Base Aeronaval Comandante Espora PDF Print E-mail
Tuesday, 11 November 2008 16:41

 

Todas as fotos foram tiradas pelo autor em 04/04/2006 e é expressamente proibida a reprodução sem autorização.

A Aviação Naval da Argentina

 Das forças aeronavais latino-americanas, sem dúvida a da Argentina é a melhor equipada e com maior experiência em combate. O Comando da Aviação Naval (COAN) conta com aeronaves de combate desde 1956, quando os F4-5N/NL Corsair foram integrados a Escuadrilla de Combate e operados a bordo do Porta-Aviões ARA Independencia. Com o passar do tempo a aviação de combate da Armada Argentina foi evoluindo, passando pelo Panther e A-4 Skyhawk até a chegada dos Super Etandard.

Embora literaturas citem como batismo de fogo a Guerra das Malvinas, existem registros de missões de guerra em janeiro de 1960, quando um submarino não identificado foi visto em Golfo Nuevo na costa argentina. Participaram na caçada ao submarino, F4U Corsairs armados com bombas de profundidade de 250Kg, bem como PBY-5A Catalinas, PBM Mariners e os então recém incorporados P2V-5  Neptunes.

Em 1963 numa das várias tentativas de golpe militar, duas facções, os Azules e os Colorados travaram combates. A Marinha Argentina ficou do lado dos Colorados, e após um C-45J da Fuerza Aeronaval ser avariado pela artilharia anti-aérea dos Azulesnuma missão de lançamento de panfletos; os Colorados atacaram o quartel de Magdalena, com F4U, SNJ e Panthers armados com bombas e foguetes causando danos e baixas. O quartel de Magdalena era base de blindados M-4 Sherman e M-9 Halftruck . Embora dispersados para não serem alvos fáceis, pelo menos um Sherman foi destruído. A resposta dos Azules foi drástica, a Base Aeronaval de Punta Índio foi bombardeada por aviões Lincoln, F-86F, Paris e Meteor F-4 da Força Aérea. O resultado deste ataque foi devastador: quatro Panthers e um DC-4 destruídos , vários F4U, dois Panthers e um S-2A Tracker avariados.

Mesmo após duas décadas do término da Guerra das Malvinas, e com a desativação do Navio Aeródromo “V-2  25 de Mayo”(Ex HMS Venerable e Hs.Ms.Karel Doorman), a Força Aeronaval Argentina continua sendo uma arma bem equipada e pronta para defender os interesses da nação.

A Base Aeronaval Comandante Espora

A Base Aeronaval Comandante Espora está localizada na cidade de Bahia Blanca, cidade portuária na Província de Buenos Aires. Ela é sede da Fuerza Aeronaval Nº 2.

A visita à base foi conseguida graças a intervenção do renomado pesquisador e autor de várias monografias e artigos sobre a Aviação Naval Argentina,  Sr. Jorge Felix Nuñez Padin , e guiado pelo Capt. Aviador Reformado Sr.Felix Médici curador do Museo de la Aviación Naval(MUAN). Apesar de estar localizado ao lado do Aeroporto da cidade, utilizam pistas separadas. Cada esquadrilha está abrigada em hangares distintos. Por causa do clima local, com muito vento e frio seco, não existem abrigos individuais para cada avião como as bases aéreas modernas.

Passe o mouse sobre as fotos e veja as legendas.
Míssil AM-39 Exocet que equipa os Super Etandard. Graças ao sucesso deste míssil na Guerra das Malvinas o preço do fabricante teria subido 80%Super Etandard 3-A-207 em prontidão na porta do hangar do esquadrãoSuper Etandard 3-A-208 e 3-A-204Detalhe do Super Etandard 3-A-204 com a kill mark do “Atlantic Conveyor”

A Fuerza Aeronaval Nº 2 abriga as seguintes unidades aéreas:

Segunda Escuadrilla Aeronaval de Caza y Ataque

Equipado com Dassault Super Etandard é o vetor mais importante da Fuerza Aeronaval. 14 Super Etandard foram adquiridos em setembro de 1979 (matrículas 3-A-201 a 3-A-214) sendo que apenas 5 deles tinham sido recebidos quando iniciou a Guerra das Malvinas ( matrículas 3-A-201 a 3-A-205).

Contando com apenas 5 mísseis anti-navio AM-39 Exocet, eles foram armados no próprio hangar da Base de Comandante Espora, sem nenhuma assistência dos técnicos franceses. Um par de Exocet foi utilizado com sucesso contra o HMS Sheffield; outros dois para por a pique o Atlantic Conveyor. O quinto e último míssil foi disparado contra o HMS Invencible. Embora a Inglaterra não reconheça que o porta-aviões fora atingido e avariado, há informações que o porta-aviões se afastou da frota, chegando à Inglaterra quase incógnita, com um toldo negro ocultando uma possível avaria.

Após 25 anos de operação três Super Etandard foram perdidos ( 3-A-203 em 29/05/96;   3-A-210 em 01/08/89 e 3-A-212 em 11/12/89). O Super Etandard 3-A-202 sofreu um acidente ficando praticamente inviável repará-lo, e hoje está em display ostentando todas as opções de armamento dentro do hangar da Segunda Esquadrilha Aeronaval  de Caça e Ataque. Existe interesse em colocar em exposição no Museu Aeronaval, pois este avião é veterano da Guerra das Malvinas, e um dos dois aviões que afundou o HMS Sheffield, bem como aquele que disparou o quinto e último Exocet então disponível contra o HMS Invencible.

No dia da visita, parte da esquadrilha estava em exercício na área de Trelew , restando no hangar  seis aviões : 3-A-202(em display), 3-A-204, 3-A-207, 3-A-208, 3-A-211 e 3-A-213. Apesar de não contar mais com um porta-aviões, exercícios de toque e arremetida são praticados constantemente na pista de Comandante Espora.

Super Etandard 3-A-211Super Etandard 3-A-213Super Etandard 3-A-202 , hoje em display com todas as opções de armamentos. Verdadeiro veterano da Guerra das Malvinas participou no afundamento do “HMS Sheffield”Pilatus Turbo Porter 6-G-2

 Escuadrilla Aeronaval Antisubmarina

O esquadrão está equipado atualmente com cinco Grumman S-2 Turbo Tracker (matrículas 2-AS-21,2-AS-22, 2-AS-23, 2-AS-24 e 2-AS-25) e um Pilatus PC-6B Turbo Porter (matrícula 6-G-2).

Turbo Tracker 2-AS-21Turbo Tracker 2-AS-23Detalhe da deriva do Turbo Tracker 2-AS-23 com inscrição dos 2 porta aviões que operou; o “V-2  25 de Mayo” e o “A-11 Minas Gerais”Turbo Tracker 2-AS-24

Fuerza Aeronaval Argentina adquiriu seis S-2 A Tracker, um S-2F, seis S-2E e três S-2G, sendo que cinco S-2E foram modificados para o padrão Turbo Tracker  sofrendo as seguintes modificações:

-Dois motores turbo-hélice Garret TPE-331-15AW de 1645SHP(1227 kw) e hélices Hartzell de 5 pás.

-Radar de exploração AN /APS-88A; MAD NA/ASQ-10; MAE/ECM AN/ALD-2B, receptor de sonobóias NA/ARR-52; computador de navegação ACS COTAC; VLF/Omega Global 500; sistema Doppler NA/APN-153(v), ADI e HSI.

-Torpedos Whitehead A244S, sonobóias SSQ-41/47B, cargas fumigenas Mk.25, cargas de profundidade Mk.54 de 350lbs., 6 foguetes HVAR de 5´´ e lança-foguetes LAU-10A de 4X5 ou LAU-69 de 19X2,75.

Os três S-2G  permanecem armazenados para utilização como peças de reposição.

Os Turbo Tracker  tem como missão ASW e patrulhamento marítimo . Durante a visita encontramos os Turbo Tracker 2-AS-21 , 2-AS-23 e 2-AS-24, além do único Turbo Porter operado como avião orgânico. Foram  adquiridos 4 Turbo Porters (matrículas 6-G-1 a 6-G-4) mas somente um sobrevive.

Segunda Escuadrilla Aeronaval de Helicópteros

O esquadrão é equipado com helicópteros Sikorsky SH-3D Sea King e Agusta AS-61D Sea King, sendo que foram adquiridos originalmente  cinco SH-3D( matrículas 2-H-231 a 2-H-235) e quatro Agusta (matriculas 2-H-236 a 2-H-239). Dois Agusta foram perdidos quando o navio  Bahia Paraiso afundou em 30/01/89 numa missão na Antártida (2-H-236 e 2-H-237) e um Sikorsky (2-H-231) está inoperante por danos estruturais.

Agusta 2-H-238 com lançador de Exocet na fuselagem
Sikorsky SH3-D 2–H-232 e 2-H-235
Sikorsky 2-H-233

Os Sikorsky efetuam missões de busca, e ASW, armados com sonar e torpedos, mas não são capazes de serem armados com mísseis Exocet. Podem transportar até 25 fuzileiros equipados ou 15 feridos. Na ocasião da visita encontramos os SH-3D 2-H-232, 2-H-233 e 2-H-235.

Dos dois Agusta remanescentes, um deles(2-H-238) está equipado com lançador de Exocet, e o outro (2-H-239),  foi convertido em helicóptero presidencial, recebendo configuração VIP incluindo um sanitário na parte posterior da nave.A adaptação não foi bem sucedida, pois com a concentração do peso na parte traseira não dava estabilidade no vôo. O helicóptero acabou não sendo utilizado para a finalidade, e deve ser re-configurado para vetor armado.

Primera Escuadrilla Aeronaval de Helicópteros

Operam helicópteros Aerospatiale SA-316B Alouette III e Eurocopter  AS-555N Fennec.
Os Alouette III são os equipamentos mais antigos em serviço na história da Fuerza Aeronaval Argentina pois logo vão completar  37 anos de serviço. Foram adquiridos 14 unidades à partir de 1969 (matrículas 2-H-1, 3-H-102, 3-H-103, 4-H-4, 3-H-105, 4-H-6,
3-H-107, 4-H-8, 3-H-109, 3-H-110, 3-H-111, 3-H-112,3-H-114 e 3-H-115).

Alouette III 3-H-111
Fennec  3-H-131
Fennec  3-H-134 decolando
Fennec   3-H-132 e 3-H-133 no hangar  da Primera Escuadrilla Aeronaval de Helicópteros

Durante a sua operação foram perdidos os seguintes Alouettes:

2-H-1 em 14/05/76, 3-H-102 em 14/10/83, 3-H-103 em 04/03/79, 4-H-4 em 18/09/70, 3-H-105 em 02/05/82 (afundando com o Cruzador General Belgrano na Guerra das Malvinas), 4-H- 6 em 21/01/71, 4-H-8 em 07/01/73, 3-H-110 em 21/04/83, 3-H-112 em 02/11/90 (veterano da Guerra do Golfo e preservado no Museo de Aviación Naval - MUAN ).

Pelo menos dois Alouettes estão ainda em operação (3–H-109 e o 3-H-111), e podem ser armados com dois mísseis AS-12.

Os Fennecs são equipados com um radar que permite auxiliar os navios no lançamento dos mísseis MM-40. Foram adquiridos quatro unidades (matrículas 3-H-131 a 3-H-134).Tanto os Fennecs como os Alouettes são também embarcados em fragatas e corvetas da frota naval argentina.

Tercera Escuadrilla Aeronaval de Helicópteros

Operam os Bell UH-1H Iroquois. Embora não seja uma versão navalizada do vetor, sete unidades foram adquiridas e são utilizadas como utilitárias para emprego geral ( matrículas 3-H-301 a 3-H-307). Como padrão os UH-1H estão equipados com protetores blindados nas laterais externas dos bancos dos dois tripulantes.

UH-1H 3-H-301 e 305
UH-1H 3-H-302 “Ghost”
UH-1H 3-H-302,304,307 e 306

O 3-H-302 foi designado inicialmente para ser utilizado junto à força de paz no Haiti e foi todo pintado de branco ostentando a nomenclatura “United Nations”.

A força de paz optou, porém em levar os UH-1H da Fuerza Aérea, e o 3-H-302 acabou ficando. Os dizeres “United Nations” foram suprimidos, sendo pintado em seu lugar a matrícula original, porém a pintura permanece toda branca, sendo por esta razão apelidado de “Ghost”. 
 
 

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