Cardeal na ASPIRANTEX 2006 PDF Print E-mail
Written by Rodrigo Bendoraytes e Carlos Filipe Operti   
Tuesday, 11 November 2008 15:46

 

 ASPIRANTEX 2006

A ASPIRANTEX 2006 foi um exercício da Marinha do Brasil com o objetivo de familiarizar os aspirantes a oficial com as várias tarefas realizadas no dia-a-dia da vida no mar. Entre as tarefas estão as manobras dos navios dentro da Força-Tarefa, ensinamentos teóricos, combate anti-submarino e combate antiaéreo.

Com o intuito de treinar a capacidade de ataque naval e a coordenação conjunta com a Marinha, a Força Aérea Brasileira criou a FAE102, que seria a unidade responsável pelas aeronaves P-95A do 4°/7°GAv e A-1 do 1°/16°GAv no exercício.

Passe o mouse sobre as fotos e veja as legendas.
P-95A 7056 durante a manhã antes da missão7057 a aeronave reserva em caso de pane no 7056

 A Primeira Missão de Combate

Após uma longa noite tempestuosa na cidade do Rio de Janeiro, o dia 30/01 de 2006 amanheceu fechado, porém sem chuva, e logo pela manhã os “Cardeais” já davam início aos preparativos da aeronave P-95A 7056 para a missão que ocorreria poucas horas depois.

Chega a hora do briefing, ou brifim como é chamado na FAB, e somos informados que a missão do dia seria de patrulha marítima e PDATAR (Posto Diretor Aerotático no Ar), que é a função de vetorar outras aeronaves até o alvo. O objetivo seria localizar a Força-Tarefa, que poderia estar entre as cidades de Macaé - RJ e Vitória – ES, e em seguida descobrir a localização exata do alvo primário, o Navio-Tanque Marajó, para então finalmente vetorar duas aeronaves A-1 até o ataque. Ocorre em seguida a apresentação da tripulação, sendo ela composta por dois Pilotos, um Mecânico de Vôo, um Coordenador Tático (TACCO – Tactical Coordinator), um Operador de MAGE, um Observador e dois Repórteres. Cada um faz uma análise da aeronave de acordo com sua função. Nessa missão o P-95A 7056 estaria com o código-rádio Cardeal 01 e configurado com 4.000 libras de combustível, o que lhe proporcionaria uma autonomia de 06:40 de vôo. Sua altitude seria de 5.000 pés até Macaé e 3.000 pés na área de busca.

Já com todos os detalhes do vôo e da aeronave acertados, ocorre uma breve apresentação dos meios navais envolvidos no exercício. Entre eles estão as Fragatas Niterói, Defensora, Rademaker, Corveta Frontin, NDCC Mattoso Maia, NDD Rio de Janeiro, NTT Ari Parreiras e o Navio-Tanque Marajó. Imagens das silhuetas das embarcações são mostradas para que os tripulantes respondessem a que classe elas correspondem, sendo uma espécie de teste para o caso de contato visual com a Força-Tarefa. Também foi feita uma análise sobre os mísseis antiaéreos (SAM) disponíveis nos navios, e para a “segurança” da aeronave ela teria que voar a mais de 15 milhas dos navios.

Fragata Rademaker durante a UNITAS XLVIINT Marajó, o alvo da missãoNT Marajó e uma fragata da Classe NiteróiFragata da Classe Niterói

Tudo pronto, tripulantes a postos, motores acionados e o valente “Bandeirulha” segue em direção a cabeceira 05. Um último “check” é feito antes da decolagem, e como constatado anteriormente tudo estava de acordo. Com a autorização concedida pela torre a aeronave segue para a pista e rapidamente inicia sua corrida rumo a decolagem. Já ganhando os céus o P-95A inicia seu procedimento para ganhar altitude voando em círculos por algumas vezes sobre a BASC até atingir a altitude ideal. O radar é acionado por alguns poucos segundos e os primeiros contatos aparecem na tela do operador, porém todos são identificados como navios mercantes próximos ao Porto de Sepetiba.

O motor PT6A-34 com a Restinga da Marambaia ao fundoSobrevoando a cidade do Rio de Janeiro logo após a decolagemAtravessando a cidade do Rio de JaneiroAinda longe da costa o
Aproximação da costaPraia da cidade de Macaé2P e o painel do P-95AUma linda vista do litoral fluminense

Ao atingir a altitude de trânsito a aeronave atravessa a cidade do Rio de Janeiro, passando exatamente por cima do Aeroporto Internacional Tom Jobim, mais conhecido como Galeão, e continua sua jornada, sempre com a Serra do Mar no visual pela esquerda.

Conforme vamos passando pela Região dos Lagos o tempo vai melhorando e o sol aparece com força. O Cardeal 01 faz uma leve curva e segue em direção à costa, onde pudemos observar as belas praias do litoral fluminense até chegarmos à cidade de Macaé, onde o “Bandeirulha” faz uma curva bem fechada e parte em direção ao oceano.

Começava agora a caça aos navios do Grupo-Tarefa. O radar é acionado por poucos segundos e vários contatos são obtidos, porém ainda é difícil identificá-los, pois a área está repleta de plataformas de petróleo e navios mercantes. Em seguida o operador do MAGE identifica um sinal de radar de emprego militar na região e mais uma vez o AN/APS-128 é acionado para tentar identificar os contatos. Imediatamente os sinais somem, os navios passaram a utilizar apenas os sensores passivos demonstrando que o Cardeal 01 havia sido detectado.

Passando próximo a um mercanteEncontro das águas de um rio com a do marJá na busca aos navios da Marinha do BrasilCaçando a Força-Tarefa
Iniciando o processo de identificação dos alvos

Passando a voar a 3.000 pés o P-95A segue em direção aos supostos “inimigos” e inicia uma órbita pelo lado esquerdo dos contatos, nunca se aproximando mais de 17 milhas, pois poderia entrar na zona de alcance dos mísseis antiaéreos. O observador agora tem o papel fundamental de identificar os navios utilizando um poderoso binóculo e rapidamente isso acontece, os contatos são realmente militares. As Fragatas e a Corveta se movimentam rapidamente entrando em formação de combate com intuito de proteger os demais navios. Após vários minutos o G-27 Marajó é finalmente identificado e o Cardeal 01 passa a informação para o Esquadrão Adelphi.

Ao receberem o aviso de que o alvo havia sido identificado os dois A-1 (5517 e 5523) que estavam de sobreaviso decolam de Santa Cruz rumo ao ataque. O Coordenador Tático do Cardeal inicia então a vetoração das aeronaves até o alvo. Chegando na zona do exercício as aeronaves passam a voar rente ao nível do mar e colocam na prática a tática prevista no brienfing. O RWR dos Adelphis apitam, o que indica que provavelmente os radares diretores de tiro dos escoltas já estavam ligados. Rapidamente os caças rasgam a Força-Tarefa e “lançam” suas bombas contra o alvo e em seguida iniciam o procedimento de evasão utilizando todos os meios de defesa disponíveis. Missão cumprida!

Dois A-1 do 1°/16° GAv voando em formação após o ataqueOs AMX efetuaram com exito o ataque contra o G-27 MarajóO ataque a baixa altitude é feito para que a Marinha do Brasil tenha condições de atingir os atacantesCaso o ataque simulado fosse em grande altitude as
Após a modernização essas aeronaves serão ainda mais capazesO P-95 tem um papel fundamental no auxílio aos AMX durante o ataqueAssim como o Adelphi, os esquadrões de Santa Maria também fazem esse tipo de treinamento, mesmo que não seja com a mesma freqüênciaN°2 pronto para abandonar formação

Em uma missão real alguns pontos seriam modificados. O Cardeal lançaria nuvens de chaffs abrindo caminho para que os A-1 se aproximassem sem serem notados. O ataque não seria em baixa altitude e sim em grande altitude, pois assim as aeronaves poderiam lançar suas bombas a grande distância do alvo e com grande precisão graças aos modernos equipamentos do AMX, não tendo que entrar no alcance da defesa de ponto dos navios.

Com o termino da missão o Cardeal 01 abandona a área e voando bem baixo inicia o regresso a sua base. Passando mais uma vez pelas belas praias da região e um belo rasante sobre a cidade de Búzios, onde dois grandes navios de passageiros estavam fundeados. O tempo volta a fechar e uma forte chuva é localizada bem à frente. Para evitar uma severa turbulência o Bandeirulha faz uma curva bem fechada rumo ao mar com o intuito de contornar a formação de nuvens pesadas.

Litoral fluminenseNavio de cruzeiro fundeado em BúziosCentro da cidade de Búzios
Vista aérea de BúziosCadeira do Observador

Já nas proximidades da Baía de Guanabara o Cardeal avista a Corveta Júlio de Noronha e mergulha para uma passagem de observação e logo em seguida retoma sua rota original. Após cinco horas e meia de vôo o Bandeirulha faz um pouso suave na pista de Santa Cruz finalizando o primeiro dia de operação na ASPIRANTEX 2006.

 O Segundo Dia de Operações

No dia 31/01 de 2006 o 4º/7º GAv – Esquadrão Cardeal esteve mais uma vez incumbido de participar de manobras com a Marinha do Brasil. O GT envolvido no exercício ASPIRANTEX se encontrava retornando ao Rio de Janeiro, procedente de Vitória, e estava sob  a ameaça de um navio “inimigo”, papel esse à cargo do Navio Patrulha Guaporé (P45). Dessa vez os Cardeais estariam do lado “amigo”, e a sua missão era fazer o esclarecimento marítimo de uma área pré determinada a fim de encontrar o NaPa e proteger o GT.

Briefing da segunda missãoBriefing da segunda missãoBriefing da segunda missão
P-95A pronto para partir para segunda missãoVoando sobre o Aceano Atlântico O motor PT6A-34

A decolagem estava prevista para a parte da tarde. No briefing a tripulação definiu a quantidade de combustível a ser levada, de acordo com a área de busca a ser coberta e a previsão de tempo de vôo, definidos pela OFRAG recebida do comando da operação. Iríamos executar uma navegação subindo pelo litoral até Búzios e efetuando o esclarecimento sobre o mar nas áreas de Campos e Macaé, litoral norte do estado do Rio de Janeiro.

Com o dia nublado e a previsão de temporal forte para a cidade do Rio de Janeiro, nos encaminhamos para a aeronave. Na chegada ao pátio foi possível ver a concentração da chuva no setor a oeste da Base. O táxi até a pista foi feito já sob uma leve garoa. Decolamos às 16:00LT pela cabeceira 23 da pista da Base Aérea de Santa Cruz. Nosso P-95A 7056 estava com um peso de decolagem de 6803 Kg, incluindo aí 4342 libras de combustível, e 7 “almas” à bordo (1P, 2P, mecânico de vôo, operador de MAGE, operador de radar, observador e repórter).

O Bandeirulha vai ganhando altura e logo que atingimos o litoral, curva à esquerda para seguirmos para nossa área de patrulha. Mantendo 3000 pés de altitude, as nuvens cinzentas nos cercam por cima e dão ao mar uma coloração cinza-chumbo, em nada parecida com o imenso azul escuro a que estamos acostumados. No caminho esse panorama vai se modificando aos poucos, e ao chegarmos na região da bacia de Campos, nosso objetivo, o sol já aparece forte, apesar do final da tarde, mas ainda dividindo o céu com algumas formações nebulosas.

Nossa caçada então começa. Enquanto o 1P se responsabiliza por “levar” o avião, o 2P chama para si a navegação e a observação do mar em busca do navio “inimigo”, enquanto aponta no mapa de navegação todos os contatos visualizados, e suas respectivas posições. Os operadores do MAGE e do radar se mantém atentos aos sinais dos seus equipamentos, mantendo constante conversação com os pilotos e o observador, que perscruta o mar em volta à partir das janelas de observação na parte traseira da aeronave.

Plataforma de Petróleo na Bacia de CamposNavio mercante na Bacia de CamposP-95A do 3°/7°GAv P-95A do 4°/7°GAv
na Bacia de CamposVárias Plataformas de Petróleo na Bacia de CamposÚltimos raios de solP-95A do 4°/7°GAv

Com um binóculo e uma câmera fotográfica ele faz a busca por embarcações e as registra em fotografia para posterior análise no esquadrão. Também é mantido contato constante com o GT da Marinha, que troca informações com a tripulação sobre possíveis locais onde o NaPa pode estar. O tempo vai passando, e o que mais se vê pelo oceano são as plataformas e navios-plataformas de extração de petróleo que fazem daquela região umas das mais estratégicas para o país. Alguns poucos navios de transporte de óleo, contâiners, embarcações menores e até helicópteros fazendo a “ponte aérea” entre Macaé e as plataformas podem ser observados. Em meio os inúmeros sinais dos navios cruzando a área, o operador de radar conseguiu detectar 3 emissões com características de emissões de um Navio Patrulha, mas fracas demais para serem trianguladas e vindas de diferentes posições. Apesar disso a tripulação rumou para as 3 possíveis posições, mas nada encontrou.

P-95B do 2°/7°GAv P-95B do 1°/7°GAv Painel do

O aumento da nebulosidade e a presença de uma leve bruma próxima do mar dificultava a identificação visual de algumas embarcações. Em dado momento deu-se o alerta de contato visual positivo com o NaPa. Com uma curva fechada o piloto coloca o avião em direção ao alvo, mas já a certa distância é possível definir a embarcação como sendo um rebocador de mar da Marinha. A chegada da noite não muda o panorama, e a busca se mantém intensa. Mas mesmo assim, a procura se revela infrutífera. Com o tempo de vôo estipulado chegando ao fim, o Cardeal 56 retorna ao seu ninho na Base Aérea de Santa Cruz. No caminho de volta é possível ver a cidade do Rio de Janeiro ainda sob chuva, com raios caindo de quando em vez. Às 21:20LT o Bandeirulha faz o seu pouso pela pista 05, sob uma leve chuva, e retorna ao sossego do imenso hangar do Zeppelin, para descansar até o dia seguinte.

Até o momento do fechamento deste texto a Marinha ainda não havia realizado o debriefing da missão com o Navio Patrulha, não sendo portanto possível avaliar o real resultado deste vôo de esclarecimento. 
 
Last Updated on Tuesday, 11 November 2008 16:06
 

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