Tropicalex 2006 PDF Print E-mail
Written by Edmundo Ubiratan   
Wednesday, 12 November 2008 16:07

 

 

  Tropicalex é o nome dado aos exercícios da MB que seguem em direção ao norte do país, já aqueles que vão do Rio para o sul, levam o nome de Temperex. A viagem de ida do Grupo Tarefa durou cerca de duas semanas, uma vez que para a realização de todos os exercícios programados o GT acaba por propositalmente navegar em padrão de zigue-zague, tomando muito mais tempo do que se fosse direto rumo a Fortaleza. Fomos à capital cearense e embarcamos na Fragata Greenhalgh, na madrugada do dia 17 de maio.

  A ALIDE acompanhou de perto as fragatas Greenhalgh, Bosísio e Rademaker, as corvetas Jaceguai e Frontin, o Navio Tanque Marajó, e Contratorpedeiro Pará, na realização deste trecho da comissão. Fora a Unitas, a Tropicalex 2006, por sua escala e duração, foi possivelmente o maior evento de adestramento da Marinha do Brasil neste ano. Um grande grupo tarefa com cinco fragatas e muitos outros navios suspendeu do Rio de Janeiro no dia 1° de maio com destino ao Ceará. Após um breve descanso, o GT se dividiu em dois, uma parte seguindo para uma missão de apoio logístico ao Haiti e os demais navios retornando ao Rio, na perna final da Tropicalex.

Uma partida “quente”

 

Passe o mouse sobre as fotos e veja as legendas.
CF José Renato junto a Div-2 na Fragata GreenhalghCMG Primo, CF Marcos Fonseca e o CAlmte Rodrigo a bordo da Fragata GreenhalghCapitão-de-Fragata José Renato de Oliveira, comandante da Fragata GreenhalghContra-Almirante Rodrigo Otávio Fernandes Hônkis comandante da Div-2

  A partida dos navios de Fortaleza estava prevista para ser iniciada a partir das 09h. Às 08h foi dado início ao processo de desatracação e partida - por sinal, já sob ameaça de ataque aéreo. O exercício consistia em deixar o porto sabendo que em algum momento haveria um ataque aéreo. Por isso, todos estavam em postos de combate, ocupando seus respectivos lugares e prontos para uma rápida reação a qualquer ataque. Enquanto a F-46 saía do porto, aproveitou-se do exercício de ataque aéreo para simular um incêndio na “Bravo II”, uma das suas praças de máquinas, causado por um míssil.

  Devido ao forte calor gerado pelo fogo numa situação destas, a equipe de combate a incêndios iniciou o controle lacrando todo o compartimento, pois, não havendo mais entrada de ar, o fogo seria automaticamente extinto. Porém, tal atitude, como era previsto, gerou um forte calor no local, fazendo com que fosse necessário utilizar mais de duas dezenas de bombonas de espuma química para controlar os danos gerados pelo calor nos demais compartimentos, que chegaria próximo aos 1.000ºC! A espuma ajuda a resfriar o local, evitando maiores danos ao navio devido ao derretimento de todo o material metálico ali localizado, além de permitir que as equipes pudessem entrar para controlar a situação. Ficou estabelecido que os primeiros homens deveriam entrar na Bravo II, apenas quando a temperatura estivesse abaixo dos 100ºC. O que apesar de ser suficiente para cozinhar um ser humano, era a menor temperatura que teríamos naquela situação.

F-46 GreenhalghCT ParáGT operando junto aos Napas e Varredores

  Para evitar qualquer tipo de acidente, os macacões especiais devem permanecer constantemente molhados, ajudando a controlar a temperatura no corpo dos bombeiros. Enquanto aguardávamos a queda de temperatura, as equipes que iriam entrar na Bravo II, descansavam e discutiam o plano de entrada. Após mais de 20 minutos (tempo muito inferior ao que seria necessário em uma situação real, mas suficiente para uma simulação) os primeiros homens estavam a postos para entrar na Bravo II. Devido às restrições de espaço este tipo de situação é extremamente critica, pois os bombeiros deveriam entrar com equipamentos pesados e de grande porte em locais que, vestindo apenas o macacão de serviço, o acesso já é bastante difícil. Felizmente, o incêndio foi controlado sem maiores dificuldades, permitindo que a F-46 pudesse continuar sua missão e o nosso jornalista não tivesse que interromper prematuramente seu trabalho.

  É importante notar que o combate a incêndio abordo com água exige cuidadoso estudo, pois, neste caso, estamos efetivamente alagando o navio. Seria desagradável perder um navio, com o incêndio debelado, em função da quantidade de água utilizada para contê-lo.

Foto aérea do GTF-48 BosísioCT ParáNT Marajó

 Voando no meio da noite com os Lynx

  Após esta série de exercícios combinados, foi dada uma pausa para almoço, sendo em seguida iniciados os exercícios aéreos. A F-46 levava organicamente um Super Lynx desde a sua partida do Rio de Janeiro. E, nesta tarde, o Lynx 4009 realizou sua QRPB, uma série de vôos de adestramento de decolagem e pouso embarcados. Sempre que os helicópteros embarcam , os pilotos têm que executar uma nova Qualificação e Re-Qualificação de Pouso a Bordo. Este tipo de exercício visa manter os pilotos com a habilidade para operarem embarcados, visto que este tipo de operação é completamente diferente de um pouso em terra.

  Basicamente o QRPB consiste em uma série de decolagens e pousos, realizados por todos os pilotos embarcados no navio, com o intuito de readaptá-los à s operações de helicópteros nos convôos dos navios . Após decolar, a aeronave realiza um curto circuito e inicia os procedimentos para pouso. Além de manter os pilotos qualificados para operações embarcadas, também mantém o adestramento das equipes do convôo da escolta.

Fim de tarde em alto marPainel do Super Lynx a noiteEquipe do HA-1 retirando aeronave 4009 do hangar para mais um dia de operaçõesEquipe do HA-1 retirando aeronave 4009 do hangar para mais um dia de operações
Equipe do HA-1 retirando aeronave 4009 do hangar para mais um dia de operaçõesEquipe de convôo peiando o 4009Rotor de cauda dobradoEquipe de convôo peiando o 4009
Equipe do HA-1 retirando aeronave 4009 do hangar para mais um dia de operaçõesEquipe do HA-1 retirando aeronave 4009 do hangar para mais um dia de operações4009 peiado no convôo4009 peiado no convôo

  No final da primeira noite, que apenas 12h antes havia deixado o porto de Fortaleza com destino a Recife, os pilotos se reuniram no COC (Centro de Operações de Combate) da Greenhalgh para receberem o briefing da missão daquela noite. O CHEOP (Chefe de Operações) instruiu a tripulação para os planos de emprego para o Lince 09 naquela noite. A missão consistia em um Ataque Coordenado Navio-Helicóptero Contra Alvos de Superfície, no qual o navio e o helicóptero realizam ataques praticamente simultâneos contra um único alvo a fim de saturar sua defesa antiaérea e reduzir suas chances de “escapar” do ataque. Um navio alvo, após identificar o lançamento de mísseis contra ele, imediatamente guina mudando de direção, na tentativa de minimizar os danos dos mísseis. Mas neste tipo de ataque, com mísseis vindo de ângulos distintos e formando um ângulo de 90º, as chances de conseguir escapar do ataque reduzem drasticamente.

Carenagem do motor abertaCarenagem do motor abertaArpãoQuase pronto para voar
Abastecendo a aeronave para mais um dia de operações aéreasEquipe do HA-1 alterando configuração da aeronaveEquipe do convôo reunidaCC Trindade,comandante se preparando para mais um vôo

  O exercício foi realizado simulando alvos de oportunidade, utilizando navios mercantes como “alvo”. Foram empregados os mísseis Sea Skua e Exocet. Apesar dos mísseis Sea Skua serem empregados normalmente contra navios leves, como corvetas ou lanchas de patrulha, quando usados em conjunto com os Exocet, os danos causados a um navio de maior porte são consideráveis, com grandes chances de tirar o navio de combate.

  Minutos após o briefing, os fonoclamas do navio anunciam: “Tripulação, guarnecer postos de vôo, é proibido jogar lixo no mar, transitar ou fumar nas áreas externas a ré da caverna 95”. Menos de 20 minutos depois a tripulação composta pelo CT João Gilberto, como o 2P e o CC Trindade como o comandante já estava abordo do Super Lynx acionando os motores. Em pouco tempo o Lince 09 já estava pronto para decolar. O vento no convôo naquela hora era de cinco nós e o mar estava calmo, permitindo uma decolagem tranqüila. Após deixar o convôo, o Lince 09 saiu pela esquerda do navio, para que o 1P mantenha constante contato visual com a embarcação. Ao livrar a super estrutura do navio o Lince ascendeu para 500 pés e rumou em direção a seus alvos em meio a total escuridão. Logo após decolar, o navio vetorou o Lince 09 para um dos alvos, enquanto o 2P que desempenhava a função de tático, visualizando o alvo no radar Ferranti Seaspray 3000 e após “locar” no alvo, aguardou instruções do navio. O navio informou que iria realizar o disparo com o Exocet, permitindo assim que o 2P tenha como calcular o tempo necessário para efetuar o seu lançamento. Este intervalo entre lançamentos visa que ambos os mísseis cheguem simultaneamente no alvo, impossibilitando qualquer tipo de defesa. É importante citar que na maior parte das missões o 1P apenas pilota o helicóptero seguindo as instruções repassadas pelo 2P, tais como rumo, altitude, velocidade, etc.

  Após o 2P confirmar ter avistado clarões no horizonte, o Lince 09 guinou rumo a um segundo alvo procedendo da mesma forma. Durante este exercício o céu estava sem estrelas ou lua, fazendo com que não fosse possível ter qualquer noção do horizonte, o que tornava o vôo bem mais complexo. Por outro lado, também era mais seguro ao dificultar a defesa anti-aérea do inimigo. Neste tipo de cenário seria praticamente impossível o inimigo avistar visualmente o Lince.

  O exercício simulou inúmeros alvos de oportunidade, onde foi possível manter o adestramento entre a tripulação do navio e do helicóptero. Neste tipo de missão é fundamental que haja uma perfeita interação entre navio e helicóptero, pois o sucesso da missão depende exclusivamente da coordenação entre ambos.

  Após uma hora de missão, o Lince 09 informa sua conta corrente, que era de 25 minutos, sendo instruído a retornar para o navio. O retorno para casa numa situação em que não existam quaisquer referências visuais externas, torna o vôo muito mais complexo, pois, durante o pouso, o piloto dispõe apenas das luzes do GPI – Glide P ath Indicator. O procedimento de pouso noturno é feito através do que os pilotos chamam de “visumento”. O 2P é responsável por acompanhar as indicações da GPI enquanto o 1P acompanha apenas os instrumentos do helicóptero até meia milha do navio. Após meia milha o 1P tem visual com navio e passa a seguir as instruções fornecidas pelo OLP no convôo. É importante citar que as únicas luzes que se tem são as da GPI e dos bastões utilizados pelo OLP. Todo o pouso é feito com o convôo às escuras. Ainda assim o Lince 09 tocou suavemente o convôo e em seguida “arpoou” a colméia, sendo imediatamente “acorrentado” no piso do convôo pelos apeadores. Durante a madrugada do dia 18 ocorreram outros exercícios similares a este com os helicópteros do GT.

Exercícios, exercícios, exercícios

Na tarde do dia seguinte foi a vez dos exercícios de manobras táticas, realizados em todas as comissões, e que são de grande importância, pois o sucesso de uma missão real depende muito de como os navios manobram em conjunto durante as manobras táticas. O objetivo primordial é sempre a proteção da melhor forma possível do alvo de maior valor, neste caso, o Navio Tanque Marajó.

  As manobras são conduzidas utilizando o mínimo possível o contato via rádio. As emissões eletromagnéticas são facilmente interceptadas por forças inimigas, colocando em risco toda a Força Tarefa.

CT Pará F-46 GreenhalghF-48 Bosísio
Corveta FrontinF-46 GreenhalghF-49 RademakerF-49 Rademaker e a bandeira do Battleaxe.

  À curta distância, os contatos entre navios são feitos através de sinais (bandeiras) que são pré-combinados antes da partida do porto, o que dificulta a interpretação por parte do inimigo.Durante a TROPICALEX foram realizados inúmeros exercícios de comunicação deste tipo. Até a Fotex, a seção de fotografia do exercício, foi utilizada também para exercitar este tipo de manobra.

  Todos os eventos realizados pela Marinha nas suas comissões recebem o sufixo “EX” (de EXercício) e, apesar de em alguns casos soarem como uma mera tradição ou simples mania, são na verdade exercícios. Um bom exemplo disso é o “Jantarex”, o jantar formal de fim de comissão. É, na realidade, um treinamento para taifeiros e cozinheiros se prepararem e servirem jantares mais sofisticados. É comum a Marinha receber a bordo de seus navios chefes de estado, ministros e convidados VIP. Esses visitantes requerem um tratamento diferenciado e muita atenção para que não se cometa nenhuma gafe ou quebra do protocolo.

GTCorveta JaceguaiGT

  Na tarde do dia 18 foi realizado o exercício de TOM com Oposição de Superfície. Enquanto o Comandante, o Imediato e diversos oficiais e praças estavam nas asas do passadiço coordenando e trabalhando na faina, no COC, diversos outros oficias e praças monitoravam a área na esperança de encontrar a eventual ameaça. A detecção de um submarino é extremamente difícil, especialmente os da Classe Tupi, que são extremamente silenciosos. Até mesmo a poderosa U.S. Navy enfrentou problemas para localizar nossos submarinos, durante as ocasiões que ambas as marinhas fizeram exercícios em conjunto.

  Os operadores no COC acompanhavam atentamente todos os sinais que pudessem indicar a presença de uma ameaça. Enquanto do lado de fora, dezenas de homens trabalhavam em ambos os navios mantendo um relativo silêncio, quebrado apenas por apitos ou pelo som do vento, o contrário acontecia na escuridão do COC, onde se escutava uma troca constante de informações.

  No último dia da primeira perna, que consistia no trecho Fortaleza – Recife, a Fragata Rademaker e o Navio Tanque Marajó saíram da formação e rumaram para Maceió. O objetivo era apenas dispersar parte da Esquadra, evitando posicionar um grande número de navios em um mesmo porto e prestigiar diversos portos com a presença da Marinha.

Voando sobre o GT
Corveta JaceguaiCorveta Jaceguai
NT Marajó a frente do GTNavio Varredor AtalaiaNavio Varredor AtalaiaNavio Patrulha Graúna
Navio Patrulha GravataíNavio Patrulha GravataíNavio Patrulha GravataíNau Capitânea F-48 Bosísio

  Durante a chegada a Recife, a Esquadra foi informada sobre a ameaça de submarino nas proximidades da entrada do Porto de Recife, somado ao risco iminente de minas submarinas. Visando minimizar ao máximo possível o risco de um ataque, a esquadra contava com um navio de varredura que estava responsável por abrir um canal seguro para a passagem dos navios.

  Devido ao dia chuvoso, com ventos relativamente fortes, o mar estava agitado, dificultando ainda mais a demarcação do canal com bóias e a detecção do submarino. A Esquadra adotou a formatura de coluna durante a entrada no porto, sendo encabeçada pela Fragata F-48, seguida da F-46, das Corvetas V-31 e V-33 e do D-27.

De Recife ao Rio

  Logo após a atracação foi iniciado o Sabotex, que tem como objetivo garantir a segurança dos navios contra a ação de sabotadores, a despeito do grande número de pessoas circulando nos navios durante os dias de visitação pública.

   Atracada, a F-48 exibiu o Lince 4001, que permaneceu exposto durante a visitação, atraindo a atenção de todos que iam até o porto conhecer de perto um pouco mais sobre a Marinha do Brasil. No último dia em Recife a visitação se estendeu até um pouco após o pôr-do-sol. É incrível a admiração que o público tem pela Marinha, sendo comum crianças dizendo que iriam ser “marinheiros” quando crescessem. Enquanto isso, os adultos congratulavam a Marinha por seus trabalhos e por sua importância. Para os visitantes, era praticamente impossível ficar indiferente ao porte dos navios e seus armamentos. Era comum escutar pessoas dizendo “Nossa! Como é bonito esse navio”, ou “Olha lá filho o canhão!”, “Uau! É enorme, não acaba nunca”. A estrela da festa acabou sendo o Super Lynx. Independentemente da idade, todos queriam ver de perto do helicóptero que faz a diferença nas escoltas. O rotor de cauda “dobrado” e o trem de pouso com pneus eram o que mais chamavam a atenção de quem observava a máquina de perto pela primeira vez.

Porto de RecifeAtracaçãoCorvetas em RecifeCorveta
Super Lynx no convôo da F-48 em RecifeTorpedo de manejoMissil SeaSkua de manejo


   Na manhã do dia 23 após a desatracação, iniciamos a mais longa perna da viagem, seriam nove dias até a chegada no Rio de Janeiro, prevista para a manhã do dia 01 de junho. A F-46 foi o penúltimo navio a deixar Recife, que se despedia com um belo dia, perfeito para começarmos nossa viagem.

  Menos de uma hora após sairmos de Recife, já enfrentávamos uma leve chuva, que prometia acompanhar a F-46 em praticamente todas as fainas nos próximos nove dias. Foram inúmeras as vezes em que, ao iniciar uma faina, começava a chover, mas bastava terminar que a chuva encerrava em seguida.

  Às 11h30min o navio entrava em postos de vôo para receber o Lince 4001, que seria revisado a bordo da F-46. A previsão é que a faina estaria completa antes das 12h30min, porém, devido à variações na temperatura do motor, a faina foi um pouco mais demorada, sendo concluída às 13h, após uma revisão geral da aeronave, incluindo até uma lavagem externa.

Equipamentos do Navio Varredor AtalaiaEquipamentos do Navio Varredor AtalaiaLançador do Missil SeaWolf com o casulo nº2 aberto e um SeaWolf de manejoInterior do casulo do Lançador do SeaWolf
Super Lynx 4001 do HA-1 com destaque para suas 50.000 horas de vôoSuper Lynx 4001 do HA-1 com destaque para suas 50.000 horas de vôoDetalhe do rotor de cauda dobrado do 4001Alguns navios fundearam em Recife

  A preocupação em lavar as aeronaves embarcadas é uma constante em qualquer Marinha. A operação sobre o mar é altamente prejudicial a diversos componentes vitais para a aeronave, devido ao alto índice de sal disperso no ar. Uma rápida lavagem externa minimiza drasticamente as chances de corrosão devido à maresia.

  Logo após a revisão e lavagem, o Lince 4001 decolou rumo a F-48, onde estava baseado. Em seguida, a F-46 recebeu o Lince 4009, que sofreu o mesmo processo de manutenção e ficou em alerta para o início da CAMEx (Controle de Área Marítima), previsto para começar ao anoitecer.

  Durante à tarde foram realizados dois exercícios de transferência de carga leve envolvendo a F-48 e o CT Pará. Estes exercícios que foram repetidos inúmeras vezes durante toda a TROPICALEX tem como objetivo manter as tripulações aptas a realizar manobras envolvendo navegação de navios próximos um dos outros e ainda manter a capacidade para a realização de transferência de carga ou combustível. Em alguns casos tivemos transferência de carga e combustível mesmo com mar agitado, sob chuva e ventos fortes. O que tornava a faina consideravelmente mais complexa e perigosa, especialmente nas operações noturnas. Graças ao constante adestramento de todos os envolvidos, em nenhum momento houve qualquer tipo de problema. Em todos os casos, sempre que a faina era realizada com sucesso os navios saudavam uns aos outros ao som de inúmeras bandas. O destaque neste quesito foi a F-49 que, contando com sua própria banda a bordo, encantou a todos que assistiram um longo show desde às áreas externas da F-46. Um momento de descontração e alegria para os homens que arriscam suas vidas em prol da nação.

Heilicóptero SH-3 do Esquadrão HS-1 lançando uma carga de profundidade durante exercícioCarga de profundidade no momento em caia na águaCT Pará manobrando para faina de TOM com o NT MarajóSuper Lynx 4001 do HA-1 com destaque para suas 50.000 horas de vôo
NT Marajó em faina de TOM com o CT ParáNT MarajóCT ParáF-48 Bosísio
Tripulação da Fragata Bosísio na asa do passadiçoEquipe da F46 Greenhalgh pronta para faina de light Line com a Fragata BosísioFaina de Light LineFaina de Light Line
Faina de Light LineTripulação da Fragata Greenhalgh atenta durante a fainaMastro da fragata Bosísio com o indicativo internacionalFragata Bosísio se afastando após a faina

 Controle de Área Marítima

  Após as 18h30min do dia 23 os navios tomaram suas posições para o início do CAMEx, enquanto as tripulações de cada navio conheciam em detalhes o cenário que seria desenvolvido.

   O país Verde, após perder parte do seu território ao sul para o país Vermelho, manteve o controle sobre a bacia de Aracaforte, zona com elevado potencial enérgico para o país. Essa área era uma das principais zonas de extração de petróleo do continente e passava agora a ser alvo das intenções agressivas do País Vermelho.

   O objetivo do país Verde foi patrulhar as águas de Aracaforte e proteger uma de suas plataformas que estava sendo ameaçada. O país Vermelho há meses vinha realizando pesquisas ilegais na região, o que preocupava os líderes do País Verde. Apesar desta preocupação e mesmo tendo suas águas constantemente invadidas, o Governo Verde não tinha intenção de escalar uma crise, pois, neste caso, corria o risco da opinião publica internacional apoiar o Vermelho.

  Para este exercício, a Esquadra foi divida em duas: A Verde possuía as Fragatas F-46, F-48, as Corvetas V-31 e V-33, o Navio de Patrulha P-51 e Contratorpedeiro D-27. Para apoio aéreo, o Verde contava com dois Super Lynx e um P-95 Bandeirulha. Já Vermelho tinha em sua Marinha a Fragata F-49, o Navio Tanque G-27, que faria o papel de navio de pesquisa, dois Navios-Patrulha e o submarino S-33. A Força Aérea Vermelha (FAV) contava com um P-95 e um AT-26.

Corveta JaceguaiCorveta FrontinNT MarajóBanda de música da Fragata rademaker em ação
Linda imagem aérea das Fratas Type 22 da Marinha do BrasilImagem aérea do GT2P atento aos instrumentos durante vôoSuper Lynx por Super Lynx
Imagem de uma Fragata vista pelo parabrisa do Super Lynx durante vôo de check  Imagem de uma Fragata vista pelo parabrisa do Super Lynx durante vôo de check Super LynxConvôo da Fragata Bosísio

  Com todos os navios posicionados, foi dado início a CAMEx às 23hmin do dia 23. Imediatamente o Lince 01 decolou em busca dos navios do Vermelho, conseguindo identificá-los logo nos primeiros minutos do dia 24. O País Verde tentou contato com os navios vermelhos que não respondiam às chamadas por rádio. Visando ter a situação sob controle, o Almirante ordenou que uma das Corvetas realizasse uma série de disparos de canhão de advertência contra o Navio de Pesquisa Vermelho. Esse fato deteriorou ainda mais as relações entre ambos os países. Na manhã do dia seguinte, os principais jornais de Vermelho noticiavam que um de seus navios havia sido atacado por Verde, inclusive estampando a foto dos danos sofridos pelo navio. A opinião pública exigia medidas à altura contra Verde, que declarava que Vermelho havia forjado uma situação que jamais existiu. Em nota oficial, Verde denunciava que a imagem do navio avariado era uma a fotomontagem, que poderia ser vista até mesmo pelos mais desatentos, tamanho o grau de amadorismo. Ainda que a opinião pública internacional estivesse preocupada com a posição de Verde, este voltou a afirmar que não permitiria a presença de navios Vermelho em suas águas, mas que buscaria uma solução diplomática para a crise.

  A bordo da F-46, a notícia que Vermelho havia forjado um ataque criou um ar de revolta. A tensão no COC era ainda maior. Especialmente porque o Comando da Esquadra havia recomeçado o exercício após o “ataque”. Primeiro porque a partir daquele instante não havia como realizar o exercício de busca dos navios inimigos e, segundo, devido ao ataque que não era autorizado. Os navios foram reposicionados, dando continuidade ao exercício. Foi criado um círculo ao redor da bacia de Aracaforte, dividido em setores, e um canal que atravessava este círculo. Cada navio Verde estaria patrulhando uma dessas áreas, protegendo os Mercantes de um possível ataque realizado pelo submarino Vermelho. O corredor, além de facilitar a proteção dos navios mercantes, ajudava na localização dos navios inimigos, pois caso não estivesse dentro daquela zona, o navio teria grandes chances de ser um inimigo.

  Neste tipo de exercício, os navios mercantes que passam pela área são devidamente interrogados pelo rádio. A Marinha identifica seu destino, carga transportada e bandeira, e posteriormente convida-o a participar do exercício. Dos oito navios convidados, cinco aceitaram o convite. A participação normalmente é alta, já que os Mercantes tem interesse em manter suas tripulações aptas para a eventual necessidade de realizar transito em áreas pré-determinadas e com a oposição de um submarino.

   O Mitsa, um dos navios mercantes que participavam do exercício, às 10h20 do dia 24, informou a Esquadra Verde ter visto um pequeno objeto na superfície da água, que parecia deslocar-se, mas que submergiu em seguida.

   Tal informação criou uma grande tensão no COC, fazendo que o Almirante e o Comandante do navio fossem imediatamente chamados. Enquanto o COC tentava confirmar a informação recebida, o Almirante e o Comandante discutiam se o “Mitsa” realmente existia. Seria ele um “navio virtual” criado apenas para dar maior movimentação ao “jogo”? Ou era apenas a marinha do País Vermelho tentando atrair a atenção das forças verdes para outra área, permitindo-lhes realizar suas pesquisas sem maiores problemas? Mas também poderia realmente ser um navio mercante que havia visto o submarino, sugerindo que os Vermelhos estavam dispostos a escalar a crise. A inteligência de Verde já alertava sobre o iminente risco de Vermelho atacar navios mercantes em retaliação ao suposto ataque Verde.

Imagem do corredor de uma Fragata Type 22 F-46 GreenhalghF-46 GreenhalghGT
GT tendo a frente a F-46 GreenhalghGT tendo a frente a F-46 GreenhalghGT com a Fragata Bosísio manobrando em alta velocidade GT com a Fragata Bosísio manobrando em alta velocidade lado a lado com a Fragata Greenhalgh
F-46 GreenhalghNT MarajóCorveta JaceguaiF-46 Greenhalgh


   A tensão aumentava a cada minuto, com um entra e sai de oficiais do COC e uma infinidade de informações sendo checadas pelos diversos operadores de radar e sonar. No ar, o P-95 também tentava confirmar a presença do submarino na área. Os olhares atentos do operador do sonar agora eram agora tensos. Apesar da escuridão, a luz gerada pela tela do radar iluminava o suor que escorria pelo seu rosto.

   Caso fosse confirmada a presença do submarino, uma das opções analisadas era de afundá-lo, pois ele era uma real ameaça aos navios mercantes e a plataforma de extração de petróleo.

  Às 13h40min dois contatos foram identificados e confirmados como sendo navios de patrulha Vermelhos. O desenrolar do exercício a partir deste momento foi apenas de manter os objetivos estipulados sem escalar a crise.

  Ao final do Exercício de Controle de Área Marítima, a Esquadra do país Verde havia concluído com sucesso a sua missão. Apesar da crise instaurada pelo ataque não autorizado ao navio de prospecção, o CAMEx mostrou ter sido um sucesso.

  A manutenção do controle de área marítima, mesmo sob ameaça de invasão, sem elevar de crise para um conflito, é o principal objetivo de um país democrático. Sendo esse o objetivo principal da Marinha do Brasil, defender o nosso território, sem, necessariamente, gerar um conflito militar.

  Ao término do CAMEx, os navios se reagruparam para um outro Fotex, realizado próximo a costa de Sergipe que, com suas águas límpidas e extremamente azuis, permitiram um belíssimo ensaio fotográfico.

  Decolamos para o Fotex, exatamente às 13h45min do dia 26, com um dia claro e sol forte. O vôo, inicialmente, seria para realizar o check após a manutenção das 25 horas de vôo do Lynx, onde foram verificados diversos parâmetros do motor. Durante o vôo de manutenção que ocorreu acima dos 6 mil pés, o 1P e 2P trabalhavam em conjunto durante os testes realizados que envolviam basicamente variações na potência dos motores.

Bom trabalho, Esquadra

  O ano de 2006 vai ser lembrado como um ano muito especial na história da MB, tanto pela quantidade de exercícios navais quanto pelo número de navios que participaram em cada um deles. Muitas lições são aprendidas nestas comissões de treinamento. Mas, mais do que apenas tripular adequadamente seus navios, o principal objetivo da Marinha do Brasil é capacitar seu pessoal para operar com a máxima prudência em ambientes politicamente carregados e cheios de tensão, sem abrir mão de sua letalidade. Esta Tropicalex de 30 dias de mar associada a uma missão ao Haiti é exatamente uma das razões para esta importância. Navios de diversos tipos, além das tradicionais escoltas, dão uma demonstração da complexidade crescente dos cenários de emprego naval desde os mares azuis (oceano aberto) até as águas marrons (regiões litorâneas). Bom trabalho, Esquadra! 
 
 
 

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