UNITAS: Descobrindo as Américas PDF Print E-mail
Thursday, 27 March 2008 20:46

  

 

Descobrindo as Américas, a bordo da Fragata Santa Maria 

 Para conhecer a Armada Espanhola, seu navio e sua forma de encarar as novas oportunidades e desafios do novo século visitamos a F-81 por todo um dia. Foi nossa primeira visita durante o exercício a um outro navio. Pela manhã, bem cedo o Esquilo do HU-1 que estava na corveta Jaceguai veio nos buscar para irmos à Santa Maria. Nós éramos três jornalistas e carregávamos câmeras e equipamentos relativamente pesados conosco. Por questões de segurança foi decidido que faríamos a transferência entre navios com dois vôos, pois sem duvida o Esquilo operaria limitado três passageiros a bordo além dos dois pilotos e do fiel. A Marinha Espanhola participou desta UNITAS XLVII com dois navios, a fragata OHP modificada (FFG) Santa Maria (F-81) e o navio tanque Marques de la Enseñada (A-11). Os dois navios partiram da Base Naval de Rota, perto da cidade de Cádiz na costa atlântica meridional da Espanha, a oeste do estreito de Gibraltar. Os navios vieram para o Rio com apenas uma breve parada em LasPalmas, na ilha de Gran Canária. 

Passe o mouse sobre as fotos e veja as legendas.
Fragata Santa Maria em Manobras TáticasFragata Santa Maria em Manobras TáticasFragata Santa Maria em Manobras TáticasFragata Santa Maria em Manobras Táticas

  A Santa Maria foi a primeira de seis unidades de fragatas OHP fabricadas sob licença na Espanha pelo Estaleiro E. N. Bazan (posteriormente renomeado para IZAR, e depois para Navantia). O projeto original das fragatas Oliver Hazard Perry, das que a US Navy chegou a ter 50 unidades, é de 1973, mas foram suas variantes mais recentes que serviram de base para esse programa industrial espanhol. A Santa Maria foi entregue à Armada no dia 12 de outubro de 1986 seguida, uma por ano, pela Victória (F-82) e pela Numancia (F-83). Num contrato adicional foram encomendas mais uma unidade e depois mais duas: a Reina Sofia, (F-84, 1990) a Navarra (F-85, 1994) e a Canárias (F-86, 1994). Normalmente o ambiente de operação destas fragatas é o Mediterrâneo , sendo uma viagem como esta uma ótima oportunidade para conhecer novos mares. A Armada Espanhola no entanto tem habito de cruzar os oceanos tendo por algumas vezes participado de exercícios com a US Navy no Pacífico ao largo da costa oeste americana, uma viagem nada desprezível. 

Formação em colunaBuscando posição na formaçãoSe preparando para faina de TOMSea Hawk da US Navy sobrevoando a Fragata Espanhola Santa Maria

   Eu fui no primeiro vôo em direção à Santa Maria e fiquei cerca de meia hora dentro do hangar esquerdo aguardando o retorno do Esquilo. As OHP têm dois hangares separados, cada um capaz de acomodar um SH-60 no seu interior. Entre os dois, existe um longo corredor com paredes blindadas que dá acesso ao convôo na popa. Neste exercício o helicóptero espanhol viajou no Marques de la Enseñada por isso, o hangar de boreste pode ser temporariamente convertido em academia de ginástica para a tripulação. Com a chegada dos demais jornalistas deixamos nossos coletes, óculos e protetores auriculares num canto e fomos nos dirigindo para o interior do navio. Em contraste com a Rademaker duas coisas saltam aos olhos: os corredores são externos, sendo bem perceptível a inclinação da parede externa do casco e as suas inúmeras tubulações são completamente pintadas num branco radiante e não no suave cinza claro da Type 22. A principal área de circulação interna é o “DC Deck”, o convés de Controle de Avarias, o único convés que cruza o navio internamente da proa até a popa. Todos os demais são interrompidos em algum ponto ou então só permite circulação plena pelo seu exterior.

 

Após a faina de TOM, a Fragata Santa Maria acelera e guina à  boreste em alta velocidadeApós a faina de TOM, a Fragata Santa Maria acelera e guina à  boreste em alta velocidadeApós a faina de TOM, a Fragata Santa Maria acelera e guina à  boreste em alta velocidadeApós a faina de TOM, a Fragata Santa Maria acelera e guina à  boreste em alta velocidade

 

  Uma diferença entre as OHP americanas e as espanholas está na distribuição dos camarotes uma vez que enquanto na US Navy estes navio apresentam doze suboficiais, na Armada Espanhola esse número alcança 26. Na Santa Maria são no total 153 tripulantes dos quais 15 são oficiais. Comparada com a F-49, a grande presença de mulheres abordo também chama atenção, nesta missão elas são 15 suboficiais e praças. Segundo o suboficial Francisco “Paco” Galán, nosso anfitrião a bordo, a entrada de mulheres a bordo não afetou negativamente em nada o dia a dia do navio, sendo apenas necessária a dedicação de um bloco de camarotes para uso exclusivo das mulheres. O tamanho deste bloco praticamente define o tamanho do complemento feminino. Na Armada as mulheres começaram a ser aceitas há apenas 12 anos e já respondem por cerca de 11% do pessoal e este numero só tende a crescer. Numa data que ficará marcada na historia neste último 30 de setembro a primeira mulher foi designada capitão de uma navio da Armada, o navio patrulha Laya (P-12).

 

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   A participação das mulheres nas Forças Armadas é um tema interessante e que desperta visões conflitantes por toda parte. Mas para “Paco” controverso mesmo será a proibição a partir de 1° de janeiro de 2006 do fumo no interior dos navios da Armada.

A Armada participou com suas OHP devarias crises importantes incluindo Tempestade do Deserto, contra o Iraque em 1991, nos Bálcãs e na Operação Liberdade Duradoura (Enduring Freedom), a campanha aliada contra o regime Taliban no Afeganistão, iniciada meses após o ataque ao World Trade Center em Nova Iorque. No Golfo Pérsico os deslocamentos oscilavam entre quatro e cinco meses. No caso mais longo eram 15 dias de ida , quatro meses de patrulha buscando remessas de armas e de produtos proibidos e quinze dias voltando para a Espanha. Uma experiência real em ambiente de conflito nada desprezível.

 

Vista da pôpa da Fragata Santa MariaA Fragata santa Maria guinando para aproar contra o vento, afim de receber o Esquilo do HU-1 da Marinha do BrasilComandante da Fragata Santa Capitão-de-Fragata José Delgado CasadoPassadiço

 

  Vistas de fora as duas OHP presentes na UNITAS só eram diferenciáveis pela existência do Mk 13 Standard Missile Launcher (lançador de mísseis) na proa na fragata espanhola. Este lançador inclui um braço que ergue o míssil do paiol e o posiciona externamente na direção ideal para o disparo. Os mísseis, Standard (anti-aéreo) e Harpoon (anti-navio) ficam armazenados verticalmente em dois círculos concêntricos num grande cilindro rotativo sob o braço do lançador. Este sistema em sua versão mais recente é capaz de carregar e lançar um míssil a cada 7,47/7,82 segundos. A US Navy está padronizando o uso dos lançadores verticais, VLS, mais simples e confiáveis. Ao mesmo tempo a função anti-aérea deixa de ser um foco das suas OHP devido à ampla disponibilidade dos cruzadores e contratorpedeiros equipados com o sistema AEGIS, exponencialmente mais capazes nesta função.

 

Marcação  com o posicionamento dos navios Toda a navegação da Unitas na telaSala de estar  dos Sub-OficiaisEnfermaria com a médica de bordo.

 

  Contra submarinos, a Santa Maria dispõe de dois reparos triplos lançadores de torpedos Mk 46 mod 2/5. A defesa de curto alcance (CIWS) contra mísseis anti-navios de baixa altitude é o sistema Maroka onde um agrupamento de 12 canhões de 20mm dispara simultaneamente os projéteis criando uma parede de fragmentos metálicos capazes de destruir o míssil antes dele alcançar o navio. Complementando o sistema de defesa a F-81 tem dois lançadores múltiplos de “chaff”, um em cada lateral. Próximo à montagem do Maroka, no topo da superestrutura se encontra o canhão OTO Melara 76/62mm. Os radares embarcados são: o AN/SPS-49(V)4 para alvos aéreos e o AN/SPS-55 para acompanhar alvos de superfície. O radar diretor de tiro é o Mk 92 mod 2. O sonar ativo do casco é um AN/SQS-56 e o rebocado (towed array) é um AN/SQR-19 este sistema é otimizado para operar em conjunto com os helicópteros SH-60B LAMPS III carregados pela fragata.

 

Sala de estar do alojamento femininoApós a faina de TOM, a Fragata Santa Maria acelera e guina à  boreste em alta velocidadePlaca do estaleiro aonde foi construidaPraca D'Armas

 

 Ao cruzarem a linha do Equador uma serie de eventos foram realizados a bordo incluindo a troca do comando de cada unidade dentro do navio para seu tripulante mais Junior por 24 horas.Oura lembrança deste evento é a pintura do escovem na proa de vermelho, detalhe que chamou a atenção e atiçou a curiosidade dos tripulantes dos navios das demais marinhas. Na Armada existe ainda outra tradição “colorida”, pinta-se o escovem de azul sempre que o navio cruza o circulo polar ártico.

 

Praça D'ArmasPraça D'ArmasCozinhaRefeitório dos praças

 

 Pelo fato do governo espanhol ser acionista na empresa de comunicações satelitais Hispasat todos os navios da Armada tem acesso à internet e telefonia ilimitada desde qualquer parte do globo para suas casas. “Esse é um conforto que sem dúvida é muito apreciado pelos tripulantes, eu pessoalmente falo para casa todos os dias, eu e minha família ficamos muito mais tranqüilos assim.” , comentou Paco.

 No final de 2006 a Santa Maria entrará em um processo de manutenção prolongada de meia-vida até lá eles querem visitar muitos outros lugares. 

Na volta eles fariam uma para ainda no Brasil antes de cruzar o Atlântico em direção a Rota, parariam em Fortaleza, sem saber o que esperar realmente foram muito satisfeitos ao descrevermos o tão especial que era o seu próximos porto, eles estavam com sorte e nem sabiam. Buen viaje Santa Maria!

 

CICCICCICCIC

 

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CICCCM - Centro de Controle de MaquinasCCM - Centro de Controle de MaquinasCCM - Centro de Controle de Maquinas
CCM - Centro de Controle de MaquinasVisão do corredor lateral Paiol do lançador do Missel StandartPaiol do lançador do Missel Standart
Lançador do missel StandartLançador do missel StandartVista frontal da prôa do navioReparo triplo lançador de torpedos Mk 46 mod 2/5
Vista da chaminé com o canhão OTO Melara 76/62mmCIWS MEROKACIWS MEROKAConvôo
Canhão OTO Melara 76/62mmCanhão OTO Melara 76/62mmPeça de engate e recolhimento do Helicóptero Sea HawkEquipe de CAV

 


Last Updated on Tuesday, 17 March 2009 10:38
 

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