O Museu da Aviação Naval Argentina PDF Print E-mail
Wednesday, 12 November 2008 15:55

 

Todas as fotos foram tiradas pelo autor em 04/04/2006 e é expressamente proibida a reprodução sem autorização.

O Museu da Aviação Naval Argentina

Museo de la Aviación Naval Argentina (MUAN) está localizado na entrada da Base Aeronaval Comandante Espora na cidade de Bahia Blanca – província de Buenos Aires. Na década de 80, alguns pilotos veteranos da Aviación Naval Argentina se reuniram com o intuito de agrupar todos os aviões desativados, bem como documentos de valor histórico da instituição. Em 1988 foi inaugurado o museu, e ano a ano estão conseguindo aumentar o acervo, restaurando os aviões de maneira mais fiel possível.

A maioria dos países Latino-Americanos, pela carência de recursos, não conseguem se reequipar constantemente. Por esta razão, sempre utilizaram com maior cuidado procurando dar maior longevidade possível aos seus meios militares. Há muito tempo a América Latina se tornou o maior celeiro de aviões raros, muitas vezes ainda em condições de vôo. Não é à toa que colecionadores e museus de países ricos tentam adquirir estes aviões, e não raras vezes acabam adquirindo peças únicas no mundo. Exemplos tristes temos inúmeros tais como:

No Brasil exportamos um B-17, vários H-16A Albatross , existindo propostas tentadoras para exportar o único Saab Scandia restante no mundo que está “preservado” no Museu de Bebedouro-SP . A Bolívia vendeu seu único P-47D Razorback; o Uruguai um P-51 e um Kingfisher; Honduras vários F4U-5 Corsair e etc. Os exemplos são muitos, e a própria Argentina se desfez de dois aviões raros sendo que o único Martin B-10 no mundo foi levado aos EUA, bem como um F4U-5N que hoje está na França ostentando as cores de um F4U-7 da Aviação Naval Francesa.

É evidente que um museu necessita de muitos recursos, mas são necessárias também pessoas lúcidas que consigam convencer instituições para que não se desfaçam destes aviões históricos; e no MUAN, grupos de voluntários lutam para colocar desde já aviões que por motivo de avarias não estão ativos. É o caso de um Super Étendard e um SH-3D Sea King, que este grupo consiga colocar essas aeronaves no acervo, antes de serem sucateadas como o SP-2H Neptune que foi salvo deste destino.

O curador do MUAN é o Capt.Av. reformado Félix Médici, veterano da Aviação Aeronaval, tendo pilotado C-47, Albatross, SNJ, F4U e T-28. Com muita paciência e entusiasmo ele mostrou todo o acervo, permitido também que visitasse o hangar de restauração.

O MUAN possui dois prédios:

-Salão histórico “Vice Almirante Hermes Quijada” aonde estão expostos fotos de todos os aviões que serviram a Aviação Naval Argentina, maquetes de aviões e do porta aviões “V-2 25 de Mayo” .

- Salão histórico “Condestado de 1º Joaquín Oytaben”. Esta sala foi o primeiro hangar da Aviação Naval Argentina , e estão expostos armas e equipamentos, incluindo um helicóptero Bell 47 ,um Alouette III e um mock-up do Aerospatiale AS-555SN Fennec. 

A grande maioria dos aviões está exposto numa área externa, que conta com uma réplica em tamanho natural da pista do convôo do porta aviões “ V-2 25 de Mayo”.

Serviço
Museo de Aviación Naval Argentina (MUAN) está localizado na entrada da Base Aéronaval de Comandante Espora na cidade de Bahia Blanca, e  dista 6 km do Aeroporto de Bahia Blanca. A melhor forma de ir para o museu do centro de Bahia Blanca é de táxi ou remis(auto fretado), e o preço é de $25,00 (R$1,00 = $1,40 ao cambio de abril/2006). Infelizmente não há táxis na porta do museu, sendo recomendável combinar com o motorista para vir buscar posteriormente.
Entrada Franca
Horário de visitas: de Segunda à  Sexta das 9:00 às 14:00
                              Sábado, Domingo e Feriados das 15:00 às 19:00
Telefone (02932) 487999 
info@muan.com.ar

site www.muan.com.ar

 As Aeronaves

Aerospatiale AS-316B Alouette III. Este Alouette sofreu avarias durante a Guerra do Golfo sendo agora preservado com a pintura original.

Aermacchi MB-326GB. Antes mesmo da Força Aérea Brasileira a Aviação Aeronaval Argentina começou a operar os MB-326. Foram adquiridos oito Aermacchi MB-326GB em 1969 (matrículas 4-A-101 a  4-A-108) e 11 EMBRAER MB-326GC ex-FAB em 1977 (matrículas 4-A-131 a 4-A-138 e  4-A-101, 4-A-102 e 4-A-104). Os três últimos receberam as mesmas matrículas de três Aermacchi MB326GB acidentados. Atualmente apenas um Aermacchi MB-326GB está em operação ( 4-A-105) , e seis EMBRAER MB-326GC sobrevivem (4-A-131, 4-A-133,4-A-134,4-A-135,4-A-137,4-A-104). Como os Xavantes da FAB eles estão no fim da vida útil, sendo que o MB-326GB preservado no museu é o que tem o maior número de horas de vôo: 4437 horas.

Aermacchi MB-339A. 10 MB-339 foram adquiridos em 1981(matrículas 4-A-110 a 4-A-119). O avião preservado sofreu um acidente com o acionamento do assento ejetavel em terra, estando portanto sem os assentos.Todos os MB-339 já foram desativados.

Passe o mouse sobre as fotos e veja as legendas.
Aerospatiale AS-316B Alouette IIIAermacchi MB-326GBAermacchi MB-339AChance Vought F4U-5 Corsair

Chance Vought F4U-5 Corsair. Um total de 27 Corsair foram adquiridos a partir de 1956. Eram  12 F4U-5NL, 12 F4U-5 e  3 F4U-5N. Receberam matrículas  3-A-201, 3-C-2, 3-A-203 a 3-A-207, 3-C-8, 3-A-209 a 3-A-212 , 3-C-13 , 3-A-214 , 3-C-15, 3-A-216 a 3-A-219, 2-A-220 a 2-A-222, 3-A-208, 2-A-215,2-A-202 ,3-A-202 e 2-A-213. Os da versão caça-noturno eram pintados de azul escuro.

Douglas A-4Q Skyhawk. 18 aviões adquiridos a partir de 1972 ( matriculas 3-A-301 a 3-A-318). Originalmente o 317 e 318 eram destinados para serem utilizados como peças sobressalentes mas acabaram sendo ativados. três deles foram derrubados na guerra das Malvinas;  quatro deles estão preservados na Argentina e um foi exportado para os EUA. O exemplar exportado (3-A-209) foi emprestado à Marinha Brasileira nos anos 90 para dimensionamento do convôo do “A-11 Minas Gerais ” antes mesmo da compra dos A-4KU.

Grumman S-2A Tracker. Um total de seis S-2A foram recebidos em 1962 recebendo inicialmente matrículas 2-AS-1 a 2-AS-4, 3-AS-5 e 3-AS-6.  Quatro deles exceto o 2-AS-2 e  o 3-AS-5  foram transformados em 1980 para avião de propósitos gerais recebendo a sigla “G” ao invés de “AS” de anti-submarino. O 3-AS-5 foi convertido para rebocador de alvos. O ultimo S-2A deu baixa em 1988. O Grumman S-2A matrícula 2-G-53 está exposto como gate-guard na avenida que dá acesso a Base Aeronaval de Comandante Espora. Foi transformado em Tracker para propósitos gerais em 1980, operando até 29/08/85 quando deu baixa com 6469,5 horas de vôo. O 2-G-51 possui uma pintura comemorativa por ter realizado de 1962 a 1987, 6724 enganches nos porta aviões “V-1 Independencia” e “V-2 25 de Mayo” .

Chance Vought F4U-5 CorsairDouglas A-4Q SkyhawkGrumman S-2A TrackerGrumman S-2A Tracker

Grumman TF-9J Cougar. Apenas dois Cougar foram adquiridos em 1962 (3-A-151 e 3-A-152). O segundo avião após ser desativado, foi exportado para os EUA recebendo a matrícula N24WJ e se acidentou em 31/10/91 com perda total. Por ocasião da compra os argentinos tinham preferência pelos Lockheed TV2 ou Temco TT1, mas os EUA vetaram a venda e ofereceram os Cougar. A carreira deles foi muito irregular por falta de sobressalentes, que estranhamente eram sistematicamente recusados pelos EUA.

Lockheed  P-2 Neptune. Aviación Naval operou um total de 16 Neptunes:  oito P-2E ( matrículas 2-P-101 a 2-P-108) ,  um  EP-2E ( matrículas 2-P-101) , três SP-2E (matrículas 2-P-103 a 2-P-105) e quatro SP-2H ( matrículas 2-P-110 a 2-P-112 e 2-P-114). As matrículas se repetem, pois foram utilizados em épocas diferentes : P-2E ( de  1958 a 1973) , EP-2E( de 1966 a 1981) , SP-2E ( de 1970 a 1981) e SP-2H( de 1977 a 1982).

O exemplar preservado juntamente com o 2-P-111 foi utilizado na guerra das Malvinas, e localizou e esquadrinhou o “HMS Sheffield” guiando os Super Etendard para ser posto a pique.

Lockheed  L-188E Electron. Os Electron eram os Lockheed Electra II inicialmente adquiridos para transporte, e posteriormente adaptados para guerra eletrônica. Um total de três L-188PF foram adquiridos em 1973 e quatro L-188A em 1982. Com a chegada dos P-3B Orion eles foram desativados.

Grumman TF-9J CougarLockheed P-2 NeptuneDetalhe do SP-2H Neptune aonde vemos o emblema de líder de esquadrilha e o kill mark do “HMS Sheffield”Lockheed L-188E Electron

Lockheed L-188PF Wave. Este “Electron” era o mais sofisticado vetor de alerta antecipado até a chegada dos P-3 Orion. Notar o emblema na cauda inspirado do filme “Ghostbusters”. Este avião ainda entrará no hangar para ser totalmente restaurado antes de ser exibido no MUAN.

North American T-28F Fennec. 65 T-28A foram adquiridos a partir de 1966. Todos eram ex-Armée de L’air e convertidos ao padrão Fennec T-28F,T-28S e T-28P. Além de serem utilizados como treinamento avançado, outros foram utilizados como avião de ataque embarcado. O 3-A-333 a partir de 1979 foi transferido para a escola de mecânicos.

North American SNJ-5C Texan. 94 SNJ-3/4 e 30 SNJ-5C foram adquiridos a partir de 1947 e utilizados até 1970. Os SNJ-5 foram utilizados embarcados no porta aviões “V-1 Independencia”.

Lockheed L-188PF WaveLockheed L-188PF WaveNorth American T-28F FennecNorth American SNJ-5C Texan

 Hangar de Mantenimento y Restauración

Situado dentro da base aérea, lá se encontram aviões em processo de restauro. Um deles , um Stearman N2S-5 Kaydet prefixo LV-GFY( 1-E-31), único em condições de vôo do acervo não estava presente , pois tinha voado para a Base de Punta Índio.

Curtiss Wright CW-16E.3 Trainer "Kelito". 28 aparelhos utilizados sendo 13 deles construídos sob licença na Argentina a partir de 1935. Por ter pintura amarela , foi apelidado de “Kelito” inspirado na marca de uma barra de chocolate de embalagem amarela que vinha com um pequeno brinquedo de brinde.

Douglas C-47. Equipado com esquis e câmeras fotográficas na porta lateral traseira, efetuou missões na estação polar Antártida. 15 aviões operaram de 1946 a 1979.

Douglas C-47Douglas C-47North American T-28F Fennec em restauraçãoGrumman HU-16B Albatross

Grumman F9F-2 Panther. 24 unidades adquiridas em 1957( matrículas iniciais 2-A-101 a 3-A-124 e posteriormente 3-A-101 a 3-A-119. Foram utilizados até 1969 quando foram substituídos pelos MB-326.

Grumman HU-16B Albatross. Este tipo de hidroavião serviu tanto a Força Aérea Argentina quanto a Força Aeronaval. O exemplar preservado pertencia à Força Aérea com matrícula BS-03.

Luscombe 8E Silvaire. Três Silvaire foram adquiridos em 1948 (matrículas 3-E-1 a 3-E-3) e foram utilizados com rodas e flutuadores até 1965. O exemplar preservado tinha sido doado ao Aeroclube Verônica utilizando a matrícula LV-JXI.

O 2-G-51 possui uma pintura comemorativa por ter realizado de 1962 a 1987, 6724 enganches nos porta aviões “V-1 Independencia” e “V-2 25 de Mayo”Vought V-65F CorsairLuscombe 8E SilvaireNord 1203-II Norecrin II

Nord 1203-II Norecrin II. Não pertenceu à Força Aeronaval, porem três exemplares do Norecrín foram utilizados pela Prefectura Marítima na década de 50.

North American SNJ-4. Ao contrário do SNJ-5 exibido no museu que é amarelo, este SNJ-4 tinha pintura cinza e não foi utilizado embarcado.

Sikorsky S-55. Dos 13 adquiridos ( 7 S-55, 1 S-55A  e 5 UH-19B-SI) sem dúvida o 2-PH-412 ostenta a pintura mais bonita. No lado esquerdo da fuselagem cada missão polar está simbolizada por silhuetas de pingüins, e no lado direito uma ilustração interessante de um polvo. Por problemas de verba a tinta utilizada para restauração não era para aviação militar, e após uma chuva de granizo este helicóptero teve que ser recolhido no hangar para ser novamente pintado.

Vought  V-65F Corsair. Provavelmente é um dos únicos Vought Corsair que ainda restam no mundo. 12 deles operaram na Aviação Naval Argentina com rodas e flutuadores a partir de 1929 . Operaram também 4 O2U-1A  e um V-66A ,e a principal diferença visual é que os V-65F tinham um leme arredondado enquanto os outros tal qual utilizados no Brasil tinham leme com linhas retas. 
 
 
Last Updated on Wednesday, 12 November 2008 16:00
 

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