A ALIDE na FIDAE 2006 PDF Print E-mail
Tuesday, 11 November 2008 16:52

 

A ALIDE na FIDAE 2006

ALIDE visitou a FIDAE 2006, a mais tradicional feira aeronáutica da América do Sul. Em sua 18 a edição, a FIDAE, mesmo sem o anúncio de grandes negócios, recebeu um grande número de aeronaves, especialmente militares em operação nas nações amigas.

O nome já diz tudo: Feria Internacional del Aire y del Espacio. Seu início se deu na Base de El Bosque e por muitos anos foi realizada na Base Aérea de Los Cerillos, porém, neste ano a Feira se mudou com malas e bagagens para o belo e moderno Aeroporto Internacional Arturo Merino Benitez. Cerillos foi desativada e o terreno destinado para um projeto imobiliário, o Museu Aeroespacial Chileno permanecerá por lá, mas as unidades da II Brigada da Força Aérea Chilena foram transferidas para a Base Aérea localizada no Aeroporto Internacional, e é nesta nova área que a FIDAE se instalou. Devido ao tamanho da pista e do espaço disponível, era lá mesmo que já operavam as grandes aeronaves da FACh, o único AWACS E-707 Cóndor, os C-130 e 707s de transporte e reabastecimento em vôo, assim como os 737 e Gulftream GIV da Escuadrilla Presidencial.

Passe o mouse sobre as fotos e veja as legendas.
Este Catalina veio voando para a Feira.EurocopterEurocopter BK-117 dos CarabinerosBombardier LearJet

Os Halcones, a Esquadrilha da Fumaça chilena, foi uma das unidades que saiu de Los Cerillos com seus aviões Extra 300 e agora ocupa alguns dos novíssimos hangares. Alias tudo parece novo em folha na área da Feira, do pátio aos hangares e construções. Dos seis hangares novos, quatro, foram usados para abrigar os estandes das empresas participantes da Feira que se agrupavam por temas: “o stand americano”, “o chileno”, o “europeu” e o “russo/israelense”. Neste ano, a FIDAE bateu seus recordes históricos contando com 378 expositores oriundos de 45 paises de toda parte do mundo. A Feira dispõe de mais de 90.000 metros quadrados de espaço por onde circularão cerca de 10.000 pessoas diretamente ligadas ao setor, seja como fornecedores ou como consumidores dos produtos e serviços ofertados.

C-160 da Força Aérea FrancesaBoeing 737 da Presidência da República do Chile

Do outro lado do pátio de exibição das aeronaves, de frente para a pista, estavam os “chalés”, um conjunto de salas de reunião, com acesso restrito para que as empresas pudessem receber, com a devida privacidade, seus clientes e convidados VIPs. Nesta edição, a Embraer que costumava ser uma dos mais importantes participantes da FIDAE, desta vez se resumiu a operar um Chalet, optando por não montar um stand aberto ao público. A Feira começou com a chegada das aeronaves de exibição na sexta e no sábado. No domingo houve um cocktail para os participantes e na segunda-feira abriram-se as portas para o público.

Como é de praxe nestas feiras, os primeiros dias, os dias “profesionales”, são de acesso restrito, sendo voltado para executivos e trabalhadores da indústria aeroespacial. Para garantir o ambiente propício para os negócios, o acesso de pessoas físicas, embora não proibido, foi limitado com um preço alto de acesso nas bilheterias. No fim de semana, dias “generales”, a coisa se inverte e a Feira se transforma num gigantesco “portões abertos”, atraindo famílias com crianças numerosas e suas cestas de piquenique. Com monumentais engarrafamentos de mais de 2 horas nas estradas de acesso à Feira, o numero de visitantes desta edição alcançou impressionantes 134.000 visitantes, que em sua maioria buscava um entretenimento empolgante e diferente, num fim de semana de perfeito céu azul e temperatura amena.

B-200 King Air da FA da BolíviaKamov K-32Airbus A318Bell 430
Maquete do Sukhoi Flanker modernizadoParaquedistasLMAASA IA-63 modernizadoENAER T-35 Pillan

Esta FIDAE demonstrou um viés muito mais militar do que civil. Um dos sinais disso, foi ser escolhida para ser o palco para apresentação pública do mais moderno caça da América Latina, o Lockheed F-16C/D. Fruto do programa “Caza 2000”, foi exibido à imprensa local e ao público pela primeira vez. Ao seu lado a Fuerza Aérea de Chile mostrou seus demais vetores de caça, os modernizados Dassault M-50 Pantera e o M-5M Elkan, em exibição no solo e em vôo. Os F-5 Tiger III, por sua vez, ficaram apenas no solo. Também marcaram presença os AT-37 “Tweety Bird” e os treinadores T/A-36 CASA 101 Aviojet e T-35 Pillan.

Um aspecto notável nesta edição, era que a maioria das aeronaves presentes, tanto na área estática quanto nas exibições de vôo, não foram trazidos pelos seus fabricantes. Muitos deles eram da Fuerza Aérea Chilena, da Armada de Chile, ou de outras unidades militares e paramilitares chilenas. O ponto alto, sem dúvida foi a impressionante presença de caças modernos estrangeiros na FIDAE, que, antes de qualquer coisa, representam um claro sinal do prestígio internacional da FACh e do governo chileno.

 

Raytheon T-6BExtra 300 dos Halcones com KC-10 ao fundoAS350Rayrheon T-6B

A Royal Air Force britânica mandou dois Tornado GR.4 para Santiago com um avião-tanque VC-10 C1 K. O Armée de l'Air fracês apareceu com dois Mirage 2000C RDI escoltados por um C-160 Transall e um KC-135FR, este último não ficou a semana toda. Até a FAB se fez presente com oito Tucanos T-27 da Esquadrilha da Fumaça. além de dois A-1A (AMX) do 3°/10° GAv, Esquadrão Centauro, da Base Aérea de Santa Maria e um A-29B do 1°/3° GAv de Boa Vista, no extremo norte do Brasil.

A USAF, Força Aérea Americana, levou para o Chile nada menos que quatro F-16, dois F-15, dois B-1B e dois KC-10. A sua presença nos céus também não era nada pequena, os F-16 e os F-15 chegaram a fazer duas exibições por dia. Esta presença física, e este grande número de horas voadas, demonstra o quanto a FACh contribuiu para a realização deste evento. Tradicionalmente o custo do combustível usado pelas aeronaves visitantes corre por conta do país anfitrião.

 Aeronaves civis

Além dos stands e das aeronaves expostas, uma série de eventos e encontros paralelos contribuiu para atrair ainda mais o público especializado para a Feira. Estas reuniões aconteceram todas simultaneamente: a IV Conferência “Wings of Change – It's Now or Never”, com a participação da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), a IV Conferência de Tendências de Manutenção Aeronáutica, o I Congresso Latino-americano de Medicina de Aviação e de Evacuação Aeromédica e o “ Satélites y Educación a Distancia en el Marco de la Reunión Preparatoria de la V Conferencia Especial de las Américas". Os temas de Defesa, por sua vez, foram tratados na VII Reunião de Comandantes Logísticos das Forças Aéreas da América Latina.

O lado direito do pátio era dominado pelo segmento civil, tanto aviões quanto helicópteros. No canto um belo PBY Catalina totalmente recuperado apresentava uma vistosa pintura de alta visibilidade vermelho e branco. Vários dos jatos executivos e helicópteros, pertenciam a uma empresa de resgate aéreo chilena e outros foram trazidos pelos fabricantes para serem demonstrados aos clientes.

Aeronave

Matricula

Aeronave

Matricula

TBM-700

N2UX

Cessna Citation II

 

GA-8 Airvan

 

Cessna Citation III

 

Cessna 172SP

CC-CMD

Cessna Citation IV

 

DHC-6 Twin Otter

CC-CST

Beech B-200 King Air

 

Learjet 40

 

Catalina PBY

CC-CDT

Learjet 45

N45LJ

Gulfstream G550

N571GA

Learjet 60

 

 

 

Cessna Tu-206

 

 

 

Cessna 404 Titan

 

 

 

AS350-B3

CC-ETI

Raytheon Premier IA

N390PT

MBB-105 LS

 

Citation Sovereign

N544KB

BK-117

H-32

Cessna Caravan

N1309F

Piper Cheyenne

 

Cirrus SR20

N786CD

Raytheon T-6B

N3000B

Kamov Ka-32A11BC

EC-JAL

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Fuerza Aérea de Chile

 

Aeronave

Matricula

Aeronave

Matricula

Northrop F-5E Tiger III

801

E-707 Condór

904

Dassault M-5M Elkan

709

Dassault M-5M

713

Dassault M-50 Pantera

 

Cessna CJ-1

363

Lockheed F-16D

858

Lockheed F-16D

859

Gulfstream G-IV

911

ENAER T-35 Pillan

143

Lockheed C-130

994

DHC 6 Twin Otter

393

 

Base Aérea no Aeroporto de SantiagoE-707 CondórCessna O-2APilatus P-7 com P-3ACH ao fundo
C-130 chilenoPilatus com boca de tubarãoC-130 da FAChCJ1 da FACh
Mirage M-5 Elkan chilenoPar de ElkansElkan em vôoElkan em vôo
Dassault M-50 Pantera em taxiDassault M-50 Pantera em demonstraçãoUH-1H fotografando o B-1B em taxiLockheed F-16D da Fuerza Aérea Chilena
A-37B Dragonfly da FAChMaquete do F-16C Block 50 da FACh no estande da LockheedCondór, a aeronave AEW da FACh ENAER T-35 Pillan

 Ejército de Chile

 

Casa CN-235

216

CASA 212-300

231

Super Puma

H-266

“Esquilo”

H-171

MD 530 Defender

H-197

MD 530 Defender

H-135

 

UH-1H repotencializado argentinoCASA 212 do Exército chilenoAS332 SuperPuma do Exército chilenoCessna 208 Caravan

   Armada de Chile

 

Aeronave

Matricula

Aeronave

Matricula

Cessna O-2 Bird Dog

Naval 338

Pilatus PC-7

211

Lockheed P-3ACH

Naval 407

 

 

 Os Halcones se exibindo para a torcida da casa

Mesmo com a casa cheia de caças e bombardeiros impressionantes, os donos da casa é que dominaram os céus. Montados em seus pequeninos Extra 300, uma aeronave alemã feita sob medida para a acrobacia da classe “unlimited”, os Halcones (Falcões) da Força Aérea Chilena realizara exibições espetaculares, uma vez que seu avião agüenta qualquer tranco. Algumas das manobras exibidas por eles aqui, tiveram de ser retiradas do “cardápio” da Esquadrilha da Fumaça porque os motores turbohélices PT-6 dos Tucanos, simplesmente não tinham sido projetados para suportar os estresses dinâmicos gerados por elas.

Na decolagem começaram as novidades, todos os Extra, alinhados na cabeceira, decolaram em formatura, já com o gerador de fumaça acionado. A única exceção sendo o avião do solo, que pacientemente esperou a sua vez para partir. Os aviões fizeram uma volta e sobrevoaram a pista exatamente na hora que o solo soltou os freios e decolou entrando imediatamente em formação com os demais, numa coordenação ousada e perfeita. Memorável foi o looping inverso em formatura, uma manobra que apenas os Halcones fazem regularmente. Um dos pontos altos do display foi quando os cinco aviões desenharam uma estrela de cinco pontas (presente na bandeira chilena) sobre a cabeça do público. No final da sua exibição, eles, para saudar o público, desenharam um imenso coração no céu e o solo desenhou a flecha do cupido cruzando ele na diagonal. Os chilenos têm por tradição fazer a troca de comando dos Halcones durante a FIDAE e neste ano não foi diferente. Parabéns Halcones, pela especial habilidade e pela habilidade de pé e mão dos seus pilotos,e, lembrando uma frase que bem se aplica aos seus Extra 300: “tamanho não é documento”. Salut!

Piloto dos Halcones em taxiExtra 300Falcões bem viajados!Extra 300 com KC-10A ao fundo
Extra 300 chilenoDecolando com a fumaça acionadaEm direção à cabeceiraEspelhados
HalconesMais uma estrela no céu chilenoHalcones em mergulhoHalcones em sua demonstração durante a FIDAE 2006
Halcones em sua demonstração durante a FIDAE 2006Halcones em sua demonstração durante a FIDAE 2006Formação de estrelaFormando um coração nos céus chilenos

 A Força Tarefa Americana

Uma Força Aérea de porte superlativo como a USAF não pode se dar ao luxo de contar apenas com os Thunderbirds, seu consagrado esquadrão de demonstração, como cartão de visita perante a sociedade. As demandas por participação da USAF em eventos populares são inúmeras, e provem de todo os Estados Unidos e também de outros países. Este fato levou o Air Combat Command da USAF a criar o Heritage Flight, um grupo de esquadrões de exibição virtuais que, durante os fins de semana, se utilizam de aeronaves pertencentes a esquadrões baseados na região onde ocorrerá o evento para realizar os vôos de demonstração. São seis unidades atualmente, dois cada para F-15, F-16 e A-10, sempre um no leste e outro no oeste dos EUA. Neste caso específico, como não existem esquadrões operacionais americanos baseados na América do Sul, estes caças foram trazidos desde os EUA para a realização destas apresentações.

O gigantesco O B-1B faz parte da B-1B efetuando uma passagem sobre a feiraO Lancer se aproximando para o pouso
B-1B taxiandoF-15C se aproximando para o pousoF-15C taxiandoF-16C efetuando taxi

Seus pilotos são todos oficiais experientes que servem no Quartel General do ACC e que para manter suas qualificações de piloto de combate, regularmente realizam períodos nos esquadrões operacionais. A FIDAE 2006 marcou a primeira visita do Boeing (ex-McDonnell Douglas) F-15C Eagle à América do Sul. Dois destes imensos aviões de superioridade aérea realizaram vôos diários para o deleito dos visitantes. Embora as exibições dos diversos aviões fossem bem semelhantes o grande tamanho relativo do Eagle e o forte ruído dos seus dois turbofans F110, multiplicavam sensivelmente o impacto de suas manobras perante o público.

A aeronave de apoio KC-10A começou sua viagem na Califórnia passando pela Base Aérea de Hill e pela de McDill, na Flórida, para buscar respectivamente, os quatro F-16 e os dois F-15. De lá todos voaram non-stop durante quase 10h, sobrevoando o Panamá, Equador e o Peru, até chegarem à capital chilena. Os F-16, reabasteceram a cada 45 minutos e os Eagle, a cada 1h30, o objetivo disso era manter os tanques dos caças sempre cheios durante todo o trajeto. Caso fosse verificado qualquer problema no boom do KC-10, eles teriam então uma escolha maior para aeródromos alternativos. Outro objetivo de um número maior de reabastecimentos está em minimizar a monotonia, uma vez que num vôo longo como esse este fator poderia gerar riscos desnecessários às tripulações e aos aviões.

F-16C em exposiçãoF-16D em exposiçãoF-16C se preparando para mais um vôoDetalhe em um dos F-16 presentes na FIDAE
O Eagle foi durante muitos anos o principal caça da USAF. O seu reinado passou para o F-22A Raptor
F-15 em vôo de demonstraçãoF-15 em vôo de demonstraçãoF-15 em vôo de demonstraçãoF-15 em vôo de demonstração
F-16 em vôo de demonstraçãoF-16 em vôo de demonstraçãoF-16C taxiandoO B-1B imponente
F-15C se preparando para mais um vôo de demonstraçãoApesar do tamanho o B-1B pode ultrapassar a barreira do somO avião tanque KC-10 da USAFvista interna do KC-10

 O inusitado Viking

Substituto na US Navy do S-2 Tracker usado por muitas marinhas locais, inclusive o Brasil, o Lockheed S-3B do Esquadrão VS-41 da Marinha Americana apareceu neste ano como um verdadeiro “outsider”. Sua vinda se casa com a recente declaração à imprensa de que todas as células recentemente retiradas de operação pela US Navy seriam oferecidas a países amigos “sem custos”. Projetado para operar em navios aeródromos, o Viking na América do Sul teria de ser operado de bases em terra, pois apenas o Brasil opera Porta Aviões. No entanto, falta esclarecer ainda, se as catapultas, aparelhos de parada e elevadores do A-12 São Paulo poderiam suportar a operação do pesado patrulheiro.

O S-3B Viking carrega um poderoso sistema de guerra anti-submarino e adicionalmente um amplo leque de sensores e armamentos, podendo realizar muitas missões complementares como REVO e guerra anti-superficie. Anos atrás, circularam curiosos boatos de um interesse da Bulgária e posteriormente da Venezuela por este modelo de avião, mas nada se concretizou. A recente decisão brasileira de contratar a firma européia CASA/EADS para modernizar as células de P-3 adquiridas nos EUA para o padrão “BR” pode ter influenciado o governo americano a ofertar os Viking às marinhas da região. Armada Argentina também opera aeronaves de patrulha de geração anterior e pode ser outro candidato a operar o modelo.

Na quarta-feira, no meio da FIDAE, esta aeronave decolou para a Base Aeronaval Viña del Mar, onde foi apresentada aos oficiais da aviação naval chilena. Na quinta-feira, ao fim do dia, ela voltou ao pátio de exibição estática em Santiago.

S-3B VikingO caçador de submarinos da US NavyA aeronave está sendo retirada de serviçoOs americanos estão oferecendo o S-3B para vários países sul-americanos, inclusive o Brasil

   Os dois "Ossos"

Descontando o KC-10, as maiores aeronaves da Feira foram os dois bombardeiros estratégicos Rockwell B-1B, que vieram do Texas para abrilhantar a FIDAE 2006. Voaram poucas vezes, mas não sem roubar o fôlego de todos os presentes. Do tamanho de um 767-200 o B-1B voa como se fosse um caça, nada de decolagens lentas e atitudes conservadoras. Quatro turbofans modernos F101 rugem poderosamente pra botar o Lancer no ar e uma vez com as rodas fora da pista começam as curvas com as asas na sua abertura máxima. O B-1B apresenta asas de geometria variável que se dobram ou se estendem de acordo com o regime de vôo selecionado pelo piloto. Para o pouso elas ficam abertas, para vôo em alta velocidade se recolhem. Embora complexo e bastante caro, este sistema aumenta a velocidade sobre o alvo e reduz a velocidade de pouso e decolagem, aumentando bastante a segurança operacional. O nome oficial deste bombardeiro pode até ser “Lancer”, ,mas, sua tripulações os chamam por outro nome: The Bone , o “Osso”. Ainda que sua esguia fuselagem, superfícies com curvas suaves e uma área da cabine mais protuberante podem eventualmente evocar um fêmur monstruoso, o apelido é apenas um trocadilho esperto, já que em inglês o número “um” se escreve “ONE”.

Vista interna do KC-10

 

Aeronave

Matricula

Aeronave

Matricula

Boeing F-15C

“FF” 84008

Boeing F-15C

“FF” 84024

Lockheed F-16C

 

Lockheed F-16C

“HL” 880419

Lockheed F-16C

900725

Lockheed F-16D

“HL” 90797

Lockheed S-3B

“S 727” BU 159413

Lockheed F-16D

“HL” 89174

Lockheed C-130H

“PR” 640544

Rockwell B-1B

DY 86098 “Midnight Train”

Douglas KC-10A

91946

Rockwell B-1B

86132 “Oh Hard Luck”

 REVO sobre o Pacífico

Na sexta-feira pela manhã, foi possibilitado à imprensa acompanhar de perto uma missão demonstração de reabastecimento da USAF. O KC-10A Extender é um derivado para reabastecimento aéreo e para transporte de carga paletizada do conhecido avião de passageiros civil Douglas DC-10. Sua fuselagem wide-body conta com assentos padrão de classe econômica na sua parte frontal, dispostos na configuração 2+4+2, para permitir que um KC-10 possa transportar, sozinho, um esquadrão de caças dos EUA para a Europa, Ásia ou Oriente Médio. Segundo o pessoal da USAF, o KC-10 embora possa ter os assentos de passageiro removidos, isso raramente acontece, uma vez que ele não realiza missões full-cargo como os dedicados C-17 e C-5, por exemplo. Para apoiar melhor grandes números de caças munidos com o sistema “Probe & Drogue” de reabastecimento aéreo, o KC-10A pode ser equipado com dois casulos subalares para reabastecer simultaneamente três aeronaves, uma vez que na traseira da fuselagem, ele já conta com uma mangueira de combustível extensível com mais de 20 metros de comprimento.

F-16D se aproximando para o reabastecimento em vôoEssa é uma tarefa que exige muito treinamentoF-16D acompanhando o KC-10 após ser reabastecido

Esta célula em que voamos pertence á 60 a Ala de Mobilidade Aérea (Air Mobility Wing) da Base Aérea de Travis, próxima à São Francisco, na Califórnia. As portas foram fechadas às 11:10, na cabine como era padrão na década de 80, três tripulantes apenas, dois pilotos e uma engenheira de vôo. Decolamos para o noroeste, sobrevoamos Viña del Mar e seguimos 120 km para o oeste, onde nos “ancoramos” aguardando a chegada do nosso “cliente”. Logo, o F-16D 90797 se apresentou e se posicionou para o REVO sob a fuselagem do imenso tri-jato. Para proveito dos repórteres fotográficos e cinegrafistas a bordo, foram realizados oito contatos, sendo que apenas um deles “molhado”, com transferência de 2.500lbs de combustível (cerca de 1.250kg) para o caça.

O KC-10A tem um compartimento amplo no piso inferior para o operador do “boom”, a haste localizada sob o rabo do avião-tanque que faz contato com o receptáculo na espinha dorsal do F-16. Se necessário, a escotilha de acesso deste compartimento pode ser fechada para acomodar mais carga na parte traseira do piso principal. Além do operador, podem ser acomodados, confortavelmente, outros dois observadores/alunos. O boom conta com superfícies aerodinâmicas móveis na sua extremidade que, controladas pelo operador, permitem uma grande precisão no seu posicionamento. O nível de ruído interno do Extender é muito maior do que o verificado nos DC-10, efeito da falta de isolamento acústico usado nos aviões civis de transporte de passageiros.

Na segunda-feira, um segundo KC-10A chegou a Santiago para auxiliar no retorno para casa no dia seguinte. Infelizmente, uma pane hidráulica verificada em um dos F-15 obrigou à sua volta e causou a obstrução da pista do Aeroporto internacional uma vez que o trem de pouso principal esquerdo do F-15 dobrou no momento que a aeronave tocou no solo. Aparentemente, o dano não foi muito extenso, porém o segundo F-15 e um dos KC-10 voltaram para o aeroporto para aguardar e apoiar no reparo do avião acidentado. Os demais aviões seguiram para os EUA sem outros problemas.

 A longa viagem dos Tornados Britânicos 

Esta feira também foi a primeira aparição na América do Sul do modelo GR.4, que é a mais recente versão de ataque ao solo do Tornado em uso na Royal Air Force. Outros Tornados operam normalmente nas Ilhas Falkland/Malvinas, há muitos anos, porém são da versão F.3, otimizada para a interceptação e para a guerra ar-ar. Os Tornados partiram da base de Lossiemouth com um pouso intermediário em Bangor, no extremo nordeste dos EUA, e finalmente prosseguiram para Hill AFB, localizada no estado de Utah. Os dois Tornados carregavam sob suas asas um pod ECM Sky Shadow e do outro lado, um casulo lançador de Chaff e Flare, As demonstrações aéreas foram realizadas sem que estes componentes adicionais fossem removidos.

Tornado GR.4, a principal aeronave de ataque da Royal Air ForceTornado GR.4 em exposição na FIDAETornado GR.4 em exposição na FIDAETornado GR.4 em vôo de demonstração

No meio deste exercício, duas unidades foram destacadas e enviadas para representar a RAF na FIDAE. Um VC-10 partiu do Reino Unido levando uma tripulação de demonstração, um instrutor e um navegador do Esquadrão número 15, a unidade de conversão operacional do Tornado GR.4. Eles levaram os dois aviões até Santiago passando por Cancún e Guayaquil. Na terça, dia 4, eles partiram de volta para a Inglaterra, passando de novo por Guayaquil, Cancun, Halifax (no Canadá), Lages (nos Açores) e finalmente Lossiemouth, a 13.937 km de distância do ponto de partida. O VC-10 de apoio é do Esquadrão 101 que recentemente após o desativação do Esquadrão número 10, absorveu todas as células deste modelo de avião.

Aeronave

Matricula

Aeronave

Matricula

Tornado GR4

“DJ” ZA591

VC-10 C1K

XV102

Tornado GR4

“TB” ZD707

 

 

 A Revoada dos Mirages Franceses

Os franceses enviaram à América do Sul dois Mirage 2000C RDI do Esquadrão de Caça 02/005 “Ile de France” da Base Aérienne 115 Capitaine de Seynes - em Orange . Na missão de apoio, um C-160 Transall e um KC135FR do Esquadrão GRV 00.093 de Istres. Os aviões partiram de suas bases e voaram até Dakar no Senegal, onde pernoitaram. No trecho seguinte, cruzaram o Atlântico Sul até Salvador na Bahia e depois, numa pernada só completaram sua viagem pousando em Santiago. Na volta, o pouso intermediário foi em Brasília, onde muitos curiosos assumiram de que se tratava da entrega dos primeiros Mirage 2000C da FAB. Mal sabiam que segundo fontes da FAB, justamente uma destas duas células, coincidentemente, faz parte do grupo selecionado para vir para Anápolis, em breve. O trecho seguinte levou os Mirages, e sua entourage, para Caiena, capital da Guiana Francesa, onde foram realizados exercícios de adestramento dos controladores de vôo locais, além é claro de estrelar um portões abertos na cidade. Os Mirage franceses operam regularmente na Guiana, em proteção aos lançamentos de foguetes Ariane, do espaçoporto de Kourou.

Aeronave

Matricula

Aeronave

Matricula

Mirage 2000C RDI

5-OX c/n 16

C-160

61-MO

Mirage 2000C RDI

5-OC c/n 36

KC-35FR

 

 

Mirage 2000C em vôo de demonstraçãoMirage 2000C em vôo de demonstraçãoMirage 2000C semelhante aos que a FAB receberá ainda em 2006
Mirage 2000C taxiando na FIDAE 2006Mirage 2000C em vôo de demonstraçãoMirage 2000C em vôo de demonstraçãoMirage 2000C em vôo de demonstração
Reabastecimento em vôo sobre o AtlânticoMirage 2000C se aproximando para o reabastecimentoMirage 2000C acompanhando o KC-135F da Armée de l´AirDetalhe do Mirage 2000C em vôo

 Os AMX gaúchos sobre os Andes e o Super Tucano que veio de longe

A viagem mais longa entre as aeronaves brasileiras foi a do A-29, que, saindo de Boa Vista em Roraima, voou solo quase 6000 km, pousando em Manaus, Brasília e Santa Maria. O Super Tucano exibia pela primeira vez no seu cabide central um “casulo logístico”, um compartimento extra de carga, com formato aerodinâmico, para transporte de carga leve. Isso é importante porque, sendo o espaço interno da aeronave muito restrito não há espaço para o transporte dos pertences dos tripulantes em viagens mais longas fora da base. Este equipamento acaba de ser certificado no A-29, e esta era a primeira unidade entregue ao Esquadrão Escorpião. Os chilenos solicitaram a inclusão do Super Tucano nas exibições aéreas de sábado. Como a aeronave pertencia à FAB, foram conseguidas as devidas autorizações em Brasília, mas, infelizmente, uma pequena pane impediu que essa idéia pudesse ser posta em pratica, a janela disponível para o vôo sendo apertada demais. Durante a Feira a Embraer levou vários oficiais de países da região para conhecer detalhadamente o Super Tucano, incluindo os do Chile e da Bolívia.

A-1 do Centauro sobrevoando a Cordilheira dos Andes entre a Argentina e ChileA-1 do Centauro sobrevoando a Cordilheira dos Andes entre a Argentina e ChileUma cena muito rara, um A-1 da FAB voando sobre montanhas nevadas

Os dois AMX do Esquadrão Centauro, configurados com dois tanques subalares, cobriram sozinhos os quase 1700 km, voando direto sem escalas de Santa Maria, no interior do Rio Grande do Sul até Santiago do Chile. Foi uma oportunidade única para serem fotografados sobrevoando os Andes em um trecho bem nevado, apesar do inverno já ter acabado há bastante tempo. Na exposição estática, um dos aviões envergava na lateral da fuselagem, abaixo do canopi, a bandeira Brasileira e o outro, a dos “Centauros dos Pampas” com três listras horizontais em celeste, vermelho e branco. Um C-130H da FAB trouxe os mecânicos e os kits de manutenção, tanto para o A-29, quanto para os AMX, indispensáveis para caso fosse necessário qualquer intervenção técnica.

Representando o Brasil na FIDAE A-1 em vôo

Houve também dois vôos de C-99A, levando e buscando a comitiva oficial da FAB, curioso foi os organizadores da Feira citaram, nos seus prospectos, a presença destes C-99A como “participantes”...

Aeronave

Matricula

Aeronave

Matricula

A-1A

5534

A-1A

5534

A-29B

5927

C-99A

2422

 

Ainda durante a longa jornada rumo ao ChilePiloto do Esquadrão Centauro
Centauro rumo ao ChileA-1A do Esquadrão CentauroSuper Tucano em exposição na FIDAE 2006C-99A da FAB

 Conclusão

A FIDAE, apesar dos temores, ao fim da sua edição 2004, de que teria cada vez mais dificuldade para se justificar, demonstrou neste ano uma grande vitalide. Muitas aeronaves, algumas inéditas nestas paragens e um claro apoio governamental do Chile e de outros países importantes, parecem garantir o papel da Feira como o principal ponto de contato entre as Forças Armadas do nosso continente com os grandes fabricantes de armamentos do globo. Os stands são quase sempre idênticos aos usados nas diversas feiras regionais que se sucedem ao longo do ano, algumas maquetes apresentadas aqui eram as mesmas que passaram pela LAAD no Rio de Janeiro no ano passado. Mas a oportunidade de ouro de se colocar com facilidade um grande executivo da indústria na frente de um comandante de Força, e vice-versa, sem dúvida, é o grande atrativo destes eventos. Enquanto não forem retomadas, na nossa região, as compras de novos sistemas bélicos, provavelmente apenas em eventos como estes é que teremos por aqui os representantes destas indústrias. Neste ano o Chile foi o único país da América do Sul a comprar equipamentos modernos, talvez nisso resida a maior atratividade desta FIDAE 2006 para os expositores.

De olho nos estimados 40 milhões de dólares que uma feira como esta injeta na economia local, especialmente em hospedagem, transporte e turismo, não faltam cidades candidatas a hospedar este tipo de evento. Nos anos alternados com a FIDAE o Rio de Janeiro já disputa esta oportunidade com sua feira LAAD, fica a pergunta: existe demanda suficiente para duas grandes feiras na América do Sul? Só o tempo dirá. 
 
 
 

Translate

Browse this website in:

Busca Rápida
Serial
(FAB, MB ou EB)


Copyright © 2018 Base Militar Web Magazine. All Rights Reserved. Joomla! is Free Software released under the GNU/GPL License.