HMS Liverpool no Rio de Janeiro PDF Print E-mail
Wednesday, 12 November 2008 15:40

 

 

Atlantic Patrol Task (South)

A presença da Real Marinha Britânica no Atlântico Sul não é nada estranha, uma vez que eles têm um papel importante e permanente na defesa das Ilhas Falklands, reconquistadas em 1982 após a invasão argentina. As ambições inglesas, no entanto, são mais abrangentes do que apenas as Falklands, se extendendo ao bom relacionamento com o Brasil e aos países da costa ocidental da África. Durante a Páscoa, passou pelo Rio de Janeiro o Destróier Type 42 Batch 2 HMS Liverpool e a ALIDE visitou o navio e conversou com o seu comandante. 

Passe o mouse sobre as fotos e veja as legendas.
HMS Liverpool atracado no porto do Rio de JaneiroHMS Liverpool atracado no porto do Rio de JaneiroHMS Liverpool atracado no porto do Rio de JaneiroHMS Liverpool atracado no porto do Rio de Janeiro

  A missão em curso é chamada de Atlantic Patrol Task (South) e tem uma duração de seis meses. O Liverpool D-92 partiu de Portsmouth no dia 19 de janeiro de 2006 com destino a Serra Leoa, país onde o Reino Unido tem um razoável contingente militar estacionado. Na ocasião o navio recebeu a visita do próprio de Presidente Kabbah. Em seguida, foram para Gana onde realizaram uma Passex com a marinha local. Uma parada logística na ilha de Ascensão, na costa da África, para receber suprimentos e cruzaram o Atlântico para aportar em Recife. Nesta parada, uma série de manutenções menores foram realizadas antes de suspenderem para cinco semanas nas Ilhas Falklands.

  Além do Liverpool, estão nas ilhas o HMS Endurance, responsável pelas missões à Antártica e o Navio Patrulha HMS Dumbarton Castle. Estes três navios fizeram parte do exercício conjunto Purple Strike pela Royal Navy, interagindo de perto com unidades do Exército Britânico e da Royal Air Force na região. Neste evento, o Liverpool embarcou um pelotão de 30 homens do Exército e, no total, uma companhia inteira foi transportada por mar. Um momento imperdível neste exercício foram os 100 tiros disparados contra alvos de superfície pelo reparo de 4,5” na proa. Os Super Lynx da RN já contam com metralhadoras nos cabides laterais e o emprego destas armas também foi exercitado.

HMS Liverpool atracado no porto do Rio de JaneiroHMS Liverpool fotos noturnasHMS Liverpool fotos noturnasHMS Liverpool fotos noturnas
Sino do navioMastros e antenasPassadiçoCanhão de 20mm

  As Ilhas South Georgia foram o destino seguinte do HMS Liverpool. Como o porto local não tem profundidade para acomodar o calado do Type 42, o navio teve de ficar ancorado nas águas em frente ao porto. O principal objetivo desta viagem foi o de levar suprimentos e apoiar o British Antarctic Survey, o Programa Geológico Antártico britânico.

  Voltando às Falklands, o D-92 retomou a patrulha marítima na região e recebeu um grupo de especialistas externos, os instrutores do Mobile Sea Training Team, uma unidade avançada do Flag Officers Sea Traning, em Plymouth. Essa equipe é responsável por criar cenários de adestramento que envolvam toda a tripulação. Enquanto eles estiveram a bordo, uma série de exercícios foram realizados.

Lançador do missil Sea dartLançador do missil Sea dart

  Bem no meio da duração de seis meses existe um período de descanso e manutenção chamado Mid Tour Operations Stand Down, onde o navio vem ao Rio de Janeiro para executar reparos um pouco maiores. Aproveitando o feriado da Páscoa, muitos familiares voaram para a cidade para encontrar seus maridos e esposas que servem no Liverpool. Numa iniciativa para estimular a moral dos tripulantes, a Royal Navy oferece aos militares a possibilidade de tomar empréstimos com juros próximo a zero para custear as passagens dos familiares até o Rio de Janeiro. Uma cidade com vocação marinheira como o Rio oferece agentes marítimos e empresas de serviço especializadas e meios de apoio adequados para fazer os reparos normais do navio.

Placa do lançador do missil Sea DartTrilho do lançador do missil Sea DartCanhão de 114mmCanhão de 114mm
Porta do canhão de 114mm abertaInterior do canhão de 114mmAquecedor interno Visão interna do canhão
Visão interna do canhãoSimbolo do NavioSimbolo do NavioPraça D'Armas

  O navio retornará para a Inglaterra em meados de junho, com paradas marcadas em Montevidéu, Santos e Recife. Para o Capitão do Liverpool, Commander Henry Duffy, o serviço no Atlântico Sul é “uma experiência incomum, pois, para cumprir os compromissos nesta imensa região, temos de estar prontos para suportar o calor lacerante das regiões equatoriais e o frio intenso dos Mares Austrais”. Segundo ele, “este é o melhor emprego da Royal Navy”.

Praça D'ArmasRefeitório dos Sub-oficiaisMenu exposto na cozinha
Lembretes pelo navioAvisos no refeitório dos Sub-oficiaisHMS Liverpool deixando o Rio de Janeiro

  É impressionante como a passagem pela África Ocidental marca os tripulantes. Após verem como muitas pessoas são obrigadas a viver com meios limitados parece que imediatamente eles desistem de muitas das suas “exigências”. O Capitão Duffy disse, também, que seria ótimo se fosse possível agendar um exercício com a Marinha do Brasil quando eles passassem novamente pelo Brasil a caminho da Europa.

HMS Liverpool

  Construído à época da Guerra das Malvinas/Falklands, o Liverpool apresenta um casco mais curto. Ele é um “stumpy Type 42”, palavra que a grosso modo significa “atarracado” em português.

  O convôo da Liverpool é pequeno e tem um recorte abaulado seguindo as linhas da popa. O Super Lynx é o maior helicóptero que pode operar nele. Os mais pesados e maiores se limitam a fazer HIFR, ou Helicopter In Flight Refueling – Reabastecimento em vôo de Helicópteros. O seu helicóptero orgânico é um Super Lynx Mk.3 e até duas unidades podem ser acomodadas no seu hangar apertado.

HMS Liverpool deixando o Rio de JaneiroBandeira do Brasil no mastro do HMS Liverpool

  A tripulação gira em torno dos 255 homens e mulheres. Por sinal, duas mulheres ocupam os postos de médica de bordo e de Engenheira de Armas (Weapons Engineer). A presença das mulheres nos navios de guerra da Royal Navy data de 1989 e, segundo o Capitão Duffy, “quaisquer restrições antigas a isso já são águas passadas. Por exemplo, no Operations Room (COC), o número de mulheres só tende a crescer, pois elas apresentam ótima destreza e maior capacidade para operar bem em ambientes multitarefas do que nós homens”. Sobre relacionamentos a bordo, a política da Royal Navy é clara: “No touching”.

  Relacionamentos podem acontecer, afinal de contas são seres humanos, mas exibições públicas de afeto dentro do navio não são toleradas. No entanto, saindo da prancha, podem dar as mãos ou se beijar, isso não importa. Esta política é a mesma tanto para casais heterossexuais quanto para homossxuais. Logo no início, a entrada das mulheres nos navios causou uma série de problemas novos, problemas esses que geraram uma política completa e eficaz para controlar seu surgimento novamente. Uma forma de minimizar estas situações foi reformular o processo de recrutamento da Royal Navy. Hoje em dia, segundo o Commander: “o padrão dos novos marinheiros nunca foi tão alto”.

Equipe de vôo preparando-se para lançar o Lynx Mk-8

  Cada tripulante tem acesso permanente à Internet e E-mail em suas horas livres e recebe vinte minutos por semana de acesso telefônico para o Reino Unido. Caso ele deseje falar mais, tem a possibilidade de pagar por este tempo adicional. “Não é possível combater a presença da tecnologia de comunicações nas vidas das pessoas hoje em dia”, disse o Capitão Duffy. “No entanto, se o navio estiver em situações operacionais reais estes direitos podem e serão suspensos temporariamente”, completa. Nos navios maiores da Royal Navy, a conexão satelital é uma questão incontornável, uma vez que é muito difícil e não muito confiável a conexão de dados com grande velocidade via rádio marítimo. O COC da Liverpool é quase um quadrado perfeito com cerca de 30 pessoas nas paredes externas e outras seis em postos de controle no centro do compartimento. Durante o combate, o número total de pessoas no COC pode chegar a 50. O sistema ADAWS (Action Data Automated Weapon System) da Alenia Marconi Systems controla os sensores, as armas, todo o fluxo e a fusão de informações neste COC.

  O sistema ADAWS é o grande triunfo do HMS Liverpool, principalmente em cenários de múltiplas ameaças nos quais a velocidade de reação deve ser rápida e precisa. Consiste na integração das informações obtidas pelos diferentes sistemas do navio, como sonares, radares, guerra eletrônica e sensores ópticos, controlando também as armas da belonave. Munido da informação integrada, o ADAWS pode responder empregando os armamentos adequados. Isso representa uma grande vantagem em situações onde a informação é muito saturada e operadores humanos poderiam ficar sobrecarregados.

HMS Liverpool com o Pão de Açucar ao fundoLynx Mk-8 sendo lançado ainda dentro da Baia de GuanabaraLynx Mk-8 sendo lançado ainda dentro da Baia de Guanabara

  O HMS Liverpool foi lançado em 25 de Setembro de 1980 e comissionado em 9 de Julho de 1982. A sua desativação está prevista para os próximos anos, provavelmente em 2010. Em sua vida operacional, o HMS Liverpool participou da Guerra do Iraque, em 2003, junto com o Grupo-Tarefa Naval 03 (Naval Task Group 03).

Os Type 42

  O Type 42 nasceu no início da década de 70, como uma alternativa bem mais barata ao gigantesco destróier Type 82 do qual apenas uma unidade foi construída. Existem três variantes dos Destróiers Type 42, chamadas, respectivamente, de Batch 1, Batch 2 e Batch 3. Até hoje foram construídas 16 unidades desses navios, sendo seis Batch 1, quatro Batch 2 e quatro Batch 3. As duas unidades restantes construídas são de uma versão parecida com a Batch 1, destinadas à Armada Argentina (ARA).

CICCICCICCIC

  O Batch 1 é o modelo básico, e seus navios foram comissionados na RN na segunda metade da década de 70. Alguns desses navios chegaram a participar da Guerra das Malvinas/Falklands e dois deles foram afundados: o HMS Sheffield (D-80), atingido por um míssil Exocet lançado de caças argentinos Super Étendard; e o HMS Coventry (D-118), atingido por três bombas lançadas por caças A-4B Skyhawk da Fuerza Aerea Argentina. Os Type 42 Batch 1 construídos foram: HMS Sheffield, HMS Coventry, HMS Birmingham, HMS Newcastle, HMS Glasgow e HMS Cardiff, além dos navios levemente diferentes construídos para a ARA, o ARA Santíssima Trindad e ARA Hércules. O HMS Birmingham foi vendido como sucata.

  Os destróiers Type 42 Batch 2 (como o Liverpool) são versões melhoradas de navios como o HMS Sheffield e HMS Coventry. Todos os quatro Type 42 Batch 2 (HMS Liverpool, HMS Exeter, HMS Southampton e HMS Nottingham) foram comissionados na Royal Navy no início da década de 80 e permanecem operacionais.

CICCICCICCIC

  O navios Type 42 Batch 3 (HMS Manchester, HMS Gloucester, HMS Edinburgh e HMS York), porém, são consideravelmente mais modernos que a sua versão anterior. Possuem uma tonelagem de 5.200 toneladas, contra 4.800 de seu predecessor, e são dez metros mais longos.

  O espaço extra permitiu, por exemplo, que as suas principais armas (os lançadores de SAM Sea Dart e os canhões Mark 8) fossem dispostas de forma mais afastada umas das outras. Isso acarretou em um aumento no arco de engajamento e, também, diminuiu o risco, anteriormente existente, de os dois sistemas serem neutralizados com uma única explosão. Sistemas duplicados foram acrescentados, e os Batch 3 possuem uma tripulação menor graças ao aumento de sistemas automatizados.

CICPainel de controle do PhalanxCICCIC

  Sua missão é fortemente direcionada para a guerra antiaérea. Seus mísseis Sea Dart de médio alcance geram um "guarda-chuva" bem maior do que os Sea Wolf presentes na Type 22. Os radares também são mais direcionados para a guerra aérea e ficam ocultados dentro de grandes domos. O COC ou “Operations Room”, como eles preferem chamar na Royal Navy, foi recentemente atualizado com terminais verticais com telas individuais.

  A designação “Destróier” se dá especialmente pelo seu papel antiaéreo. As 5.200 toneladas de deslocamento de um Batch 3, são relativamente pouco maiores que as fragatas brasileiras da classe Greenhalg cujo deslocamento gira em torno de 4.700 toneladas, sendo ambos os navios propulsados por 2 Tyne e 2 Olympus. Na Royal Navy, o nome fragata está essencialmente associado à guerra anti-submarino (ASW).

Soldados fuzileirosLynx Mk-8
Rotor dobradoPainel do Lynx Mk-8
  Quatro Destróiers Type 42 serão passados à reserva da Royal Navy, sendo eles o HMS Carddif, HMS Newcastle, HMS Glasgow (todos Batch 1) e o HMS Liverpool. Eles serão substituídos pelos novos Destróiers Type 45, cuja entrada em serviço está prevista para 2007. 
 
 
 

Translate

Browse this website in:

Busca Rápida
Serial
(FAB, MB ou EB)


Copyright © 2018 Base Militar Web Magazine. All Rights Reserved. Joomla! is Free Software released under the GNU/GPL License.