CRUZEX III PDF Print E-mail
Written by Pierre Vincent e Felipe Salles   
Wednesday, 12 November 2008 17:08

 

CRUZEX III - A Maturidade

Este ano presenciou a realização da terceira edição do Exercício Cruzeiro do Sul, organizado pela Força Aérea Brasileira e realizado na região Centro-Oeste do País. A operação contou com a participação de efetivos da Argentina, Chile, França, Uruguai e Venezuela. Acompanhe conosco o que significa sediar um exercício aéreo desta magnitude.

A Força Aérea Brasileira realizou, em 2002, na Base Aérea de Canoas, a primeira edição do Exercício Cruzeiro do Sul, que contou com a participação da Argentina, Chile e França. Em 2004 participaram da CRUZEX II as Forças Aéreas da Argentina, Chile, França e Venezuela, além da presença de observadores do Peru, Uruguai e África do Sul.

A experiência que a Força Aérea Brasileira tem em sediar exercícios como estes não foi adquirida apenas com estas duas edições da CRUZEX. Ao longo da década de 90 a Força Aérea organizou alguns exercícios menores bilaterais com a Força Aérea Norte-Americana (Exercício Tigre) e com a Força Aérea Francesa (Exercícios Mistral), além de participar, com o esquadrão 1º/16º Adelphi, no mundialmente renomado Red Flag, da base aérea de Nellis.

Ao contrário do que pode parecer, este exercício presta-se muito mais ao adestramento do sistema de Comando e Controle, do que propriamente dos pilotos envolvidos nas missões.

 

Um tenente do Grupo de Defesa Aérea (GDA) comentou que para o Esquadrão tais exercícios não trazem mudanças perceptíveis na doutrina de treinamento. As missões continuam as mesmas. Os pilotos recebem a ordem de missão e as executam normalmente.

Porém, a equipe responsável por gerar as ordens de missão, definir alvos, escolher os meios e as armas adequados para cada sortida, alocar o suporte necessário, controlar o espaço aéreo, coordenar a ação com recursos em terra e ainda não interferir no tráfego aéreo civil é a que vivencia um sensível incremento operacional.

Durante a CRUZEX III, por exemplo, a média de sortidas diárias oscilava entre 90 e 100 durante um período de cerca de 10 horas, um número respeitável dentro da realidade das forças aéreas latino-americanas. Para efeitos de comparação, durante a Guerra do Golfo, em 1991, o número de sortidas das forças de coalizão alcançava a cifra de 2.500 distribuídas em um período de 24 horas.

Dessa forma, o principal objetivo da CRUZEX III se constitui no aprimoramento no planejamento de operações combinadas com países amigos e numa operação realizada dentro da estrutura de comando e controle. Seguem-se os moldes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), já que esta é uma estrutura internacionalmente adotada e já provada como eficiente em diversos campos de batalha.

A realização de exercícios com a Força Aérea Norte-Americana e com a França em ocasiões passadas foi fundamental para que a Força Aérea Brasileira absorvesse esse modo de operação e essa estrutura de comando e controle. Nesta terceira edição do CRUZEX, a FAB demonstrou que atingiu a maturidade na organização e condução de operações conjuntas.

 Cronograma

O Exercício deste ano foi dividido em três fases principais bem distintas. A primeira, denominada Pégasus II, ocorreu entre 14 e 18 de agosto e consistiu em uma simulação completamente realizada por meio de computadores.

Por meio desta simulação, realizada pela segunda vez como preparação à CRUZEX (a primeira operação Pégasus ocorreu nos mesmos moldes na semana anterior ao início das operações aéreas da CRUZEX II, em 2004), o DISCONSTAFF (Equipe de Direção e Controle do Exercício) avalia a distribuição de forças e o prévio planejamento da operação, podendo acarretar na alteração da distribuição de forças, entre outras mudanças que visam o melhor aproveitamento do evento.

A segunda fase, iniciada em 22 de agosto e encerrada em 25 do mesmo mês, consistiu nos vôos de familiarização (FAM, dia 22), que serviram para que os pilotos de diferentes esquadrões e variadas nacionalidades reconheçam a área do exercício. Em seguida ocorreu a fase de integração de forças (FIT, de 23 a 25), com o objetivo de padronização de procedimentos, de modo a garantir plena eficiência das missões e, obviamente, segurança nas operações. No JFAC, entre os dias 22 e 23, foi realizado o CPX (Exercício de Postos de Comando).

Durante esta fase as equipes de apoio também aprimoraram os procedimentos que seriam fundamentais na fase real do exercício. Coordenação do controle das aeronaves tanto nas bases como no ar, a não interferência das missões no tráfego aéreo civil e mesmo o chamado desconflito entre as missões, que consiste em evitar que recursos sejam empregados de forma ineficiente, como seria o caso de duas patrulhas cobrindo uma área muito pequena, desperdiçando meios em missões não tão importantes, por exemplo. Outro caso seria o congestionamento de uma área de REVO (Reabastecimento em Vôo), que poderia, inclusive, colocar aeronaves com pouco combustível em risco de pane seca.

Para o melhor aproveitamento dos recursos e um eficiente desconflito foi usado o sistema francês Stradivarius, que permitiu a simulação completa da operação e o controle, em tempo real, das missões durante o exercício. Como este programa não é compatível com o sistema brasileiro de comando e controle, nas áreas de controle do DISCONSTAFF e do JFAC (Componente Aéreo de Força Combinada) havia a projeção simultânea dos dois sistemas, de modo que era possível integrar as informações visualmente.

A terceira fase, o LIVEX (Exercício Real) tem início no dia 28 de agosto e vai até o dia 31. Nesta fase são realizadas as missões de combate com os chamados pacotes, que nada mais são que grupos de diferentes aeronaves empregadas em suas funções especializadas como um conjunto.

Nos dias 28 e 29 foram executadas missões de superioridade aérea. Nos dois dias seguintes, 30 e 31, ocorreram as missões de interdição. As missões de suporte, sustentação ao combate, foram realizadas nos quatro dias do LIVEX. As operações de busca e salvamento de combate (C-SAR) tiveram início no dia 28 e ocorreram até o dia 30.

Na verdade, não houve necessidade de missões de busca e salvamento de combate durante todo o LIVEX na medida em que as estas missões podiam ou não corresponder a situações de aeronaves "realmente" abatidas. Se houvesse um vínculo obrigatório, as equipes de C-SAR correriam o risco de eventualmente não atender a nenhum chamado dentro do exercício se as forças do seu respectivo time obtivessem tal supremacia a ponto de não perder nenhuma aeronave para as forças opositoras.

Aliás, as perdas de aeronaves não afetam, necessariamente a dotação dos esquadrões. Na hipótese de uma ou mais aeronaves serem "derrubadas" pela força adversária o DISCONSTAFF é notificado é uma solicitação de reposição é feita. Cada caso é analisado de maneira independente tendo sempre em vista o planejamento do exercício e seu objetivo que é o treinamento em ampla magnitude. Se for julgado conveniente, a reposição da perda é feita e o esquadrão passa a contar com uma "nova" aeronave em substituição à perdida.

 Cenário

Para o exercício foi criado um cenário fictício no qual os Países Vermelho e Amarelo têm problemas de fronteira em razão de fatos históricos. A situação político e econômica agravou a situação ao ponto de levar à invasão de área do País Amarelo por forças do País Vermelho.

Em resposta a tal situação o Conselho de Segurança da ONU aprovou a constituição de uma força multinacional de coalizão liderada pelo País Azul e constituída pela Argentina, Brasil, Chile, França, Peru, Uruguai e Venezuela.

No cenário, a missão primária das forças da Coalizão é expulsar as forças do País Vermelho da área ocupada no País Amarelo, restaurando a paz.

Durante o exercício, há componentes reais, como as aeronaves espelhadas por algumas bases da Coalizão e aquelas na Capital do País Vermelho, a cidade de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, e componentes fictícios, como forças em terra e prisioneiros de guerra que servem para motivar as missões "reais" e tornar o exercício mais completo e complexo. As forças de terra fictícias, por exemplo, podem "solicitar missões" para o JFAC que determina quais recursos são empregados para atender a solicitação, gerando as respectivas ordens de missão.

Como mencionado anteriormente, todos os meios aéreos do País Vermelho estavam concentrados em Campo Grande, capital do fictício País Vermelho, enquanto as forças da Coalizão estavam baseadas, principalmente, na Base Aérea de Anápolis, GO, mas com aeronaves operando também a partir de Uberlândia, MG, Brasília, DF e Jataí, GO.

 Nações participantes

Esta edição da CRUZEX contou com a participação de nove nações. A Força Aérea Peruana que aceitara o convite seria a décima não fosse o trágico acidente que vitimou dois de seus oficiais no dia 20 de agosto em Porto Velho. Neste dia um dos A-37B Dragonfly do Grupo Aéreo N° 7 colidiu com o muro no fim da pista na partida para seu vôo de traslado até a Base Aérea de Anápolis. Neste acidente faleceram os tripulantes causando o retorno à Base Aérea de Piura dos demais aviões que o acompanhavam.

Três destas nove nações, Bolívia, Colômbia e Paraguai, participaram apenas com observadores. As demais, Argentina, Chile, França, Uruguai e Venezuela vieram com aeronaves e pessoal.

A Argentina trouxe 107 militares e 6 aeronaves, sendo 3 IA-58 Pucarás e 3 A-4AR Fightinghawk. Os Pucarás, que haviam acabado de sair de uma revisão geral, o que explicava a ausência de marcas na fuselagem, pertencem aos Escuadrones I e II do Grupo Aéreo 3 da III Brigada Aérea, que tem sua sede na Província de Santa Fé, na Base Aérea Militar de Reconquista, onde são utilizados para treinamento avançado e patrulha do espaço aéreo, especialmente contra o narcotráfico. Já os Fightinghawks pertencem aos Escuadrones I e II do Grupo 5 de Caza da V Brigada Aérea, baseada na Província de San Luis. Esta unidade contava com A-4B e C durante a Guerra das Malvinas, causando sérias baixas à Marinha Real.

O Chile participou com 85 militares e também 6 aeronaves, todas do modelo A-37B Dragonfly, do Grupo de Aviação N.º 12, pertencente à IVª Brigada Aérea. Esta Brigada, responsável pela região austral do Chile, conta com mais 3 Grupos de Aviação além do Nº12, compreendendo unidades de caça, ataque, transporte e exploração antártica. Os pilotos chilenos, segundo as palavras do General Cazamea do Armée de l'Air, são "faca nos dentes", extremamente agressivos.

O Armée de L'Air (Força Aérea Francesa) deslocou 185 militares e 9 aeronaves, sendo 8 Mirages 2000, 4 do modelo N e 4 do modelo C, e 1 E-3F Sentry. Eram duas unidades operando o Mirage 2000N, os Escadron de Chasse 1/4 Dauphiné e o 2/4 La Fayette, subordinados ao Comando Aéreo Estratégico, visto que sua missão primária é o ataque nuclear, sem detrimento da capacidade de ataque convencional. Os Mirage 2000C pertenciam ao 02.012 Picardie, vinculado à Força Aérea Tática. O E-3F, juntamente com os outros três Sentry da Força Aérea Francesa, pertence ao Escadron de Détection et de Contrôle Aéroporté (EDCA) 00.036.

O Uruguai esteve presente com 47 militares e 6 aeronaves, 3 IA-58 Pucará e 3 A-37B Dragonfly. Os Pucará são operados Escuadrón Aéreo Nº 1 enquanto os Dragonfly dotam o Escuadrón Aéreo Nº 2, ambos subordinado à Brigada Aérea II, cumprindo a função de ataque e caça, respectivamente. A Fuerza Aérea Uruguaya trouxe uma das duas únicas mulheres que pilotam caças para o exercício, como veremos melhor adiante.

A Venezuela contou com 214 militares e 9 aeronaves, das quais uma de suporte, o KC-707, e 8 caças, 2 VF-5A, 2 Mirage 50DV, 1 Mirage 50EV, 2 F-16B e 1 F-16A. Um VF-5A teve uma pane durante o traslado e não participou do exercício. Os Mirage 50Ev/DV são operados pelo Grupo Aéreo de Caza Nº 11, "Los Diablos". Os VF-5A, por sua vez, equipam o Grupo Aéreo de Caza Nº 12. Os F-16A/B integram o Grupo Aéreo de Caza 16, "Dragones". Finalmente, o KC-707 é um dos meios a dotar o Grupo Aéreo de Transporte Nº 6, "Pegasos".

O Brasil, por sua vez, contribuiu com meios tanto para as forças do País Azul, que lideraria a Coalizão, como para todas as forças do País Vermelho. Para o País Azul o Brasil alocou na Base Aérea de Anápolis 6 F-5E Tiger II, 6 A-1, 4 AT-26 Xavante, 5 A-29, 3 RA-1, 3 R-99A e 1 H-34. Em Uberlândia, base do componente C-SAR, estavam 1 H-34, 2 H-50, 1 SC-95 e 4 AT-27. Em Jataí, posto de apoio às missões de Busca e Salvamento, foram baseados 2 H-1H. Finalmente, na Base Aérea de Brasília estavam duas aeronaves de reabastecimento KC-137.

Compondo as forças do País Vermelho estavam, na Base Aérea de Campo Grande, 6 F-5EM, 5 A-1, 1 R-99A, 1 KC-130 e 1 H-1H.

Ao todo o exercício contou com 90 aeronaves de 19 modelos distintos totalizando 26 variantes diferentes. Eram 70 caças, 8 aeronaves de reconhecimento e alerta antecipado, 4 aeronaves para reabastecimento aéreo, 1 de busca e salvamento e 7 helicópteros.

 Pacotes

Os Pacotes forma a base das COMAO (Combined Air Operations - Operações Aéreas Combinadas) que, por sua vez, são essenciais nas operações da OTAN e, por isso mesmo, são parte fundamental na programação do exercício.

O conceito por trás do emprego das COMAO é o aproveitamento do máximo da capacidade de cada aeronave. Como foi dito anteriormente, em geral as COMAO empregam um grande número de aeronaves de diferentes modelos para o cumprimento de um conjunto de missões em suporte mútuo. Por vezes, porém, um pacote pode ser constituído por um grande número de aeronaves do mesmo tipo, mas em diferentes configurações (superioridade aérea, guerra eletrônica, ataque de precisão, até reabastecimento, se for o caso), o que facilita o trabalho de planejamento pelo fato do grupo apresentar características de performance muito semelhantes.

No caso da CRUZEX, em que nações bem diferentes integram um único grupo, a criação das COMAO é um grande desafio. Como integrar, por exemplo, em um mesmo conjunto, aeronaves de interdição a jato com outras turbo-hélice?

Imaginemos uma operação que envolva duas aeronaves de alerta antecipado (E-3F e R-99A), 12 aeronaves em missão de supremacia aérea (4 Mirage 2000C, 2 F-16, 4 F-5E, 2 Mirage 50 e 2 A-4AR), 26 aeronaves em missão de interdição (4 AT-26, 4 A-1, 4 Mirage 2000N, 4 A-29, 4 IA-58 e 6 A-37B), 2 aeronaves em missão de análise de resultados dos ataques (BDA - Battle Damage Assessement) e 2 aeronaves de reabastecimento aéreo. São 42 aeronaves envolvidas sendo que 40 delas decolariam da Base Aérea de Anápolis. Apenas para decolar este grupo gastaria mais de 20 minutos entre a primeira e a última aeronave.

Os planejadores do JFACC devem levar em consideração todas as características das aeronaves como regimes de velocidade, altitude de vôo, consumo de combustível, capacidade de reabastecimento em vôo, perfil da missão, assinatura de radar, capacidade de guerra eletrônica, condições de sobrevivência em combate aéreo e/ou contra defesas terrestre, entre outros, para integrar o pacote de maneira eficiente.

As aeronaves turbo-hélice de ataque devem sair antes por apresentarem uma velocidade de cruzeiro significativamente menor que as demais a reação. Por outro lado, num ambiente de combate aéreo BVR suas chances de sobrevivência são limitadas, o que determina a decolagem anterior de caças de superioridade aérea.

Os caças de reconhecimento que realizarão o BDA não podem sobrevoar a área muito tempo depois do ataque mas também não deve ser imediatamente após, de modo que sua saída deve ser programada para que o melhor resultado de reconhecimento seja obtido pela passagem sobre o alvo no momento exato.

Algumas aeronaves de caça são reconhecidamente aeronaves de “pernas curtas”, com pouco alcance, o que torna necessário o Reabastecimento em Vôo. Esta operação deve ser cuidadosamente planejada para que as aeronaves não fiquem expostas durante a transferência de combustível e para que as demais aeronaves que precisam de escolta não fiquem desprotegidas.

O software francês Stradivarius auxilia nesta fase de planejamento, realizando o desconflito e evitando situações perigosas em uma situação de risco, mas o preparo de uma COMAO ainda demanda um número considerável de homens/hora de trabalho profissional e extremamente qualificado.

 JFACC

O Componente Aéreo de Força Combinada - JFACC, é o centro nervoso dos elementos aéreos da Coalizão. Lá são geradas as ordens de missão e são gerenciadas as operações aéreas em tempo real.

Equipes compostas por oficias graduados de todas as nações do exercício participam ativamente do JFACC, seja para melhor assessorar os planejadores, por conhecer bem tanto a performance de suas aeronaves como as melhores habilidades de seus pilotos, na difícil tarefa de criar COMAOs eficientes.

Componente Aéreo de Força Combinada - JFACCComponente Aéreo de Força Combinada - JFACCComponente Aéreo de Força Combinada - JFACCComponente Aéreo de Força Combinada - JFACC
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O setor é todo montado em barracas de campanha, protegidas por uma rígida segurança. Barracas para planejamento, briefings e outras atividades essenciais além de, é claro, a barraca de onde se tem o controle de toda a missão.

Ao contrário da aparente precariedade sugerida por barracas dispostas em uma linha que lembra um "U", equipamentos de última geração, operados por técnicos altamente especializados e concentrados em um ambiente climatizado, recheiam o interior das tendas, deixando claro que o Exercício é um assunto sério.

 C-SAR

O C-SAR (Combat Search And Rescue - Busca e Salvamento de Combate) é uma modalidade da tarefa de Busca e Salvamento que difere desta por ser realizada em ambiente hostil, com a proximidade de forças inimigas.

A missão tem como principal objetivo evitar que pilotos sejam capturados pelos adversários na eventualidade de ter sua aeronave derrubada atrás das linhas inimigas. Dois benefícios podem ser vislumbrados de pronto: mantém o moral da tropa alto e evita a obtenção de dados sobre detalhes das operações, localização de forças e suprimentos, entre outros, pelas forças adversárias.

Nesta edição do Exercício, a Força Aérea Brasileira criou um grupo dedicado para o cumprimento desta nobre e difícil missão, composto por aeronaves de asa fixa e rotativa de diferentes modelos para que todas as etapas que envolvem a atividade C-SAR fossem cumpridas com a maior eficiência possível.

Como visto acima, O grupo contava com três helicópteros, sendo um H-34 Puma para o salvamento propriamente dito e dois H-50 Esquilo para suporte ao primeiro, apesar de possuírem certa capacidade de transporte. Cinco aeronaves de asa fixa também faziam parte do grupo. Um SC-95 Bandeirante para a tarefa de busca e quatro AT-27 Tucano para ataque.

Uma missão típica envolvendo tais equipamentos teria início com vôos de reconhecimento do SC-95, acompanhado ou não de um elemento de AT-27 para escolta ou mesmo a realização da busca apenas pelos AT-27, se a área for de maior risco, apesar da significativa diminuição na área de cobertura e mesmo na eficiência da busca.

Após a localização da pessoa a ser resgatada, os três helicópteros se deslocariam até o local com o apoio de mais um elemento de AT-27, se for necessário maior poder de fogo para garantir a segurança da missão.

No local, enquanto os H-50 provêm apoio próximo contra eventual resistência à extração, o H-34 realiza um pouso precedido de uma manobra de baixa exposição, que consiste na aproximação em velocidade, seguida de um violento flare (manobra em que a aeronave levanta o nariz) para desaceleração. Se a área não permitir o pouco, guinchos e cordas podem ser utilizados, inclusive, se for o caso, para que membros do Pára-SAR, a unidade de pára-quedistas especializados em operações especiais, entre elas o salvamento, desçam ao local para retirar uma pessoa que não esteja em condições de se movimentar, por exemplo.

Obviamente há inúmeras variações ao perfil de missão aqui descrito que são determinadas em razão das condições encontradas na situação real. A verdade, porém, é que um grupo composto por aeronaves de diferentes características, como o que foi montado para o Exercício, é capaz de cumprir a missão C-SAR com eficiência, adaptando-se às mais diversas situações com flexibilidade e velocidade.

 Guerra de Informações

Aproveitando a oportunidade de treinar e aprimorar tanto as técnicas e procedimentos de planejamento e gerenciamento de operações de grande porte, a Força Aérea Brasileira aproveitou a CRUZEX III para avaliar suas capacidades de gerenciar o serviço de comunicação social, em conjunto com estagiários de jornalismo.

Esta atividade, desenvolvida dentro do ambiente simulado, paralelo ao exercício real, envolveu a divulgação de notícias fictícias, tanto pelo País Vermelho como pelo País Azul, que geraram demanda por esclarecimentos e exigiram a movimentação do setor de relações públicas dentro de várias instâncias da cadeia de comando do exercício.

Juntamente com o aprimoramento da capacidade de lidar com o tráfego aéreo civil em uma situação de crise, esta faceta do Exercício prepara a FAB para gerenciar o fluxo de demanda por informações para a população civil em situações de crise.

Além do treinamento do próprio pessoal da Força Aérea Brasileira, a participação de um professor universitário e alunos de jornalismo possibilitou uma maior integração entre a comunidade civil e as forças armadas, além de viabilizar uma troca de experiências que, sem dúvida, gerou dividendos à sociedade. 
 
 
 

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