Fraterno XXV- 2006 PDF Print E-mail
Written by Felipe Salles e Luiz Padilha   
Thursday, 15 May 2008 20:05

 

 

Introdução

A parceria existente atualmente entre Brasil e Argentina, as duas maiores repúblicas da América do Sul, se desenvolve em muitas áreas importantes. O Mercosul, expressão maior desta “sociedade” abrange toda as áreas da economia, desde o setor industrial e de serviços até o agro-business. Hoje, Brasil e Argentina, são respectivamente, uns dos mais relevantes parceiros um do outro. No entanto, uma faceta que tende a ter pouca repercussão na grande imprensa, é justamente o intercâmbio constante e rico, existente há muitos anos, na área militar.

Atende pelo nome de “Operação Fraterno”, o principal exercício naval realizado anualmente pela Marinha do Brasil e pela a Armada da Republica Argentina. No ano de sua 25ª edição, a ALIDE foi convidada a acompanhar os exercícios que adestraram mais de 3.500 homens e foi realizada entre os dias 09 e 14 de Outubro, na costa da Argentina entre Puerto Belgrano e Necochea.

Um relacionamento nem sempre Fraterno

Ao longo do século XIX e boa parte do XX, Brasil e Argentina se perceberam naturalmente como rivais geopolíticos, e em alguns círculos mais extremados, como inimigos potenciais. A Guerra do Paraguai em 1864 acabou forçando uma aliança inesperada entre as duas nações no final daquele século, mas logo depois, as suspeitas mútuas ressurgiram.

Durante a Segunda Grande Guerra, Brasil e Argentina, a despeito de terem governos que se identificavam com o ideário dos alemães e italianos, permaneceram algum tempo como paises neutros, até que, em 1942, o Brasil declarou sua opção pelo campo aliado. No ano anterior o país já havia cedido suas bases do norte e nordeste para o traslado das aeronaves americanas a caminho do Teatro de Guerra do Norte da África. Apesar de sofrer fortes pressões para se juntar a um dos lados no conflito, Perón e sua “Junta de Coroneles” manobrou para manter sua neutralidade até ter certeza absoluta da derrota alemã, declarando, finalmente, guerra à Alemanha em março de 1945.

Com o advento da Guerra Fria, os dois países naturalmente tiveram que se acomodar sob o “guarda-chuva” político americano na sua luta contra o comunismo internacional. Na década de 60-70, em que ambos os países estavam sob governos de exceção, isso cooperou para estimular a troca de informações militares entre os dois aparatos nacionais de segurança interna.

Do ponto de vista puramente militar, o exercício conjunto mais relevante e constante do pós-guerra foi a UNITAS. Um exercício regional, promovido pelos EUA, com um grande foco na guerra anti-submarina e na interoperabilidade das marinhas sul-americanas com a US Navy. A sua principal razão de ser na época era a ameaça percebida na grande frota de submarinos soviéticos em operação nos mares do sul.

De rivais a parceiros - A FRATERNO

"Estes exercícios, que se realizam anualmente com a Marinha do Brasil, são absolutamente benéficos para incrementar a interoperabilidade entre as duas Armadas. A cada ano busca-se aumentar o nível de dificuldade das manobras, incorporando mais componentes", comentou o comandante do Grupo Tarefas Argentino, Comandante de la División de Corbetas, Capitán de Navío Leandro Ramón Gurina.

O advento dos Exercícios Fraterno, a partir de 1978, demonstrou a intenção clara das duas marinhas de diminuírem sua dependência operacional mútua da US Navy, e iniciarem uma busca por um entendimento bi-lateral mais independente.

Passe o mouse sobre as fotos e veja as legendas.
Fragatas Rademaker e ConstituiçãoVisitação aos navios no porto de Rio GrandeO Submarino Tamoio com as Fragatas ao fundoNDD Ceará

Com o fim da operação do porta aviões argentino 25 de Mayo, num acordo inédito, os pilotos argentinos passaram a se exercitar nos NAe da Marinha do Brasil, primeiro no Minas Gerais e em seguida no São Paulo. É muito raro na história naval os casos de operações de aeronaves de asa fixa operando cross-deck entre marinhas distintas, especialmente ao longo de tantos anos, como neste caso. Tanto os aviões Super Etendart, quanto os Grumman S-2T Turbo Tracker argentinos já operaram ao lado dos A/F-1 Skyhawk da Marinha do Brasil, em outras edições da Fraterno. Uma contrapartida deste fato foi que na hora em que a MB decidiu re-criar sua aviação naval de asa fixa, ela, naturalmente, solicitou o apoio da ARA no treinamento dos seus primeiros pilotos para o esquadrão VF-1.

Para reduzir os custos com combustível, a Fraterno normalmente acontece no fim do ano, muitas vezes disposta em sequência com o período da UNITAS. Em 2006, por razões diversas, não se realizou a UNITAS.

O tamanho do exercício Fraterno é sempre definido pelo país anfitrião, durante o processo de planejamento. O convidado, dentro de suas possibilidades, envia um número de navios proporcional a esse escopo. Havia uma expectativa que o Nae São Paulo participasse desta comissão também, porém o seu período de manutenção se alongou um pouco, impedindo o seu envolvimento.

Detalhe da Vela do Submarino TamoioApesar do grande interesse, não foi permitido visitação ao Submarino TamoioFragata Rademaker em Rio Grande à noite2 Helos dentro hangar da Fragata Rademaker à noite em Rio Grande
GT em Rio Grande à noiteSubmarino Tamoio em Rio Grande à noiteSub Tamoio se preparando para suspenderNaPas e o Rebocador de Alto Mar Tritão

 

A Caminho de Puerto Belgrano

Este fim de ano mostrou-se particularmente movimentado para a Marinha do Brasil. Ela participou de quatro exercícios importantes em rápida seqüência. Depois da Fraterno, houve a Transferex, com a doação pelo governo brasileiro de um helicóptero para a Armada do Uruguai. Em seguida, foi a vez da Atlasur, contando com navios da Argentina, Uruguai e África do Sul. O passo seguinte, foi a Pampa, um dos grandes exercícios conjuntos patrocinados pelo Ministério da Defesa, unindo elementos e forças da FAB, EB e MB. Finalmente, na perna de retorno ao Rio de Janeiro, ocorreu o tradicional exercício de adestramento Temperex.

NaPas Benevente e BabitongaComandante e o prático atentos a desatracação Prático no Passadiço com o ComandanteSaída de Rio Grande

Para o Grupo Tarefa brasileiro, a Fraterno começou no dia 20 de setembro, foi nesta data que o NDD Ceará começou a receber o Grupamento Operativo dos Fuzileiros Navais que participaria da Fase Anfíbia da Fraterno. No dia seguinte embarcaram os equipamentos e os suprimentos dos Fuzileiros. No dia 22, com o NDD fundeado na Baía de Guanabara, foi a vez dos CLAnfs se acomodarem no do convés-doca. Três dias depois foi a vez da Companhia de Fuzileiros embarcar.

Equipe do 1º Esq. de Escolta, seu comandante, CMG Saboya e o CF Newton, comandante da Fragata RademakerLight-line entre o NDD Ceará e a Fragata ConstituiçãoManobra para re-hangaragem dos helosManobra para re-hangaragem dos helos
Manobra para re-hangaragem dos helosManobra para re-hangaragem dos helosManobra para re-hangaragem dos helosManobra para re-hangaragem dos helos
Manobra para re-hangaragem dos helosManobra para re-hangaragem dos helosManobra para re-hangaragem dos helosFim da faina e a Fragata Constituição se afasta do NDD Ceará

Esta foi a primeira vez em que os Fuzileiros dos dois países realizariam exercícios conjuntos dentro de uma Fraterno. Neste dia, também embarcou um membro do Grupamento de Mergulhadores de Combate com todo o material que eles precisariam durante a missão, os demais só subiriam abordo na parada em Rio Grande.

Fragata rademaker se aproxima do NDD Ceará para faina de light-lineComandante do NDD Ceará CMG Viveiros atento a todos os detalhes da fainaTransferência de maloteTransferência de malote
Transferência de maloteEquipe da Fragata RademakerFim do exercício, a Fragata Rademaker se afsta do NDD CearáCOC da Fragata Rademaker durante briefing com os pilotos do HU-1

Na manhã do dia 26 de setembro o GT 709.5 partiu da Base Naval de Mocanguê em direção à Argentina. A F-42 suspendeu às 8:20, seguida pelo NDD às 8:40 e finalmente, pela Rademaker às 9h20. Na perna de ida os navios se ocuparam de uma série de exercícios que os deixariam devidamente “aquecidos” para o inicio da Fraterno. Junto com os navios, a Aviação Naval enviou três helicópteros: um Super Lynx do HA-1, um Esquilo UH-13 do esquadrão HU-1 e o Esquilo Bi UH-13 que foi doado pelo governo brasileiro Brasil ao do Uruguai, logo após a Fraterno. No primeiro dia, fora da boca da baía, os navios receberam os helicópteros, que entre 10:20 e 12:30 realizaram seus QRPB, Qualificação e Requalificação de Pousos a Bordo. O Super Lynx N-4003 operou apenas na Constituição, enquanto o Esquilo realizou aproximações e pousos tanto no convôo da Rademaker, quanto no do Ceará.

HU-1 se prepara para os vôos de QRPBTudo pronto!Vôos de Qualificação e Re-qualificação de pouso à bordo.Vôos de Qualificação e Re-qualificação de pouso à bordo.
Vôos de Qualificação e Re-qualificação de pouso à bordo.Vôos de Qualificação e Re-qualificação de pouso à bordo.Vôos de Qualificação e Re-qualificação de pouso à bordo.Vôos de Qualificação e Re-qualificação de pouso à bordo.
Vôos de Qualificação e Re-qualificação de pouso à bordo.Vôos de Qualificação e Re-qualificação de pouso à bordo.Vôos de Qualificação e Re-qualificação de pouso à bordo.Vôos de Qualificação e Re-qualificação de pouso à bordo.
Vôos de Qualificação e Re-qualificação de pouso à bordo.Vôos de Qualificação e Re-qualificação de pouso à bordo.Vôos de Qualificação e Re-qualificação de pouso à bordo.Vôos de Qualificação e Re-qualificação de pouso à bordo.

Nesta tarde foi realizado o primeiro “Light-line”, manobra em que as embarcações se aproximam e se posicionam a contra bordo, passando um cabo entre si para a troca de um malote ou de carga leve. A finalidade maior, no entanto, é adestrar a navegação, pois as duas embarcações navegam juntas numa distância muito próxima uma da outra e os responsáveis pela manobra precisam estar o tempo todo atentos para evitar acidentes.

NDD Ceará se aproxima para Faina de TOMNDD Ceará se aproxima para Faina de TOMPassando o mangotePassando o mangote
Mangote acopladoMangote acopladoVerificação da qualidade do combustivelVerificação da qualidade do combustivel
Verificando a quantidade recebidaCMG Viveiros sempre atento as fainasNDD Ceará e sua bandeira de faina com o Jacaré que é o simbolo do navioFragata Rademaker se afasta para a aproximação da Fragata Constituição

No dia seguinte foram exercitadas manobras táticas e no dia 28 houve Transferência de Óleo no Mar do NDD Ceará para as duas fragatas. Finalmente, na manhã do dia 29, já na costa do Rio Grande do Sul, foi a vez de um Esquilo do HU-5, uma unidade que não costuma embarcar nos navios da Esquadra, aproveitar a passagem do GT para realizar um QRPB com os seus pilotos.

A cidade de Rio Grande abriga uma Base Naval e se localiza bem ao sul daquele estado, ladeando o canal de acesso à Lagoa dos Patos. Os navios atracaram na tarde do dia 29. A equipe da ALIDE se juntou ao GT neste porto, antes dele deixar a costa brasileira. Os navios foram abertos à visitação pública, e como é normal, aproveitou-se para realizar uma “Sabotex”, exercício em que oficiais e praças locais, disfarçados de civis, tentam colocar um “bomba” no interior dos navios. Este processo testa a segurança do GT, mesmo com um grande numero de pessoas estranhas circulando abordo.

Faina de TOM entre o NDD Ceará e a Fragata ConstituiçãoFragata RademakerFragata RademakerFragata Rademaker

Suspendemos no dia dois de outubro, já com os rádios devidamente configurados para as freqüências da Operação Fraterno. Os canais de comunicações usados por uma marinha compõem as informações mais sigilosas possíveis. Durante um exercício internacional como este, são escolhidos canais específicos que não são os usados no dia-a-dia da força, preservando-se assim estes dados secretos.

Fragata ConstituiçãoImediato do HU-1 CF Lagoudakis no lugar do 2P e CC Casaes como 1P durante vôos de QRPBdecolando da Fragata ConstituiçãoDecolando da Fragata Constituição

Como os argentinos optaram por entregar o comando desta Fraterno a um Capitão de Mar-e-Guerra, em contrapartida, a MB fez o mesmo, convocando para esta tarefa o Capitão-de-Mar-e-Guerra Rodolfo Henrique de Saboya, comandante do Primeiro Esquadrão de Escolta - PRECOL. Esta é uma unidade normalmente responsável pelo processo de aprestamento dos navios e das tripulações quando eles se encontram na Base Naval do Rio de Janeiro, é a vida dos Esquadrões de Escolta, velar pela manutenção regular do navio, assim como pelo treinamento dos tripulantes dos navios sob sua atenção. Excepcionalmente, como se verificou nesta ocasião, o Comando e Estado Maior dos dois Esquadrões de Escolta podem ser utilizados para realizar o papel de uma “terceira e quarta Divisão da Esquadra”, caso a 1ª e a 2ª DIV estejam ocupadas com outras tarefas.

Fragata RademakerFragata RademakerFragata RademakerFragata Rademaker

A Fragata Constituição deixou o porto na frente, seguida do NDD Ceará e por último a Fragata Rademaker com o Comandante do 1° Esquadrão de Escoltas da Marinha, CMG Saboya. O submarino Tamoio partiu por último se separando dos escoltas e do NDD Ceará, seguindo direto para a base de submarinos da Armada Argentina localizada em Mar Del Plata.

Fragata RademakerFragata ConstituiçãoUH-13 do HU-1UH-13 do HU-1

Seguindo na preparação das tripulações para a Fraterno, foram realizados exercícios de Light Line, primeiro a Fragata Rademaker realizou o exercício com o NDD Ceará, depois ela trocou de posição com a Fragata Constituição, assumindo assim a posição de guarda, atrás dos dois navios, para proceder ao salvamento caso houvesse uma situação de homem ao mar. Nesta oportunidade, foi lançado um boneco flutuante no mar para aumentar o realismo, e a Fragata Rademaker teve de baixar a sua lancha para resgatar o "Oscar" (nome dado ao boneco utilizado).

Terminado o resgate, partimos para as Operações Aéreas, em que o "Águia 49" foi lançado para que os pilotos do Esquadrão HU-1 pudessem se re-qualificar em pouso a bordo, comumente chamado de QRPB. Após várias aproximações, pousos e troca de pilotos, o águia 49 encerrou seu treinamento. À noite, já defronte da costa Argentina, foram realizadas manobras táticas, em que os navios trocam de posição repetidas vezes para adestramento da equipe do passadiço. No dia seguinte, o mar tinha ficado cada vez mais grosso. Mesmo com “mar 5”, realizamos mais um reabastecimento de óleo no mar (faina de TOM), em que a destreza das duas tripulações foi posta a prova e mais uma vez tudo aconteceu conforme programado.

A Entrada do Porto

A chegada a Puerto Belgrano é muito interessante, exigindo bastante das tripulações por sua complexa navegação. Vários pares de bóias definem o canal de navegação externo e devem ser cruzados com extrema cautela, devido às correntezas e aos fortes ventos de través. A entrada da baía é bem rasa, oscilando ao redor de 10 metros, seguindo as instruções das cartas náuticas, após uma longa travessia, encontramos com o Aviso ARA Teniente Olivieri, que embarcou um prático militar em cada um dos navios da MB, a fim de nos guiar por um canal ainda mais exigente.

Chegando a BNPBEm todas as bóias encontramos Leões MarinhosNDD CearáFragata Constituição
Chegando ao ponto de encontro com o ARA Ten. OlivieriARA Ten. OlivieriCF Aguilera e o prático militar se dirigindo a Fragata Rademaker

A entrada da Base Naval de Puerto Belgrano é muito bonita. Várias edificações antigas marcaram nosso primeiro contato abrindo caminho para depois podermos ver a Armada Argentina reunida a nos esperar. Toda a frota de escoltas da ARA está presente na nossa chegada. Tanto as corvetas Meko 140 quanto os Destructores MEKO 360 estão atracados aqui.

Comandante da Fragata Rademaker CF Newton e seu Imediato  CF EdgarCF AguileraTrabalho intenso no Passadiço Atenção redobrada no Passadiço,em função do alto número de bóias na entrada do canal para a base de Puerto Belgrano
Apesar do sol, o frio é intenso, 8 graus pla manhãEntrando na base de Puerto BelgranoTiros de Salva
Todos no Passadiço atentos para a chegada do rebocadorARA MatacoSaudação na chegadaARA Guerrico
ARA IndomitaMekos 140 e 360Mekos 140Mekos 140

Também estão aqui o “Buque logístico” ARA Patagônia, imponente por seu tamanho e o ARA Hércules, um Destróier Type 42 de projeto inglês, convertido em navio rápido de comandos, ampliando sua capacidade para operações aéreas. Agora o ARA Hércules pode receber dois helicópteros Sea King em seu hangar. Infelizmente, o segundo Type 42, ARA Santíssima Trinidad, apesar de não ter dado baixa, se encontra como reserva de peças e componentes para o ARA Hércules. No futuro, existe ainda a possibilidade, dele ser transformado em navio-museu, face a sua importante contribuição para a história na Armada.

Meko 360 e DDG Type 42ARA Patagônia e Mekos 360Mekos 360ARA Patagônia
Banda de música Momento da atracação com o Comandante Newton passando instruçõesCMG Saboya em Puerto BelgranoImagem do ARA Patagônia a partir do convôo da Fragata Rademaker
Oficiais formados no convôo aguardando a chegada das autoridades.CMG Saboya e CF NewtonChegada à bordo do Adido Naval na Argentina CMG Paulo Roberto da Silva XavierChegada à bordo do Adido Naval na Argentina CMG Paulo Roberto da Silva Xavier

Na chegada o GT brasileiro é recebido com banda de música e é visitado por diversas autoridades locais, incluindo o Comandante de operações Navais da Armada Argentina e o Adido Naval do Brasil na Argentina, Capitão-de-Mar-e-Guerra Paulo Roberto da Silva Xavier ( Ex- Comandante da Fragata Rademaker).

Durante nossa chegada, dois caças argentinos Super Etendart, passaram voando baixo a caminho da Base Aeronaval Comandante Espora.

Oficiais destacados formados no convôoFragata Rademaker atracada na base Naval de Puerto BelgranoA chegada da Fragata Constituição à BNPBA chegada da Fragata Constituição à BNPB
A chegada da Fragata Constituição à BNPBChegada do CON da Armada Argentina  Contralmirante Luis Oscar Manino à bordo da Fragata RademakerCMG Saboya recebendo o Contralmirante Luis Oscar Manino CF Dias recebendo o Contralmirante Luis Oscar Manino à bordo da Fragata Constituição

 

A Base de Puerto Belgrano

A Base Naval Perto Belgrano é a maior e mais importante instalação da Armada de la Republica Argentina. É lá que são baseados todos os navios da “Flota de Mar”, incluindo aí as corvetas, fragatas e “destructores”. Adicionalmente, alguns outros navios como o Navio de Apoio Logístico, alguns patrulheiros e rebocadores também são baseados aqui.

Fragata Rademaker na BNPBARA PatagôniaMekos 360 - Almte Brown e La ArgentinaClose na diferença existente no convôo da ARA La Argentina que foi aumentado para receber com segurança o SH-3 Sea King
ARA Santíssima TrinidadARA Santíssima Trinidad<emptARA Santíssima Trinidady>ARA Santíssima Trinidad

Autorizada a sua construção no ano de 1896, seguindo projeto do engenheiro Italiano Luis Luiggi, a Base hoje possui uma área total de 18.000 hectares dos quais 1.380 são efetivamente ocupados pela área operacional da base naval. Atualmente mais de 1.790 famílias moram dentro do perímetro da base. O primeiro pilar estrutural do dique seco (Carena) No. 1 foi completado em 2 de julho de 1898. Neste ano, também se iniciou a construção das defesas costeiras, para tanto, cinco baterias foram colocadas em operação, meros 3 anos após o início das obras.

ARA IndomitaARA IndomitaSea DartSea Dart
Memorial com o hélice do ARA Gal Belgrano afundado na Guerra das MalvinasO 25 de Mayo sempre será lembradoO 25 de mayo sempre será lembradoHotel Puerto Belgrano

O local para construção do então Puerto Militar foi selecionado a partir de uma série de avaliações hidrográficas comandada pelo Capitão de Fragata Felix Dufourq, que determinaram que a região ao redor da cidade de Bahia Blanca seria a mais apropriada, em toda a costa Argentina, para acomodar o novo Puerto Militar. Ao longo dos anos, o porto foi se expandindo e novas construções foram sendo adicionadas. Do lado de fora dos portões da Base Naval de Puerto Belgrano nasceu a cidade de Punta Alta, que se expandiu junto como crescimento da base. O ramal de trem chegou à região em 1898, mesmo ano em que se implantou o sistema de água corrente. O Museu Naval, que por muitos anos ocupou o edifício da Torre de sinalização, desde 1978 foi trasladado para a antiga estação de trens de Puerto Belgrano.

Monumento ao Almte Brown patrono da Armada ArgentinaMonumento ao Almte Brown patrono da Armada ArgentinaCasa de Jefes e Oficiales
Casa de Jefes e OficialesEscola de oficiais da ArmadaSalon Comodoro RivadaviaClanf exposto na praça de entrada da base

A inauguração da Base ocorreu em 17 de maio de 1901, contando com a presença do então presidente argentino Don Julio Roca. Uma das construções mais marcantes da Base é o Hotel Puerto Belgrando. Um belo edifício em estilo inglês com três andares e 107 quartos. Ele foi construído em 1933, para acomodar os oficiais em visita ou de mudança para a Base. O Escritório dos Correios e o Registro Civil são algumas das construções mais antigas. Oficiais e praças tem suas residência em vários “Barrios” espalhados por toda a área da Base.

F-9F Grumman PantherMuseo Naval de Puerto BelgranoMuseo Naval de Puerto BelgranoMuseo Naval de Puerto Belgrano
Museo Naval de Puerto BelgranoEntrada da baseSuper Mercado na entrada da Base

A “Zona Cumun” abarca a área aberta da BNPB e é onde se localizam a sede do Comando de Operaciones Navales, o Hospiltal Naval de Puerto Belgrano, a Escuela de Suboficiales de la Armada, a Gaceta Marinera, a Escuela de Operaciones Navales, a Casa de Jefes y Oficiales e a Escuela de Oficiales de la Armada. A área de acesso restrito ao redor do porto é a “Zona Reservada” sendo lá que ficam os navios e os “talleres generales”. Estas construções são as oficinas de armas navais, de mísseis, de sistemas óticos e de controle de tiro, além de outras unidades de manutenção e de suporte técnico. É aqui também que ficam os dois diques secos. A “Carena No. 1” tem 220m de comprimento, 20 de largura e 10 de profundidade, tendo sido completada em 1902. Por sua vez, o “Carena No. 2” mede respectivamente 234mx35mx13 e ficou pronto em 1914.

Os Navios Participantes

Navios/Buques
Brasil
Argentina
Fragatas
F-49 Rademaker e F-42 Constituição
 
Destructores 
ARA La Argentina
Corvetas 
ARA Parker e ARA Gomes Roca
Navio Des. Doca
NDD Ceará
 
Navio de Assalto  
ARA Hércules
Navio logístico  
ARA Patagônia
Submarinos
Tamoio
ARA Salta
Aviso/Balizador 
ARA Ten. Olivieri e ARA Punta Alta

*O ARA Sarandí participou apenas de uma fase específica do exercício com a Fragata Rademaker.

A Fase Naval - Interoperabilidade

A Fase Naval da Fraterno XXV começou no dia 8 de outubro, às 17 horas, com a desatracação do submarino Salta na base de submarinos da ARA em Mar del Plata. O submarino brasileiro Tamoio suspendeu uma hora mais tarde . Durante esta noite os dois navegaram para se posicionar nas áreas de exercício “ASW Alfa” e “ASW Bravo” localizadas a umas 150 Milhas náuticas a leste da Base Naval Puerto Belgrano.

Suspendendo para a FraternoSuspendendo para a FraternoNDD Ceará em BNPBNDD Ceará em BNPB
ARA Punta AltaD-11 ARA La ArgentinaD-11 ARA La ArgentinaOs Leões marinhos sempre marcando presença nas inumeras bóias

Às 7h00 da manhã do dia seguinte, foi estabelecido entre os navios do GT um link de dados padrão “Yankee Fraterno”, este é um derivado do “Yankee Bravo” usado pela MB. O Grupo Tarefa combinado de navios brasileiros e argentinos agora atendia pelo nome de GT 101. Ás 8h00 começou a desatracação dos navios, o ARA Patagônia, por sua vez, só partiu ao meio dia. O “destructor” La Argentina recebeu seu helicóptero na saída da Bahia Blanca, e das 14h00 às 17h00, no interior da “Área Trueno”, ocorreu o exercício de tiro contra alvo rebocado. Naquela mesma noite, entre 22h00 e 23h00 foi a vez dos tiros contra granadas iluminativas (GIL) na “Área Refucilo”, mais ao leste.

D-11 ARA La ArgentinaFragata RademakerFragata RademakerARA La Argentina
Tiros contra a Granada iluminativa - GILTiros contra a Granada iluminativa - GILTiros contra a Granada iluminativa - GILTiros contra a Granada iluminativa - GIL

Entre meia noite e 00h30 se deu o primeiro teste do link YF. No dia 10 de outubro, o GT entrou na área ASW Alfa, um quadrilátero demarcado nas cartas náuticas, onde se escondia o ARA Salta, aguardando sua oportunidade para afundar o Patagônia. O submarino tinha das 7h30 até 11h30 para cumprir sua missão. Este exercício foi enriquecido pela presença de dois patrulheiros Grumman S-2T Turbo Tracker da ARA, que lançaram sonobóias passivas no mar e interagiram com um helicóptero anti-submatino SH-3, tentando localizar e afundar (virtualmente) o submarino argentino. Neste exercício foi possível perceber a expansão do convôo da ARA La Argentina, que agora permite o pouso do Sea King, a despeito de seu grande tamanho. Naquela tarde, entre 13h00 e 17h00, o exercício se repetiu, só que, desta vez, o submarino espreitando a área ASW Bravo era o Tamoio da MB. A caminho das áreas de exercício seguintes, o GT aproveitou para realizar mais light-lines entre os navios.

ARA La Argentina com o Sea King pousado e peiado no convôoARA La Argentina com o Sea King pousado e peiado no convôoARA La Argentina com o Sea King pousado e peiado no convôoARA La Argentina com o Sea King pousado e peiado no convôo
ARA Parker se aproximando para a faina de Light LineARA Parker se aproximando para a faina de Light LineARA Parker se aproximando para a faina de Light LineFim de tarde com a corveta ARA Parker ao fundo
Caçando submarinosGrumman S-2T Turbo TrackerGrumman S-2T Turbo TrackerGrumman S-2T Turbo Tracker

Durante aquela noite ocorreu um exercício diferente, o “SAR SUB”. Posicionados em duas áreas menores, os dois submarinos simulavam acidentes catastróficos que forçavam os navios do GT a usar seus sensores para auxiliar a resgatar o submarino e sua tripulação. Na área Alfa, o ARA La Argentina, a Fragata Constituição e o ARA Patagônia buscavam o ARA Salta, enquanto na área SAR SUB Bravo, a Fragata Rademaker e o ARA Parker trataram de achar o Tamoio no fundo do mar. O Exercício se dividiu em três etapas, na primeira os escoltas usaram o sonar ativo e na seguinte apenas o sonar passivo. Na fase final os submarinos emergiram, e para garantir a segurança de todos os navios foi usado o sistema de comunicação UQC, um modo de comunicação navio-submarino que usa ultra-som modulado para transmitir voz e dados. Finalizado o exercício SAR, os dois submarinos se separaram do GT indo mais para o leste para realizar, no dia seguinte, um confronto simulado Sub X Sub.

Grumman S-2T Turbo TrackerSea King com o sonar abaixado Sea KingSea King

No dia 11 tomamos o rumo oeste, começando o nosso retorno em direção à BNPB. Foi este o trecho escolhido para que conhecêssemos os navios argentinos e os repórteres argentinos visitassem os navios brasileiros.

A bordo do ARA La Argentina

Voamos com o Águia 49 direto para o ARA La Argentina. Recebidos pelo Imediato CF M. Errecarbone, nos dirigimos a Câmara dos Oficiais (Praça D'Armas) para tomar um café para esquentar, pois apesar do sol, o frio nunca nos "abandonou". Visitamos o passadiço onde fomos apresentados à oficial de RP da Armada Ten. Di Masso, iniciando uma visita rápida ao navio, pois logo teríamos a faina de TOM sob ameaça de ataque aéreo. Encontramos com o CF Mazzeo, comandante do navio, dentro do COC, já engajado no exercício que se iniciava. Trocamos algumas palavras, saindo logo de lá para não atrapalhar. Dois caças Super Etendart estavam marcados para atacar o ARA Patagônia e o ARA Parker que executavam a faina de TOM e por isso aproveitamos para subir ao convés afim de tentar flagrar este ataque. Os dois aviões vieram, passando rasante, simulando lançamentos de bombas sobre os navios. Como eles passaram muito distantes do ARA La Argentina, solicitei ao comandante do navio, que os SUE, antes de retornar à sua base, fizessem um rasante sobre o nosso navio para serem devidamente fotografados, e, para minha surpresa, deu certo e eles fizeram uma passagem sobre o navio, proporcionando um registro inesquecível das aeronaves.

UH-13 do HU-1Chegando no ARA La ArgentinaPousado no ARA La ArgentinaRP da Armada Ten Di Masso
Passadiço da La ArgentinaCOC da La ArgentinaCOC da La ArgentinaCOC da La Argentina
ARA PatagôniaApesar da distância, temos a barriga de um SUEApós Momento exato da passagem de 2 SUEs sobre o ARA La Argentina
Bar do ARA La ArgentinaBandeira do Perú junto a da Argentina e Brasil, pois havia um observador da Marinha do Peru a bordo1ºTen Di Masso - 1ºTen Sathler - CF Errecarbone - 1ºTen Alberto Ponce do PeruProntos para decolar

Após o ataque, fomos convocados para um briefing, pois iríamos voar até a corveta ARA Parker no helicóptero AS-555 Fennec argentino, que por coincidência, era o mesmo que tivemos a oportunidade de voar durante a Unitas de 2005.

A bordo do ARA Parker

Após um vôo rápido e tranqüilo entre os dois navios, pousamos no ARA Parker e fomos recebido pelo Imediato, ou 2º Comandante, com são chamados na ARA, CC Carlos Soler. Fomos convidados para almoçar na Câmara dos Oficiais antes do vôo da Fotex. Lá fomos recebidos pelo comandante do navio, CF Carlos Alberto A. Berbari. Rapidamente após o almoço, fizemos uma visita ao navio, passando pelo passadiço, Centro de Operações de Combate, Centro de Controle de Máquinas e pela praça de máquinas, aonde pude ver de perto os dois motores diesel SEMT-Pielstick 16PC2-5V400, cada um gerando em funcionamento 22.600 shp.

3-H-132 Fennec3-H-132 FennecARA Parker3-H-132 Fennec pousado no ARA Parker
3-H-132 FennecPassadiço do ARA ParkerCOC do ARA ParkerCOC do ARA Parker
Placa na porta da Camara de OficialesDentro da camara de oficiales - O CC Soler com ofical do Exército argentino e oficial da MB

Após um último café, um novo embarque no Fennec para um vôo até a Fragata Rademaker onde apanhamos o fotografo argentino para a realização da Fotex. Decolamos a partir do ARA Parker que se destacou para lançar o “Francês” (callsign do Fennec) e voamos para aguardar a formação dos navios. Após a Fotex ainda pousamos uma vez mais no ARA La Argentina a fim de reabastecer e logo depois seguimos para a Fragata Rademaker, encerrando um dia mais do que proveitoso.

CCM do ARA ParkerEntrada para a Praça de MáquinasMotores diesel SEMT-Pielstick 16PC2-5V400Motores diesel SEMT-Pielstick 16PC2-5V400
Motores diesel SEMT-Pielstick 16PC2-5V400Motores diesel SEMT-Pielstick 16PC2-5V400Tampa aberta podendo -se ver as valvulas Imagem feita da prôa do ARA Parker
Hangar retrátil do ARA ParkerFennec peiado no convôo do ARA ParkerDecolando

Os navios fundearam naquela noite do lado de fora da Bahia Blanca para aguardar o início da fase Anfíbia. O CMG Sabóia foi levado de helicóptero para o NDD Ceará que assumiu assim o papel de nau capitania do GT 101.2. No que a Fragata Constituição se destacou para participar da Fase Anfíbia, a Fragata Rademaker e o Destructor ARA Sarandí se dirigiram para uma área especifica e repetiram o exercício de tiro anti-aéreo que na Fraterno de 2004 resultou em um seríssimo acidente com feridos e extensos danos verificados no navio brasileiro. Durante os testes realizados agora, todos os sistemas funcionaram corretamente no ARA Sarandí, o que permitiu descartar a interferência eletromagnética como possível causa daquele acidente. Os estudos continuam para determinar sua causa. Concluídos os testes, os navios se dirigiram para Puerto Belgrano.

A Fotex

Tradicionalmente, ao final dos exercícios é realizada uma sessão Fotex na qual todos os meios envolvidos se reunem para o registro fotográfico da Operação. Face a realização da parte anfíbia da Fraterno ter ocorrido em outro lugar, não foi possivel reunir todos os navios. Apesar da ausência destes meios, os comandantes dos navios nos brindaram com uma formação bem interessante e com a ajuda dos pilotos argentinos, que foram de suma importância para o resultado das fotos e videos.

Imagem que lembra muito os films da 2ª GG - Fragata Rademaker abaixoImagem que lembra muito os films da 2ª GG - Fragata Rademaker abaixo Fragata Rademaker
Após o término da fotex, o ARA La Argentina se apressa em manobrar para receber o FennecApós o término da fotex, o ARA La Argentina se apressa em manobrar para receber o FennecApós o término da fotex, o ARA La Argentina se apressa em manobrar para receber o Fennec
Após o término da fotex, o ARA La Argentina se apressa em manobrar para receber o FennecApós o término da fotex, o ARA La Argentina se apressa em manobrar para receber o FennecApós o término da fotex, o ARA La Argentina se apressa em manobrar para receber o FennecGuinando para bombordo afim de receber o Fennec

 

A Fase Anfíbia

As manobras desenvolvidas durante a operação foram de grande intensidade já que o número de homens envolvidos foi significativo, alcançando um total de 2.000, disse o Chefe del Estado Mayor del Comando Naval Anfíbio, Capitán de Fragata Guido Lucotti. O exercício teve como objetivo ampliar a interoperabilidade entre ambas as Marinhas, compondo uma força tarefa combinada para intervir em uma missão sob o mandato das Nações Unidas.

CF Henrique Rocha imediato do NDD Ceará acompanha de perto a movimentação no deque inferior do navioCLANfsCLANF saindo do NDD CearáLARC-5
LARC-5LARC-5LARC-5 manobrando dentro do NDD CearáLARC-5
LARC-5 LARC-5LARC-5 saindo do NDD CearáLARC-5 saindo do NDD Ceará

"Trabalhamos com um grau de integração muito grande, não somente porque havia navios dos dois países, mas, porque as frações de Fuzileiros Navais que operavam no terreno estavam integradas por pessoal brasileiro que desembarcou do ARA Hércules e por pessoal argentino que desembarcou do NDD Ceará", explicou o Comandante Naval Anfíbio y Logístico da Armada Argentina, Capitán de Navío Osvaldo Martinetti.

Na manhã da segunda-feira, dia 16, os representantes de ambas fases (naval e anfíbia), fizeram uma análise de todas as operações realizadas. Concluindo com apresentações dos comandantes, idéias para os próximos exercícios e uma ata de acordo propondo futuros adestramentos.

O retorno

Os três navios brasileiros desatracaram da Base Naval de Puerto Belgrano no dia 17 de outubro a partir das 10h00 da manhã. O caminho de volta até o Rio seria feito apenas pelo NDD Ceará já que a Fragata Rademaker, na altura de Rio Grande, as 22:00h do dia 19, se destacou do GT para realizar a Transferex, se dirigindo para o porto de Montevidéu. A Fragata Constituição, por sua vez, também se destacou do Grupo Tarefa no dia seguinte, às 6h30, para atracar no porto de Itajaí. Após uns poucos dias de descanso da tripulação, ela seria a representante da Marinha no exercício Atlasur juntamente com as Marinhas da África do Sul da Argentina e do Uruguai. A Alide acompanhou também a Altasur, mas isso é uma outra história.

 

 

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