LET 410 e seu uso na Team PDF Print E-mail
Tuesday, 25 March 2008 19:33

 

 Pergunte a qualquer pessoa conhecedora da aviação civil brasileira que tipo de estratégia é “razoável” para a criação de uma nova companhia e, sem dúvida, a escadinha “Bandeirante/Fokker F-27/737” será pelo menos parte da resposta. Em termos de malha de rotas também não é preciso pensar muito: Congonhas, Santos Dumont e Pampulha...  A ampla maioria das empresas iniciantes seguiu este caminho provado, na direção de se tornar relevante no cenário interno. Uma, no entanto, subverteu totalmente esta tradição e surpreendentemente se deu muito bem, a TEAM. Formada a pouco mais de três anos por quatro ex-oficiais da FAB, a Transportes Especiais Aéreos e Malotes quebrou o molde ao optar logo no início pelo robusto Let-410 fabricado na República Tcheca e focar sua malha na costa do estado do Rio de Janeiro. Fazendo a rota Rio-Macaé, capital fluminense do petróleo, com três freqüências diárias e o circuito turístico SDU-Angra dos Reis/Parati/Búzios nos fins de semana.

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 Seus dois aviões, o PR-AIA e o PR-IMO, são L410UVP-E20 que é o único modelo deste avião homologado pelo CTA para operação no país. O modelo E-20 é a versão “ocidentalizada”, certificada sob às normas FAR 23/JAR 25 com mostradores nas medidas inglesas ao invés do padrão métrico. Mesmo assim, para permitir sua operação no país, o CTA exigiu uma série de alterações na aeronave. ”A certificação do CTA é mais exigente do que a da FAA, alguns empresários que compraram LETs não homologados tiveram de reexportá-los, pois a sua adaptação seria anti-econômica.”, conta o Diretor de Manutenção da TEAM. Estas alterações envolvem: haste dupla para o comando dos compensadores, rede para o compartimento de bagagem, novo circuito de alarme do trem de pouso, cintos dos pilotos com sistema inercial, altímetros reposicionados em “T” e tomadas estáticas reposicionadas para trás. Na TEAM cada avião voa entre 80 e 85 horas por mês, enquanto na Cruiser, outra empresa operadora de LET no Brasil, está voando perto de 300 horas por mês na sua única aeronave.

 Embora pouco conhecidos no ocidente antes do fim da Cortina de Ferro, mais de 1100 unidades do L410 já foram entregues e cerca de 300 unidades operam na América do Sul, Central e no Caribe. Esta grande produção garante uma farta disponibilidade de peças e sistemas de reposição. O fabricante LZ Aeronautical Industries Inc. é o maior fabricante de aeronaves civis da República Tcheca e tem uma longa tradição de qualidade desde sua fundação em 1936. Eles inclusive já forneceram planadores para o treinamento de cadetes da Força Aérea Brasileira. Por sua vez a empresa Walter a.s., fabricante dos motores 601E também tem uma longa história, operando continuamente desde 1923. Projetado na década de 70 para substituir o imortal biplano An-2 nas rotas regionais da estatal russa Aeroflot, o L410 é muito tolerante, pousando em pistas de características marginais e exigindo um mínimo de manutenção. Na sua versão E20 o L410 é capaz de transportar confortavelmente 17 passageiros e acaba chegando ao país por cerca de US$ 2Milhões, um preço muito baixo para uma aeronave da sua classe. Só para comparar, este valor é equivalente, por exemplo, ao custo de um helicóptero Esquilo, para apenas 5 passageiros. Os turbohélices Walter M601E de 750SHP  foram criados especificamente para equipar o L410 e giram as hélices penta-pá Hamilton-Avia modelo V510. Segundo o Diretor de Base da TEAM, David Faria Neto, “As turbinas tchecas são um verdadeiro trator! Cada uma custa menos de US$150mil, um terço do preço de uma das PWC PT-6 que equipa os Bandeirantes. Enquanto o overhaul de uma PT6 custa perto de US$180mil e da Walter é de apenas US$100mil. A TEAM já voou mais de 4800 horas sem nenhuma grande pane. Um grande benefício operacional da configuração asa alta é a minimização do risco de dano da turbina por aspiração de detritos.”

 
 

 A TEAM tem inúmeros planos para o futuro, especialmente o de poder servir Congonhas e cidades ao sul desde o Aeroporto de Jacarepaguá, mas isso ainda não está nos planos da Infraero nem do DAC. Durante algum tempo chegaram a operar para São José dos Campos, e esperam poder retomar esta rota em breve. Outro vôo descontinuado por falta de demanda foi Santos Dumont-Campos-Cachoeiro-Vitória-São Mateus. Faria Neto acredita que “falta às prefeituras do interior uma percepção de que cabe a elas um papel mais ativo na viabilização de uma rota aérea para suas cidades: Transporte aéreo é insumo do desenvolvimento regional, não conseqüência. O investimento necessário para a mudança da cultura de transporte é muito grande para ser arcado exclusivamente pela empresa privada”. Devido a sua curta duração, o vôo para Macaé se dá a uma altitude de 7000 pés e devido à configuração de asa alta proporciona uma vista memorável especialmente nos dias de céu claro. 

 Por razões como estas é que a TEAM foi montada completamente “fora do esquema”. Segundo Arthur Accampora seu Diretor de Manutenção “Hoje já não é fácil encontrar Bandeirantes com poucas horas no Brasil e a própria Embraer já está na fase de desativar o suporte a esta aeronave no mercado civil. Acreditamos que o L410 é o substituto ideal para o Bandeirante e o número de células em operação só não se expandiu fortemente devido à situação econômica confusa dos últimos anos.” Esse comentário faz muito sentido especialmente tendo em vista os preços agressivos que vem sendo praticado pela representante no país, a FlyLet Brasil, empresa do grupo Fink. Accampora completa: “apesar do pequeno número de aviões no país, não temos tido problemas de peças”. No Brasil, além do estoque de peças consignado na FlyLet, a TEAM e a Cruiser ainda operam um sistema de compartilhamento de peças de reposição.  

 Recentemente a TEAM deu um novo passo, está se capacitando para fazer manutenção dos seus aviões e os de terceiros. A Cruiser, do Aeroporto de Bacacheri no Paraná, opera o L410 PR-CRX e tem enviado esta aeronave aos hangares da TEAM no Aeroporto de Jacarepaguá para executar as suas revisões regulares. Sendo a única empresa qualificada para realizar as manutenções de motor, célula e hélices de 1200 horas, a TEAM está agora preparando os seus técnicos para atender os checks de 2400 horas, que é a maior revisão realizada fora da fábrica. No entanto para as manutenções de 4800 horas espera contar com a presença de três técnicos tchecos que virão de Kunovice para, junto do pessoal técnico da TEAM, realizar localmente esta inspeção.

 Em função dos mais de 300 L410 em operação no nosso continente é de se esperar que os números deles aqui no Brasil acompanhem esta trajetória notável de expansão. O quarto L410 homologado no Brasil (PT-FSE) voou durante algum tempo na empresa Aero Star da Bahia e agora está sendo disputado pela TEAM e pela Cruiser, ambas desejando expandir suas frotas no curto prazo. A TEAM acredita que com seu investimento na área de manutenção em breve aeronaves deste tipo da América Latina estarão vindo ao Rio para suas manutenções ao invés de ter de seguir para a Europa. Essa estratégia abre um novo rumo e uma imensa oportunidade para o crescimento para a empresa que orgulhosamente se apresenta como “a única empresa aérea genuinamente carioca”.

 

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