Incursex 2006 PDF Print E-mail
Wednesday, 12 November 2008 16:42

 

 Introdução

Dentro do circuito de treinamento regular dos Fuzileiros Navais do Brasil, o Exercício Incursex 06 representa uma simulação de ataque anfíbio que testa as habilidades de planejamento da Força de Desembarque (ForDbq) assim como a capacidade do seu comando de se re-adequar às mudanças da situação no solo produzidas pelos oficiais do GruCon, o Grupo de Controle, os juízes deste exercício. A máxima que bem explica este exercício é:

“Não existem planos que sobrevivam ao primeiro dia da guerra”.

O cenário criado apresentava dois países fictícios, Alfa e Bravo, que, naquele momento, viviam momento de grave acirramento das tensões entre eles. Em função de uma seqüência de atitudes políticas do governo de Alfa, que o governo de Bravo julgou terem uma conotação excessivamente agressiva, este ordenou então que sua Marinha realizasse uma incursão anfíbia de pequena escala dentro do território de Alfa visando fotografar e posteriormente demolir um importante e secreto centro de controle de armamentos.

Passe o mouse sobre as fotos e veja as legendas.

No fim de semana que antecedeu a Incursex foi realizado o processo de carregamento dos militares e de seus veículos no NDD Ceará. Os Fuzileiros que seriam transportados no NDD foram embarcados no Arsenal de Marinha na Ilha das Cobras no Centro do Rio. Os CLAnfs saíram na segunda-feira de sua base na ilha das Flores em São Gonçalo, navegando independentemente pela Baía da Guanabara até encontrarem o NDD num ponto próximo à Ponte Rio Niterói. Neste processo, cada CLAnf entra no convés alagado (Well Deck) do navio anfíbio e gira 180 graus no seu interior para estacionar no fundo já voltado para a saída. A EDCG, a lancha de desembarque já chegou ali carregada com os M-113/125 e com os carros de combate SK-105. Elas tem dimensões muito maiores que os CLAnfS e, obviamente, não são manobráveis na parte seca do Well Deck o que faz com que elas sempre sejam acomodadas por último no navio. Toda esta faina de carregamento ocupou o NDD Ceará por mais de dois dias.

Lemes
Porta Batel
Estabilizador

 O Campo de Itaóca

Um desembarque anfíbio exige muito espaço para sua realização, para isso os Fuzileiros contam com a a ampla área de Itaóca. A praia de Itaóca descreve um arco côncavo delicado ficando ao lado do ponto em que o Rio Itapemirim encontra o oceano. Este fato explica as duas distintas cores da água naquela região, marrom próximo à praia e azul esverdeado mais para fora. Localizado ao norte do balneário capixaba de Marataízes, próximo à fronteira com o Estado do Rio, o campo se posiciona de frente ao Oceano Atlântico. [20°57'28.92"S 40°48'58.38"W] Entre o Mar e o campo passa a Rodovia do Sol (ES-060), uma estrada asfaltada que liga Vitória aos balneários do sul do Espírito Santo. Uma grossa faixa de vegetação separa a praia do acostamento da estrada. Do outro lado do asfalto, uma cerca alta coberta de plantas esconde o descampado do acampamento militar rústico. Construções definitivas aqui são poucas, um prédio administrativo com acomodações para Oficiais Generais, um refeitório coberto com cozinha industrial montada e três banheiros grandes: para soldados, sargentos/suboficiais e um último para os oficiais.

O terreno foi sendo comprado pela Marinha ao longo dos últimos anos, em partes, existindo algumas fazendas e sítios devidamente cercadas no interior. Durante o exercício caminhões que trazem a areia extraída da área, cruzam sem alarde com os veículos blindados camuflados do CFN, uma cena que dificilmente ocorreria desta maneira numa situação de guerra real. Ao fundo daquela grande planície aberta, ficam as montanhas da Serra do Mar, separando-nos do vale por onde serpenteia a rodovia BR-101. O solo de Itaóca oscila entre o barro compactado com mato rasteiro, e um areal bem branco nos outros trechos. Também existem trechos de árvores densamente agrupadas que são usadas para encobrir o movimento e a posição dos veículos e das tropas desmontadas.

CCM do NE Brasil

 O Desembarque

O NDD Ceará chegou à praia de Itaóca na noite da terça-feira e fundeou esperando as ordens de desembarque. Junto com ele veio o Rebocador de Alto Mar (RbAM) Almirante Gilhobel, que cumpre um papel essencialmente de segurança, podendo rebocar a EDCG pra longe da praia caso ela sofra alguma pane mecânica.

A primeira vaga de desembarque consistiu de quatro CLAnfs que deixaram o NDD Ceará antes do nascer do sol da quarta-feira. Os quatro veículos seguiram a lancha guia do Ceará numa trajetória paralela a praia até que fosse identificada a fumaça de balizamento produzida pelos mergulhadores do GruMeC que na noite anterior chegaram à praia para garantir que ela estava segura para o desembarque.

Às 5h50 da manhã os geradores de fumaça rosa/alaranjada e as lanternas de alta potência já indicavam o melhor trecho para o desembarque dos CLAnfs. A conformação dos bancos de areia na arrebentação, assim como a proximidade dos locais de esconderijo, idealmente cobertos com arvores são pontos chaves nesta escolha do terreno. Os veículos navegaram em fila indiana até alcançar a altura do ponto denominado “Praia Azul”. A Lancha guia retornou para o Ceará e os CLAnfs guinaram para a esquerda, navegando em paralelo em direção à praia, eles tocaram a areia quase que simultaneamente. No seco, os “Hidrojets” que os impulsionavam no mar são desengatados e as lagartas assumem a tarefa de colocar o blindado na praia.

Tão logo estavam os quatro veículos na horizontal, sobre a areia, três deles viraram e seguiram para o norte em fila indiana. Pressa neste momento é fundamental, pois ficar parado na praia descampada seria uma opção suicida mesmo para veículos blindados. Um pouco adiante os veículos fizeram a curva à esquerda e cruzaram a estrada asfaltada com cuidado para entrar na área do exercício por uma estrada vicinal não pavimentada ao lado do terreno ocupado pelo GruCon. Por questão de segurança toda a praia, restinga e o trecho de rodovia diante do campo de Itaóca, foram, desde a noite anterior, completamente ocupados pela tropa de policia dos FN. Os curiosos que se aglomeravam já cedo, eram mantidos longe e uma vez que os CLAnfs e blindados estavam prontos para cruzar a estrada o trânsito de carros e caminhões foi interrompido. O quarto veículo foi para o sul recolher uma tropa que que não estava embarcada no NDD Ceará. Ao retornar pela praia alguns minutos depois ele parou um momento para que um de nossos colaboradores subisse a bordo.

Acompanhando a tropa no CLAnf

Aberta a porta traseira, cerca de 20 fuzileiros compenetrados com camuflagem no rosto olham para o repórter que entra colocando o capacete com tampão de ouvido. Tudo ocorreu rápido, ele se postou no fim do longo banco central, sem apoio nas costas e pouco confortável enquanto o CLAnf se movia bruscamente.

Nova parada, desta vez para a entrada de mais gente do GRUCON. Dentro do veículo o nível de ruído é bastante alto devido à proximidade do motor. Mas ele é surpreendentemente amplo, alto, cabendo pouco mais de 20 fuzileiros carregados, além dos três tripulantes. Tendo em vista o seu tamanho é difícil acreditar que possa ser anfíbio e que navegue alguns km para chegar ao NDD ! A visibilidade interna é nula, e os soldados não tem nenhuma referência de onde estejam indo e tentar manter um diálogo é um grande desafio lá dentro.

Pouco antes de 6h30 o CLAnf pára à espera de novas ordens, e fica na lateral de uma estrada de terra. Sempre com o motor em ponto morto, pronto para arrancar se necessário.

Para diversas eventualidades, nas paredes do interior do CLAnf existe uma ampla variedade de material de reparo e de emergência. Uma nova partida e após uns 15 ou 20 minutos em movimento e finalmente o CLAnf parou para desembarcar a tropa. A ampla rampa traseira se abriu e nosso repórter saiu antes mesmo da porta tocar o solo. Os fuzileiros saíram, uma parte se dispersou rapidamente para vigiar a região, e outra ficou desembarcando material e cuidando de tarefas burocráticas. Uma destas atividades foi montar a camuflagem do CLAnf com uma rede especial, que vista de longe parecia ser composta de folhas de árvores.

A leva seguinte era composta por dois carros de combate Sk-105, um blindado compacto e mais leve, mas armado com um canhão de 105 mm, dois transportes de tropas M-113 e dois M-125. Todos eles vieram do NDD Ceará a bordo de um lanchão de desembarque, chamado na MB, de Embarcação de Desembarque de Carga Geral ou “EDCG”. Esta lancha abica de frente na areia e se firma na posição ao arriar um esporão localizado na popa que evita que as ondas a arrastem de sua posição. A proa da EDCG quando arriada se transforma em rampa para permitir a saída dos veículos blindados. Infelizmente na data deste exercício apenas o NDD Ceará entre os vários navios de desembarque da MB estava disponível para participar da Incursex, por isso um segundo grupo de militares veio do Rio de ônibus na véspera para se juntar na praia aos que desembarcaram do navio. Em função disto a terceira vaga do desembarque teve de ser no planejamento virtual, nela um outro EDCG traria as tropas que na realidade vieram de ônibus. A quarta vaga, outros quatro CLAnfs, um dos quais o de resgate/socorro, só desembarcou depois do almoço e trouxe o CF Marcos Freire comandante do Humaitá. O Imediato, CC Barbosa, comandou a primeira vaga, esta seqüência visa preservar a cadeia de comando no meio de um processo arriscado como um desembarque. Caso os veículos da primeira vaga tivessem sido destruídos pelo inimigo, o comando teria sido mantido desde o navio. Uma vez garantida a segurança do Imediato do Humaitá o Comandante pode se expôr aos riscos do desembarque. Qualquer infortúnio que atinja ele o Imediato já posicionado em terra assume imediatamente o comando do Componente de Combate Terrestre, o CCT. Dois dos CLAnfs permaneceram no NDD como reserva, caso algum problema ocorresse com algum dos demais.

Pouco tempo depois duas VBTP (Viatura Blindada de Transporte de Pessoal) M-113 A1 se juntaram ao CLAnf, assim como uns três Defender do GRUCON. Logo a seguir, no entanto, os M-113 pegaram estrada novamente avançando ainda mais.

Os carros de combate SK-105 e os demais blindados também foram para a estrada que dá acesso ao interior do continente e se camuflaram embrenhando-se na mata existente nas suas laterais. Neste momento o objetivo maior é se esconder dos observadores inimigos. Numa situação real os veículos provavelmente evitariam as estradas e cruzariam pelo terreno seguindo o caminho mais curto e mais seguro. Em Itaóca, considerações práticas mantém os veículos blindados bem longe das hortas e das cercas das fazendas e sítios locais. Esta preocupação do mundo real reduz o número de possibilidades de vias de acesso para os atacantes, aumentando a possibilidade de encontro das tropas inimigas com o as tropas da Incursão.

 A caminho do alvo

A primeira barreira identificada pelo CCT foi uma ponte destruída sobre um riacho na estrada em direção ao alvo. Segundo informações de inteligência (entregues pelo GruCon, obviamente) toda a região ao redor da ponte está minada o que exige a intervenção dos Pioneiros. Esta unidade é treinada especialmente para a remoção de minas e de ameaças semelhantes. Até que os Pioneiros cheguem no local os veículos terão de esperar nas suas posições camufladas. O tempo parado foi estipulado em uma hora para a passagem dos soldados a pé ou três horas para a passagem dos veículos. Este é exatamente um daqueles momentos em que o comandante do CCT tem que fazer uma escolha critica, entre aguardar mais tempo ou seguir em frente a pé. Desta vez sua opção foi por aguardar as três horas.

A varredura do campo minado envolve uma equipe de uns seis fuzileiros do GruPion, ou Grupamento de “Pioneiros”. Os Fuzileiros empregam minas de treinamento que, excluindo a carga explosiva, simulam perfeitamente uma mina verdadeira. Este sistema de instrução permite ao fuzileiro saber se detectou, ou não, a mina em tempo, antes de sua detonação, assim como se conseguiu desarmá-la corretamente. Um militar varre o caminho com um sensor magnético de minas anti-pessoal e anti-veículo, um segundo sensor magnético, de reserva, está nas mãos de outro fuzileiro, outros demarcam as trilhas do terreno que já foi varrido, e, para proteção, os demais fazem a cobertura armada da área.

Terra adentro

Com o decorrer do dia chega a hora dos militares se alimentarem. A ração empregada pelos Fuzileiros é farta, compreendendo um saco plástico com três refeições bem generosas. O café-da-manhã incluía tabletes de cereais com frutas, leite e achocolatado além de salsichas. O almoço tinha picadinho de carne ao molho e arroz, repositor hidroeletrolítico, café capuccino, bala de goma e rapadura. O jantar trazia espaguete com molho de carne, tabletes de cereais com frutas, leite e chocolate liquido, repositor hidro-eletrolítico, balas de caramelo de leite, café capuccino e rapadura. Além disso como acessórios vinham: fogareiro portátil, combustível gel, caixa de fósforos, comprimido para desinfetar águas e papel para múltiplos fins.

 

Finalmente o comboio de ataque pôde prosseguir pouco depois de 12h00. Neste exercício eram apenas dois SK-105 representando um força maior de 5 carros de combate. Depois de poucos minutos em movimento os SK-105 pararam à espera de ordens, e executaram um verdadeiro "balé" com suas torres varrendo setores angulares diferentes em posição de vigilância defensiva. Prosseguindo eles entraram no areial, o Defender com sua tração reduzida aceitou o desafio, porém, não na mesma velocidade dos SK-105 com suas lagartas.

Os SK-105 avançaram rápido demais e por isso chegaram perto do riacho se deparando, então, com um segundo campo minado fictício, logo o GRUCON penalizou o comboio de ataque com alguns baixas, cinco ou seis tropas, 1 SK-105, 3 horas de parada para reparar os danos nas lagartas de outro SK-105 e a varredura do campo minado. Como eram 5 SK-105 simulados, então os 2 SK-105 reais continuaram no exercício. O processo de reparo é bem realista, a tripulação do SK-105 simula realmente o uso de ferramentas e o tempo necessário para reparar as lagartas do SK-105 atingido pelas minas. A penalidade de três horas de espera foi longa sob sol intenso.

Às 13h00, com os primeiros veículos em terra, devidamente seguros e camuflados, é dada a ordem para desembarcar os quatro CLAnfs da quarta vaga, o Cte Marcos Freire segue nela para assumir o comando assim que os dois grupos se reunirem em terra.

Varrido o caminho, os veículos avançam através de uma estreita passagem com cerca de sete metros de largura. Mas para sua surpresa, logo adiante, vêem o mesmo cenário repetido, ponte destruída e margens minadas. São mais três horas de pausa forçada. As leis internacionais obrigam que zonas minadas sejam claramente identificadas. No entanto isto nem sempre ocorre, levando a trágicas conseqüências, como verificado em Angola e na América Central. Nestes locais milhares de civis foram, e continuam a ser vítimas, das minas antipessoal esquecidas para trás. Mas, às vezes na guerra de minas, um campo minado demarcado pode na realidade não passar de um perigoso blefe. A única forma de se saber ao certo é confiar nos Pioneiros e as suas habilidade ou procurar por pistas acidentais. Alguns campos minados só são reconhecidos devido à existência de cadáveres de animais grandes, como vacas e cavalos, na região.

  

O valor do bom planejamento

Superadas as duas áreas minadas os veículos seguiram em velocidade para o alvo principal, no entanto o Comandante do CTT decidiu fazer uma última parada antes de chegar lá. Numa colina adiante um pouco mais elevada, existia um GC inimigo posicionado para observar e controlar a aproximação dos atacantes.

Durante o planejamento foram identificados cinco Pontos de Bloqueio, os PBlq, locais que se devidamente conquistados poderiam atrasar ou mesmo interromper a chegada dos reforços inimigos. Para além destes pontos existem quatro pontos de vigilância, os PVig onde elementos do Batalhão de Operações Especiais (Toneleiro), aguardam perfeitamente camuflados qualquer sinal da mobilização do inimigo. Estes soldados foram inseridos por pára-quedas 24 horas antes do desembarque para que possam ter tempo de chegar em segurança aos seus PVig. A tropa de reserva da incursão foi deixada na proximidade da praia para poder ser acionada caso os reforços inimigos dessem sinal de estarem chegando para repelir a incursão.

Se considerarmos que os meios militares serão sempre restritos, e a superioridade numérica do atacante é indispensável para o sucesso de um ataque, o processo de planejamento tem de ponderar de forma muito judiciosa o que fazer com os PBlq, os Pontos de Bloqueio. Qual a força que deve ser deslocada para lá? Quais PBlqs são mais críticos? Uma Força de Assalto maior pode reduzir o tempo da missão? Uma missão mais curta pode se encerrar antes que os reforços inimigos sequer cheguem aos Pontos de Controle? Essas são as perguntas que passam pela cabeça do Comandante da ForDbq, embora seu Estado Maior tenha a tarefa de criar pelo menos três linhas de ação distintas para a execução da missão, a escolha final é do Comandante e de mais ninguém.

O conflito

Aqui tudo era simulado, nenhum tiro foi real: as tropas de ataque na verdade representavam uma quantidade maior de fuzileiros, veículos e armas; os obstáculos (como campos minados e emboscadas) resultavam em avarias, baixas e atrasos na força de ataque.

O Oficial que comandava o ataque, planejou um ataque rápido ao objetivo (uma torre com a antena que comandava armamento inimigo), usando somente a infantaria, antes que mais veículos de combate terminassem de desembarcar. Seriam poucos grupos de combate (uns 11 homens em cada um) conduzindo 70 kg de explosivo, e pelos seus cálculos, o alvo localizado a uns 6 km, seria alcançado até início da tarde, 13h, por aí. No entanto, este ataque inicial foi abortado, devido a metade de grupo de combate de reconhecimento ter sido dizimado. Cinco, dos seus seis infantes, foram mortos, simuladamente, ao enfrentar resistência mais dura do que o esperada no seu avanço. Assim foram se acumulando atrasos no plano de ataque, o que forçou o comandante a esperar a chegada de mais reforços de pessoal e material para cumprir a sua missão.

Na Incursex havia um oficial estrangeiro acompanhando as tropas no solo como observador, o Tenente-Coronel Marcos Grijalva da Infantaria Marinha do Equador. A bordo do NDD Ceará ficou um oficial da Marinha do México observando o outro lado do exercício.

 O ataque final e o 2º dia de Operações Terrestres

Devido à baixa umidade verificada naquela região, a despeito de estarmos acampados próximos ao mar, a temperatura durante a noite em Itaóca despencava logo após o por do sol. Nas duas noites que passamos lá a temperatura alcançou um mínimo de 10 graus centígrados. Se o frio era duro de suportar nas barracas do GRUCON imaginem no meio do mato onde as tropas estavam dispostas.

Novamente a aurora foi às 4h45. Na barraca do GruCon, corriam os preparativos, notícias do deslocamento das tropas de ataque durante à noite para adiantar o ataque. Os mapas usados aqui eram tanto os de papel plastificado, com inúmeras "bandeiras" indicando as posições das tropas de ataque e defesa, assim como os digitais. O SAE (Sistema de Avaliação de Exercícios) mostrava o mapa num telão com o eixo de progressão das tropas de ataque, estado das tropas via uma barra horizontal (100% sem baixas e panes, 50% com metade, etc). Os laptops com o software COC-Digital (Centro de Operações de Combate-Digital) também mostravam mapas e mensagens.

Chegamos ao local do ataque pouco depois das 7h. Era uma colina onde havia a antena de controle de armamento, sendo que as tropas azuis estavam defendendo essa posição. A antena era simulada, e teria 20 m de altura, 10 m de base e de parábola. Os atacantes tinham que tomar a posição da colina e destruir com explosivos a antena. Em frente à colina do alvo havia uma outra colina e as estradas de acesso, por onde as tropas de defesa esperavam que os veículos blindados atacantes viessem. Para a direita havia outras colinas mais distantes, e à esquerda uma colina mais alta e relativamente próxima. Cerca de 9h00 foram vistas algumas poucas tropas inimigas descendo a colina à frente, uns 1,5-2 km de distância. Perto das 10h, uma surpresa: um SK-105 apareceu na base de uma colina à direita, a um pouco mais de 1 km de distância, e realizou alguns disparos contra as tropas de defesa. Como este Sk-105 não recuou depois dos disparos, ele foi “destruído” pelas armas anti-tanque da defesa.

Às 10h40, aproximadamente, uma surpresa maior ainda: as tropas de ataque desceram uma colina alta e próxima localizada à esquerda ! As tropas de defesa se re-posicionam, mas já era tarde demais, face ao avanço do ataque de infantaria, a defesa teve de recuar e desguarnecer a antena. As tropas de ataque então subiram a colina e a tomaram, enquanto as tropas de defesa fugiam ao longe procurando tão somente salvar suas próprias vidas. Elas subiram uma colina baixa para se esconderem, sendo alvos fáceis dos fuzis das tropas de ataque. Finalmente, uma equipe de demolição colocou os explosivos na base da antena e pouco depois a mesma foi destruída. Fazendo seu papel, um oficial do GruCon questionou se a quantidade de explosivos a ser empregada inicialmente bastava para realizar a missão, e com isso a tropa de ataque teve que trazer mais explosivos atrasando a destruição do alvo.

 A Retirada

A aposta de concentrar os Pelotões de Reforço na Retaguarda para realizar uma ação focada, assim que os movimentos inimigos se evidenciassem, deu resultado, As “tropas inimigas” que vieram de Vitória entraram por uma estrada vicinal que passa por trás da cidade de Itaóca, ao norte da Zona de Desembarque. Prevendo isso, os Fuzileiros tomaram antecipadamente uma estreita garganta e efetivamente bloquearam a mobilização dos inimigos. As tropas atacantes, em segurança, recolheram para a região protegida de florestas na proximidade da praia e aguardaram a instrução de carregar seus veículos na EDCG. Os obstáculos foram contornados, o planejamento produziu um ataque exitoso e as lições foram aprendidas. Na realidade, o quadro completo deste exercício só se revelará em algumas semanas quando todos os dados e informações coletadas junto às diversas unidades empregadas sejam compilados para produzir um debriefing final, as conclusões serão usadas para retro-alimentar os cursos de especialização assim como as estratégias de emprego da Força de Fuzileiros da Esquadra e da Marinha do Brasil.

Às 15h foi preparado o embarque de alguns veículos blindados em uma lancha de desembarque. Eram 4 M-113 e 2 Sk-105. Porém as condições do mar não estavam boas para garantir a operação da EDCG na praia, decidiu-se adiar toda a faina para sexta-feira de manhã às 6h00. O dia se iniciou com névoa baixa, que, junto com o nascer do sol, produziu imagens espetaculares.

A Organização da Incursex

Anfíbio: Termo derivado da palavra grega “Amphibios”, animal ou planta que leva uma vida dupla, adaptada tanto à água quanto à terra. No decorrer do século 20 esta expressão ganhou um novo sentido no contexto militar: tropas que a partir de meios navais desembarcam em terra para dar inicio a uma invasão do território inimigo. Passagens como o desembarque da Normandia, Iwo Jima, Okinawa e tantas outras batalhas decisivas da Segunda Guerra Mundial, marcaram no imaginário coletivo a bravura e a importância deste tipo de ataque, assim como, do vital papel dos Fuzileiros Navais, as tropas Anfíbias por definição.

A unidade maior de uma operação de desembarque como a Incursex é a Força Tarefa Anfíbia (ForTarAnf) que agrega todos os elementos no teatro de operações incluindo aí a tropa de desembarque, os veículos, navios e meios aéreos. Subordinado ao Comando da ForTarAnf está o Comando da Tropa de Desembarque uma unidade dos Fuzileiros Navais nos moldes das Divisões da Esquadra (Div) que assume o comando das diversas unidades dos FN assim que ela parte para um exercício ou para uma situação de combate. O CdoTrDbq não desembarca da nau capitania da Unidade Anfíbia. De baixo do CdoTrDbq fica o Comando do Componente de Combate Terrestre que normalmente é o Comandante do Batalhão de Infantaria que nucleia o CCT. Este é o grupo que irá efetivamente desembarcar e conduzir as operações de combate em terra.

No NDD Ceará, duas áreas foram separadas para uso pelos FN, na asa de bombordo do passadiço se encontrava o Comando do Componente Terrestre, (e Comandante do BI Humaitá) CF Marcos Freire e seu Estado Maior em contato permanente com as tropas de terra e com os demais níveis hierárquicos nesta missão. A meia nau, acima e de frente para o grande convôo do NDD se localizava o Estado Maior do CMG Queiroz, o Comandante da Força de Desembarque que apoiou a ação do CCT. O CMG Viveiros dividiu seu tempo entre estes dois lugares e o passadiço do seu navio.

O GruCon fica sempre em terra, exercendo suas tarefas desde um Posto de Comando montado na grande barraca semi-cilindrica climatizada, armada especialmente para este exercício no campo de Itaóca. Os oficiais do GruCon também são enviados para acompanhar as tropas no chão e anotar passo-a-passo o seu comportamento diante dos empecilhos que são criados para testá-los. Estas dificuldades são inseridas para garantir que o exercício, estimado para durar dois dias, não seja tão fácil ao ponto de se encerrar em poucas horas. Se isso acontecesse o alto custo do deslocamento até o Espírito Santo seria desperdiçado. Quanto mais desafios forem lançados contra as unidades do CCT, maior o esforço e maior a provação sofrerá o seu Comando. A flexibilidade e a capacidade de adaptação são a maior lição que se pode extrair de uma Incursex. O Comando da Força de Desembarque deve ser capaz de planejar a ação da melhor forma possível e também tem de conseguir reprogramar suas ações e sua estratégia de combate, imediatamente, a cada revés ou novo desenrolar dos fatos.

A equipe do GruCon é formada essencialmente de oficiais oriundos do Estado Maior (Operações) da Força de Fuzileiros da Esquadra. O Grupo de Controle manobra e aciona as “forças de oposição”, ou o “figurativo inimigo” como eles são chamados na Marinha.

O desafio da realidade. A tarefa do GruCon

O Comando do GruCon tem o papel de criar o cenário e alimentar o Comando da Força de Desembarque (ComForDbq) com informações necessárias para que ele planeje a seqüência de suas ações. Munidos de mapas da região do desembarque o Estado maior Geral e Especial se juntam para assessorar o Comandante do Batalhão Humaitá a fazer seus planos. O Estado Maior Geral é aquele que pertence ao Batalhão Humaitá, incluindo as funções de Pessoal, Inteligência, Logística e Operações. O EM Especial inclui os oficiais de ligação das demais unidades que comporão a Força de Desembarque: Artilharia, CLAnfs, Blindados, Engenharia e Comunicações. Durante o planejamento três cenários são propostos e hierarquizados em termos das três medidas básicas: Adeqüabilidade, Exeqüibilidade e Aceitabilidade. O primeiro parâmetro determina se com a ação escolhida o objetivo da missão pode ser alcançado. O Segundo determina se os meios disponíveis permitem que o plano seja cumprido, e finalmente o último determina se o número de baixas previstas seria aceitável. Cada uma das três hipóteses apresentará resultados distintos e a que melhor se comportar neste teste, será a escolhida pelo comandante da Força de Desembarque.

 

O objetivo está em realizar o desembarque na praia com segurança, fotografar e depois destruir da mais eficiente forma possível o edifício de controle de testes de armamento do país inimigo. Para tanto a tropa anfíbia deve além de executar o ataque ter meios para monitorar e atrapalhar a movimentação de tropas de reforço do inimigo. Todo o processo de comunicações é previsto com canais primários e secundários determinados para a comunicação entre o GruCon e os diversos participantes do exercício, entre o CCT e o Comando da Força de Desembarque. Neste exercício é verificado por um destacamento da unidade de Guerra Eletrônica dos Fuzileiros Navais que presta assessoria ao GruCom monitorando e gravando tudo que foi transmitido por rádio ao longo do exercício. Esta iniciativa permitirá confirmar se as unidades envolvidas nesta Incursex, mesmo no calor da “batalha” estão seguindo os procedimentos estabelecidos e mantendo a segurança de dados e voz. Esta será outra fonte importante de dados para o debriefing final.

 Os meios de desembarque: AAV-7A/A1; SK-105; M-113 e M-125

Neste exercício foi possível utilizar uma grande variedade de veículos diferentes, cada um especializado em uma função. Os SK-105 A2S são carros de combate leves (18,5 ton.) que, no entanto, contam com um canhão de 105mm com boa capacidade de destruição e visão térmica independente para os três tripulantes : comandante, atilheiro e motorista. Devido ao seu peso reduzido o SK-105 pode ser transportado nas EDCG sem dificuldade. O M-113 é um Veículo Blindado de Transporte de Pessoal (VBTP) um clássico, em serviço contínuo desde a Guerra do Vietnam este veículo pode carregar até 11 soldados equipados em relativa segurança em uma velocidade de quase 70km/h sobre terrenos não pavimentados, isso porque o M-113 se locomove sobre lagartas. O M-125 é uma especialização do M-113 básico, os dois sendo muito semelhantes no exterior uma vez que o lançador do morteiro de 81 mm fica instalado no interior do veículo disparando por uma abertura no seu teto.

Os CLAnfs ou AAV (Amphibious Armoured Vehicle) foram criados no final da década de 70 para atender aos requerimentos dos Marines americanos que precisavam de um veículo que fosse autônomo e ágil saindo direto do navio desembarque doca para a praia e para além da Zona de Desembarque. Dispensando o uso das lanchas EDCG a operação de desembarque fica mais simples, ágil e mais segura. Existem duas versões em uso atualmente no Brasil, onde apenas a mais moderna conta com "Bow-plane", uma lamina de aço móvel na frente do blindados que faz o papel de casco de lancha permitindo atingir velocidades maiores ao navegar no mar.

Guerra Baseada em Redes ( NBW )

Cada passo das unidades em terra e cada decisão do CCT era anotado pelo GruCon para permitir um debriefing detalhado posterior.

Naquele planejamento do ataque ficou patente a importância operacional do emprego do COC (Centro de Operações de Combate) Digital portátil. O COC Digital acompanha graficamente cada uma das unidades no campo do exercício contra um mapa digital detalhado do terreno. Este programa também utiliza um cartão PCMCIA, com receptor GPS acoplado, que identifica minuto a minuto a sua precisa localização no ambiente do exercício. Este programa roda num laptop militarizado da marca Kontron bem mais robusto que os normais. O Notebook é acoplado via cabo serial a um rádio militar com salto de frequência e criptografia para informar suas posições ao computador central do GruCom rodando o sistema SAE.

Por sua vez o Sistema de Avaliação de Exercícios é um instrumento do GruCon que calcula automaticamente as perdas e danos incorridos a cada unidade de combate a partir de uma série de parâmetros passados pelos juízes no campo. Assim se sabe quem ganhou, quem perdeu e quais as baixas sofridas por cada lado, tanto em termos humanos quanto materiais. Para se ter uma idéia o sistema calcula até quanta munição restou após o combate em um GC – Grupo de Combate. Um gasto excessivo de munição pode exigir um tempo a mais parado, apenas para aguardar o comboio logístico alcançar o resto da tropa avançada.

Cada unidade é identificada no mapa digital por um ícone padrão e adicionalmente apresenta uma barra, semelhante à usada em videogames para definir o nível de desgaste que aquela unidade sofreu. Este sistema hoje, mais do que uma ferramenta de controle de exercícios, evoluiu para o COC Digita,l um sistema capaz de dar aos comandantes no campo, uma visão mais global do campo de batalha. Seguindo uma padronização com outros sistemas semelhantes na Marinha do Brasil, ambos os sistemas foram desenvolvido em linguagem Delphi usando bancos de dados Firebird.

O SAE funciona sob plataforma Windows, atualmente Windows XP, e rodava em notebooks Compaq "grandes" (tela de 15", uns 3,5 kg cada). Começou a ser desenvolvido em 1987 em Clipper, com módulo texto e de cadastro. Depois mudou para Access e Delphi. Desde 2002 a última versão apresenta três módulos: cadastro, plotagem gráfica (mapas), e consulta/avaliação. São cinco os programadores e analistas de sistemas. Tal como dito antes, o SAE exibe mapas com vários detalhes, como o eixo de progressão das diversas tropas, estado das tropas, descrito via uma barra horizontal (100% sem baixas e panes, 50% com metade, etc).

O COC-Digital usa a mesma equipe de desenvolvimento do SAE, e também utiliza Delphi e FireBird. Em 2004 foi testado inicialmente em notebooks normais Compaq. Em 2006 começou o uso de 8 notebooks robustecidos (norma MIL-810 militar, protegidos contra água e poeira) da marca Kontron (Pentium Centrino 1,3 GHz, WinXP, a porta serial sendo utilizada para se comunicar com o rádio militar, pesando uns 2-2,5 kg). Esta Incursex foi o segundo exercício em que estes micros foram usados com seis unidades desses notebooks espalhadas entre a tropa e o NDD Ceará. Os Fuzileiros possuem também dois sub-notebooks Toshiba Libretto pesando cada um menos de 1 kg. Se a experiência de uso der certo então seriam adquiridos novos notebooks/tablet PCs na faixa de 1 kg, porém devidamente robustecidos.

Além disso existe um projeto de se portar o COC-Digital para a plataforma Palm OS. Para tanto, já foram adquiridos 2 Palm Zire 72, e atualmente estão definindo qual a linguagem de programação mais adequada, se C/C++, Java, ou outra. A idéia é usar PDAs Palm robustecidos distribuídos para colocar on-line os pelotões e os grupos de combate, pois esta plataforma tem a vantagem adicional de ser bem pequeno. Com o advento de novos rádios militares mais compactos sendo comprados pelos FN haverá uma substancial diminuição de peso e volume no hardware para rodar o COC-Digital. Uma limitação da configuração atual é depender da porta serial, um padrão praticamente descontinuado na microinformática civil, para poder se conectar aos rádios agora em uso.

O Batalhão Humaitá

A Força de Fuzileiros da Esquadra conta com três Batalhões de Infantaria todos batizados em homenagem às grandes batalhas da Guerra do Paraguai: Riachuelo, Humaitá e Paissandu. O Batalhão Tonelero, por sua vez, é o único especializado nas tarefas de Operações Especiais e cede seus efetivos para compor forças nucleadas ao redor dos demais Batalhões de Infantaria. Devido ao atual comprometimento do Brasil nas Tropas de Paz da ONU em operação no Haiti , a cada período de seis meses um dos três batalhões de infantaria é enviado para aquele país. Neste ínterim, os demais Batalhões de Infantaria se encontram em diferentes estágios de preparação para recompletar suas habilidades militares. Novos praças e oficiais chegam e devem ser treinados para recompor a unidade em toda sua plenitude. Eles serão preparados para em no máximo 18 meses retornar ao Haiti.

No período exatamente anterior à Incursex o Batalhão Humaitá estava mergulhado em adestramentos que preparariam seus efetivos para o desafio esperado em Itaóca. Vários dos soldados que participaram deste exercício foram fotografados, por nós, poucas semanas antes na conclusão de seu estágio no CIAMPA.

Conclusão

Desembarques maciços como os da 2ª Grande Guerra, devem ser cada vez mais difíceis de vir a ocorrer. No entanto, desembarques pontuais, em trechos pouco defendidos da costa, seguidos ou não de retiradas, são cartas que não somente permanecem nas mangas dos planejadores militares, como não podem fazer falta. A alta mobilidade e a alta velocidade de mobilização, característica das tropas anfíbias são um trunfo determinante em uma situação de resgate de reféns ou de cidadãos brasileiros presos numa situação de conflito de terceiros. A atual crise passada no Líbano e sua conseqüente situação de calamidade pública com centenas de milhares de refugiados, sugere que, cada vez mais o Brasil pode ter de fazer uso de seus Fuzileiros e dos meios de desembarque anfíbio da Marinha do Brasil para resolver crises internacionais exercendo um papel essencialmente não-combativo, mas igualmente vital.

O nosso justo envolvimento na MINUSTAH segue sem data concreta para o desmantelamento das forças da ONU no Haiti. Para os Fuzileiros a experiência colhida naquele país caribenho é uma oportunidade única, que, além de acelerar a interoperabilidade com as diversas unidades do EB, colabora para desenvolver cada vez mais as tropas e oficiais do CFN. O envio de tropas ao exterior estimula o aprendizado de idiomas e da arte de operações conjuntas com as forças armadas de outros países. Cabe ao Executivo estar consciente desta capacidade e que sejam criados meios de alocação emergenciais de verbas para viabilizar tais operações. Mesmo que não contemos com uma ameaça clara dentro do nosso continente, o novo mundo da globalização e das populações com múltiplas nacionalidades, sem duvida irá demandar maior proatividade dos nossos governantes e dos nossos militares. Um novo século, com novos desafios, porém atendidos rápida e eficientemente pelos nossos guerreiros mais tradicionais, a Força de Fuzileiros da Esquadra. 
 
 
 

Translate

Browse this website in:

Busca Rápida
Serial
(FAB, MB ou EB)


Copyright © 2018 Base Militar Web Magazine. All Rights Reserved. Joomla! is Free Software released under the GNU/GPL License.