Base Militar voa com o 1º/2ºGT - Entrevista PDF Print E-mail
Wednesday, 26 March 2008 22:07

 

 

 

  Entrevista com o Tenente-Coronel Ricardo Braga, comandante do 1º/2ºGT

 

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BM - Quantos C99A estão em serviço neste momento? 

Ten-Cel Braga – 4 aeronaves. 

BM – Qual é a principal atividade deles hoje em dia e quais são as secundárias? 

Ten-Cel Braga – Na realidade a atividade principal é a de transporte de passageiros,o avião foi feito para isso mesmo e a própria tradição do 1º/2ºGT é a de transporte de passageiros. É claro que o esquadrão com os Avros também faz transporte de cargas , lançamento de cargas, fardos e de para-quedistas, mas o forte mesmo é transporte de passageiros. Os Avros estão voando e cumprindo as missões, mas pela idade da aeronave, algumas restrições começam a surgir. Restrição de razão de subida é uma delas e levar passageiros até Manaus com 10 horas de vôo, é algo muito sacrificante, sem contar os custos.

Antes da chegada do C99A, muitas vezes o transporte de passageiros estava sendo executado pelos C-130 do 1º/1ºGT, porém uma aeronave criada para transporte de tropas não é o meio adequado para transportar passageiros, pois não tem um banheiro adequado e é complicado adaptar poltronas e depois retira-las do C-130. Temos também um Kit presidencial (no AVRO).

BM – O C99A pode ser utilizado também pelo Presidente? 

Ten-Cel Braga –  Sim, em viagens curtas e havendo a necessidade, podemos ser acionados para ficar a disposição da Presidência. Na semana passada nós ficamos como reserva dos Boeing 737-200. Atendemos também, além das missões do Correio Aéreo Nacional, a comitivas diplomáticas que visitam nosso pais, Exército, Marinha e os diversos ministérios. 

BM – A descentralização das tropas do Exército como o  envio de tropas de operações especiais para Goiânia e o Projeto Calha Norte por exemplo, estão exigindo  serviços de transporte de pessoal? 

Ten-Cel Braga – As pessoas as vezes questionam a necessidade dos aviões de transporte na FAB. Nosso pais é de dimensões continentais e por vezes surgem situações em que o transporte aéreo é fundamental. A bem pouco tempo quando houve uma greve da PM em Salvador, recebemos ordem de apoiar o deslocamento de contingente do Exército para lá com a finalidade de manter a segurança. Eram cerca de 1.000 homens e você tem que ter uma pronta resposta, ou seja, você tem que ter meios aéreos para cumprir a missão. 

BM – E como foi cumprida a missão? 

Ten-Cel Braga – Bem, a missão foi cumprida. Foram utilizados os KC-137, atualmente a maior aeronave em termos de capacidade da FAB, depois C-130 Hércules e por fim com os C-91 Avro em várias etapas.  

BM – Como está a programação para entrega dos C-99A? Pela mídia sabemos que o BNDES recebeu de volta mais de 10 aviões. Todos eles seriam para o 1º/2ºGT? 

Ten-Cel Braga – Até o momento nós recebemos 4 e a unidade aérea tem condições para receber até dez aeronaves sem maiores problemas de capacidade.  

BM -  Existe alguma data para a chegada demais aeronaves?  

Ten-Cel Braga – Não, não tenho nenhuma informação ainda sobre isso. 

BM – Além do 1º/2ºGT mais algum esquadrão receberá o C-99A? Ouvimos algo sobre o GTE receber alguns também. Isto é fato? 

Ten-Cel Braga – Atualmente a única unidade aérea que foi e está sendo capacitada em termos de recursos humanos e materiais para o recebimento dos C-99A é o 1º/2ºGT. 

BM – Quantas horas em média o C-99A está voando no 1º/2º GT? 

Ten-Cel Braga – Eles estão voando bastante. Claro que o 2520 por ter sido o primeiro a chegar, tem uma quantidade de horas de vôo maior, então na média até dezembro mais ou menos 50 horas/mês por aeronave. No que tange ao Esquadrão Condor essa média pode até ser elevada, mas dependemos de nossa parte da distribuição dos recursos de toda a FAB limitada pelo orçamento da união. 

BM – Quais foram as surpresas positivas que vocês tiveram com esta aeronave? 

Ten-Cel Braga – Bom, em termos de Esquadrão, eu diria que todos tivemos que nos reciclar. Para se ter uma idéia, saímos de um avião com 40 anos de uso, para um de 4ª Geração. Um avião que está em produção, está na mídia e que possui equipamentos como o TCAS que nós só víamos em revista. Então, ganhamos em segurança, no nível técnico dos tripulantes e em logística, que é muito mais simplificada, por exemplo, no C-99A se furar um pneu, nós trocamos em 30 minutos e se for no Avro, levaremos 2 horas e meia. 

BM -  O fato de a aeronave ser brasileira é um ponto favorável? 

Ten-Cel Braga – Sim porque o fabricante está aqui do lado. São só 300km de distância. Fica bem mais confortável para nós essa situação, reduzindo muito os tempos logísticos e aumentando o suporte técnico. 

BM – Quando da incorporação do C-99A, o 1º/2º GT recebeu alguns sobressalentes da Varig ou algo parecido? 

Ten-Cel Braga – Não, por enquanto só recebemos as aeronaves. Temos  um contrato de suporte técnico com a Embraer por 6 meses. Como a FAB já opera a mesma plataforma no 2º/6º GAv Esquadrão Guardião, muitos equipamentos já eram utilizados e alguns já chegaram para nós aqui no Rio. 

BM – O 1º/2º GT possui aqui no Rio peças sobressalentes? 

Ten-Cel Braga – Hoje em dia isso é muito difícil de acontecer. Nenhuma grande empresa possui muitas peças de reposição em estoque, pois o preço de materiais aeronáuticos é muito caro. Possuímos aquilo que sabemos que será necessário com alguma regularidade, como itens de troca obrigatória.

O Parque de Material Aeronáutico do Galeão, responsável pela logística dessa aeronave, tem trabalhado com a política de estoques reduzidos e agilidade em aquisição e transporte, dando excelentes resultados para a Unidade. 

BM – Algum equipamento que hoje é utilizado nos Avros, poderá ser utilizado no C-99A? 

Ten-Cel Braga – Nós estamos vendo isso com muito cuidado, para evitar  adquirir equipamentos que já possuímos. Só como exemplo básico, alguns equipamentos de apoio ao solo como escadas que servem para o Avro, também servem para o C-99A, então é menos uma coisa a se adquirir.

Nossos hangares estão sendo reformados, ele estavam de certa forma ociosos  e como o C-99 cabe tranquilamente neles, a reforma se fez necessária para modernizá-los. O esquadrão se ressentia de uma melhor e mais moderna condição de hangaragem.  

BM – Existe algum tipo de contrato entre a FAB e a VEM para a manutenção dos C-99A? 

Ten-Cel Braga – Não. Nossos mecânicos já fizeram todos os cursos para a manutenção da aeronave e já dominam muita coisa sobre a mesma. É claro que dependendo do tipo de necessidade, não vale a pena a FAB montar uma estrutura que, terceirizando pode sair mais barato. Nesse caso, de acordo com a política a ser adotada pelos órgãos responsáveis pela logística da Força, a terceirização e uma solução que pode vir a ser adotada contratando-se uma empresa que esteja capacitada e habilitada para tal. 

BM – Quais as surpresas negativas que  vocês tiveram com a introdução do C-99A? 

Ten-Cel Braga – Com certeza  a operacionalidade de lançamento aéreo, embora não fosse estatisticamente uma missão das mais requisitadas. Nós perdemos essa capacitação mas vamos ganhar outras. 

BM – Existe algum estudo para a adaptação do C-99A para a função de EVAM? 

Ten-Cel Braga – Sim, existem estudos no nível da unidade aérea nesse sentido, para propor aos comandos superiores a capacitação da aeronave para ser utilizada como UTI aérea em evacuações aeromédicas, porém, no momento a prioridade é a consolidação da operacionalidade da aeronave no esquadrão. Nós estamos nos adaptando para operar a pleno a aeronave. 

BM – Então mesmo que vocês recebam 10 C-99A, apenas um será preparado para fazer EVAM

Ten-Cel Braga – Isso é uma decisão pertinente aos escalões superiores caso a proposta seja considerada aceitável e adequada. A aeronave estaria pronta para ser utilizada de forma humanitária, apanhando e  levando os pacientes para qualquer cidade que tenha hospitais de referência. 

BM – Este estudo de EVAM, foi oferecido pela Embraer ou foi uma decisão da FAB? E como seria acionada esta aeronave? 

Ten-Cel Braga – Esse estudo é uma iniciativa da Unidade Aérea, visando a ampliação do número de missões militares do Esquadrão.  Da mesma forma que são acionadas atualmente, principalmente pelo SALVAERO. 

BM – Quantos pacientes poderiam ser transportados na configuração estudada? 

Ten-Cel Braga – Uma das configurações, é de 3 macas com UTI completa e mais 30 passageiros. Essa configuração é usada pela Força Aérea da Bélgica. 

BM – Qual foi a missão mais distante que o C-99A já efetuou? 

Ten-Cel Braga – Nós fomos sondados para fazer um vôo até o Haiti, mas não foi realizado por que teríamos que fazer pousos intermediários. Isso não é uma restrição, porém como existiam outras opções para executar o vôo direto, nos acabamos não indo. 

BM – E os que foram feitos? 

Ten-Cel Braga – Nós já voamos do Rio de Janeiro até Natal direto. São 3 horas de vôo, algo como 2.800km. Fazemos vôos até Manaus, porém com escala em Brasília, por que é bom distribuir melhor o vôo. Fazendo assim, chegamos com o conta corrente em Manaus dentro das normas vigentes, caso tenhamos que alternar para outro aeródromo. Estamos também fazendo agora o CAI que é o Correio Aéreo Internacional, integrando os paises na América do Sul. Nós fizemos como vôo mais longo o primeiro do CAI. Nós saímos do Rio, fomos para Assunção, Buenos Aires, Montevideo, Porto Alegre e Brasília, tudo numa etapa só, sem pernoite.

Hoje temos 3 linhas para o CAI. 

A linha 1 sai de Brasília/Assunção/Santiago/Buenos Aires/ Montevideo/Brasília. 

A linha 2 sai de Brasília/ Sta Cruz de La Sierra/Lima/Quito/Rio Branco/Cuiabá/Brasília. 

A linha 3 sai de Brasília/Manaus/Bogotá/Caracas/Manaus/Brasília. 

BM – Das tecnologias presentes, qual a que mais chama a atenção para os técnicos da manutenção? 

Ten-Cel Braga – Com certeza hoje as soluções são muito mais técnicas do que antigamente. As pesquisas de panes com o auxílio do computador. A forma de executar a manutenção ficou bem mais correta, mais monitorada, ou seja, em termos de segurança, houve uma evolução muito grande. 

BM – Qual o custo da hora de vôo do C-99A na FAB? 

Ten-Cel Braga – Não tenho ainda estes dados, mas com certeza em termos de consumo de combustível, a economia é da ordem de 30%. Por exemplo:

Se de C-99A eu gasto 4 horas para ir até Manaus e de Avro gasto 10 horas, se eu gasto menos tempo, logo gasto menos combustível, pois em termos absolutos o consumo é bastante semelhante por hora de vôo. Fazemos mais missões com menor número de aviões. 

BM – Todos os C-99A terão a mesma configuração interna? 

Ten-Cel Braga – Até o momento sim. 

BM – É verdade que os pilotos do 2º/6º Esquadrão Guardião vão ser treinados pelo 1º/2º GT? 

Ten-Cel Braga – Essa decisão compete aos escalões superiores, mas as duas unidades aéreas já realizaram diversas missões de intercâmbio com instruções mútuas. Inclusive o novo Cmte do 2º/6  GAv já voou  conosco e nós teremos instrução em simulador com eles. 

Bm – Os pilotos do 1º/2ºGT estão tendo treinamento em simuladores do ERJ-145? 

Ten-Cel Braga – Sim, nós estamos utilizando o simulador da Flight Safety que está hospedado no Centro de Treinamento da Varig , depois existe uma fase em que o piloto realizará manobras na aeronave, como por exemplo: Toque e Arremetida.  

BM – Quantos C-91 ainda estão operacionais no esquadrão? 

Ten-Cel Braga – Nós temos 4 aeronaves no 1º/2ºGt e 1 aeronave no PAMA dos Afonsos. 

BM -  Este que está nos Afonsos irá retornar para o seu esquadrão? Qual o número desta aeronave? 

Ten-Cel Braga – Sim, apesar de que quando a aeronave vai para o PAMA ela perde a identidade com o esquadrão, neste caso especifico, como somos o único esquadrão que opera o Avro, ele não perdeu esta identificação e retornará para nós quando estiver todo revisado e pronto para voar. O Avro que está lá é o 2506

BM – Quais estão aqui na Base do Galeão? 

Ten-Cel Braga – Hoje eu tenho aqui o 2507 – 2508 – 2510 e 2511.  

BM – Que fim levou o 2509

Ten-Cel Braga – Bom, o 2509 foi desativado depois de um acidente sem danos pessoais em Blumenau. Deixa eu bater na madeira, mas Graças à Deus não tivemos nenhum acidente com morte no esquadrão voando Avro, e olha que pelo números de horas de vôo que eles tem no currículo, este é um fato para se orgulhar. 

BM – Quantas horas de vôo tem os Avro no esquadrão? 

Ten-Cel Braga – Mais de 180.000 horas,de vôo. 

BM – Como está a disponibilidade deles no esquadrão? E existe alguma data para a aposentadoria dos Avros? 

Ten-Cel Braga – Eles estão ai cumprindo e bem as missões, com disponibilidade acima de 70%, mas é claro que como já foi relatado, o custo operacional é um fator negativo. Com relação a aposentadoria, acredito que sem precisar datas, algo em torno do 1º semestre de 2005. 

BM – Fala-se muito que o destino final destas aeronaves seria algum pais da América do Sul. Existe algo de concreto nisso? 

Ten-Cel Braga – Está informação eu não posso dar, porque compete ao Comandante da Aeronáutica determinar e falar sobre este assunto. 

BM – Quantos pilotos do 1º/2ºGT já estão transacionados para o C-99A? 

Ten-Cel Braga – 10 pilotos do quadro orgânico e 2 do quadro inorgânico ( um do PAMA e o outro do CECAN).  

BM -  Quantos ainda faltam? 

Ten-Cel Braga – Pretendemos formar mais dezoito pilotos esse ano. A idéia é ter 30 pilotos, e neste contexto teremos pilotos que já voaram o C-99A ou R-99 oriundos de outros esquadrões voando o C-99A, mesmo não pertencendo efetivamente ao 1º/2ºGT, chamados tripulantes inorgânicos ou do quadro de tripulantes externo. São pilotos já prontos em que, a FAB não terá que investir praticamente nada. ou seja, poderemos contar com todo este universo de pilotos para voar todas as futuras missões. 

BM – Existe alguma localidade que o 1º/2ºGT opere com o Avro e que o C-99A não possa ir? 

Ten-Cel Braga – Hoje a grande maioria das pistas na Amazônia são asfaltadas, mas tem algumas que são curtas, possuem algo como 1.200 metros e a operação é um pouco mais delicada. 

BM – Quais os destinos mais freqüentes em que o C-99A é utilizado no Brasil? 

Ten-Cel Braga – Nós voamos para qualquer destino dentro do Brasil que possua  condições de receber nossa aeronave. Os destinos hoje mais voados são Brasília, Manaus, Porto Alegre, Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo, porém são apenas algumas para citar aqui, por que o esquadrão é muito versátil e nós cumprimos qualquer missão que nós é passada. Como exemplo, temos a Cruzex que foi em Natal e nós voamos várias vezes para lá, voamos também com a comitiva do governo Chinês que esteve no país. 

BM – Como é feita a programação dos vôos do CAN? Existe alguma rotina? 

Ten-Cel Braga – Atualmente não cumprimos linhas nacionais regulares do CAN. Nós fazemos aproveitamento dos vôos em prol do CAN. Se temos que levar alguém, ou algo para Brasília, por exemplo, então neste vôo tudo que pudermos colocar referente ao CAN, nós colocamos e desempenhamos 2 funções num único vôo. As linhas regulares do CAN estão sendo feitas pelas unidades da Amazônia, operando para localidades em que nós não podemos ir. Neste caso as aeronaves usadas são os Bandeirantes e os Caravans, com a função mesmo de desbravar aquelas localidades tão carentes de meio de transportes. 

BM – Quando o C-99A está em serviço de transporte de pessoal, existe algum serviço de bordo?  

Ten-Cel Braga – A FAB não tem como obrigação fornecer serviço de bordo quando vai transportar funcionários de algum ministério ou de qualquer cidadão que tenhamos que transportar, limitando-se exclusivamente a fornecer alimento para as tripulações. Em caso de comitivas, normalmente isso fica a critério da mesma, caso ela disponha de recursos para tal. 

BM – O CAI ( Correio Aéreo Internacional) é algo novo ou já existiu no passado algo parecido? 

Ten-Cel Braga – Não, ele já existiu no passado. Entre 60/80 e agora está voltando. 

BM – Cmte, muito obrigado pela entrevista e pelo apoio dado ao nosso pessoal. 

Até Breve!

 

Last Updated on Wednesday, 26 March 2008 22:09
 

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