UNITAS: O Punho do Império PDF Print E-mail
Thursday, 27 March 2008 20:45

 

 

O Punho do Império - A bordo do USS Ross (DDG-71)

 

Deslocando quase 8.500 toneladas, um moderno destróier AEGIS Arleigh Burke, dentro de um exercício regional como a Unitas, é sem duvida um gigante, não somente por suas dimensões, mas especialmente, na sua capacidade bélica contra alvos em terra. Os mísseis de cruzeiro BGM-109C Tomahawk permitem que este navio cumpra este papel adicionalmente às suas excepcionais características antiaéreas, ASW e AsuW. Durante a recente campanha contra o Iraque, navios americanos localizados no Mediterrâneo e no Mar Vermelho normalmente disparavam Tomahawks contra alvos em Bagdá. Com 33 oficiais e 300 praças e suboficiais a Ross precisa de quase 50% mais gente do que a Fragata Rademaker para operar.

 

Passe o mouse sobre as fotos e veja as legendas.
Iniciando a Unitas 47USS Ross durante manobras táticasUSS Ross à ré da Fragata IndependênciaUSS Ross

 

   AEGIS é o nome dado à combinação de computadores, sensores e de armamentos que transforma um navio numa poderosíssima central de controle do espaço aéreo, da superfície e das profundezas. Capaz de operar conectado em tempo real a outros navios AEGIS gerando uma visão unificada integrada por satélite do teatro de batalha. É o sentido máximo da “guerra centrada em redes” no mar. Outras classes de navios que são equipadas com sistemas AEGIS , como os cruzadores Classe Ticonderoga e mesmo estrangeiros como a Classe F-100 da Espanha e os Kongo da Força Marítima de Auto-Defesa do Japão. É uma solução cara, mas extremamente poderosa. Ao colocar os Arleigh Burke para complementar e eventualmente substituir os Cruzadores Ticonderoga, a US Navy busca reduzir os seus custos operacionais e o numero de tripulantes sem, no entanto sacrificar seu poder de fogo. No lugar dos lançadores rotativos como o que vimos na Santa Maria, nesta classe todos os mísseis são disparados desde casulos VLS – Vertical Launching System, um equipamento genérico capaz de lançar SAMs Standard SM-2, Tomahawks, Vertically Launched ASROC (VLA) e mísseis antinavio Harpoon. O sistema AEGIS permite que possam ser lançados simultaneamente 16 mísseis Standard, um ou dois para cada alvo, uma façanha impressionante. No USS Ross existem duas unidades de VLS, uma na pôpa com 64 cavidades para mísseis e outra na prôa com capacidade para outros 32. Embutido no VLS existe um guindaste embora normalmente os mísseis só sejam carregados no porto antes da partida. Ao retornar os mísseis são imediatamente removidos e carregados nos navios em vias de partir. Assim não há risco do míssil envelhecer inutilmente enquanto o navio esta no porto.

 

USS Ross acelerando após faina de Light Line e guinando à bombordo em alta velocidadeUSS Ross acelerando após faina de Light Line e guinando à bombordo em alta velocidadeUSS Ross acelerando após faina de Light Line e guinando à bombordo em alta velocidadeUSS Ross acelerando após faina de Light Line e guinando à bombordo em alta velocidade

 

 No coração do AEGIS esta seu Centro de Operações de Combate (COC) de última geração. Ao redor de dois telões gigantes, colocados defronte do posto do TAO (Tactical Actions Officer), o responsável pelo COC, existem 25 consoles digitais individuais, com pelo menos dois dedicados simultaneamente a cada função básica: guerra antiaérea, controle das aeronaves amigas operando sobre o Grupo Tarefa, Guerra de Superfície, etc. Cada console pode ser reconfigurado imediatamente para realizar qualquer uma destas funções, o que gera uma redundância muito valiosa em combate. Notável é o grau de automatização na consolidação de dados dentro do COC, os computadores do sistema AEGIS acompanham cada um dos contatos e gera os dados sintéticos para acompanhar os dados brutos que cada vez mais são menos importantes. Apesar disso era interessante a presença universal de laptops junto aos operadores dos consoles que, quase que automaticamente, iam sendo fechados no exato momento que nos aproximamos. Um dos consoles controla uma câmera estabilizada de TV e infravermelho, para ela os outros navios aparentam estar parados como se ambos estivessem numa doca seca. No Ross, o bom e velho lápis de cera só serve para fazer anotações rápidas na tela do console. Os controladores de sonar não ficam aqui, eles se localizam em outro compartimento, muito mais baixo e avante do COC.

 

USS Ross acelerando após faina de Light Line e guinando à bombordo em alta velocidadeUSS Ross acelerando após faina de Light Line e guinando à bombordo em alta velocidadeUSS Ross acelerando após faina de Light Line e guinando à bombordo em alta velocidadeClose frontal

 

O USS Ross não dispõe de um hangar para helicópteros, característica que foi inserida nos DDG mais recentes de sua classe, aqueles identificados como “Flight IIA”. Neste exercício o SH-60 americano operava desde a Fragata Samuel B. Roberts. Na popa existe um amplo convôo com o piso levemente inclinado em direção à proa, solução usada para reduzir/minimizar a assinatura de radar do navio. Mesmo sem hangar, o Ross dispõe de todos os equipamentos de datalink para operar buscas anti-submarino em coordenação com os SH-60B LAMPS III de outros navios. Embora não se trate de um design 100% “stealth” a pronunciada angulação das laterais da superestrutura demonstra a preocupação em reduzir o numero de ângulos retos do projeto. As chaminés das turbinas estão acondicionadas em duas estruturas em forma de caixa, ao seu lado temos duas saídas das turbinas de geração elétrica, uma terceira unidade esta separada e localizada mais a baixo e a ré, adiante do convôo. O passadiço é alto e cercado por duas amplas asas, com poltronas de onde o Capitão pode acompanhar de perto as manobras. Abaixo destas asas estão os quatro grandes painéis hexagonais dos radares “phased array” AN/SPY-1D. Por dispor de varredura eletrônica, as antenas destes radares não se movem como as unidades tradicionais e assim podem acumular simultaneamente as funções de controle aéreo e radar de controle de tiro. Este radar é característico dos navios AEGIS e opera na banda S (3100-3500 MHz), sendo tão poderoso que pode acompanhar mais de 200 contatos simultaneamente. A versão “SPY-1D” foi feita especialmente para as Arleigh Burke, sendo mais leves que os mais de 13os primeiros modelos “SPY-1A/B” usados nos Ticonderoga. As fragatas espanholas da classe Álvaro de Bazan usam uma versão com a antena ainda mais reduzida, a “SPY-1F”.

 

Fragata Independência vista da asa do passadiço do USS RossManobras TáticasUSS Ross guinando à boreste bem perto da Corveta JaceguaiSe aproximando do NT Marques de La Ensenada para faina de TOM - Tranferência de Óleo no Mar

 

  No meio da tarde estávamos nas asas do passadiço quando nosso navio se aproximou do NT Marques de la Enseñada por boreste. Rapidamente o Capitão deu ordem para reduzir as máquinas e ficar a boreste do navio tanque. Na proa um time de capacetes e coletes coloridos recebeu o cabo lançado pelos marinheiros espanhóis e trataram de dar inicio à faina de reabastecimento. Simultaneamente a Corveta ARA Robinson ocupou sua posição no costado de bombordo do Marques. Os dois reabastecimentos ocorreriam simultaneamente. Impulsionado por quatro turbinas General Electric LM2500-30 o destróier se movimenta tão agilmente como uma corveta, a despeito do seu tamanho, muitas vezes maior. Encerrado o processo de TOM (Transferência de Óleo no Mar os cabos são removidos e imediatamente nos afastamos pra frente curvando a toda máquina a boreste para nos afastarmos do Navio Tanque. Sem ser submetida às restrições orçamentárias tão restritivas de suas pares sul-americanas a US Navy permite que seus capitães normalmente operem os navios próximo de suas velocidades máximas. Exibida o USS Ross não furtou de executar uma guinada a boreste em altíssima velocidade, para o benefício dos fotógrafos presentes. Visitando a central de máquinas do navio percebemos como a adição de sistemas digitais simplifica a operação do navio e permite a redução do número de tripulantes. Num amplo painel duas pequenas telas de computador exibem todas as informações que antes seriam expostas por uma miríade mostradores de ponteiro, de lusinhas coloridas, unidas por esquemas de fluxo.

 

Esquilo do HU-1 pousado no convôo do USS RossSe aproximando do NT Marques de La Ensenada para faina de TOM - Tranferência de Óleo no MarSe aproximando do NT Marques de La Ensenada para faina de TOM - Tranferência de Óleo no MarAlta velocidade com as turbinas GE em máxima potência

 

  O navio é organizado ao redor de “departamentos”,em um destróier Classe Arleigh Burke, abaixo do Imediato (XO) estão os Weapons Officer (Weps) (armamento), Combat Systems Officer (COC/Sensores), Operations Officer (operações) Chief Engineer e Engineer Officers, Supply Officer (Logística/Administração). Nos navios maiores como os Navios Aerodrómos, existe um numero maior de “Officers” do que aqui. Embora nenhum dos “department heads”, no momento, seja mulher, existe um grande número de praças a bordo do sexo feminino. Segundo a Master Chief Petty Officer Sharon Laguna, a US Navy não tem nenhuma restrição às mulheres: “Nós somos todos marinheiros, independente do sexo”. No entanto, não é tolerado nenhum tipo de relacionamento afetivo entre tripulantes do mesmo navio: “O perigo é que num momento crítico, como no meio de um ataque, o foco do marinheiro/a possa ser dividido entre sua obrigação e o bem estar de uma pessoa específica a bordo.” Entre casais, onde ambos estão servindo, a Marinha busca manter pelo menos um dos membros do casal em terra a qualquer momento, para que a sua família, filhos, pais; não se vejam desassistidos. A Master Chief Petty Officer Laguna é a praça mais graduada e por isso se reporta diretamente ao Comandante do navio, cabe a ela garantir o bem estar dos praças e coordenar o trabalho dos demais suboficiais. Segundo ela, na US Navy, os “Suboficiais tocam a Marinha”, são eles que vão ensinar aos oficiais novatos como operar o navio e como interagir com os praças. Diferente do que ocorre no Brasil poucos oficiais encaram a vida na Marinha como uma opção de vida toda, um grande numero nem vai para para a Naval Academy, entrando via ROTC (o equivalente ao nosso NPOR) direto da universidade. Assim um oficial pode entrar e sair da Marinha varias vezes ao longo da sua vida, cada período é um contrato de prazo definido. Daí a importância no caso deles dos Suboficiais que levam as suas vidas inteiras na Marinha. Por seu tamanho a US Navy precisa de milhares e milhares de praças aceitando assim tripulantes sem a nacionalidade americana. No USS Ross, fomos apresentados a um dos praças estrangeiros, um rapaz africano, natural do Togo, e segundo a Master Chief, seu domínio de francês já tinha sido valioso para o navio em mais de uma ocasião. Não pude deixar de congratulá-lo pela recente classificação da sua seleção para a Copa do Mundo o que lhe deixou com um imenso sorriso. Os Destroyers Classe Arleigh Burke são preparados para lutar num ambiente de contaminação Nuclear, Bacteriológica e Química (NBC) assim, existem apenas quatro portas que dão acesso ao interior, todas são duplas e contam com pressão positiva do ar-condicionado para evitar a entrada de qualquer partícula contaminada. O fumo já é totalmente proibido no interior dos navios da US Navy desde 1992, para os fumantes inveterados só resta a cobertas exteriores.

 

Guinando em alta velocidade após a faina de TOMGuinando em alta velocidade após a faina de TOMOficial feminina observa um grupo de mergulhadores se aproximando após exercício junto com a Fragata independênciaComandante e seu Staff  com marinheiro a postos com a metralhadora M60

 

  Durante nossa passagem pelo convés externo podemos ver todos os passos de um grupo armado do USS Ross, no convôo, se preparando para abordar, com um bote inflável negro, a Fragata Independência num exercício de busca de carregamentos ilegais.

 

Comandante do USS Ross CDR Dan ShafferCapitão Dave Costa na função de Comodoro do Grupo Tarefa  e o CDR Dan ShafferCommander Master Chief Laguna e o CDR Dan ShafferPassadiço

 

Como seria de se esperar o navio é totalmente preparado para telecomunicaçãoes, um cyber café foi montado próximo ao rancho dos praças que por sua amplitude e decoração bastante colorida mais parecia uma cafeteria de universidade americana do que um compartimento num navio de guerra. Os oficiais em sua maioria tem seus próprios laptops e acessam a internet via rede interna e satélite a qualquer momento desde seus camarotes. Todas as mensagens recebidas e enviadas são monitoradas para evitar vazamentos de informação sigilosa que possam vir ameaçar a segurança do navio.

 

PassadiçoPassadiçoPassadiçoCIC

 

 O USS Ross é baseado no porto de Norfolk no estado da Virgínia e assumiu o papel de nau capitânea do GT americano após a volta do USS Thomas S. Gates. Ao encerrar esta Unitas O USS Ross foi ordenado direto para outra missão, sem que seus tripulantes pudessem aproveitar mais um pouco da Cidade Maravilhosa, mas, assim é a vida na marinha da última super-potência.

 

CICCICCICCIC
CICCICCCM - Centro de Controle de MaquinasCCM - Centro de Controle de Maquinas
CCM - Centro de Controle de Maquinas13.8 nósCarrinhos para transportar os misseisPraça D'Armas
Máquina da Pepsi com Coca Cola também e SnacksRefeitório dos PraçasRefeitório ICyber Café com 5 posições para uso continuo
RegrasBeliches dos PraçasBanheiro dos PraçasVisão frontal
Canhão de 5Phalanx CIWSLançador de Chaffs MK36 mod 6Reparo triplo de torpedos Mk32
Lançador de VLS Tomahawk SM2Suporte para lançador de missel Harpoono Gerador Elétricoração de energia elétricaUSS Ross

 

Last Updated on Tuesday, 17 March 2009 10:42
 

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