UNITAS: A Orca dos Mares Austrais PDF Print E-mail
Thursday, 27 March 2008 20:41

  

 A Orca do Atlântico Sul – A bordo do Destructor Almirante Brown (D10)

  Imponente. A fragata de projeto alemão MEKO 360 da Argentina é certamente imponente. Talvez por aparentar ser muito mais larga que as nossas fragatas Niterói e Type 22 a Almirante Brown me lembrou imediatamente a figura de uma orca, o temível predador dos mares austrais. A Armada Argentina também enviou a corveta ARA Robinson, uma MEKO 140 e o ARA Santa Cruz, submarino da classe TR-1700 de projeto alemão, Este é um velho conhecido dos brasileiros, pois foi há alguns anos atrás totalmente modernizado nas oficinas do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro. 

Passe o mouse sobre as fotos e veja as legendas.
ARA Almte Brown sendo sobrevoada no ínicio da UNITASARA Almte Brown sendo sobrevoada no ínicio da UNITASNavegando em formaçãoA bombordo da Fragata Rademaker

  As escoltas MEKO são construídas sobre um avançado conceito de modularidade, tanto para sistemas quanto para os armamentos. A palavra MeKo é a simplificação da expressão em alemão MEhrzweck Kombination que em português significa “combinação multi-função”. Criado na década de 70 pelo Estaleiro Blohm + Voss em Hamburgo o projeto do casco do navio é criado independentemente dos radares, canhões e compartimentos chave, como COC e central de radio comunicações. Segundo o fabricante existem mais de 50 unidades no mundo operando ou em construção neste momento que usam tecnologia MEKO. 

Manobras TáticasHelicóptero  Alouette III no convôoManobras TáticasManobras Táticas com a fragata independência se aproximando

  Estes navios foram projetados com uma série de “buracos” específicos onde caberiam containeres e pallets de tamanho padrão. Adicionalmente as conexões de eletricidade, água para refrigeração e sistemas de combate a incêndio estão sempre em posições padronizadas. Cabe então ao fabricante dos sistemas e armas selecionado pelo cliente, a tarefa de empacotar seu equipamento dentro de um desses container padrão. Para o fabricante dos componentes isso simplifica seu projeto tremendamente ao permitir a montagem completa do sistema na fábrica em paralelo com a construção do casco, reduzindo o tempo para entrega do navio. Dentro de uma realidade onde atualizações de meia-vida são quase uma regra, um “ModFrag” numa fragata MEKO promete ser uma proposta bem mais simples, pois até o mastro é um módulo padronizado. Em termos de motorização as MEKO 360 são idênticas às da Classe Greenhalgh usando duas turbinas, uma Tyne RM1A de 6000 shp e uma Olympus TM3B de 51600 shp para cada eixo, inclusive os argentinos tem feito a manutenção das nossas Tynes. Operando com as duas Olympus, este navio alcança a velocidade de 30,5 nós, caindo este número para 20,5 no caso de usarem apenas as duas Tyne. A MEKO 360 é um projeto pan-europeu utilizando motores ingleses canhões italianos, eletrônica holandesa e casco alemães. 

PhotexNavegando em colunaA frente da fragata IndependênciaClose da pôpa com o hangar aberto

  Os mísseis anti-aéreos são 24 mísseis Aspide de guiagem semi-ativa, disparados de um lançador óctuplo Selenia/Elsag Albatros. Os oito Exocet MM40 sendo a principal arma de guerra de superfície do navio. Segundo o CF Horacio Nadale “Os mísseis Aspide tem uma vida útil a bordo de seis meses e de 18 meses em terra antes de terem de ser revisados”. Os radares de busca aérea, de superfície e de controle de tiro, (respectivamente: DA08A com IFF, ZW06 e STIR) são da empresa Signaal que pertence ao conglomerado Phillips. O datalink é Link 10 e o Combat Data System o SEWACO também da Signaal. O sonar usado é o modelo alemão Atlas Elektronik 80 (DSQS-21BZ) O armamento de tubo consiste de um OTO Melara 5" (127 mm)/54 automático e quatro reparos duplos Breda Bofors 40 mm /70, capazes de disparar 300 tiros por minuto. Para lançamento de torpedos, a MEKO 360 argentina conta com dois lançadores triplos, um em cada costado. O helicóptero embarcado AS 555 Fennec, assim como o vetrano antigo AS 319 B Alouette III tem, como função principal, a designação de alvos de superfície além do alcance radar. A idéia da Armada na época da compra destes navios seria equipa-los com helicópteros Westland Lynx, decisão que foi naturalmente revista em função da Guerra das Malvinas em 1982. Destes Lynx apenas dois chegaram a ser entregues, um foi perdido em acidente e o outro foi vendido para a marinha da Dinamarca. Como o próprio nome do modelo sugere, a Almirante Brown desloca 3600 toneladas e sendo operada por 200 tripulantes dos quais 23 são oficiais. Adicionalmente estavam a bordo seis oficiais e sete praças do grupamento aéreo e mais sete oficiais do Estado Maior. Atualmente não existe nenhuma mulher a bordo dos navios da Armada mas a partir do ano que vem com as primeiras graduando como aspirantes este quadro mudará rapidamente.Além da Armada Argentina a Nigéria é o outro país que usa este modelo de fragata. 

Antenas e radaresCapitão-de-Mar-e-Guerra Gaston Erice e o Comandante do ARA Almte.Brown, Capitão-de-Fragata Horacio Nadale junto a equipe da ALIDECamarote do Comandante do navioPraça D'Armas

  A Almirante Brown, que deu nome a sua classe, foi a primeira MEKO 360 entregue da encomenda Argentina, em fevereiro de 1983. Foi seguida pela ARA La Argentina em maio e pela ARA Heroína em novembro de 1984. A última unidade entregue foi a ARA Sarandi em abril de 1984. Duas unidades adicionais desta classe foram canceladas em 1980, após a decisão da Armada pela fabricação, na Argentina, de seis corvetas MEKO 140. A última destas corvetas foi recebida recentemente e elas já estão preparadas para receber futuramente os Exocet MM-40 no lugar dos MM-38 atualmente instalados nelas. 

COCCOCCOCConteiner plugado ao COC
COCCasa de maquinasPainel de controle de energia eletricaCasa de maquinas

  Tivemos a oportunidade de entrevistar ao mesmo tempo o Comandante do GT argentino, Capitão-de-Mar-e-Guerra Gaston Erice e o Comandante do ARA Almte.Brown, Capitão-de-Fragata Horacio Nadale. A Armada teve uma oportunidade valiosíssima e única em termos de América Latina, de participar das operações Escudo do Deserto e Tempestade no Deserto, que culminaram com a remoção das tropas iraquianas que invadiram o Kuweit em 1991. “O maior problema atualmente é a identificação correta dos alvos. Por isso os helicópteros são tão importantes, para podermos disparar um míssil como o Exocet temos de saber com certeza qual dos muitos contatos ao nosso redor é o inimigo e quais são navios mercantes ou pesqueiros. Neste aspecto a capacidade do Fennec Argentino é semelhante à dos Super Lynx brasileiros” Os AS-555, no entanto, não estão configurados para disparar nem mísseis nem torpedos como fazem os AH-11A. Perguntado se este exercício era o ponto alto das manobras anuais da ARA, o CMG Erice respondeu que “a Fraterno e a Unitas são igualmente importantes, elas estão programadas para a segunda metade do ano justamente para dar aos navios da Armada e da MB pelo menos seis meses para adestrarem-se adequadamente”. Segundo ele ”A Unitas é um exercício especial, por se tratar de mais países operando junto”. O Capitão da Almirante Brown completou dizendo que o inglês exigido na fonia da Unitas, por exemplo, já não é mais uma barreira, pois, mesmo em exercícios internos a ARA optou por realizar toda a fonia permanentemente em Inglês. “Esses exercícios são uma escola permanente” completou o CMG Erice. Quisemos saber sobre como eles avaliavam a flexibilidade proporcionada pelos sistema MEKO. “Imagine uma situação normal, um canhão de um navio MEKO sofre um dano que não pode ser reparado a bordo. O navio vai pro porto e um guindaste normal, rápida e facilmente, retira aquele módulo inteiro. Se a sua é uma Marinha com grandes frotas e grandes orçamentos você pode contar módulos de canhões em estoque para situações como estas, caso contrario existe sempre mais algum navio passando por algum tipo de manutenção regular, remove-se este canhão do mesmo modelo que o danificado e se instala ele no navio operacional. Quando o canhão reparado estiver novamente disponível ele vai direto para o navio em manutenção. O sistema é de uma flexibilidade impar.” 

Quadro referente a participação argentina da guerra do GolfoRadar diretor de tiro do AspideReparo triplo de torpedo MK46Visão frontal da prôa

  Encerrada nossa conversa fomos acompanhados pelo imediatos Capitão-de-Corveta Julio Guarda que nos apresentou todo o destructor, da casa de maquinas aos convés mais alto da proa à popa. Passando pelo Centro de Operações de Combate pudemos perceber de maneira clara os vários módulos que abrigam a central de comunicações, o COC e especialmente o encaixe dos conectores padronizados para cabos de dados, dutos de ar-condicionado e de refrigeração de sistemas eletrônicos. A primeira coisa que chama atenção neste navio são as cores do seu interior, as paredes são amarelas, num tom quase cítrico e o piso é verde escuro ou azul escuro, dependendo da área do navio. Isso é um grande contraste com o radiante branco-gelo dos navios espanhol e americano e do tranqüilo cinza claro do interior da Rademaker. 

Equipe de CAV sempre a postosAlouette IIIAlouette IIIAlouette III

  Na nossa despedida tivemos uma grata surpresa, o próprio CMG Gaston Erice veio ao hangar para se despedir de nós, uma gentileza que nos encantou. Desta vez, como estávamos bem perto do anoitecer fomos levados de volta à Rademaker pelo Fennec argentino, que sendo um bi-turbina nos levou todos de uma vez, sem necessidade de realizarmos dois vôos. Este foi o dia mais rico e mais cansativo das nossas “visitas internacionais” na Unitas XLVII. Foram muitas fotos, muitas perguntas respondidas e muitos degraus! Saludos hermanos! 

Visão interna durante o vôo do FenecFenec argentino se preparando para decolardecolandoVisão aérea do hangar e seus canhões
Visão aérea do ARA Almte Brown com seus canhões e o lançador do Aspide ao fundoradar diretor de tiro do Aspide e closeLançador Albatroz do missel AspideAntenas e radares
Lançador de misseis MM40Última PhotexÚltima PhotexChegada a Fragata rademaker do Fenec argentino

 

Last Updated on Tuesday, 17 March 2009 10:47
 

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