LAAD & Helitech 2005 PDF Print E-mail
Thursday, 27 March 2008 20:25

 

 

 

 LAAD & Helitech 2005

 Entre os dias 26 e 29 de abril ocorreu no Riocentro, na cidade do Rio de Janeiro, a LAAD 2005 - Latin America Aero & Defence, a maior feira militar do Brasil e uma das maiores da América Latina.

 A LAAD 2005 é uma exposição e conferência internacional sobre tecnologias aeroespaciais e de defesa. Paralela à LAAD, aconteceu também a HELITECH LATIN AMERICA 2005, maior feira internacional de tecnologias e operações de helicópteros. O evento recebeu delegações oficiais de 40 países e 300 empresas de 28 países, sendo 70 delas brasileiras. 

Passe o mouse sobre as fotos e veja as legendas.

 

 Organizada pela Reed Exhibitions Brasil, a maior promotora de feiras de negócios da atualidade, a LAAD 2005 amplia seu leque de atividades e se projeta como uma grande vitrine mundial. Tecnologias em detectores de armas nucleares e químicas, armas não-letais, simulador de aeronaves de caça com equipamentos de ponta e helicópteros de última geração são alguns dos exemplos que são encontrados na feira. Ainda, indústrias de diversas partes do mundo, como a israelense, com presença significativa, sobretudo na área de segurança interna, e o mega conglomerado EADS, da Europa.

 O crescimento em participação da LAAD 2005 respalda-se nos próprios resultados obtidos durante a última edição da LAD – Latin American Defentech - em 2003, quando mais de 10,2 mil visitantes acompanharam de perto as novidades das áreas de Defesa de 250 expositores de 22 países. Somente para as edições da LAAD e da Helitech deste ano, a Reed investiu R$ 8,5 milhões nos últimos 18 meses. “A LAAD 2005, fundamentada em uma marca conhecida e respeitada globalmente, tem um extremo significado para corporações que atuam nos campos de defesa e aeroespacial, bem como empresas de consultoria e prestadoras de serviço que têm como público-alvo as Forças Armadas, de Segurança e Aviação Comercial”, diz o diretor-geral da LAAD e da Reed Exhibitions Brasil, Juan Pablo De Vera.  

 No dia 26 houve a cerimônia de abertura, que contou com a presença do Vice-Presidente e Ministro da Defesa, José Alencar, que destacou a necessidade do fortalecimento da política de defesa brasileira e ressaltou a possibilidade de a indústria de defesa do Brasil formar parcerias com empresas estrangeiras. A solenidade também contou com a presença dos Comandantes das três Forças Armadas, do Secretário de Logística e Mobilização do Ministério da Defesa, Tenente-Brigadeiro-do-Ar Marcos Vinicius Sfoggia, do diretor-geral da LAAD no Brasil, Juan Pablo De Vera e de empresários do setor de Defesa. Depois da solenidade, o ministro da Defesa recebeu a governadora do Rio de Janeiro, Rosinha Mateus, no estande o Ministério da Defesa. Logo após, reuniu-se com os representantes das delegações internacionais participantes para a foto oficial e o descerramento da fita para a inauguração da LAAD 2005.   

 

 

 

 No segundo dia da feira, a Gripen Internacional anunciou a Empire Test Pilots School - ETPS como o novo usuário do JAS-39 Gripen. Cada estudante voará onze horas dentro de um programa de dez vôos a partir de Linköping (Suécia) e dentro do pacote também está incluído o treinamento com  simuladores. Em relação a FAB, mais precisamente ao Projeto F-X, a Gripen Internacional fez uma oferta de leasing de doze aeronaves usadas com opção de compra após o contrato, já que segundo a empresa, a oferta de leasing de aeronaves novas não interessou a Força Aérea devido ao alto custo. No mesmo dia ocorreram conferências sobre a metodologia de reaparelhamento das Forças Armadas da França e da Rússia.   

 Investimentos tecnológicos em equipamentos militares e a redução dos contingentes das Forças Armadas mundiais por razões orçamentárias foram assuntos discutidos no terceiro dia da LAAD. Palestrantes da China e do Reino Unido abordaram essas ações dentro do tema “Metodologia do Reaparelhamento das Forças Armadas”. Segundo o Vice-Chefe da Divisão de Cooperação Internacional do Departamento Geral de Equipamentos da China, Major-General Ren Zhengxiang, é preciso investir em novas formas de tecnologia e combate, mas sem esquecer da paz. “A China e o Brasil estão distantes geograficamente, no entanto, esse simpósio nos uniu ainda mais”, afirmou. 

 No último dia ocorreu a palestra “Logística na Força de Paz do Haiti”, que reuniu especialistas em Defesa para discutirem o apoio logístico oferecido às tropas sob ótica do Brasil e do Chile. O fato marcante dessa data foi à assinatura do contrato entre o Governo Brasileiro e a EADS CASA referente ao fornecimento de doze aviões de transporte C-295, que irão substituir os DHC-5 Buffalo, e a modernização de oito aeronaves de patrulha marítima P-3 Orion, incluindo a instalação do sistema de missão FITS (Fully Integrated Tactical System) somando aproximadamente 560 milhões de Euros. 

 

 

 Devido ao problema de escassez de recursos financeiros nas Forças Armadas, pouquíssimos negócios de relevância foram assinados durante a feira. Era notável a falta de ânimo e até desespero dos participantes do extinto Projeto F-X. Nos corredores da LAAD muitas especulações ocorreram sobre esse assunto, inclusive que o leasing de doze caças Mirage 2000C já estaria certo e que só seria divulgado durante a tradicional feira aeronáutica francesa em Le Bourget. Ao mesmo tempo comentava-se que após o término deste leasing a FAB escolheria o Dassault Rafale como o novo defensor da capital nacional. Por outro lado, os já cansados Mirage IIIEBR/DBR da FAB, estariam sendo negociados com o Governo Paquistanês para serem usados como fonte de peças de reposição para os Mirage III/5 deste país. A FAB também estaria fechando acordo com a Rafael para a compra do míssil Derby para equipar os F-5BR. As negociações entre os chilenos e holandeses para a compra dos F-16 MLU estão avançadas. O Chile pretende comprar algumas dessas aeronaves para substituírem os Elkan e Pantera.

 

 

 A ALIDE voa o Mil Mi-171A Baikal

   Choque cultural: Por fora helicóptero; por dentro um avião executivo!

 Não resta dúvida alguma que entre as aeronaves em exibição na LAAD/Helitech, o Mil Mi-171A Baikal era a estrela maior. Maior, por sinal, em todos os sentidos. Mais passageiros, mais peso, mais potência e mais hélices... As formas bojudas, características desde a exibição dos primeiros membros da fértil familia Mi-8/17/171 "Hip", o faziam destacar de todos os demais convidados. Até os grandes UH-60 Blackhawk e UH-14 Puma pareciam "discretos" perto da massa bruta do Baikal. Por convite da empresa Alpha South America, representantes da aeronave no Brasil, a ALIDE voou neste "Gigante".

 No último dia do evento, mesmo antes do encerramento, as tripulações dos helicópteros iam paulatinamente recolhendo seus pertences e, um após o outro, decolando para casa. A despeito da partida dos seus "companheiros", o Baikal permaneceu no solo a espera dos seus passageiros convidados. Pouco antes de anoitecer um pequeno grupo de repórteres e de clientes potenciais entrou pela porta na lateral esquerda para ocupar seus assentos. O interior do Mi-171A é surpreendentemente amplo e confortável, com acabamento executivo em bege, numa configuração 2 + 2 com cadeiras de tecido semelhante às usadas na aviação regional, apenas menos apertadas. Até o corredor era espaçoso e os passageiros de até 1.80m andavam sem ter de curvar a cabeça. O cockpit amplo e muito envidraçado apresentava todas as indicações e mostradores em inglês, nada de confusos textos em cirílico nesta versão de exportação. Curioso foi que durante a tarde um par de pilotos de Blackhawk do EB, ao sentar na cabine, partiu para tentar fazer um checklist simulado de decolagem e sem muito esforço iam localizando os switches acionadores do APU, dos dois motores, etc, etc. Parecia que já haviam sido treinados neste modelo. Apenas parecia, nunca tinham entrado antes num deles...

 Nosso helicóptero estava disposto na configuração de transporte de passageiros, em que as portas em formato de concha na traseira da cabine ainda existem, porém ficam permanentemente fechadas. Para que possam ser usadas, o banheiro deve ser removido num processo que dura algumas horas para uma equipe treinada. O APU, e em seguida as duas turbinas, foram acionados. As pás lentamente começaram a girar e uma suave vibração indicou o movimento do helicóptero. Ao redor um grande numero de pessoas cercou o Mil para ver sua decolagem como se no fundo tivessem dúvida que um helicoptero daquele tamanho e peso conseguiria, por seus próprios meios, decolar daquele gramado. Surpreendente mesmo foi o baixo ruído, não maior do que o verificado em um jato regional comum.

 Muito diferente do ambiente caótico verificado na maioria dos helicopteros em uso atualmente, não existiam ou eram sequer necessários os headfones para conversa com os vizinhos de assento, bastava falar em tom normal para ser escutado. A decolagem foi suave com um leve movimento para trás para nos separarmos dos fios elétricos que alimentavam o pavilhão. depois disso ganhamos altura e voamos a baixa e média altitude sobre a Barra da Tijuca até a boca do túnel que leva para São Conrado, para depois retornarmos ao Aeroporto de Jacarépaguá. O pouso foi tão discreto que nosso fotógrafo, que estava de pé tomando as imagens do vôo, nem reparou quando tocamos o solo. Como bom veículo russo, basta um breve check pós-vôo e power off. O reboque prende a barra de tração na bequilha e arrasta o Baikal para um hangar imaculadamente branco e muito iliminado, sob medida para as câmeras da imprensa capturarem cada um dos seus detalhes.

 Esta aeronave será usada inicialmente para vôos na regiâo da Bacia de Campos, prestando serviço para a Petrobrás, além é claro de realizar uma série de demonstrações para operadores civis e para as forças militares e paramilitares brasileiras. Com o certificado do CTA nas mãos, o próximo passo será a certificação deste modelo na Europa e nos EUA se aproveitando dos acordos entre o CTA o FAA e o EASA. Não há dúvida que a industria aeronáutica russa é tecnicamente avançada. No entanto, dá pra ver que eles têm estado muito ativos para recuperar o tempo perdido para seus concorrentes ocidentais no mercado civil. Em breve, qualquer restrição ao uso de material russo só ocorrerá mesmo por puro preconceito e nada mais além disso.

 

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