Fragata Indiana visita o Rio de Janeiro PDF Print E-mail
Tuesday, 25 March 2008 19:58

 

 

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  Na sua viagem de entrega, saindo do porto de São Petersburgo em direção ao seu futuro porto, Mumbai, na costa oeste da Índia, a Fragata da Marinha Indiana INS Tabar (F44), uma das mais modernas do mundo,  visitou o Rio deJaneiro entre os dias 23 e 26 de junho de 2004. Terceiro navio da classe Krivak III (Improved Project 1135.6), e orçada em aproximadamente US$280 milhões, a INS Tabar adiciona à tradicional família de Fragatas russas  Krivak uma série de modificações marcantes entre elas a superestrutura futurista, em aço, com paineis laterais inclinados e contornos "stealth", que reduzem marcadamente a sua assinatura de radar. Os novos sonares tanto o de proa quanto o TAS são desenvolvimentos indianos. Suas "irmãs" a INS Talwar (F40) e a INS Trishul (F43) já estão em operação desde o meio do ano passado. As Improved Krivak buscam ocupar o espaço criado com a aposentadoria das últimas Fragatas da Classe Leander e o início das entregas das novas Fragatas Project 17 que são derivadas diretas deste modelo, porém maiores e mais pesadas. Além das 20 Fragatas previstas da Classe Project 17 a serem fabricadas exclusivamente nos estaleiros locais, a Marinha da Índia conta ainda com a opção contratual de adquirir mais três unidades iguais a INS Tabar.

Após um intervalo onde uma série de programas de re-equipamento foi adiada por falta de recursos, recentemente um total de 23 de navios estão encomendados aos três estaleiros da Índia. Possivelmente, a indústria de navios de guerra na Índia é uma das mais ativas e completas do planeta, tendo construído, apenas nos últimos 30 anos, mais de 100 navios em três estaleiros. Nesta geração, o conteúdo local dos navios indianos alcançou o patamar de 80%, sem dúvida um resultado expressivo. A Marinha Indiana opera um Porta-Aviões , comprou um outro da Rússia e está fabricando um terceiro em seus estaleiros, se configurando como um possível parceiro para quando chegar a hora de se planejar o substituto do NAe São Paulo.

A viagem de entrega da INS Tabar a levou para um grande cruzeiro de mais de 17000 mn, passando por Roterdam, Lisboa, Trinidad Tobago, Geogetown na Guiana, Rio de Janeiro, seguindo para Cape Town na África do Sul, Ilhas Mauritius, Seichelles e finalmente Mumbai.

      Mas não é só seu design que determina todo o potencial da INS Tabar. Capaz de enfrentar ameças submersas, de superfície e aéreas com igual facilidade todos os sensores e armamentos da fragata são operados de dentro do COC que permite ao comandante uma visão completa do cenário bélico fundindo todo um mar de informações digitais em terminais individuais, este tipo de integração é indispensável para se  evitar erros trágicos como os que ocorreram nos USS Snark e no USS Vincennes. No primeiro caso o oficial não conseguiu compreender corretamente o lançamento de dois Exocet por dois Mirage F-1 iraquianos, causando a morte de 37 tripulantes no navio. Pouco mais de um ano depois, assustado com o caso anterior o comandante disparou mísseis SAM contra um Airbus da IranAir causando a morte de mais de 290 passageiros civis.

A integração de sistemas de origens diversas embora um processo caro e arriscado é o caminho escolhido pas Forças Armadas Indianas que buscam montar uma solução "best of breed" com elementos de origem russa, européia , israelense e local. O Almirante Madanjit Singh Comandante em Chefe do Comando Naval Ocidental da Marinha Indiana, que acompanhava a INS Tabar na sua viagem, a maior competência dos profissionais indianos está justamente na área de softwares, sistemas de informações e de telecomunicações, habilidades cruciais para fazer a qualquer processo de integração funcionar, dentro do prazo e do orçamento alocado. O Comandante da INS Tabar  A G Thapliyal reforçou este conceito ao declarar que "A integração de sistemas heterogêneos é algo muito difícil, mas é peça-chave da nossa política de re-equipamento desde o programa Godavari do início da década de 80. Concluindo com: "Atualmente, mesmo após as inúmeras fusões no setor de material de defesa, nenhum único país é capaz de oferecer uma solução completa para atender a uma marinha como a da Índia. É cada vez mais indispensável o desenvolvimento de soluções sob medida".

Ao serem perguntados se uma possível aproximação no campo político com o Paquistão, seu arqui-rival regional,  poderia causar uma redução no tamanho da força e no orçamento de defesa, o Almirante explicou que: "o objetivo da Índia atualmente era de se consolidar definitivamente como uma marinha de "Águas Azuis", e que o Paquistão já não era mais o principal foco/preocupação geopolítico da Índia neste momento." Complementando, o Embaixador da Índia no Brasil, Sr. Amitava Tripathi disse que a diplomacia indiana estava conseguindo ter sucesso em buscar resolver as pendências fronteiriças com a China por meios meramente pacíficos e que seria de se esperar que o mesmo possa vir a ocorrer com o Paquistão num futuro próximo. Sobre a recente aproximação política e militar entre o Brasil e a Índia nos últimos anos ele disse que durante a recente visita do Presidente Lula à Índia os dois países declararm publicamente o apoio mútuo às suas pretenções de se tornarem membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU caso seja tomada a decisão de aumentar o número de membros permanentes. "Brasil e Índia são líderes naturais com grande

impacto em suas respectivas regiões, principalmente pelo tamanho de suas populações, de suas economias e de sua participação efetiva em programas da ONU. Em termos geopolíticos enquanto o Brasil vive um ambiente de segurança regional mais favorável, a Índia tem uma vizinhança um tanto mais conturbada. O orçamento total de Defesa da Índia não é fixo mas tende a oscilar próximo dos 2,3% do PIB, percentualmente um valor pequeno."

A Índia está muito otimista em relação ao Memorandum of Understanding assinado com o Brasil e a África do Sul. Os três países contam com indústrias bélicas de porte considerável e apresentam inúmeras áreas de complementaridade nos seus produtos. Ainda porém não existe nenhum programa em andamento ligado a este acordo. Um sinal deste convergência seria a anunciada compra de cinco transportes VIP Legacy da Embraer pela Força Aérea Indiana, que também está muito interessada no potencial dos aviões de guerra eletrônica derivados dos jatos ERJ-145 (AEW&C, MP e RS). Um oficial graduado do navio declarou que ao contrário do que se possa imaginar no ocidente ele preferia mil vezes entrar em combate com armamento russo do que com material semelhante ocidental, "são excessivamente frágeis e temperamentais. Fora é claro do fato que os fornecedores e países desenvolvidos usam e abusam das prerrogativas tecnológicas para pressionar politicamente países como a Índia. O Embaixador Tripathi foi muito objetivo neste tema: "A exportação não é tudo! Comprar sistemas de defesa no ocidente é algo muito caro! Faz muito mais sentido produzir localmente e desenvolver a própria tecnologia. A troca de produtos e tecnologias entre países em desenvolvimento como nós é viável mesmo que isso signifique um pequeno afastamento de fornecedores tradicionais e reconhecidos das nossa indústrias aeroespaciais e de defesa. Isso sem dúvida é uma decisão delicada em ambos os países".

Ao deixar a Baía de Guanabara a INS Tabar foi acompanhada pela Fragata F-48 Bosísio que aproveitaria a presença do navio indiano para realizarem uma Passex ao largo da costa carioca. Sendo esta primeira interação operacional das duas marinhas, o Comandante Thapliyal disse que esperava que no próximo encontro seja possível a realização de exercícios mais profundos e realistas, uma vez que sem dúvida ambas forças podem ter muito a aprender uma com a outra. Para a completa realização do potencial a ser realizado entre as duas nações no campo de Defesa, sem dúvida está na hora dos dois países passarem a contar com adidos militares em suas respectivas embaixadas.

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