realizam em tempo de paz é aquele de Busca e Salvamento. Um exemplo brilhante disso foi o do resgate neste ano de um grupo de náufragos, encontrados 185 dias após terem se perdido. Eles foram encontrados mo mar ao redor de Thursday Island, surpreendentemente em bom estado a despeito da sua exposição extrema aos elementos durante este longo período.

Momentos Peculiares da Carreira do FCPB

No início da carreira destes navios, três das embarcações da classe Fremantle ostentaram o número 207. A razão disso era que estes barcos foram usados na série de televisão bem sucedida de “Patrol Boat" com o nome fictício “HMAS Defiance”. Embora a série tenha durado vários anos, e esta classe já estivesse em serviço durante aquele período, os FCPBs foram empregados apenas nas últimas duas temporadas (1982-1983).

No ano de 2001, um destes barcos bateu um recorde mundial ao rebocar 14 embarcações de pesca ilegais, de uma só vez, até o porto, para autuação pela Alfândega Australiana.

Uma outra peculiaridade interessante na carreira desta classe do barco ocorreu durante meados da década de noventa. O governo australiano e a Marinha Australiana quiseram experimentar com as maneiras para tornar estes navios ainda mais difíceis de serem identificados no mar pelos criminosos. Uma série de opções de cor foi examinada e a HMAS Fremantle foi pintada mais tarde em uma tonalidade de azul inusitada. A lógica por trás disso era tentar chegar mais perto dos criminosos (fossem elas pescadores ilegais, contrabandistas de imigrantes ou piratas) e pegá-los em flagrante ou de permiti-los o mínimo de tempo de alerta para que não tivessem como fugir. A experiência chegou ao seu fim e a HMAS Fremantle foi retornada a sua cor normal do cinza escuro.

HMAS Townsville (FCPB 205)

Terceira embarcação da sua classe, o Townsville levava por lema a frase "Bold and Ready” (ousado e pronto) referindo-se ao seu papel-chave na luta contra as ondas de barcos ilegais que tentaram chegar até as costas australianas. É o segundo navio na marinha australiana a usar este nome; o HMAS Townsville original era um varredor de minas da classe de Bathurst na Segunda Guerra Mundial, ele serviu com distinção no Pacífico (1942-1945) e na Nova Guiné (1944) valendo-lhe honras de combate.

O Townsville atual também atingiu alguns marcos significativos. Em seu primeiro ano do serviço ativo, ganhou a exposição pública pela longa perseguição à embarcação pesada de pesca taiwanesa 'MV Yuan Tsan'. Este pesqueiro tentou evitar a captura na área de Trinity Inlet no dia 25 de dezembro de 1981. O NaPa Townsville perseguiu-o enquanto o pesqueiro tentava deixar a parte interna da Grande Barreira de Coral. Após uma caçada prolongada, que exigiu o disparo de tiros de advertência, eventualmente o grupo de 16 tripulantes foi forçado a ceder, após o NaPa ter recebido a autorização ministerial necessária para disparar diretamente contra aquela embarcação. O Townsville também alcançou a maior captura individual ao prender traineira taiwanesa com 53 metros e 750 toneladas, apenas o triplo de seu tamanho.

No último Fleet Awards dado pelo Maritime Commander, o Townsville tinha conquistado o segundo lugar no Kelly Shield pela excepcional proficiência operacional e o “Prato de Prata” por sua excelência na área de serviços de alimentação e de catering. Isso salta aos olhos ao se imaginar que a única cozinha de bordo é tão pequena que caberia facilmente dentro num guarda-roupa normal de casa.

O nome Townsville foi dado em homenagem a uma cidade que fica bem ao norte de Queensland, de frente para a Grande Barreira de Coral. A marinha australiana por tradição dá nomes de cidades australianas às suas embarcações e os barcos de patrulha da classe Fremantle foram batizados em homenagem aos principais centros regionais , num esforço de reforçar o laço que une a marinha e a população que ela protege.

O HMAS Townsville estava baseado na Base de Navios de Patrulha de Cairns na época das fotos que acompanham esta matéria, ele tinha feito uma viagem ao sul até Melbourne e retornaria em seguida para seu porto regular. Nas fotos ela é vista no cais do porto de Wollongong (sul de Sydney) para a celebração do dia de Austrália. O navio naquele momento estava sob o comando do Commander Ivan Ingram que mesmo tendo nascido na Inglaterra, acabou imigrando para a Austrália. Seu posto anterior foi a bordo de HMAS Anzac, durante 2003, onde era o oficial do armamento com a tarefa de atirar com o canhão principal. A HMAS Anzac naquela época estava apoiando os ataques dos “Commandos” britânicos na península iraquiana al Faw. Atualmente o HMAS Townsville é comandado pelo capitão-de-corveta Andrew Hawke, ele será o oficial de descomissionamento, quando a embarcação for aposentada no princípio de 2007.

O Futuro

O destino da frota de FCPBs ainda tem que ser decidido, várias cidades estão solicitando que alguns destes navios possam ser afundados como “naufrágio”, para estimular a prática do mergulho nas suas costas. Nenhuma decisão formal foi tomada ainda, mas, será triste que estas embarcações acabem sendo afundadas antes de seu tempo, pois, eles ainda dispõem um bom tempo de vida útil de serviço nelas.

Oficial com roupa de trabalho a bordoHMAS TownsvilleHMAS TownsvilleHMAS Townsville

A próxima classe de Navio de Patrulha, a classe Armidale, faz estes NaPas parecerem pequenos. Eles possuem quase o dobro do tamanho dos Freemantle, no entanto, mantém  o mesmo número de tripulantes. A nova classe foi projetada com o conforto dos tripulantes em mente, cada cabine acomoda dois militares, mas continuam sendo levemente armados, isto reflete o fato que estas são embarcações da patrulha e não navios principais de guerra. Eles têm um canhão estabilizado Bushmaster de 25mm na proa, mas retêm ainda as duas metralhadoras Browning .50, porque ainda não existe, no mercado, nada que realmente possa superar estas armas na sua função. Os barcos novos são construídos de uma liga de alumínio que os faz mais leves na água do que seu tamanho normalmente implicaria, eles têm um bow thruster para mais estabilidade, especialmente ao navegar em mares maiores.

Finalmente experiências com UAVs navais a bordo ocorreram recentemente a bordo de um navio desta classe. Este é um passo inicial para que a Marinha Australiana possa adquirir um sistema destes que possa ajudá-la na detecção e acompanhamento de embarcações ilegais operando dentro da Zona Econômica Exclusiva EEZ de Austrália.

 

 

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