ATLASUR VI - Parte 2 PDF Print E-mail
Written by Felipe Salles e Pierre Vincent   
Thursday, 15 May 2008 14:30

 

 

A história por trás do Exercício AtlaSur

Esta foi a sexta edição bi-anual Atlasur que inclui exercícios antiaéreos e anti-submarinos e de tiro antiaéreo e de superfície onde navios militares das três nações do leste da América do Sul se juntaram com navios da África do Sul para se operarem juntos no Atlântico. A Atlasur nasceu bilateral, a primeira sendo realizada em 1993 na Argentina e tendo apenas os sul-africanos como visitantes no mar próximo a Buenos Aires de 17 a 28 de fevereiro.

Dois anos depois, Brasil e Uruguai se juntaram às outras duas marinhas para expandir ainda mais Atlasur. Que por reciprocidade ocorreu na África do Sul na costa de Cape Town de 17 a 24 de maio de1995. Encerrado o exercício as duas corvetas argentinas ARA Parker e a ARA Espora, com a presença do embaixador argentino para o Zimbabwe, realizaram sua primeira visita à base de Walvis Bay, o maior porto e único porto de alguas profundas da região. A reciprocidade foi quebrada na terceira edição que novamente se deu na Africa do Sul. A razão disso foi a grande comemoração prevista para o 75° aniversário de criação da Marinha da África do Sul no mês de maio de 1997. O comandante da Armada Argentina esteve presente, Almirante Carlos Marrón, aproveitando para visitar seu equivalente sul-africano, Vice-Almirante Robert Simpson-Anderson. Novamente os navios argentinos passaram por Walvis Bay na Namíbia antes de voltar para casa.

De 29 Abril a 11 de maio de 1999 a Atlasur IV veio ocorrer em águas brasileiras. Tomaram parte desta edição as corvetas argentinas ARA Parker e ARA Rosales, a fragata União e a corveta Jaceguai da Marinha do Brasil, a fragata uruguaia Montevidéu, e da África do Sul vieram o navio logístico SAS Drakensberg e as strikecraft SAS Adam Kok and SAS Rene Sethren. Nesta ocasião o GT africano a viagem aproveitou para visitar tanto Buenos Aires quanto Montevidéu antes de retornar para sua base em Simon’s Town.

Entre os dias 4 de março e 6 de abril de 2002, participou da Operação ATLASUR V, realizada nas águas da África do Sul. Nesta oportunidade, integravam o GT brasileiro as fragatas Niterói F-40 e Bosísio F-48, apoiadas pelo navio tanque Gastão Motta G-23. Participaram pela Armada Argentina as Corvetas ARA Spiro F-43 e ARA Robinson F-45, pela Armada do Uruguai a Montevidéo - ROU 3, e pela Marinha da África do Sul, duas Lanchas Rápidas de Patrulha, classe Warrior, um Submarino classe Daphne e NApLog Drakensberg - A 301. O GT brasileiro retornou ao Rio no dia 14 de abril.

Os Participantes: Marinha do Brasil

A MB trouxe para este exercício apenas um navio, a Fragata Constituição, F-42, uma Fragata classe Niterói modernizada. O projeto desta classe foi uma evolução e expansão da classe Amazon/Type 21 fabricadas para o Reino Unido pelo estaleiro inglês Vosper Thornicroft. As seis Niterói introduzidas a partir do final da década de 70 representam uma grande revolução tecnológica dentro da MB, pois, foram os primeiras escoltas lançadoras de mísseis anti-aéreos e anti-navios, a serem comissionadas. Também foram os primeiros navios a usarem turbinas a gás para a propulsão.

O programa MODFRAG projetado e executado totalmente no Arsenal de Marinha envolve essencialmente a substituição dos armamentos, dos radares e dos sistema de guerra naval Plessey400 do COC. Os dois lançadores triplos de mísseis SeaCat foram trocados pelos Aspide italianos num lançador óctuplo Albatross posicionado na popa. e os Exocet MM38 foram trocados pelo MM40. O COC recebeu um conjunto de terminais digitais novos com display vertical que rodam o Siconta Mk. II. O radar de vigilância Aérea Plessey AWS-2 foi trocado pelo Alenia RAN-20S. O radar de superfície ZW-06 foi substituido por uma unidade Terma/SCANTER-MIL. Os dois radares de direção de tiro Orion RTN-10X foram trocados pelos Orion RTN-30X. O MAGE Decca RDL2/5 e CDL 160 originais deram lugar ao Racal B-1B. Quatro unidades de lançamento de chaff foram integrados ao navio, assim como, foi instalado no tijupá, uma alça de tiro optrônica passiva automática Saab-Combitech EOS-400. Os dois canhões manuais Bofors 40mm L70 foram substituídos por sua versão automática capaz de agir como CIWS contra mísseis anti-navios em trajetória “sea skimming”. Os motores diesel foram devidamente atualizados, assim como o sonar. Dos seis navios da classe quatro eram especializados em Guerra Anti-Submarina (ASW) e dois eram para “Emprego Geral”, a maior diferença externa entre as duas versões ficava na popa, onde, no local onde hoje fica o lançador Albatross, as EG tinham outro Canhão de 4,5 polegadas e as ASW tinham um sonar de profundidade variável e um lançador do míssil ASW australiano Ikara. Sistema esse, por sinal, há muito descontinuado na MB. Um destes canhões Vickers de popa está destinado a ser instalado na futura Corveta Barroso.

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Reparo de 40mm de bombordoLançador triplo de torpedos Mk.46Detalhe do sensor óptico do Bofors 40mmDo convés de proa, o impressionante reparo de 4,5 pol. Fica claro também a altura da estrutura do navio
CCM - o coração do navio. Ainda que o navio esteja no porto, durante reparos, este compartimento nunca está desguarnecidoCCM - o coração do navio. Ainda que o navio esteja no porto, durante reparos, este compartimento nunca está desguarnecidoCCM - aqui a tecnologia divide espaço com recursos arcaicos mas confiáveis, como os quadros de controleControle local de uma das unidades diesel. Ambiente quente e barulhento que não pára nunca
Unidades diesel do Navio que mistura turbinas com estes motoresVisão de dentro da câmara onde fica alojada a turbina de boresteVisão por baixo da turbina, ainda dentro da câmaraPeça construída na própria oficina da embarcação para substituir a original quebrada

 

Armada de la República Oriental del Uruguay

Pela primeira vez como país anfitrião, os uruguaios se esforçaram bastante para não deixar a peteca cair. Decisão de fazer a reunião inicial no meio do mar, e não no porto como é feita normalmente, foi uma tentativa de redução de custos num exercício normalmente caro devido às distâncias envolvidas. Contudo, foram empregados, em certos momentos do exercício, até 8 embarcações desta marinha de guerra.

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Muita neblina e garoa na Baía de Maldonado dão uma impressão fantasmagórica ao Gen. AritgasGen. Artigas fundeado na Baía de MaldonadoVisão pela popa do Gen. ArtigasGen. Artigas aguardando a aproximação da Constituição para mais um Light Line
Gen. Artigas quase formando um reflexo perfeito no mar calmoAlvo rebocado usado no exercício de tiroLanchas usadas no transporte de pessoal durante o dia de reuniões na Baía de MaldonadoGen. Artigas preparado para a faina de Light Line

 

South African Navy

A Marinha Sul-africana nasceu dentro do contexto Commonwealth Britânico com uma força regional acessória à Royal Navy. Os sul-africanos até a década de 50 eram cidadãos britânicos e muitos serviram nas forças armadas britânicas durante as duas grandes guerras. A partir do Simon's Town Agreement de 1955 os ativos fixos da Royal Navy na Africa do Sul passaram para o controle da Union Defense Force da África do Sul.

A Marinha da África do Sul padeceu por vários anos sob sanções internacionais aplicadas pela ONU em função do regime do Apartheid. A última das três fragatas de construção britânica Type 12 (President Class) entregues entre 1962 e 1964 resistiu até 1985, sendo retiradas de serviço por obsolescência de sistemas tendo sido substituídas a partir de 1977 por uma flotilha de nove navios patrulha (locamnete chamados de “strikecraft” da Minister, e posteriormente Warrior-Class) de apenas 58m de comprimento, porém, armados com mísseis anti-navio de projeto israelense. Finalmente em 94 com o fim do sistema de segregação racial e com a eleição de Nelson Mandela as forças sul africanas puderam retomar o seu desenvolvimento e a modernização de sua frota. A sua participação nas primeiras edições da Atlasur lhes permitiu vir a conhecer bem de perto, e em operação, tanto os submarinos alemães U209 assim como os Super Lynx da Marinha do Brasil antes de colocar seus próprios pedidos para estes armamentos.

Os Avisos/Escoltas uruguaios da classe “Commandant Riviere”

Os navios mais bem armados da Armada uruguaia são as três unidades da classe “Commandant Riviére” adquiridos da França, a primeira em 1988 e as outras duas em 1990. O ROU Montevideo, ROU Uruguay e ROU Artigas são fragatas leves de 1750 toneladas de deslocamento projetadas na década de 50 construídas no início da década de 60 no estaleiro DCAN na França para projetar o poder da metrópole sobre suas colônias no Indico, Pacífico e no Caribe. Apenas a Montevidéu, a Ex-Amiral Charner (F727), está operacional as demais estão sendo usadas como fonte de peças. A Amiral Charner teve sua quilha batida em 4/11/58 e foi lançada ao mar em 12/03/60 no arsenal de Lorient, sendo o quarto navio desta classe. A Armada Uruguaia já declarou seu interesse pelas fragatas classe João Belo, da Marinha Portuguesa que, fabricadas na França, são idênticas à classe “Commandant Riviere”, tendo sido, porém, construídos diretamente para a Marinha de Portugal vários anos depois.

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ROU Montevideo acompanhado pela ARA RobinsonROU Montevideo acompanhado pelos 3 varredores uruguaiosROU Montevideo com uma enorme bandeira Uruguaia para o fotexMontevideo durante o exercício de Reabastecimento sob ameaça de superfície

A premissa básica desta classe é que nos teatros periféricos as ameaças não seriam muito grandes e que um navio mais simplificado, e barato, daria bem conta do recado. Ainda durante sua carreira na França eles tinham sido modernizados para carregar quatro casulos de Exocet MM-38 na popa, porém estes mísseis acabaram não sendo adquiridos pelo Uruguai. Assim o armamento principal destes navios são os dois canhões DCN 100mm/55 mod 1953 complementados por um morteiro de emprego naval de 305mm de quatro canos. dois canhões adicionais Hispano Suiza de 30 mm/70 e seis tubos de torpedo de 550mm, dispostos três de cada lado. Os canhões tem um alcance da ordem de 17Km. A velocidade máxima teórica alcançada pelos quatro motores diesel com 12 cilindros em V fabricados pela S.E.M.T. Pielstick é de 24 Kts, já tendo sido medida por GPS em uma ocasião uma velocidade máxima real de 22,5 Kts. A tripulação normal desta classe é de 122 praças e 20 oficiais (duas mulheres). As acomodações de oficiais são distribuídas da seguinte maneira: quatro camarotes simples na proa, sete simples no través, um camarote óctuplo, um quádruplo e um duplo. Os banheiros são compartilhados entre militares homens e mulheres um marcador na porta determina se os banheiros estão sendo usados pelas mulheres. Na Armada Uruguaya os turnos de serviço são de seis horas “de pau” para seis horas de descanso.

Segundo o Alferes de Navio Álvaro Gonzáles, Oficial de Manobra: “este navio é muito manobrável e muito marinheiro, mas os cerca de 45 anos do navio, quinze dos quais no Uruguai, é um problema, pois, os motores, geradores, canhões e radares são mantidos operacionais com muito esforço”. Uma possibilidade curiosa sendo aventada nos corredores da Montevidéu é que no final de todo o processo de seleção de um substituto para estes navios os uruguaios acabem por adquirir algumas fragatas alemãs classe Bremen, modelos significativamente mais avançados e complexos que as Commandant Riviere atualmente em uso.

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Sino do ROU MontevideoVisão do Montevideo a partir da sua proaCanhão de 40mm de boreste do MontevideoLançador de torpedos de boreste do Montevideo
Passadiço do MontevideoPosto de vigia do MontevideoMastro de antenas do MontevideoSala de controle de máquinas do Montevideo
Uma das unidades propulsoras do MontevideoRefeitório dos praças no MontevideoPraça d'Armas do MontevideoHerança da origem francesa evidente em detalhes no Montevideo

Excetuando-se o novo ROU Artigas, os navios mais recentes na Armada Uruguaya são os caça minas da classe Temerário (originalmente classe Kondor II). Fabricados na Antiga Alemanha Oriental, estes navios robustos foram passados adiante pela Bundesmarine após a fusão das duas Alemanhas. Quatro unidades foram compradas pelo Uruguai em 1991: o Temerário (31), Valiente (32), Fortuna (33) e o Audaz (34). O Valiente afundou numa colisão em agosto de 2000, os demais, são usados mais com navio patrulha, do que propriamente como varredor de minas, sua função inicial. Esta classe tem dois motores a diesel com dois eixos e 4400bhp em cada um. Eles demandam 33 tripulantes, deslocam 516 toneladas carregados, medindo quase 57m de comprimento e 7.5m de boca. Seu único armamento orgânico é uma metralhadora de 40mm.

Patrulheiros Classe XV de Noviembre

Complementando o trabalho dos Kondor, dois dos três patrulheiros desta classe, todos comissionados em 25 de março de 1981, participaram da Atlasur, no papel de figurativo inimigo ou de aliado nos exercícios de guerra ASuW e durante o Free Play. Os patrulheiros da classe XV de Noviembre são um projeto do estaleiro francês Constructions Mécaniques de Normandie, o mesmo escolhido para fornecer o projeto dos mais recentes NaPas encomendados pela Marinha do Brasil. Os uruguaios navios foram entregues novos e tendo sido fabricados no próprio estaleiro francês no porto de Chebourg. A tripulação é de 27 militares e os três patrulheiros foram recebidos no ano de 1981.

O Veinticinco de Agosto e seus irmãos medem 41,80 metros de comprimento e 6,70 m de boca, deslocando 199ton. Contam com dois eixos e dois hélices conectados aos motores diesel de 5400 bhp sendo capaz de alcançar 28 nós de velocidade máxima.

A fragata sul-africana MEKO A200 classe Valour

A nova classe de fragatas sul-africana recebeu este nome porque todos os nomes selecionados para os navios remetem a momentos de grande bravura em combate na história da África do Sul. Por isso não existe um navio chamado “SAS Valour”, como se pode imaginar, a principio.

A corveta MEKO 200 SAN é a versão mais recente da prolífica família de escoltas alemãs MEKO. A fragata Isandlwana da Marinha Sul-africana parece a primeira vista uma nave espacial pousada no mar. Com linhas retas e grandes faces laterais sem quase nenhum detalhe protuberante ela se destacava dramaticamente dos demais navios fundeados ao largo da costa Uruguaia. Mesmo as grandes cavidades laterais do navio, onde se localizam os botes, tem uma porta para fechar completamente aquele espaço reduzindo o eco radar do navio como um todo. Da mesma forma, os dois reparos de torpedo laterais quando forem instalados definitivamente na Isandlwana, também ficarão ocultos atrás de grandes portas que rebatem para fora da lateral do hangar, permitindo o disparo dos torpedos.

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Isandlwana com seu visual característico de navios Super Lynx da MB aproxima-se da SAS Isandlwana durante crossdeckIsandlwana fundeada na Baía de MaldonadoBocal do hidrojato da Isandlwana
A Isandlwana exibe a grande cortina de vapor levantada pelo hidrojatoSAS Isandlwana em postos de continênciaFica evidente nesta foto as linhas furtivas desta classe de naviosIsandlwana aproximando-se para imulação de Light Line
A silhueta da Isandlwana evidencia a preocupação com sua reta-radarIsandlwana com suas linhas atraentes, apesar de modernasChegando no Porto de Montevideo a Isandlwana cruza com um mercanteIsandlwana atracada ao Porto de Montevideo

A SAS Isandlwana é a segunda unidade de uma encomenda original de quatro unidades. Seu nome remete a uma grande batalha ocorrida em 1879 entre os guerreiros Zulus e o Exército Britânico. Os demais navios da classe são: o SAS Amatola (lançado em 6/06-2002), o SAS Spioenkop (2/08/2003) e a SAS Mendi (15/06/2004). Todos os navios foram construídos na Alemanha e entregues à África do Sul para integração dos sensores, armas e sistemas de combate. Atualmente a Amatola e a Isandlwana já se encontram em serviço na Marinha Sul Africana, esta última tendo sido aceita em julho de 2006, as demais em variados estágios de finalização. A MEKO 200 SAN é um projeto revolucionário que se constitui na primeira aplicação de um propulsor tipo waterjet num navio do porte de uma fragata. Este também é o primeiro navio deste porte a usar escapamento horizontal, com saída dos gases dos motores na linha d’água. A principal vantagem do waterjet é no campo de ruído pois segundo os sulafricanos, ao contrário dos hélices tradicionais, quando em funcionamento é muito difícil distingui-lo dos ruídos normais do oceano.

A indústria sul-africana de defesa é responsável por uma grande fatia deste projeto. Todo o sistema de guerra naval, assim como o de comunicações, guerra eletrônica, radar, sensores eletro-ópticos, mísseis anti-aéreos e sistemas de canhões são todos desenvolvidos no próprio país. Dentro da sua filosofia de projeto “discreta”, a MEKO conta com bocais lançadores de água fria sobre o metal externo da super estrutura como forma de reduzir/controlar sua assinatura infravermelha, uma função particularmente importante para marinhas que operam nas regiões quentes do globo. O projeto contempla também um posto de comando emergencial (Emergency Conning Station) localizado no interior do mastro do navio. Em caso de destruição do passadiço, após um ataque inimigo, o navio pode ser pilotado de volta ao porto deste local. Como nos projetos tradicionais o convés 02 é o “DC deck”, ou convés de controle de avarias. Ele corta o navio da proa a popa e concentra todos os armários com máscaras contra gazes e roupas de combate a incêndio. A entrada de ar para alimentar a turbina fica no convés externo superior, um pouco adiante e a bombordo do reparo automático do canhão duplo.

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Amplo convôo para teórica operação simultânea de duas aeronavesHangar suficiente para abrigar dois helicópteros Super Lynx 300Paiol primário do reparo principal de 76mmCarrossel do reparo principal
Sistema vertical de lançamento com apenas um míssil de exercício transportadoReparo principal OTO-Melara de 76mmCanhão de 20mm de bombordoLançadores do Exocet MM-40 localizados à meia nau

A presença de mulheres é normal a bordo dos navios da SAN desde a época dos patrulheiros da classe “Minister/Warrior”. Na Isandlwana vivem e trabalham cerca de 20 mulheres, ou “swans”, como são apelidadas por lá. Destas, cinco são oficiais.

O grande convôo mede 16m por 27m, é capaz de operar dois Super Lynx simultaneamente ou então helicópteros médios Atlas (Denel) Oryx, mas sua operação não é fácil no mar uma vez que diferente do Lynx ele não tem um cabeçote com capacidade para gerar uma pressão aerodinâmica das pás para colar o helicóptero no convôo. Normalmente a MEKO sul-africana levará a bordo um único Westland Agusta Lynx 300, a versão mais atualizada do modelo atualmente operado pela MB. Já o Oryx é uma versão melhorada do Aerospatiale Puma. Atualmente na África do Sul todas as aeronaves militares são operadas pela Força Aérea, mesmo aquelas que servem nos navios da Marinha. Os primeiros Lynx só deverão ser entregues em 2008, por isso a Isandlwana veio para a América do Sul sem qualquer helicóptero orgânico. Devido ao pouco tempo desde seu recebimento, a sua tripulação foi reforçada com dez integrantes da SAS Amatola que no mesmo período da Atlasur estava envolvida numa série de avaliações operacionais com a presença dos engenheiros alemães.

A Isandlwana pode levar até 8 mísseis anti-navio Exocet, 16 ou 32 mísseis anti aéreos Umkhonto (lançados de um lançador vertical na proa), um canhão OTO Melara de 76mm, dois canhões 20 mm nas laterais e um canhão duplo de 35mm sobre o teto do hangar. O navio também conta com dois lançadores de foguetes despistadores (Chaff).

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Centro de Controle de Máquinas impressionando pela tecnologiaPassadiço da IsandlwanaRepetidores na asa de bombordo da IsandlwanaUma das unidades propulsoras da Isandlwana
Cabine de dois oficiais com amplo espaçoPraça d'Armas da IsandlwanaPraça d'Armas da IsandlwanaUma sala de recreação da Isandlwana deixando clara a presença femina à bordo

O Comandante do Navio, Capitão Wiesner, comentou que “eles estão no meio de um longo processo de reconstruir a frota, e neste sentido, em breve, será assinado o contrato para o fornecimento de uma quinta unidade desta mesma classe.” Segundo ele, “o papel principal das forças armadas sul-africanas atualmente é o de desenvolver parcerias internacionais e que por esta razão os navios da SAN já tinham estado na India e na Austrália para exercícios conjuntos com as marinhas destes países”. No entanto, ele salientou que “o único exercício militar regular de que nós participamos atualmente é a Atlasur, que vem ocorrendo desde 1985”. Continuando, ele comentou que “a Africa do Sul fica longe de todo mundo e por isso é importante a presença marítima para encurtar estas distâncias”. A expansão da frota conta como apoio ativo do Departamento (Ministério) de Comercio e Industria que percebe na aquisição dos novos navios, um apoio importante para posicionar a industria de material de defesa para poder exportar as soluções criadas para a Marinha local. “Aproximadamente 60% do design desta classe foi feita na África do Sul e prevemos para ela uma vida útil de cerca de 35 anos.”

A Marinha Sul-Africana tem como suas três prioridades maiores:

a) A Defesa Nacional
b) A Proteção da População, e
c) O Desenvolvimento Humano e a Segurança.

Um programa agressivo de offsets fez com que para cada US$ 1 investido neste programa pelos africanos, US$ 11 (era um para um, não?) fossem colocados pelos alemães na industria local. Antes de ser selecionado o projeto houve um grande RFP (Request For Proposals) que foi ganho pela European South African Corvette Consortium (ESACC). O contrato definitivo sendo assinado no dia 3 de Dezembro de 1999. O ESACC é composto pelo German Frigate Consortium, e pelo African Defense Systems. O primeiro é uma joint venture composta por Blohm+Voss (estaleiro líder), Howaldtswerke-Deutsche Werft AG e Thyssen Rheinstahl Technik GmbH. Os alemães ficaram responsáveis pela estrutura e pelos sistemas de propulsão dos navios. A African Defence Systems (Pty) Ltd., entidade com 80% de suas ações nas mãos de investidores sul-africanos, ficou com a tarefa de agregar e integrar os vários sensores e os armamentos escolhidos a um novo sistema digital de guerra naval.

O Capitão Wiesner comentou também que o próximo programa sul-africano deve ser um navio de apoio ao desembarque anfíbio tipo LPH (Landing Platform Helicopter)/LPD (Landing Platform Dock), o que seria para eles uma verdadeira “base no mar”.

SAS Isandlwana

Lançamento: 27-11-2002
Batizada: 05-12-2002
Partida para a África do Sul: 31-01-2004
Chegada na base de Simon’s Town: 25-02-2004

Características técnicas da MEKO 200 SAN
Comprimento: 121m
Boca: 16m
Deslocamento: 3600 tons
Propulsão: CODAG Warp (Waterjet and refined Propellors)
     uma turbina GE LM2500 de 20MW com propulsor water jet e
     dois motores diesel MTU TB1163 16V com 6MW cada
     dois hélices
Velocidade econômica: 12 kts
Velocidade máxima com um motor diesel: 18kts
Velocidade máxima com dois diesels: 23kts
Velocidade máxima com o Water jet: 25kts
Velocidade máxima: 30kts
Alcance a 16 kts: >8000 milhas náuticas
Tripulação: 92 + 8 DAE (+20 vagas adicionais)

Ao final de sua participação na Atlasur VI o navio sul-africano seguiu sua viagem passando brevemente por Buenos Aires antes de cruzar o Estreito de Magalhães e fazer uma visita de cortesia à Armada de Chile, na sua base de Valparaíso, no Oceano Pacífico. Depois disso de volta para o Atlântico e direto para a Africa do Sul. Um giro solo nada desprezível de cerca de 10.000 milhas nauticas!

Conclusão

Não há dúvida que a maturidade das Forças navais brasileiras passa forçosamente pelos exercícios multinacionais como esta Atlasur, agora é verdade também que quanto mais modernas e profissionais forem as marinhas envolvidas, maior será o retorno auferido deles. A determinação política de aproximação do Brasil, no campo militar, com India, China e Rússia pode acenar com a possibilidade da presença destes países, numa Atlasur futura, nem que seja como convidados. Isso pode representar por si só um grande salto dentro desta longa curva de aprendizado para as marinhas dos países da região. Adicionalmente quanto maior o número de navios brasileiros participantes, maior o impacto das lições aprendidas no dia-a-dia operacional da MB.

O uso do datalink padrão “Yankee Fraterno” nesta edição, demonstra que pelo menos no campo de comunicações as marinhas da região estão dando passos significativos em direção a uma maior integração e interoperabilidade dos seus navios militares. As questões da comunicação permanente no mar, assim como da navegação satelital, ainda estão pendentes de uma solução definitiva e terão que ser atacadas em algum momento no futuro próximo. Esperemos que seja algo que como o “Yankee Fraterno”, um padrão que possa evoluir para ser mais um elo unindo todas as marinhas do Atlântico Sul.

Tomara também que seja possível a aquisição de meios navais padrão, produzidos conjuntamente por todas as nações da região produzindo escala, e custos de aquisição e de operação mais acessíveis.

 

 

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