Um Boeing 737 com "alma de caçador" PDF Print E-mail
Tuesday, 25 March 2008 21:03

 

 

Por ocasião da comemoração do Dia do Aviador, no dia 24 de outubro, o Campo dos Afonsos viveu um dia de festa. Em frente aos hangares do Musal, milhares de pessoas tiveram a oportunidade de ver e curtir shows acrobáticos e exibição estática de aeronaves da FAB, Marinha e Exército. O helicóptero CH-34 da FAB, após algumas passagens demonstrou o "rapel" de tropas que desceram até o solo em cordas com a aeronave em vôo pairado. Como é tradicional a Esquadrilha da Fumaça deu um show empolgante, ressaltando a imensa habilidade de seus pilotos. O AirTractor dos Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro fez várias demonstrações lançando uma enorme nuvem de água. À tarde o calor era tanto que a água foi lançada sobre a platéia que adorou a novidade.  A calma do céu sobre o Campo foi quebrada pelas evoluções dos F-5E e AMX da FAB.  Na exibição estática um C-130 Hércules (2458), o CH-34 (8737), um A-1 (5523) e F-5E e o R-99 (6704). A Marinha trouxe um Sikorsky SH-3A (3016) e o Exército um HM-1 Pantera AS-365K (2032).

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Esquadrilha da Fumaça737-300 da Varig, estrela do eventoAMX A-1 do 1o/16o GAvCH-34 Super Puma da FAB
Pantera do EBR-99A da FABSH-3 Sea King do esquadrão HS-1F-5E do 1o GAvCa

 Agora sem dúvida a estrela do show foi o prosaico 737 da Varig (PP-VPZ). "Descansando" do seu dia a dia na Ponte Aérea Rio-SP, resolveu mostrar suas "garras" sob o comando do Cmte Miguel Dau, Vice Presidente Técnico e de Operações da empresa. O avião fez várias passagens a cerca de 10 metros da pista dos Afonsos. Ex- piloto de caça da FAB , o Cmte Dau tem centenas de horas de vôo em caças da FAB. Um 737 naturalmente evoca à memória taxis e decolagens na sua forma habitual, tranquilas e discretas. Mas na exibição de Domingo o 737 estava deslumbrante, surpreendendo a todos os presentes nos Afonsos. Parabéns, Varig!

 A ALIDE também visitou o Comte. Miguel Dau em seu escritório na Varig.

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Comandante Miguel Dau

  Na terça-feira, 26 de outubro, a Agência Linha de Defesa visitou o Cmte Miguel Dau, Vice Presidente Técnico e de Operações da Varig. Apenas dois dias antes, na comemoração do Dia do Aviador na Base Aérea dos Afonsos, até os mais vividos entusiastas e veteranos freqüentadores de shows aéreos tiveram de se unir a população leiga se deslumbrando com as manobras realizadas em alta velocidade por um 737 da Varig que voava a não mais que 10 metros da pista. Neste evento coube justamente ao Cmte Dau a honra de comandar esta exibição. Ele estava no cockpit junto com os Cmtes Ari Nunes (Piloto Chefe Adjunto), Cleber Marinho, Mauro Proença, Augusto Nunes e Valente, além de quatro comissários e 125 convidados, todos funcionários da Varig. "A Varig tem uma tradição histórica de participar dos eventos de comemoração da Semana da Asa", falou o Cmte Miguel Dau. " Neste ano especificamente, nossa meta era dupla:  demonstrar que a empresa estava sólida e economicamente estável o suficiente para poder participar das comemorações e, em segundo lugar, homenagear os funcionários "anônimos" da Varig que ainda não tinham tido a oportunidade de voar em um avião". A Varig queria mostrar a sua capacidade operacional perante o público e conseguiu.

 O vôo foi planejado em todo os detalhes, como se fosse uma rota normal da empresa. Cada uma das passagens sobre a festa e a direção das curvas entre elas foi decidida antes da decolagem. O 737-3S3 prefixo PP-VPZ seria a aeronave reserva para os vôos da Ponte-Aérea naquele dia e, por isso, pôde ser usada neste evento. A decolagem ocorreu precisamente às 08:30h do Aeroporto Santos-Dumont e conforme solicitado pelo diretor do Musal, Brig. Behring, cortou o través dos Afonsos exatamente às 09:00h. Antes de pousar a tripulação executou quatro passagens sobre a pista, cada uma mais baixa que a outra, enquanto os pilotos se acostumavam com o ambiente ao redor do Campo dos Afonsos.

 Depois de algumas horas no solo, às 12:00h o 737 voltou a decolar e, antes de partir de volta, executou mais quatro rasantes, agora em mais alta velocidade, com trens de pouso e flaps recolhidos. Na última passada o avião, após livrar a pista, virou para a esquerda e subiu rapidamente perfazendo uma curva de grande ângulo de inclinação.

 Deixando a área do evento, o avião da Varig passou por sobre a pista do Aeroporto de Jacarepaguá, saudando os Tucanos da EDA (Esquadrilha da Fumaça) que aguardavam, pousados, após a realização de seu show matutino sobre o Musal. Uma homenagem do 737 com alma de caça aos maiores bailarinos dos céus. Às 13h precisamente o avião tocou as rodas na pista do Santos Dumont. Em termos de segurança, este vôo comemorativo não deixou nada a dever ao que se exige nas operações do dia-a-dia da empresa. A única diferença foi a opção por sacrificar um pouco do conforto dos passageiros para tornar o "show" ainda mais empolgante. Nisso, sem dúvida, tiveram um retumbante sucesso.

 Perguntado sobre o futuro da Varig, o Cmte Dau disse que "está satisfeito de perceber que a empresa começa a realizar sua grande virada, e que dentro da empresa já se admite que as coisas não estão tão negras quanto se pinta na imprensa". Ele também admitiu que é "indispensável que ocorra uma racionalização da frota diminuindo a grande variedade de tipos de aeronaves que se verifica hoje. Idealmente mantendo-se a opção pela família Boeing, a frota seria composta exclusivamente de 777 para as rotas internacionais de longo alcance e 737 NG para as rotas nacionais e sul-americanas". Os MD-11, inclusive aqueles ex-Swiss que chegaram recentemente,  são percebidos como uma solução tapa buraco até que seja possível equacionar a vinda de novas aeronaves definitivas. No escritório de Dau duas maquetes saltam aos olhos, um Embraer-170 e um Airbus A-330, ambos nas cores da Varig. Ao contrário da imprensa nacional, os fabricantes de aeronaves civis ainda esperam muitas horas de vôo de parte da Varig. Segundo o Cmte Dau, da nova família da Embraer o modelo que mais se adequa à realidade de uma empresa como a Varig é o Embraer 190. Mesmo as empresas do Grupo Varig tendo sido sempre clientes de lançamento dos aviões Embraer, a realidade fiscal do país penaliza de forma decisiva o fabricante nacional na concorrência com os demais fabricantes estrangeiros. No mês que vem, a Varig devolverá seu último ERJ-145 ao BNDES. Se o governo pretende que volte a ser corriqueiro o uso de aviões nacionais na aviação civil brasileira, muita coisa terá de mudar no quadro atual.

 O Cmte Miguel Dau tem mais de 1500 horas pilotando caças (F-5 e AT-26 Xavante) e mais de 11.000 horas como piloto civil no comando de aeronaves da Varig. Nos seus 12 anos na FAB, Dau também teve a oportunidade de voar T-23 Uirapuru, T-25 Universal e o Neiva L-42, deixando a Força com a patente de Capitão. Na sua carreira civil, desde 1987 na Varig, ele já pilotou os Boeing 727-100 e 200, 767-200 e 300 e todos os tipos de 737 do -300 em diante. 

 

 

Last Updated on Tuesday, 25 March 2008 21:21
 

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