Jean de Vienne visita o Brasil. PDF Print E-mail
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Sunday, 09 November 2008 22:24

 

    

 

Marine Nationale       

                        

A Marinha da França é uma das forças mais respeitadas ao redor do mundo, devido a sua história de glórias e conquistas. 
Nos dias de hoje a Marine Nationale continua exercendo um importante papel de defender os interesses da França ao redor do globo. Um de seus pilares de dissuasão são os submarinos com capacidade de lançar mísseis balísticos com ogiva nuclear das Classes Le Triomphant e Le Redoutable. A força possui como funções à prevenção de crises, defesa e resgate de cidadãos franceses fora do país, intervenções, apoio a missões da ONU e patrulhando seus mais longínquos territórios como o Taiti, Guiana Francesa, Antilhas, Nova Caledonia e Réunion.

A Marine Nationale conta hoje com cerca de 11 submarinos, 120 navios, incluindo o novo Porta-Aviões de propulsão nuclear Charles de Gaulle, além de uma grande quantidade de aeronaves e de bem treinados fuzileiros navais.

Em breve a marinha passará por um amplo processo de modernização e padronização, com a incorporação de quatro Fragatas da Classe Horizon de defesa aérea e dezessete Fragatas multifuncionais. Uma nova Classe de Porta-Aviões está em desenvolvimento, com previsão de construção de uma unidade. Seis novos submarinos de propulsão nuclear da Classe Barracuda também estão na lista de novidades.
Novos armamentos também deverão ser incorporados, entre eles os mísseis Exocet Block 3, Aster e uma versão navalizada do míssil de cruzeiro SCALP EG.

 D 643 Jean de Vienne nos mares do sul

 

Na manhã do dia 13 de julho, a Fragata Jean de Vienne iniciou sua entrada na Baía da Guanabara em direção ao Porto do Rio de Janeiro. Uma enorme bandeira francesa tremulava, chamando a atenção de todos que observavam a baía. Ao mesmo tempo sua aeronave orgânica, um Lynx WG13, voava sobre a cidade.

A visita de embarcações francesas no Brasil não é rara. Em 2004, por exemplo, a Fragata Georges Leygues e o Porta-Helicópteros Jeanne D´Arc estiveram no Rio de Janeiro.

Comandado pelo Capitaine de Vaisseau Olivier Beauchesne, a Fragata Jean de Vienne partiu do porto de Toulon no dia 30 de março e ao longo do percurso a Fragata F 731 Prairial (Classe Floréal) e o Aviso F 789 Lieutenant de Vaisseau Le Henaff (Classe A69) se juntariam a ela. O Grupo de Ação Marítima 2005 (Groupe d'Action Maritime 2005 - GAM 05), como era chamada a missão, tinha como objetivo fortalecer, os já previlegiados, laços entre a França e os países sul-americanos. As embarcações tiveram que atravessar os Trópicos e a Linha do Equador até passarem pelos mares do sul, que até então eram desconhecidos para a grande maioria da tripulação.

D 643 Jean de Vienne no porto do Rio de Janeiro
D 643 Jean de Vienne da Classe Georges Leygues
D 643 Jean de Vienne da Classe Georges Leygues
     D 643 Jean de Vienne no porto do Rio de Janeiro
D 643 Jean de Vienne no porto do Rio de Janeiro

Embarcação de apoio

Visão da popa da Fragata
     O bote de apoio

No dia 6 de abril a Jean de Vienne efetuou uma escala rápida em Santa Cruz de Tenerife(Ilhas Canárias) e no dia 11 foi a vez do encontro com o Aviso F 789 nas proximidades das águas caribenhas. Três dias após o encontro as embarcações chegaram a Martinica, onde permaneceram por quatro dias. Em seguida a Fragata Jean de Vienne partiu sozinha para a cidade de São Luiz do Maranhão(Brasil) onde chegou no dia 27 e encontrou o também francês Navio Patrulha P 682 L´Audacieuse (Type P400), responsável pela patrulha da costa da Guiana Francesa, já atracado no porto da cidade. Vele lembrar que a cidade foi fundada pelos franceses no século XVII.

Após a visita ao Maranhão, a Fragata Jean de Vienne seguiu de volta para o Mar do Caribe onde reencontrou o Aviso Le Henaff. No dia 5 de maio ambas as embarcações se preparavam para efetuar a faina de TOM (Transferência de Óleo no Mar) com o navio A389 Wave Knight. O clima estava hostil, o mar com grandes ondas, a chuva caía com força e os ventos sopravam violentamente, quando de trás da névoa apareceu o navio britânico. A Jean de Vienne foi a primeira a efetuar a faina, em seguida foi a vez do Le Henaff, porém o A389 sofreu um problema técnico e a faina terminou antes do esperado. O navio britânico se afastou e sumiu de trás da bruma.
Cinco dias após o encontro com o Wave Knight os franceses fazem sua segunda escala na América do Sul, na cidade colombiana de Cartagena onde ficaram até o dia 15.

O dia 17 foi marcado pelo início da fase do Pacífico da GAM 05, os franceses passaram pelo Canal do Panamá.
                              

Brasão da cidade madrinha
Lançador de Chaff
Proa da Fragata
Sonar rebocado DUBV 43C
Passadiço
Passadiço

 

 

Já na costa do Equador, os navios Jean de Vienne e Le Henaff se uniram a mais um navio francês, a Fragata Prairial e no dia 25 iniciaram um treinamento com a marinha local. Quatro Corvetas e Fragatas equatorianas e dois helicópteros Alouette se juntaram aos franceses com o objetivo de 'caçar' um submarino da Classe Shyri (Type 209/1300) também do Equador. Graças aos seus sonares e ao seu Lynx a Jean de Vienne logo encontrou seu alvo e o seguiu até o final do exercício sem problemas, mostrando sua grande capacidade de combate anti-submarino. Após o exercício, as Fragatas Jean de Vienne e Prairial deixaram os demais navios para trás e seguiram em direção ao sul do continente, e no dia 31 chegaram na cidade de Iquique, no Chile, onde foram recepcionadas pelo Contratorpedeiro Cochrane. Assim que o mês de abril teve início as Fragatas francesas seguiram para a cidade de Valparaiso e mais uma vez encontraram o Aviso Le Henaff.

 

Franceses e chilenos participaram do exercício Team Work South 2005. A Armada de Chile participou com as Fragatas Ministro Zenteno e Almirante Lynch, Contratorpedeiros Capitán Prat e Almirante Cochrane, Lanchas Missileiras Teniente Uribe, Guardiamarina Riquelme e Teniente Orella, Submarinos Thomson, Simpson, o Navio de Apoio Merino, o Navio Tanque Araucano, além de aeronaves EMB-111 e P-3ACH. A Fuerza Aérea de Chile por sua vez participou com aeronaves A-36 e Mirage 5 "Elkan". Após o exercício a Fragata Prairial e o Aviso Le Henaff se despediram e subiram o Oceano Pacífico em direção as suas respectivas bases. Nem tudo foi perfeito para os franceses e a Fragata Jean de Vienne sofreu avarias no sistema de propulsão tendo que ser docada em Talcahuano, onde teve que aguardar as equipes de manutenção chilenas e da empresa DCN.

Após a manutenção, já no mês de julho, a Fragata Jean de Vienne passou pelo Estreito de Magalhães em direção a cidade de Punta Arenas, o porto mais ao sul do Chile. A parada seguinte foi na cidade do Rio de Janeiro, aproveitando as comemorações do ano do Brasil na França. Infelizmente a Marinha do Brasil não efetuou exercício com a Fragata francesa. No dia 16 a Fragata seguiu em direção a sua última parada antes da volta para casa, na cidade de Dakar no Senegal. No dia 31 de julho, após 124 dias a Fragata Jean de Vienne chega em sua base, na cidade de Toulon.

Sonar rebocado DUBV 43C
Fragata Jean de Vienne no Rio de Janeiro
Fragata Jean de Vienne na fase final da GAM 05

Fragata Jean de Vienne na fase final da GAM 05     

O poderoso sonar rebocado DUBV 43C
Base do sonar rebocado
Passadiço e Tijupá em destaque

Radar utilizado apenas para auxiliar as operações  aero embarcadas     

 

As garras da Fragata Jean de Vienne

Lançada em 1981 e operacional desde 1984, a D643 Jean de Vienne, da Classe Georges Leygues, também conhecida como Type F70, é uma das principais Fragatas de combate anti-submarino da Marine Nationale. A F70 é internacionalmente classificada como Contratorpedeiro(Destroyer), porém essa nomenclatura não é utilizada pela França. Ela possui capacidade de navegar em locais onde ocorreram ataques nucleares, químicos e biológicos, pois o navio consegue ser todo "lacrado" e manter a tripulação por vários dias sem contato com o exterior. Foi inicialmente armada com 10 torpedos L5 Mod 4 lançados por duas catapultas, 8 mísseis anti-navio MM-38, divididos em 4 lançadores duplos, um sistema antiaéreo Crotale EDIR com 8 mísseis e mais 18 estocados e 1 canhão DCN/Creusot-Loire 3.9 (100 mm)/55 Mod 68 CADAM, 2 canhões Oerlikon 20 mm, 4 metralhadoras M2HB 12.7 mm além de contar com dois helicópteros Lynx WG13 equipados com sonar DUAV4 e com capacidade de carregar 2 torpedos Mk.46, sendo que o navio pode levar 12 deles.

Canhão Breda/Mauser de 30mm
Canhão Breda/Mauser de 30mm
Lançador de torpedos L5 Mod.4

Matra Sadral com seis mísseis Mistral

Matra Sadral com seis mísseis Mistral
mísseis anti-navio MM-40 Exocet
mísseis anti-navio MM-40 Exocet
mísseis anti-navio MM-40 Exocet

mísseis anti-navio MM-40 Exocet

Crotale EDIR

Crotale EDIR

Crotale EDIR

Crotale EDIR

Crotale EDIR

canhão DCN/Creusot-Loire 3.9 (100 mm)/55 Mod 68 CADAM 

Helicóptero Lynx WG 13

Helicóptero Lynx WG 13, também conhecido como Mk.4

Helicóptero Lynx WG 13

Desenho de seu esquadrão 

Helicóptero Lynx WG 13, também conhecido como Mk.4

Sua capacidade de detectar submarinos é sem dúvida algo surpreendente fazendo jus a sua função. O navio possui um sonar de casco DUBV 23 e o sonar rebocado DUBV 43C com capacidade de encontrar um submarino a uma distância de até 20.000 jardas e a uma profundidade de até 600m. Também possui um sistema que emite bolhas para "camuflar" os sinais de seus sonares. Além de ótimos sonares, o navio também possui um sistema de informações táticas SENIT 4, que auxilia a tripulação a ter o conhecimento da situação tática, avaliação de ameaças, ajuda na tomada de decisão e aplicação dos meios. O SENIT permite também receber ou trocar informações por transmissões de dados táticos:
Link 11: Para as embarcações dotadas do SENIT ou um sistema estrangeiro equivalente (NTDS americano, ADA britânico, SADOC italiano ou DAISY holandês);
Link 22: Também conhecido como NATO Improved Link Eleven - NILE: Substituirá o Link 11 na OTAN.
Além de troca de dados com os Links 14 e 16.
A Fragata também possui o sistema de comunicação por satélite Syracuse.

A Jean de Vienne passou por uma modernização de seus sistemas de defesa aérea em meados da década de 90 denominada Opération Amélioration Autodéfense Antimissiles, OP3A . Foram instalados dois sistemas Matra Sadral com seis mísseis Mistral cada um, dois canhões Breda/Mauser de 30mm controlados pelo Sagem Vigy 105, o Vampir MB IRST além dos jammers ARBB 36.
Em uma segunda modificação seus mísseis anti-navio MM-38 foram substituídos pelos modernos MM-40 de 40mn de alcance.

Em 2001 a Fragata D 643 fez parte da Força Tarefa francesa que atacou o Afeganistão em resposta aos atentados de 11 de setembro. Com nome de Héraclès, essa operação foi comandada pelo Contre-Amiral François Cluzel e foi composta pelo Porta-Aviões Charles de Gaulle, pelas Fragatas Jean de Vienne e La Motte-Picquet (Classe Georges Leygues), Jean Bart (Classe Cassard ), pelo Submarino Rubis (Classe Rubis), Navio Tanque Meuse (Classe Meuse) e do Aviso Commandant Ducuing (Classe A69).

A Fragata Jean de Vienne continuará desbravando os mares por ainda muitos anos e estará sempre pronta para responder aos chamados de sua nação.

 

A Classe Georges Leygues     

 

Nome
Designação
Batimento de Quilha
Lançamento
Comissionado
GEORGES LEYGUES*
D 640
16 Set 1974
17 Dez 1976
10 Dez 1979
DUPLEIX
D 641
17 Out 1975
2 Dez 1978
13 Jun 1981
MONTCALM
D 642
5 Dez 1975
31 Mai 1980
28 Mai 1982
JEAN DE VIENNE
D 643
26 Out 1979
17 Nov 1981
25 Mai 1984
PRIMAUGUET
D 644
17 Nov 1981
17 Mar 1984
5 Nov 1986
LA MOTTE-PICQUET
D 645
12 Fev 1982
6 Fev 1985
18 Fev 1988
LATOUCHE-TRÉVILLE
D 646
15 Fev 1984
19 Mar 1988
16 Jul 1990

 *Convertido em 1999 para função de treinamento. 

 

 

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