Timor Leste: A volta pra casa nas asas da FAB PDF Print E-mail
Written by Pierre Vincent   
Sunday, 09 November 2008 21:37

 

                  

 

    Timor Leste: Nossos soldados voltam pra casa nas asas da FAB        

   No dia 15 de maio de 2005 decolou do Galeão o KC-137 FAB 2404 rumo à Austrália. Missão: trazer de volta o último contingente brasileiro no Timor Leste juntamente com o FAB 2402. Acompanhe conosco como foi essa viagem.

 O CENÁRIO 

Desde 1999, com a criação da INTERFET (Força Internacional de Paz para o Timor Leste), o Brasil mantém, como componente da força de estabilização da ONU, um contigente militar em Timor Leste. As tropas, por recomendação da ONU, não permanecem mais de 6 meses em missão. As tropas devem, então, ser rendidas com esta periodicidade.

O país, localizado ao norte da Austrália e colônia portuguesa desde o Séc. XVI, foi ocupado pela Indonésia e declarado como sua 27ª Província, fato nunca reconhecido pela ONU. Em 1999 foi realizado um plebiscito para decidir sobre a soberania do Timor Leste e com 78% dos votos de 98% dos eleitores habilitados o rumo estava traçado. A independência veio em 2002. Neste período a administração do país ficou a cargo da UNTAET (Administração de Transição das Nações Unidas). Com a independência esta última missão deu lugar à UNMISET (Missão das Nações Unidas em Apoio ao Timor Leste. 

A missão de transportar um novo contingente e buscar o que já cumpriu seu tempo de permanência costumava ser executada por 2 aeronaves, com a saída da segunda tomando lugar após o retorno da primeira, com um intervalo de mais de uma semana entre um vôo e outro. Nesta missão, porém, as duas aeronaves decolariam com 48 horas de intervalo, demonstrando a capacidade da FAB de deslocar simultaneamente duas aeronaves desse porte literalmente para o outro lado do mundo! 

A PARTIDA 

Apesar de ser um final de tarde de domingo, com direito a clássico do Campeonato Brasileiro na Ilha do Governador, o setor de operações do Corsário estava movimentado. Enquanto alguns tripulantes já estavam na aeronave outros estavam no esquadrão acertando os últimos detalhes do vôo. 

Quando chegamos ao pátio o 04 já estava com sua APU (Auxiliary Power Unit - Unidade de Força Auxiliar) acionada, suficiente para gerar energia para sistemas primários. O que não inclui o ar condicionado, de modo que só estava dentro da aeronave quem realmente precisava. 

No interior fica nítida a flexibilidade dessa aeronave. A área frontal da cabine estava sendo usada para o transporte de carga palletizada e a parte posterior para o transporte de passageiros. Além da missão de transporte de carga e de passageiros o KC-137 desempenha outro papel fundamental no aspecto estratégico de nossa Força Aérea, o reabastecimento em vôo. Qualquer uma das quatro aeronaves do esquadrão pode realizar esta última missão. 

   Prontos para decolar no Rio de Janeiro     Painel antes da decolagem     Cap Ortega acompanha o progresso do vôo     O painel do 1P
   O sol nascendo a caminho da África     Pousando em Windhoek     Pousado em FYWH     Pousado em FYWH
   Pousado em FYWH     O nosso Pallet de carga para o Timor Leste     Pousado em FYWH    

PRIMEIRA PERNA - SBGL - FYWH 

O Vôo de ida foi caracterizado pela sobra de espaço na aeronave. Um pallet com uma doação do Ministério do Desenvolvimento Agrário, e mais de 80 assentos para menos de 10 passageiros, entre os quais estavam um representante do Ministério das Relações Exteriores, um representante do Ministério da Defesa, três membros do Centro de Comunicação Social do Exército e dois membros da imprensa.  

A primeira decolagem seria logo para a mais longa perna da viagem. A travessia do Atlântico rumo a Namíbia. Logo após o nivelamento no FL 330 os sargentos da comissaria iniciaram o serviço de bordo e, apesar da curta noite, boa parte dos passageiros e alguns tripulantes conseguiram dormir um pouco, já que estávamos navegando no sentido contrário da rotação da Terra, encurtando ligeiramente os períodos de dia e noite durante a viagem. 

SEGUNDA PERNA - FYWH - FMEE 

A temperatura passara dos incômodos 9ºC do momento do pouso, para não tão agradáveis mais de 25ºC - a presença do Sol forte parecia querer desmentir os termômetros - na decolagem.  

Um curto taxi da área de pátio até a cabeceira e estamos alinhados para a decolagem. Nesse momento duas aeronaves Boeing 737-200 da Air Namibia estão no pátio e ainda permanece a impressão de que o aeroporto ainda não acordou. 

Nosso adeus a Whindoek e partimos em direção ao Oceano Índico, Ilha de Reunião, onde chegaríamos ao cair da tarde ainda que o tempo de Vôo tenha sido menor que seis horas e que a decolagem fora de manhã. A sensação de desorientação em relação ao tempo começa a se fazer presente. Percebemos que olhamos muito mais ao relógio e estamos fazendo contas de fusos o tempo todo. 

Na aproximação à Ilha de Reunião somos saudados pela luz de final de tarde sobre o mar, cuja textura é possível identificar quando descemos alguns níveis de vôo. Reunião surpreende tanto pelo tamanho como pela ocupação. Para quem não está acostumado a localizar a ilha em mapas de grandes escalas é interessante reparar na quantidade de casas e construções pela ilha, alterando completamente a noção de que a pista seria algo como as bases americanas no pacífico durante a Segunda Guerra Mundial. 

Após o pouso taxiamos para uma posição situada ao lado do terminal, onde podíamos ver um imponente B-747-400 da Air France e um não menos impressionante B-777-2Q8/ER da Air Austral. Era possível ainda avistar à direita do 04 um C-160 um pouco distante, de modo que não foi possível identificar sua nacionalidade. 

Durante o tempo em que aguardávamos o combustível e demais serviços do aeroporto tentamos repetir a visita ao terminal, a exemplo da escala em Namíbia.  

Aparentemente a funcionária responsável pelo turno era nova, ou pelo menos a nossa tripulação nunca a tinha visto e o que era para ser uma mera visita ao terminal de embarque para que os passageiros e parte da tripulação pudessem descansar com algum conforto acabou se transformando em fonte de irritação. 

Fomos levados a uma área onde seria obrigatório passar por uma revista. O que não era procedimento padrão segundo os membros da tripulação. Quando parte do grupo desistiu dos trâmites e decidiu por voltar à aeronave, a resposta dos funcionários do aeroporto, para surpresa de todos, foi a que não havia alternativa. Teríamos todos que passar pela revista se quiséssemos sair daquela sala. 

De volta à aeronave e longe do tratamento não tão amistoso das autoridades locais, pudemos curtir um belo anoitecer enquanto o 04 era preparado para mais uma longa perna.  

   Sobre a África, rumo a FMEE      Chegando em FMEE, já na descida      Chegando em FMEE, já na descida      Chegando em FMEE, já na final flaps prontos para o pouso
   Flaps prontos para o pouso     No solo em FMEE     No solo em FMEE     O sol poente pinta o KC normalmente cinza de dourado
   O sol poente pinta o KC normalmente cinza de dourado     O sol poente pinta o KC normalmente cinza de dourado     744 da Air France  nosso colega de pátio    

TERCEIRA PERNA - FMEE - WMSA 

Mais uma decolagem com muito combustível. Afinal, o tempo de vôo previsto para esta etapa era de cerca de sete horas. Até essa última perna não havíamos passado por nenhuma terminal movimentada mas o sudeste asiático prometia céus cheios. 

Seguindo o observado até então, tempo limpo e um vôo muito tranqüilo. Porém, como não poderia deixar de ser, alguns CBs nos esperavam próximo à costa malaia. Lindas tempestades elétricas iluminavam as formações de nuvens que se colocavam no caminho, colorindo o radar meteorológico do KC-137. Formações modestas, é verdade, de modo que não precisamos desviar a rota nenhum momento. 

Ao ingressarmos no APP Kuala Lumpur [verificar] um contratempo. Por alguma razão nós não éramos esperados. Os planos de vôo foram corretamente preenchidos. O nosso Vôo, o 2404, com o 2402 de reserva e o vôo que chegaria 48 horas mais tarde, com o 2402 como principal e o 2404 de reserva. Talvez pelo fato de normalmente as missões da FAB para o transporte do Contingente para Timor serem normalmente realizadas com mais de uma semana de intervalo tenha deixado os controladores confusos. E como, pois estavam aguardando o FAB 2403 para dali a dois dias! 

No entanto tudo saiu muito bem. Logo que ingressamos na primeira perna da órbita programada para aguardarmos os trâmites burocráticos fomos liberados para aproximação direta. Chegando no aeroporto junto com a primeira luz de uma manhã enevoada. 

Nem tudo estava resolvido, contudo. Fomos obrigados a aguardar em uma interseção por alguns minutos até que viesse a autorização para taxiar para um ponto de reabastecimento na Base Aérea de Kuala Lumpur acompanhando o simpático, ainda que atrapalhado, follow me. 

A base abriga um grande número de Hércules, aeronaves de patrulha e algumas de instrução e estava bem movimentada, com mais de 6 saídas no curto período em que permanecemos lá. Uma surpresa foi um Boeing-737-500 com a bandeira chinesa e uma tripulação de macacão, o que indicava que a aeronave, ou pelo menos este vôo, não era civil. 

Ao ingressarmos no pequeno terminal, topamos com cerca de uma centena de chineses em uniformes militares e, como não poderia deixar de ser, alguns que portavam suas filmadoras não tardaram em focalizar os estranhos ocidentais, alguns de macacão de vôo, outros de trajes civis, ingressando na área de espera. Estava desvendado o caso do misterioso 737-500 chinês.

No terminal há uma mesquita (na verdade duas, uma masculina e uma feminina), deixando claro qual é a religião predominante no país, e, apesar de suas reduzidas dimensões, é o terminal mais luxuoso a que temos acesso por toda a viagem.  

       Tempestades em rota.     Perfeitamente no Glide Slope    

QUARTA PERNA - WMSA - YPDN 

No táxi para a decolagem pudemos reparar na interessante solução adotada para separar a área militar da área civil do aeródromo. Árvores. A base é aparentemente conectada por apenas uma interseção à pista de pousos e decolagens. No sentido paralelo ao da pista, há algumas centenas de metros encontra-se uma linha de árvores que garante uma boa privacidade às operações militares. 

Decolagem curta para a última perna. Faltava apenas cobrir as ilhas da Indonésia, sobrevoar Timor e se aproximar de Darwin. O tempo estava nublado mas foi possível apreciar o tamanho da capital da Malásia e seu enorme crescimento. Diversas áreas residenciais sendo construídas por toda a parte. Não conseguimos avistar, porém, as Torres Petronas, símbolo de poder tecnológico e econômico. 

A paisagem da última perna foi sem dúvida a mais bela. Tivemos oportunidade de sobrevoar belíssimos atóis, que pareciam nos chamar para um vôo no estilo do casal Moss, voando relativamente baixo e lento de modo a aproveitar cada instante da vista, e alguns vulcões que não pareciam tão ameaçadores. 

Passamos a cerca de 50 milhas náuticas de Dili, mas a névoa impediu qualquer contato visual com a capital leste-timorense. O trecho que avistamos da ilha de Timor é inóspito, com pouquíssimas aglomerações, e as que vimos não poderiam ser propriamente chamadas de urbanas. 

Poucas horas depois iniciamos o procedimento para o último pouso dessa jornada. Quando pousamos em Darwin completamos 24 horas de vôo com o Corsário. Mais de 11.500 milhas náuticas. 

Ao taxiar rumo a área de pátio a impressão é que erramos o pouso e estamos em alguma base da OTAN na Europa. Diversos hangares reforçados espalhados pela área militar do aeródromo. No entanto, não há, com exceção de um esquadrão de reserva, nenhuma unidade de vôo baseada em Darwin e os hangares estavam vazios. 

É possível notar uma certa nostalgia nos tripulantes que já vieram para Darwin, afinal, não há previsão de missão para a Austrália num futuro próximo. Transportados por uma van até o terminal temos uma surpresa. Avistamos o mesmo 737-500 chinês que estava em Kuala Lumpur e que saíra de lá um pouco antes do 04. Havia também um P-3 Orion parado no pátio. 

   O 2404 flagrado por um Spotter local na chegada à Malásia     O 2404 flagrado por um Spotter local na chegada à Malásia     Atol na Indonésia     Atol na Indonésia

CARGA PARA TIMOR 

Na quinta-feira nos dirigimos à base para descarregar o material doado pelo Governo Brasileiro, por meio do Ministério do Desenvolvimento Agrário. Um simpático oficial australiano entrou em contato com o comandante da base para autorizar as fotos, o que foi conseguido em uma velocidade surpreendente. 

Dois tripulantes estavam conosco, já que seria necessário acionar a APU, manobrar a porta de carga e o pallet. Dois representantes do Ministério das Relações Exteriores e um do Ministério da Defesa também haviam ido para que a carga fosse devidamente despachada da Austrália para Timor Leste. 

       Desembarcando a carga que veio do Brasil.     preparativos finais para fechar a aeonave em Darwin após a chegada.    

A TROPA EMBARCA 

Quando o ônibus trazendo a tripulação chegou na base, por volta das 17:30 horas locais (5:00 horário de Brasília) os soldados já estavam no terminal. A ansiedade permeava o ambiente, embora estivessem todos sentados e não houvesse quase nenhuma conversação. 

Antes mesmo de realizar a liberação alfandegária a tripulação foi levada até a aeronave para que os preparativos da decolagem fossem feitos. A carga da tropa ainda precisava ser colocada em pallets, sua bagagem nos porões e a aeronave precisava ser abastecida. Os funcionários da base estavam nitidamente apressados esperando que a decolagem ocorresse ainda com a luz do dia, já a iluminação no pátio era insuficiente. 

Na área do pátio onde estava o 04 pudemos avistar o 2402, a cerca de 200 metros de distância, com o nariz apontado para a direção oposta ao do 04. Uma belíssima luz de fim de tarde dava um tom avermelhado às duas das quatro maiores aeronaves da FAB do outro lado do mundo. 

Infelizmente, talvez por uma falha de comunicação interna, a autorização para as fotografias de quinta-feira não eram mais válidas e fomos obrigados a apagar belíssimas fotos desse momento único para a nossa Força Aérea. 

Para desespero dos funcionários da base o embarque só ocorreu à noite. A carga só foi palletizada por volta das 19:30 e a tropa, um pelotão do 29º Batalhão de Infantaria Blindado e outro do 3º Batalhão de Polícia do Exército - ambas do Rio Grande do Sul, só iniciou o embarque às 20:00 horas. 

   Briefing antes do embarque em Darwin     Felicidade por entrar num avião brasileiro.     A caminho de casa!    

A VOLTA PARA CASA 

Era nítida e contagiante a alegria dos soldados ao embarcar no 04. Alguns, ao ingressar na aeronave falavam em tom de vitória: "Brasil!", enquanto outros eram só sorrisos. O sentimento de felicidade, porém, era unânime.Com a aeronave cheia iniciaríamos agora a volta para casa. 

       A tripulação a caminho do aeroporto em Darwin     Por do sol em Darwin. Adeus Austrália    

PRIMEIRA PERNA - YPDN - WMSA 

Ao contrário da viagem de ida, a tripulação tinha decidido revezar durante o vôo apenas nas pernas mais longas. Com um peso de decolagem por volta das 290.000 libras iniciamos o táxi, momento energicamente aplaudido pelos nossos ansiosos passageiros, que voltariam a aplaudir a decolagem. 

Logo depois de estabilizados no nível de cruzeiro, os sargentos iniciaram o serviço de bordo. Depois da ansiedade que antecedeu o embarque, da janta, acompanhada de sobremesa, e durante a noite o resultado não poderia ser outro e a maioria dos soldados pegou no sono nessa primeira etapa. 

Novamente, ao nos aproximarmos do sudeste asiático encontramos as formações de CBs que parecem ter endereço fixo naquela região pelo ano inteiro. Não obstante algumas chacoalhadas durante o vôo, o pouso foi bem tranqüilo e fomos direcionados para o mesmo ponto de reabastecimento onde estivemos no vôo de ida. 

A base não estava tão movimentada, afinal, era madrugada de domingo para segunda, mas ainda assim pudemos acompanhar a saída de um Hércules. A luxuosa sala de espera no terminal estava quase completamente ocupada pelos soldados. Alguns dormindo e outros acompanhando a partida de futebol entre Sampdoria e Internazionale. 

A característica de clima equatorial ficou ainda mais evidente à noite. Muito abafado e muito úmido. Um odor forte, que lembrava levemente capim queimado e molhado permeava o ar. 

SEGUNDA PERNA - WMSA - FMEE 

Pouco mais de duas horas depois estávamos taxiando com destino a Ilha de Reunião. Como na volta estávamos voando para oeste, a noite ficou mais comprida e muita gente aproveitou para continuar o sono.  

A ansiedade, porém, crescia a todo momento e nem todos conseguiam dormir. Alguns jogavam cartas, outros faziam palavras cruzadas e um pequeno grupo revia fotos tiradas durante sua permanência em Timor Leste. 

Aproveitamos a oportunidade para descobrir como eles se sentiam com relação à missão e ao futuro do País que eles foram ajudar. Timor Leste já conta com uma força policial e uma força nacional de defesa da ordem de um batalhão de infantaria leve e a missão desse último contingente brasileiro foi tranqüila, nas palavras dos próprios soldados. 

As missões por eles realizadas consistiam principalmente em patrulha, reconhecimento e escolta de pessoal da ONU. Juntamente com o contingente brasileiro havia tropas das Ilhas Fiji, Bangladesh e Austrália e um pequeno número de russos que pilotavam os dois helicópteros Mi-8 que eram empregados nas missões de patrulha e reconhecimento e evacuação médica. Os 4 helicópteros Bell-212 eram tripulados por efetivos de Bangladesh. 

De acordo com os soldados, a população leste-timorense nutria uma grande simpatia não só pelas tropas mas também pelos funcionários da ONU e, em especial, pelos brasileiros. Com o fim da missão militar da ONU todas as tropas foram retiradas o que pode ter uma conseqüência particularmente forte sobre a frágil economia local. 

Com 5:25 de vôo pousamos em Reunião para uma incômoda espera dentro da aeronave até a decolagem. 

TERCEIRA PERNA - FMEE - FNLU 

Decolamos com o Sol se escondendo atrás de uma formação de nuvens, com destino a Luanda. Sobrevoamos belíssimas paisagens em Madagascar e Moçambique. Leitos de rios secos encontrando alguns poucos rios perenes. 

Com essa e a próxima etapa realizadas completamente no período diurno os passageiros se distraíram como puderam. Uns ainda conseguiram dormir, apesar da claridade. Além das cartas e das cruzadas já mencionadas anteriormente, havia xadrez, revistas e até um violão.  

Alguns soldados aproveitaram para ter suas bandeiras de Timor Leste assinadas pelos colegas, uma lembrança da missão e da terra amiga. Tivemos a honra de assinar duas bandeiras, a do Cb. Curti e a do Sd. Razera. 

A aproximação ao aeroporto de Luanda foi um pouco conturbada, com instruções um pouco truncadas do controle e um tráfego voando muito perto do 04, fazendo com que o alerta do TCAS disparasse o tempo todo. 

Apesar de bagunçado o aeroporto é muito movimentado e com uma enorme variedade de tipos. Numa rápida olhada pudemos identificar alguns modelos de Antonov (12 e 74), Ilyushin (38 e 76), Hércules, Mi-8 e 24, AT-27 Tucanos, Boeing 727, entre outros. 

A recepção, ainda que simples, foi a melhor que tivemos em toda a viagem. Muito simpáticas, as autoridades angolanas nos acompanharam até o clube de oficiais da base onde o Adido Cel. Leme e o Conselheiro Afonso Neri fizeram um breve discurso parabenizando a tropa pela missão cumprida.  

A passagem por Angola surpreendera o CB Dias que havia passado aí exatamente o mesmo período de tempo que em Timor Leste há redondos 10 anos, também em missão da ONU. 

   Sobrevoando a África     Sobrevoando Moçambique     Sobrevoando Moçambique     2404 em Luanda - Angola
   Aguardando o reabastecimento em FNLU     Clube de Oficiais em FNLU     An-32 em FNLU     Il-76 TD em Angola
   An-12 em FNLU     Hércules da ONU S9-BAT (cn 4134)      Reembarcando em Luanda     

QUARTA PERNA - FNLU - DIAP 

Tudo pronto para a última etapa com destino fora do Brasil. A próxima parada após um curto vôo é Costa do Marfim. A maior parte do vôo foi feita sobre o mar e não pudemos notar diferenças graduais na vegetação e relevo, mas quando ultrapassamos a linha da praia vislumbramos uma África bem diferente do que tínhamos visto até então. Um cenário que lembra bem mais as nossas florestas tropicais. 

Nessa etapa tivemos a oportunidade de conhecer três soldados que se tornaram pais enquanto estavam em missão. Sgt. Pinheiro, do 29º BIB e Sgt. Dias e Cb. Guarniere, ambos do 3º BPE. Não é preciso comentar que os três estavam muito ansiosos para chegar em casa. 

Apenas 3:15 horas depois já estávamos no solo, repetindo todo o procedimento de preparo da aeronave para a próxima decolagem.

   Descontraindo     Descontraindo     Sombra do 04 antes do pouso em DIAP     Sombra do 04 antes do pouso em DIAP
   Desembarcando para esticar as pernas     Desembarcando o pallet levado do Brasil     Reabastecendo     
   Sikosky S-61 e Fokker F-27 da Costa do Marfim     Transall C-160 francês     An-24 Satgur Air Transport     Dauphin SA-365 registrado na Costa do Marfim

 

QUINTA PERNA - DIAP - SBGL 

Decolamos no final da tarde para o Rio de Janeiro, para uma perna de sete horas e, 4:50 horas depois da decolagem ingressávamos no espaço aéreo brasileiro para festa dos passageiros. 

A aproximação foi tranqüila, apesar da TMA Rio estar bem movimentada. O difícil foi atender às determinações de velocidade do controlador sem sacrificar um pouco o ar condicionado. 

Pousamos na pista 15, o que facilitou o taxi, sendo necessário apenas pegar uma das últimas saídas para a direita que já estávamos no terminal do CAN, onde os passageiros aguardariam impacientemente pela última decolagem. Alguns, talvez muitos conseguiram falar com familiares e conhecidos por telefone, avisando o quão próximos já estávamos de Porto Alegre. 

Aqui o 04 foi entregue a uma nova tripulação, que faria a etapa final e traria a aeronave de volta e os soldados fizeram uma surpresa à tripulação que os trouxe até o Brasil. Com a tropa formada e a tripulação alinhada os soldados que foram sorteados para entregar o boné azul com o símbolo da unidade e as marcas da ONU se apresentaram e ofereceram a lembrança aos membros da tripulação. 

Na ocasião o Comandante do 2º/2º fez um breve discurso onde afirmava estar a tripulação orgulhosa por poder participar no esforço do Brasil junto à ONU e parabenizou a tropa pela missão cumprida. 

   Cansados mas felizes     Sobrevoando espaço aéreo brasileiro!     Pousando no Galeão     Debriefing na chegada à BAGL

SEXTA PERNA - SBGL - SBCO 

Decolamos por volta da meia noite em clima de festa. Um vôo curto, ainda mais se comparado com as outras etapas da viagem, onde a mais curta levara mais de três horas. Um vôo turbulento. Chacoalhamos bastante, mas já não importava mais, estavam quase em casa. 

O pouso, 1:47 da madrugada, foi muito aplaudido e os soldados entusiasmados cantaram o hino nacional enquanto a aeronave taxiava. A ordem de saída já havia sido estabelecida. Seriam obedecidas as patentes e antigüidade. 

   Desembarque em Canoas (SBCO)     As famílias se reencontram     As famílias se reencontram     Encontrando o filho pela 1ª vez.

O REENCONTRO 

Ao sair da aeronaves avistamos faixas e rostos emocionados de amigos e familiares, além de ouvir seus gritos emocionados. Mas os soldados ainda tinha que entrar em formação para receber algumas instruções antes de serem liberados para literalmente correr em direção aos pais, esposas, filhos, irmãos e amigos. Depois de liberados os soldados correram para encontrar seus familiares e, mesmo com corrente separando os militares de seus entes, os abraços foram fortes e contagiantes. 

Depois de alguns minutos com suas famílias os soldados voltaram a entrar em formação para uma rápida cerimônia de apresentação da tropa e um curto desfile. Os soldados seriam levados para o quartel para um período de quarentena de três dias antes de poderem ir para casa. 

SÉTIMA PERNA - SBCO - SBGL 

Enquanto os soldados faziam festa a tripulação do 04 preparava a aeronave para a última perna da missão, o traslado da aeronave de volta para sua base no Galeão. A última etapa, com a aeronave mais vazia que em qualquer etapa da viagem, teve um tom melancólico. E chacoalhado. O tempo estava fechando e aquela tempestade que chegou a provocar um tufão em Indaiatuba - SP já estava se formando. Afinal, era madrugada do dia 24 de maio, pouco menos de 10 horas antes das chuvas que castigaram o Estado de São Paulo. 

O pouso no Galeão foi tranqüilo e depois de mais de 25.000 milhas náuticas totalizando mais de 55 horas de vôo a missão de buscar o último contingente brasileiro no Timor Leste estava cumprida. Pelo menos para o 2404. O 2402, no momento em que chegamos ao Rio de Janeiro vindo de Porto Alegre, já devia estar no ar na proa de Kuala Lumpur, trazendo o resto da tropa e finalizando mais uma missão do Brasil em proveito da ONU. 

AS DISTÂNCIAS E OS TEMPOS DE VÔO

 

Perna;                          Distância (nm);              Tempo de vôo

 

SBGL - FYWH;                     3.848;                          07:40

FYWH - FMEE;                     2.588;                          04:30

FMEE - WMSA;                    3.112;                          07:00

WMSA - YPDN;                    1.995;                          04:50

Totais da ida;                     11.543;                              24:00   

 

YPDN - WMSA;                     2.002;                          06:00

WMSA - FMEE;                     3.148;                          05:25

FMEE - FNLU;                       2.619;                          06:45

FNLU - DIAP;                        1.382;                          03:15

DIAP - SBGL;                        3.058;                          07:05

SBGL - SBCO;                          693;                         01:40

SBCO - SBGL;                          693;                         01:20

Total da volta;                       13.595;                               31:30

Total da viagem;                   25.135                                55:30

 

TRIPULAÇÕES: 

Tripulação que foi até Darwin: 

Tenente Coronel. Mauro - Piloto e Comandante do Esquadrão

Major Roberto - Piloto

Major Victor - Piloto

Major Tebicherane - COMGAR

Capitão Ortega - Piloto

Tenente Júlio - Médico de Esquadrão

Tenente Moraes - Engenheiro de Vôo

Sub Oficial - Herbert - Engenheiro de Vôo

Sargento Amaral - Loadmaster

Sargento Caetano- Comissário

Sargento Mariano - Comissário

Sargento Viana - Comissário

Sargento Wanderley- Comissário

 

Tripulação que levou a tropa de SBGL até SBCO:

Major Coutinho - Piloto

Capitão Rubbioli - Piloto

Suboficial Givaldo - Engenheiro de Vôo

Tenente Edson - Loadmaster

Suboficial Van - Loadmaster

Sargento G. Soares - Loadmaster

Sargento Amilton - Comissário

Sargento Amorim - Comissário

Sargento Guilherme - Comissário

Sargento Vilhena - Comissário  
 

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