Fuzileiros se preparam para Haiti PDF Print E-mail
Tuesday, 25 March 2008 20:38

 

 

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O Segundo Grupamento de Fuzileiros Navais da Esquadra está realizando os últimos exercícios preparatórios para sua missão no Haiti. É previsto que o primeiro contingente dos Fuzileiros, enviado ao Haiti, há quase seis meses, será substituído na MINUSTAH a partir do início de dezembro de 2004. O Grupamento, com 235 militares, irá acompanhado de mais 11 oficiais da Marinha alocados a funções de ligação com as estruturas de comando e controle da ONU.

Os exercício estão sendo realizados, em Itaóca,  uma longa praia deserta no sudoeste do Espírito Santo, onde um terreno da Marinha, de quase 4,5 milhões de m 2 de frente para o mar, recebe regularmente tropas para exercícios de adestramento.

A combinação de praia deserta com amplo espaço possibilita a realização sem maiores restrições de eventos anfíbios de grande envergadura. Diferente de algumas das áreas de treinamento mais tradicionais Itaóca não está completamente cercada pelo ambiente urbano, como é o caso do Campo de Gericinó na Zona Norte da Cidade do Rio de Janeiro. Aqui todos os exercícios realizados ocorrem com munição de festim por questões de segurança. Bem próximo ao acampamento, existe um bairro popular cujos moradores aproveitam para colaborar nas simulações dos Fuzileiros, fazendo o papel de população civil de Port au Prince.

Quando os nossos soldados chegarem no seu destino, já estarão familiarizados com o ambiente de ruas não pavimentadas e becos estreitos, coalhados de civis. Essa preparação criteriosa é um passo fundamental para diminuir o risco à vida dos membros da Força de Paz e dos civis haitianos.

A solicitação da ONU ao Brasil explicitou, nos menores detalhes, as tarefas esperadas das tropas brasileiras.

Entre elas figuram:

a) Segurança de autoridades
b) Estabelecimento de "checkpoints" (Blitz)
c) Patrulha mecanizada
d) Patrulha a pé
e) Segurança de comboios
f) Defesa de instalações

Cada uma destas atividades foi exercitada 24 horas por dia neste período. Para aumentar o realismo e aferir o grau de preparo da tropa os oficiais instrutores do GruCon (o Grupo de Controle) inseriram complicadores inesperados como "veículos quebrados", que tinham de ser reparados ou rebocados pelos mecânicos do Grupamento.

Num exercício de escolta de autoridades um soldado a paisana fez o papel de um pretenso assassino, que armado de faca, tentou alcançar o ministro que caminhava pelas ruas do "bairro"...Cada reação era devidamente acompanhada e aferida conforme padrões pré-estabelecidos . O movimento dos Fuzileiros a pé parecia cuidadosamente coreografado. Com precisão,  cada um dos participantes da simulação, sabia exatamente o momento de se movimentar, estando sempre atentos para qualquer movimento suspeito  nas casas e becos que deviam observar e controlar.

Enquanto um helicóptero UH-12 Esquilo, do HU-1, descrevia círculos no céu em sua missão de esclarecimento, um especialista na área de segurança de autoridades interpretou o "Ministro da Educação". Saudando "o povo", como um  político experiente, ele se movimentava de forma constante e imprevisível para desafiar o esquema e a capacidade adaptação dos Fuzileiros. Saindo do "bairro", o "Ministro" foi escoltado até o aeroporto (também simulado) e, depois, até uma conferência com o Comandante do Grupamento Operativo dos Fuzileiros Navais, CMG Oswaldo Queiroz de Castro.

Num intervalo do exercício, o Cte Queiroz conversou com  o Defesanet para nos explicar as diferenças entre esta segunda missão e a primeira que está encerrará sua missão no Haiti, em dezembro.

"Exatamente como passou com o 1º Destacamento, devemos ficar seis meses em Port au Prince. Nosso 2º Destacamento não terá o duro trabalho de montar a base e  infra-estrutura , que coube ao primeiro grupo, isso nos liberará mais rapidamente para nos ocuparmos das missões de manutenção da paz", disse o Comandante.

Segundo ele, o aumento das tensões é um fato real no país caribenho, porém a população e até os grupos armados parecem não ver as tropas da ONU como oponentes ou invasores. "A maior parte dos conflitos verificados se dá entre os partidários do ex-presidente Aristide, a polícia Haitiana e as gangues armadas. Cada um buscando ocupar da forma mais vantajosa o vácuo do poder."As tropas da ONU só levaram tiros quando intervieram para controlar tiroteios entre estes grupos e a polícia," afirmou Queiroz. "Não estamos lá para tomar o lado de nenhuma parte, especialmente porque a população em geral é sempre pacífica", completou o comandante..

"Nossas patrulhas sempre contam com a presença de um tradutor que fale o "creole", o dialeto local que mistura elementos do francês e do espanhol. É relativamente comum que haitianos entendem um pouco de francês e de espanhol, e vários dos nossos oficiais estão neste momento aprendendo estas línguas". Para completar, cada um dos soldados e oficiais recebe um livreto, preparado pelo Exército, com palavras e frases úteis para tentar desarmar situações perigosas que poderiam ser agravadas por erros de comunicação. 

"A situação humanitária no Haiti é muito complicada cabendo a outros órgãos civis da ONU, e não à MINUSTAH a tarefa de minimizar os efeitos desta emergência na população," comenta Queiroz. Estas agências ainda estão se organizando e estruturando no país para prestar este serviço de forma efetiva.

Ao contrário do Exército, os Fuzileiros operam normalmente sob a forma de "Grupamento", onde a um Componente de Combate Terrestre se anexam elementos de atividade específica e complementar executando atividades variadas. Este modelo de emprego agrega muita flexibilidade e eficiência à tropa permitindo a montagem de uma força do tamanho exato, para fazer frente à ameaça identificada.

Aproximadamente 30% da tropa enviada é de elementos de suporte, incluindo: médicos, cozinha de campanha, logística e suprimento, manutenção de veículos, manutenção de armas e comunicações. Em função disso é que o destacamento de Fuzileiros Navais está preparado para absorver até dois pelotões estrangeiros adicionais sem comprometer sua capacidade de suporte.

Perguntado sobre a divisão de papéis entre Fuzileiros e Exército, o Comandante esclareceu que não existe nenhuma diferença funcional entre as atividades das duas forças, apenas elas estão sendo aplicadas em zonas de ação distintas. As opiniões de Queiroz sobre o Haiti, foram formadas em uma missão de reconhecimento e esclarecimento, realizada entre 22 e 27 de setembro último.

Junto com ele, outros cinco representantes da Marinha e cerca de dez oficiais do Exército Brasileiro, sobrevoaram os principais locais no país onde eles deveriam operar em alguns meses. Na divisão de recursos acordada com a ONU coube aos chilenos e argentinos operar os meios aéreos locais, os helicópteros que atendem a todo o grupo da MINUSTAH.

Sobre o estado de espírito da tropa, o Comandante chamou a atenção de como o grupo todo estava motivado para esta missão e aguardava ansiosamente a definição dos planos de mobilização e transporte para o país. Em apoio aos familiares que ficam pra trás, a Marinha organizou um serviço de assistência social para ficar em contato permanente com os familiares. Já existe um canal de voz, via satélite, ligando a base no Haiti com o Quartel General no Brasil.

Continua....

 

Last Updated on Tuesday, 25 March 2008 20:42
 

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