Helicópteros da MINUSTAH PDF Print E-mail
Wednesday, 12 November 2008 17:03

 

Introdução

  O contingente militar da MINUSTAH no Haiti é um composto multinacional formado por várias unidades que desempenham funções diversas dentro das necessidades da missão naquele país, como batalhões de infantaria, de engenharia e logística. Além destes um grupo muito importante aparentemente ainda não recebeu a visibilidade devida até agora, a despeito do seu papel relevante dentro do contexto da MINUSTAH. Para corrigir isso, a Alide visitou as unidades de helicópteros Argentina e Chilena que, apesar de representarem uma ínfima parte dos quase sete mil militares presentes no Haiti, prestam um apoio valioso e imprescindível a todo o resto das forças de paz da ONU no país caribenho, sendo essa atividade uma das mais caras dentro do orçamento da MINUSTAH.

  Tanto a Argentina quanto o Chile possuem vasta experiência em missões multinacionais. A tradição dos argentinos em participar de operações de observação e manutenção da paz vem de longa data, já estando próximo de completar 50 anos desde a primeira atuação do país nesse âmbito. O “debut” portenho ocorreu no Líbano, entre junho e dezembro de 1958, como parte do Grupo de Observação das Nações Unidas naquele país. Desde então já foram enviadas tropas, observadores e/ou equipes especializadas para o Congo, Angola, Irã, Iraque, El Salvador, Camboja, Moçambique, Croácia, Ruanda, fronteira entre Peru e Equador, Eslovênia, Guatemala, Saara Ocidental, Oriente Médio, Timor Leste, Kosovo e Chipre.

  Em 1993 os rumos da política externa argentina levaram à adoção de uma postura de maior compromisso com as missões de manutenção da paz levadas a efeito pela ONU. Essa postura revelou a necessidade de uma preparação mais acurada dos efetivos a serem enviados nessas missões, e com essa finalidade o Ministério de Defensa criou em 1995 o Centro de Entrenamiento Conjunto para Operaciones de Paz (CAECOPAZ), que fica subordinado ao Estado Maior Conjunto das Forças Armadas. Localizado no Campo de Mayo, em Buenos Aires, o centro segue os padrões de instrução definidos pelas Nações Unidas para a participação em missões de paz. Ali os militares das três forças armadas e civis designados para operações de “peacekeeping” são treinados e recebem uma espécie de curso específico sobre a missão que irão realizar, com duração de aproximadamente 10 dias, com os procedimentos e regras a serem seguidos e o panorama da situação que irão encontrar. É ali também que os militares se reúnem antes de partirem para uma missão, e depois que retornam da mesma.

  A atual presença argentina no Haiti compreende um hospital de campanha da Fuerza Aérea Argentina, localizado na cidade de Porto Príncipe, que conta com um efetivo de 60 homens e atende tanto aos militares da MINUSTAH quanto a população local. Há ainda um batalhão de infantaria com efetivo de 350 homens posicionado na cidade de Gonaives, que fica responsável pela segurança da parte norte da ilha.

  A experiência do Chile em participar de missões internacionais cujo objetivo é a manutenção da paz e a estabilização de regiões em crise, e o alcance do entendimento pacífico entre nações beligerantes, também vem de muitas décadas. O país iniciou essa postura em 1935, e desde então tem estado permanentemente envolvido em operações de manutenção da paz ao redor do mundo inteiro. Naquele ano foi assinado um protocolo que criava a Comissão Militar Neutra, organismo com a finalidade de mediar as relações entre Bolívia e Paraguai, que em 1932 iniciaram um conflito armado pela posse da região do Chaco, em poder dos paraguaios, que ficou conhecido como a Guerra do Chaco. A comissão era composta por Argentina, Brasil, Chile, EUA, Peru e Uruguai, e sua principal função era separar as forças de ambos os países e fiscalizar a desmobilização dos dois exércitos da área em questão. Nessa ocasião o Chile participou com uma delegação de oficiais do seu exército.

  A primeira participação dos chilenos em uma intervenção estabelecida sob um mandato da Organização das Nações Unidas foi no conflito entre Índia e Paquistão pela posse da região da Cachemira. Em 1947, logo após sua independência, a Índia anexou arbitrariamente ao seu território a área em questão e provocou o desentendimento, seguido de enfrentamentos militares, entre os dois países. Em janeiro de 1948 a ONU então criou uma comissão para mediar a situação das duas nações e promover um cessar fogo. Essa comissão fazia uso de observadores militares, e em 1949 o Chile enviou sua primeira equipe de observadores, para participar dos esforços das Nações Unidas na região. Desde então ele participa daquela missão com observadores militares oriundos das três forças armadas, e por duas vezes esteve à frente do comando dos observadores internacionais na Cachemira, entre julho de 1966 e junho de 1977, e entre março de 1998 e março de 1999.

  Nesses mais de 70 anos participando de ações multinacionais em prol da paz o Chile absorveu uma grande experiência na atuação em conjunto com outras nações. Foram diversas participações em diferentes contextos culturais e políticos, seja com a presença de tropas de paz ou com o envio de observadores militares. Desde 1967 o Chile já esteve na Palestina, no Iraque, no Camboja, no Timor Leste, na Bósnia Herzegovina, na Missão de Observadores Militares Equador-Peru (MOMEP), em El Salvador e Honduras, na Nicarágua e no Chipre, onde o Chile integra a força tarefa argentina que atua naquele país. Para extrair o máximo de toda essa experiência e criar uma doutrina própria para participação em missões de paz, foi criado em 2002 o Centro Conjunto para Operaciones de Paz Del Chile (CECOPAC), com o objetivo de preparar pessoal militar e civil para a participação nas missões internacionais em cumprimento dos acordos do Chile com a Organização das Nações Unidas e outros organismos.

  No Haiti o Chile participa dos esforços da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH) para organizar a situação do país. O grupo chileno é formado por uma unidade de infantaria, o Batallón Chile, composto por meios de infantaria mecanizada do exército e fuzileiros navais, com bases em Porto Príncipe e Cap Haitien, no norte do país; uma unidade de engenheiros mista do Chile com o Equador, baseada em Porto Príncipe e com destacamentos em Limbe e Cap Haitien; além do grupamento de helicópteros.

 A Unidade Aérea Argentina

  O componente aéreo do contingente argentino na MINUSTAH consta de uma unidade de helicópteros, que utiliza duas aeronaves Bell 212 e pessoal da Fuerza Aérea Argentina (FAA). A Unidad Aérea Argentina, seu nome oficial, possui 41 militares e tem como núcleo a VII Brigada Aérea “Mariano Moreno”, sediada na província de Buenos Aires, de onde fazem parte os pilotos, mecânicos, operadores e pessoal de segurança de vôo e de terra, enquanto o pessoal de abastecimento é oriundo da IV Brigada Aérea “El Plumerillo”, sediada na província de Mendoza. Operacionalmente a Argentinean Aviation Unit está subordinada ao Centro de Operações Aéreas da MINUSTAH, que coordena todos os meios aéreos a serviço da ONU no Haiti.

  A unidade fica localizada numa área dentro do perímetro do Aeroporto Internacional Tussaint Luverture, junto ao pátio de aeronaves e aos hangares utilizados pelos operadores de aeronaves da ONU, na altura da cabeceira 27 da única pista do aeroporto. Toda a estrutura administrativa, os alojamentos e demais dependências estão instalados em contêineres e pequenas casas pré-fabricadas, todos suspensos alguns centímetros acima do terreno de terra e casacalho por pilotis, para evitar alagamentos em caso de chuva forte. O acampamento, apesar de simples, é bem organizado e as casinhas e contêineres pintados de branco dão ao local um ar de vila de interior, o que é acentuado pela presença do cão mascote da unidadade e sua casinha também pintada de branco e devidamente identificada como sendo propriedade das Nações Unidas. O tom do inusitado é percebido ao se avistar no canto do terreno, sobre um gramado, um avião quadrimotor a pistão pintado de azul e branco. A reluzente aeronave é um antigo Douglas DC-6, abandonado por alguma decadente companhia aérea haitiana e que acabou sendo aproveitado pelos militares argentinos, que o transformaram numa espécie de bar, com direito à decoração interna com balcão, bandeiras e mesas, e também sistema de som e TV. Um motor elétrico colocado dentro da carenagem de um dos motores na asa faz com que o conjunto da hélice gire. O local é normalmente usado para reuniões em ocasiões especiais, e os argentinos cuidam bem dele. Além da pintura externa (na realidade ela está presente apenas na lateral visível a quem está dentro da base; a lateral virada para a pista continua nas cores originais da empresa que abandonou o avião ali) nas cores da bandeira argentina, o cockpit se mantém em condições relativamente razoáveis de conservação, com a maioria dos instrumentos, chaves e interruptores tanto do painel frontal quanto do painel superior ainda presentes. Um gerador externo fornece energia para os eventos que ocorrem no curioso ponto de encontro.

Passe o mouse sobre as fotos e veja as legendas.
Placa na entrada da unidade argentinoAs bandeiras da Argentina, do Haiti e da ONU no acampamento argentinoSessões administrativas do acampamento argentinoVista geral do acampamento argentino
Tenente Uberti e Tenente-Coronel Feliciani, comandante da Unidad Aérea ArgentinaFonte no acampamento argentinoParte da asa do DC-6A casinha do mascote argentino
O DC-6 argentinoLado oposto do DC-6 argentinoO balcão do barO interior do avião
Adesivo no interior do DC-6Interior do aviãoCockpitPainel de instrumentos superior

 

  O grupo conta com sete pilotos, e chegou em Porto Príncipe em um C-130 da Fuerza Aérea Argentina em setembro de 2004. O período de permanência de cada contingente é de seis meses e a troca é normalmente feita por meio de vôo comercial ou fretado, tudo pago pela ONU. Isso se deve ao pequeno número de militares que compõe a unidade, o que torna antieconômico fazer esse câmbio através dos aviões da FAA. Os militares que participam da missão no Haiti geralmente também são enviados, após retornarem para a Argentina, à missão de paz no Chipre, onde o país também possui uma unidade equipada com helicópteros Bell 212 que já acumulam aproximadamente 11 mil horas de vôo.

  A missão da Argentinean Aviation Unit no Haiti é prover apoio a MINUSTAH na parte de transporte de pessoal civil e carga, suporte às tropas em terra, inclusive com o emprego de armamento se necessário, evacuação aeromédica, reconhecimento aéreo, avaliação de locais para operação e transporte VIP. Para a realização dessas missões os dois Bell 212 podem ser equipados com duas metralhadoras laterais cada um, guincho, gancho, e na configuração para transporte de feridos (EVAM) eles levam até seis macas, ou três quando transportando também o apoio médico para esses feridos. Uma característica dessas aeronaves é que para essa missão eles receberam blindagem e, por ser o Bell 212 uma aeronave originalmente para uso civil, seus assentos foram substituídos por assentos de helicópteros Bell UH-1H.

  Esses helicópteros chegaram de C-130 da Fuerza Aérea Argentina junto com o primeiro contingente da unidade. Nunca sofreram nenhum acidente que obrigasse a substituição deles. Todo o serviço de manutenção é feito no próprio Haiti, do mais leve ao mais pesado, e cada aeronave passa por um período de manutenção preventiva que dura uma semana, a cada ciclo de 100 horas de vôo. A responsabilidade da unidade é manter pelo menos uma aeronave sempre voando, e o rígido calendário da manutenção dos argentinos permite que as duas estejam simultaneamente em operação por aproximadamente um mês e meio entre as revisões de cada uma. O material necessário para se manter as aeronaves é enviado direto da Argentina, ou em alguns casos específicos comprado nos EUA e de lá entregue no Haiti. Apenas o combustível é responsabilidade da ONU. Os dois Bell 212 foram recebidos pela FAA em maio de 1988 e matriculados H-81 (c/n 30830) e H-86 (c/n 30838), respectivamente UNO-137 e UNO-136 para a ONU.

Bell 212Bell 212Bell 212Painel do Bell 212 argentino
Painel superior do Bell 212Painel do Bell 212Cabine traseira do Bell 212Cabine traseira do Bell 212
Bell 212Blindagem do assoalho do cockpitDetalhe da blindagem lateral do assentoDetalhe da cauda de um dos Bell 212
Bell 212
Bell 212

 

  A área de operações da Unidad Aérea Argentina abrange todo o território da ilha, efetuando deslocamentos e operando fora de sede quando necessário. Desde 2005 eles contam duas bases argentinas em outros pontos do país que são usadas apenas para abastecimento dos helicópteros, uma em Cap Haitien, no norte do Haiti, e outra em Les Cayes, no sul. A principal dificuldade para a operação no país está relacionada aos aspectos geográficos. A presença de uma cadeia de montanhas que corta a ilha dificulta a passagem para o lado oposto quando em situações de chuva ou nuvens fechadas, restringindo as operações. Apesar disso eles realizam missões diariamente e já acumulam aproximadamente 1000 horas de vôo. Apenas nos dias em que a unidade está responsável pelo alerta de EVAM é que não são realizadas missões programadas.

  Os grandes problemas enfrentados pelos argentinos no Haiti têm diversas origens. A cadeia logística para se manter a unidade naquele país é prejudicada pela grande distância da Argentina, pois praticamente todo o material usado é trazido de lá. Tudo o que não é fornecido pela ONU. Lá não existe manutenção dos veículos, a dificuldade para se obter peças na ilha é muito grande e os mesmos precisam ser levados para serem consertados na Argentina e substituídos sempre que necessário. Outro problema é a diferença de voltagem entre os dois países, o que praticamente inibe a aquisição de equipamentos fora da Argentina.

  A operação de helicópteros é de vital importância dentro do âmbito do trabalho da MINUSTAH e dos esforços da ONU para controlar a situação caótica em que se encontra o Estado haitiano. Dois exemplos dessa atuação envolvendo a unidade argentina demonstram na prática essa disposição. Em maio desse ano um grupo de três militares do Sri Lanka se envolveu num acidente e foi resgatado por helicóptero da Argentinean Aviation Unit, um deles em estado mais grave tendo sido levado para ser tratado num hospital da República Dominicana, e posteriormente trazido de volta. Em sua visita ao país a secretária de estado norte americana Condoleezza Rice foi transportada pelos Bell 212 e, após as eleições presidenciais de fevereiro de 2006, em meio aos distúrbios causados pela ação das milícias armadas, os argentinos ficaram incumbidos de trazer para Porto Príncipe o recém eleito presidente do país, René Preval, numa tentativa de acalmar a população com relação aos resultados do pleito. Ele se encontrava isolado em sua casa nas montanhas, na localidade de Marmalade, e não havia nenhuma indicação exata da localização da sua residência e de onde deveria ser efetuado o pouso da aeronave. A única informação era a de que havia um muro branco no local, mas, ao chegarem lá, os pilotos se depararam com vários muros brancos. Apesar do pequeno imprevisto a missão foi concluída com sucesso e o presidente levado em segurança até Porto Príncipe.

Missão no interior do paísOperação de resgate no marOperação de resgate no marOperação de resgate no mar
Missão de EVAM para a República DominicanaMissão de EVAM para a República DominicanaMissão de EVAM para a República DominicanaTransporte do presidente René Preval

 

O Bell 212

  O Bell 212 nasceu de um requerimento das forças armadas canadenses respondido pela fabricante norte-americana de helicópteros Bell para o desenvolvimento de um helicóptero utilitário bi-motor a partir do legendário Bell 205 (conhecido como UH-1 Huey), que estava então entrando em serviço naquele país. Fez seu primeiro vôo em 1969. Logo após a encomenda do Canadá, onde foi designado CH-135, surgiu um pedido das forças armadas dos EUA, que o designou UH-1N. Em 1971 a Bell desenvolveu uma versão para uso civil.

Características:

Capacidade: 15 pessoas
Comprimento: 12,92 m (ou 17,46 m incluindo o rotor principal)
Diâmetro do rotor principal: 14,69 m
Altura: 4,39 m
Peso vazio: 2.517 kg 
Peso máximo de decolagem: 5.080 kg
Motor: 2 Pratt & Whitney Canada PT6T-3 Turbo com potência de 1.342 kW (1.800 shp) cada
Velocidade máxima: 130 Kts
Alcance: 439 km
Teto de serviço: 5.305 m (17.400 ft)

  A Fuerza Aérea Argentina adquiriu nove unidades do modelo Bell 212 (versão civil) e duas unidade do UH-1N (versão militar). Dos nove 212 recebidos, apenas quatro ainda estão em operação, os cinco restantes tendo sido perdidos em acidentes ou retirados de serviço. Desses, dois foram capturados pelos ingleses durante a guerra das Malvinas.

 Unidade Conjunta de Helicópteros - Chile

  A participação chilena no braço aéreo da MINUSTAH é conduzida pela Unidad Conjunta de Helicópteros, uma unidade mista do exército chileno com a força aérea chilena. Ela agrupa ao todo 93 homens e sete aeronaves: 40 homens e três helicópteros SA 330 Puma do exército, e 53 homens e quatro Bell UH-1H da força aérea. Assim como a unidade argentina, a Joint Helicopter Unit está subordinada operacionalmente ao Centro de Operações Aéreas da MINUSTAH, e politica e logisticamente ao Chile.

  A Joint Helicopter Unit fica situada na mesma área dos argentinos, ao lado destes, do Air Operation Center e dos hangares. A estrutura dos chilenos tem mais aspecto de um acampamento de missão de paz. Todas as sessões e alojamentos são instalados em containeres, e uma imensa tenda abriga o refeitório e um pequeno auditório. Tudo sempre alguns centímetros acima do solo para evitar a entrada de água em dias de chuva. A grande atração do quartel é sem dúvida o Condorito’s Pub. Assim como no lado argentino, o terreno designado para os chilenos também estava “equipado” com um Douglas DC-6 abandonado. O saudoso avião também acabou sendo transformado num ponto de encontro para os militares da unidade, e batizado em homenagem a um conhecido personagem de história em quadrinhos no Chile. Criado em 1949, o personagem Condorito representa um condor, ave símbolo do país, que vive na cordilheira dos Andes. O Condorito’s Pub possui decoração interna personalizada, com mesas retráteis de madeira e um balcão de bar trabalhado, imediatamente antes da cabine de comando. O exterior também recebeu uma pintura especial com as cores do Chile e um nose art. Na estante onde deveriam estar os equipamentos de comunicação do avião fica o aparelho de som. O cockpit não teve a sorte do seu par argentino, e já não possui a maioria de seus instrumentos. O que foi contornado com a adição de imagens de instrumentos em papel coladas sobre o painel de metal frontal e também no painel superior, criando uma espécie de DC-6 modernizado. O local é usado para comemorações em ocasiões especiais.

Entrada do acampamento chilenoO DC-6 chilenoEntrada do Condorito´s PubO interior do DC-6
Balcão do pubCockpit do DC-6Cockpit do DC-6Cabine de som

 

  O primeiro contingente da unidade chilena chegou ao Haiti em junho de 2004. As aeronaves foram transportadas desde o Chile até Porto Príncipe em cargueiros Antonov pertencentes a uma empresa russa, contratada pela ONU para executar o translado. O restante do material utilizado foi transportado por via marítima pela armada chilena, enquanto a tropa foi levada pela Fuerza Aérea de Chile (FACh). A permanência de cada contingente compreende o período de seis meses, e a troca é feita também em aeronaves da própria FACh. Como se trata de uma unidade mista, o comando dela também troca de arma a cada seis meses. Portanto, um contingente é comandado por um oficial do Exército e o outro por um oficial da Força Aérea, ocorrendo sempre essa alternância a cada troca.

  Os sete helicópteros chilenos são os SA 330 Puma do Exército, matriculados naquela força como H-262 (c/n 1522), H-263 (c/n 1524) e H-264 (c/n 1527), e tendo recebido pela o ONU os indicativos UN-133, UN-134 e UN-135 respectivamente. Já os Bell UH-1H são matriculados na FACh como H-75 (c/n 4808), H-78 (c/n4811), H-79 e H-96, respectivamente UN-129, UN-130, UN-131 e UN-132 para a operação a serviço das Nações Unidas. As tarefas realizadas por eles envolvem toda a gama de ações necessárias para o efetivo trabalho da MINUSTAH dentro do contexto dos problemas haitianos, e a sua área de atuação compreende todas as regiões da ilha. A Joint Helicopter Unit está apta a efetuar missões de transporte de tropas, transporte de autoridades civis e militares (VIP), transporte de carga, evacuação aeromédica (EVAM) de membros da própria MINUSTAH ou cidadãos haitianos para hospitais no próprio país ou na República Dominicaca, reconhecimento aéreo em auxílio das ações militares e inserção de frações de tropa em áreas de conflito. Em virtude da natureza de algumas missões, que ocorrem sobre áreas não controladas e ainda com oposição de grupos armados, os helicópteros receberam a proteção de blindagem em alguns pontos vitais. Em duas ocasiões as aeronaves chilenas foram alvejadas por tiros, sobre as favelas de Bel Air e Citté Soleil. Após esses eventos o Air Operation Center da MINUSTAH definiu altitudes mínimas para o sobrevôo de áreas de risco para todas as aeronaves subordinadas a ele. Os chilenos contam ainda com a utilização em seus helicópteros de óculos de visão noturna (NVG), holofote especial para utilização com os NVGs, FLIR (Foward Looking Infra Red, sistema de infravermelho para detecção de calor), guincho e armamento lateral. O uso do armamento é realizado somente após uma consulta prévia ao comando no Chile, a não ser em casos em que haja uma necessidade urgente.

Cabine do SA 330SA 330SA 330SA 330 em manutenção
Cabine do UH-1HBell UH-1HBell UH-1HBell UH-1H
Dois dos Hueys em manutençãoBell UH-1HBell UH-1HBell UH-1H no pátio pronto para ser acionado
Hangar chileno
SA 330 Puma

 

  A logística para se manter a unidade operando é toda baseada no transporte de material diretamente do Chile para o Haiti. As dificuldades para essa missão foram justamente no início da implantação da mesma, quando houve a necessidade de aquisição de uma série de equipamentos de apoio, como contêineres e barracas, para a permanência dela na área de Porto Príncipe. A manutenção das aeronaves é feita por uma equipe da própria unidade. Mesmo serviços mais aprofundados são feitos no Haiti, sem a necessidade de enviar os helicópteros para o Chile. Eles trabalham com um estoque de peças imprescindíveis, e quando há a necessidade de se utilizar peças maiores as mesmas são solicitadas e enviadas direto do Chile. As Nações Unidas cobrem as despesas de operação e os gastos com combustível, enquanto a manutenção fica por conta dos próprios chilenos. A disponibilidade diária gira em torno de quatro aeronaves prontas para vôo, e nunca houve a ocorrência de um acidente. O único registro até agora é o de um incidente em que um dos Bell UH-1H perdeu um componente em pleno vôo, tendo sido posteriormente reparado e entregue de volta a operação.

  Operando em qualquer ponto da ilha, os helicópteros chilenos são parte importante do componente aéreo empregado pela MINUSTAH. A capacidade dessas aeronaves de operarem em à noite é extremamente relevante, provendo apoio extra para nas mais diversas situações em que se encontram os representantes da ONU. A unidade está acostumada a freqüentemente realizar missões de EVAM noturno de alto risco como, por exemplo, numa ocasião em que um policial atacado durante a noite em Cap Haitien, no norte do país, foi evacuado para um local seguro, Além disso, durante as eleições presidenciais de fevereiro de 2006, quando o país passou por sérias perturbações da ordem pública em função da ação de grupos organizados de orientação política diversas, os helicópteros da Joint Helicopter Unit foram acionados por toda a ilha a fim de transportar autoridades e tropas com o intuito de resolver a crise instalada.

AS 330 Puma

  O desenvolvimento do AS 330 Puma teve início no princípio dos anos 60 pela fabricante francesa Aérospatiale, visando atender aos requerimentos do exército francês para um helicóptero de médio porte com capacidade de operar em qualquer tempo. O primeiro protótipo voou em 1965, e em 1967 ele foi selecionado para ser adquirido pela Royal Air Force, o que resultou num acordo de produção conjunta entre a Aérospatiale e a fabricante inglesa Westland. No total foram vendidos 697 helicópteros do modelo, que foi fabricado entre 1968 e 1987.

Características:

Capacidade: 19 pessoas (três tripulantes)
Comprimento: 18,15 m
Diâmetro do rotor principal: 15,0 m
Altura: 5,14 m
Peso vazio: 3.770 kg
Peso máximo de decolagem: 7.400 kg
Motor: duas turbinas Turbomeca Turmo IVC de175 kW (1.575 hp) cada uma
Velocidade máxima: 139 Kts
Alcance: 570 km
Teto de serviço 4.800 m (15.750 ft)

  O Ejército de Chile adquiriu 12 unidades do modelo AS 330F, recebidas entre 1972 e 1973 e designadas com matrículas H-250 a H-261. Em 1980, em virtude de perdas sofridas, foram adquiridas mais três unidades do modelo melhorado AS 330L, matriculadas H-262 a H-264. Pouco tempo depois todas os helicópteros restantes foram modernizados para o padrão AS 330L.

O Bell UH-1H

  O conhecido helicóptero, apelidado de Iroquois ou simplesmente Huey, talvez o mais famoso de todos os tempos por sua ampla atuação na guerra do Vietnã, nasceu de um desenvolvimento em cima do projeto do modelo Bell 204 (UH-1A, UH-1B, UH-1C), datado de 1955 e em operação nas forças armadas dos EUA desde 1959. O conceito do Bell 205, como foi designado pelo fabricante, foi oferecido ao US Army em 1960. No mesmo ano o contrato foi assinado, e no ano seguinte voava o primeiro protótipo. Em 1963 entrou em operação a versão UH-1D, primeira variante do 205. A versão melhorada do UH-1D, o UH-1H, começou a ser produzida em 1967. As distintas variantes do modelo foram utilizadas em dezenas de atividades diferentes, desde evacuações aeromédicas até artilheiro, equipado com metralhadoras e foguetes para dar suporte a tropas no solo, passando por busca e salvamento e SIGINT. Ao todo foram fabricadas aproximadamente 10 mil unidades das versões D e H.

Características:

Diâmetro do rotor principal: 14,63 m
Comprimento: 17,62 m
Altura: 4,41 m
Peso vazio: 2.365 Kg
Peso máximo de decolagem: 4.310 Kg
Velocidade máxima: 110 Kts
Teto de serviço: 3.840 m (12.600 ft)
Alcance: 510 Km
Motor: Lycoming T53L de 1.400 hp

  A Fuerza Aérea de Chile começou a receber os primeiros Hueys em 1966. Ao longo dos anos foram sendo adquiridas novas unidades para cobrir perdas operacionais. Em 1993 foram recebidos os últimos, e em 1998 cinco UH-1 foram abandonados no Iraque quando a delegação da FACh naquele país foi obrigada a se retirar às pressas. 
 
 
 

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